Recomeço
5 Capítulo 5 - A espiã
Notas iniciais
Mia entrou no quarto do hotel e colocou a mala em cima da poltrona que havia no lugar. Castiel entrou em seguida e olhou a garota com carinho enquanto ela examinava o quarto minuciosamente. Além da poltrona, havia também um pequeno guarda-roupa e uma cama de casal.
– Desta vez, eu vou tomar banho primeiro. — avisou Mia enquanto abria a mala.
Então Vincent pulou do colo de Castiel e se acomodou em cima da poltrona disputando lugar com a mala. Em seguida ele fechou os olhos e ficou completamente imóvel.
– Parece que ele também está cansado. — observou Mia.
– Ele é o único que está cansado aqui. — insinuou Castiel antes de fechar a porta do quarto.
Mia sorriu para ele, pegou o que precisava para o banho, se aproximou e tocou os seus lábios com um beijo sutil antes de dizer:
– Eu prometo que só vou demorar uns cinquenta minutos no banho.
Castiel sorriu porque sabia que aquilo era um verdadeiro progresso para a garota a beijou de volta. Em seguida, Mia se afastou, foi até o banheiro e fechou a porta.
Enquanto isso, no quarto ao lado, Sam e Dean também se acomodavam. O mais novo colocou o notebook em cima de uma mesa que ficava próxima a janela, depois se afastou e abriu a porta do quarto.
– Ei! Onde você vai? — perguntou Dean.
– Eu estou com fome. Você não? — disse Sam.
– Se eu estou com fome? Eu estou sempre com fome. — respondeu Dean.
– Torta? — sugeriu o mais novo.
– Sempre! — respondeu Dean sorrindo — Por favor, não esqueça, ok?
Em seguida, Sam deixou o quarto, foi até o estacionamento e saiu com o Impala. Há poucos metros dali, Natalie o observou se afastar e olhou para a tela do notebook. O ponto verde continuava piscando e indicava que Dean havia ficado. Então ela fechou o notebook e desceu do carro. Momentos depois ela destrancava a porta de um dos quartos do hotel e entrava. Embora quisesse observar aqueles caras à distância, ela também precisava descansar um pouco e o próximo hotel ficava muito longe dali, já no estado do Tennessee. Então resolveu parar ali mesmo. Afinal, era só uma noite. O que poderia dar errado?
Pensando nisso, Natalie acendeu a luz e fechou a porta. Em seguida fechou as cortinas e começou a se acomodar. Olhou no relógio. Era quase duas horas da madrugada. Colocou o notebook sobre a cama e tirou as botas que usava. Em seguida, foi até o frigobar e pegou uma cerveja. Depois deitou na cama, apoiou as costas na cabeceira e abriu o notebook enquanto tomava um pouco da bebida.
Enquanto isso, Dean tirou a jaqueta e a colocou em uma das cadeiras perto da mesa.
No quarto ao lado, Mia terminou de tomar banho, vestiu um roupão branco e deitou na cama. Ligou a TV para se distrair um pouco enquanto Castiel entrava no banheiro. Sorriu para ele antes que o ex-anjo fechasse a porta.
Natalie bocejou e tirou a jaqueta que usava. Em seguida se acomodou melhor na cama e colocou o notebook ao seu lado. Olhou mais uma vez para o ponto verde na tela e murmurou antes de fechar os olhos:
– Boa noite, estranho.
Dean se aproximou da janela e fechou as cortinas. Em seguida, foi até o frigobar e pegou uma cerveja. Depois andou até a mesa, sentou em uma das cadeiras e ligou o notebook de Sam. Precisava de alguma coisa para se distrair enquanto esperava pela amada torta. Então resolveu assistir um pouco de pornô japonês e sorriu levemente ao ter essa ideia.
Perto dali, em uma loja de conveniências, Sam passava entre os corredores carregando uma cesta onde colocava alguns alimentos que escolhia nas prateleiras. No momento em que ele ia pegar um pedaço de torta para o irmão, dois homens de aproximadamente quarenta anos, que haviam estacionado dois caminhões do lado de fora momentos antes, entraram na loja conversando.
– Eu estou falando sério, Steve. Eu juro. Ele era um anjo. — afirmou um deles.
– Claro que sim, Jeffrey. E ele te pediu carona por que mesmo? — debochou o outro.
Sam colocou a torta de volta na prateleira e se aproximou discretamente do corredor onde os dois caminhoneiros estavam escolhendo alguns produtos.
– Ele estava assustado, confuso e completamente perdido. — continuou Jeffrey — E me contou que de alguma forma, ele havia perdido a capacidade de voar quando caiu lá de cima.
– Um anjo caído? — debochou Steve — Cara, então você deve ter dado carona para o capeta porque de anjo caído, que eu saiba, só existe ele.
– Não, ele não era o diabo. — discordou Jeffrey — Ele era um anjo de verdade. Um bom sujeito. Eu tinha uma úlcera há anos e quando eu contei isso pra ele, o cara simplesmente tocou a minha testa e disse que tudo ia ficar bem. E dois dias depois, quando eu fui no médico, adivinha? Eu estava completamente curado. Nem o médico conseguiu encontrar uma explicação para o que aconteceu comigo. Foi um milagre.
– Milagre só um fazia... — opinou o outro.
– Steve, se você acredita em Deus e no diabo, por que não acredita em anjos também? — perguntou Jeffrey.
– Eu acredito, Jeffrey. Mas acreditar que um deles te pediu carona... Aí é um pouco demais. — respondeu Steve.
– Com licença. — interrompeu Sam se aproximando dos dois e olhando para Jeffrey, perguntou — Eu posso falar com você?
– Sobre o quê? — desconfiou ele.
– Sobre o anjo que você viu. — respondeu Sam.
Os dois sujeitos se olharam e o que deu carona para o anjo resmungou:
– Olha, eu nem te conheço, mas se você for debochar de mim também, eu juro que...
– Eu acredito em você. — interrompeu Sam deixando o sujeito sem reação por alguns instantes.
– Por quê? — indagou Jeffrey.
Sam pensou um pouco antes de responder com sinceridade:
– Porque eu já vi um anjo também. Vários deles, aliás. Eu estou falando sério. Eu acredito em você. Agora por favor, me fala mais sobre esse anjo que você viu.
– Nossa... Outro maluco. — resmungou Steve e antes de se afastar, avisou — Eu vou esperar lá fora.
Sam viu o sujeito deixar a loja e depois voltou-se para Jeffrey que o encarava ainda desconfiado e com receio de ser ridicularizado.
– Por favor. — pediu o Winchester.
Enquanto isso, Mia estava deitada de bruços na cama, balançando as pernas lentamente e distraída assistindo um programa sobre celebridades quando Castiel saiu do banheiro vestindo um leve pijama e deitou ao seu lado também de bruços e apoiado sobre os cotovelos.
– Qual o problema da Miley Cyrus? Ela enlouqueceu? — indagou Mia.
– Talvez ela esteja possuída. — cogitou Castiel ao ver a matéria que passava sobre as últimas coreografias da cantora.
– É uma boa teoria, anjo. — respondeu Mia rindo daquilo.
Em seguida, Castiel a olhou de um jeito diferente, pegou o controle remoto que a garota segurava até então e desligou a TV sem qualquer cerimônia.
– Chega de televisão por hoje, Mia. — insinuou ele.
– Ok... — concordou ela o olhando com carinho e em seguida perguntou enquanto se aproximava dele — Humm... Que cheiro é esse?
– Loção pós barba. — explicou Castiel enquanto Mia cheirava o seu rosto e descia lentamente até o seu pescoço.
– Humm... É nova? — quis saber a garota enquanto o cheiro de Castiel começava a inebriá-la.
– Não... A de sempre... — respondeu ele com dificuldade enquanto sentia o rosto de Mia roçando suavemente no seu.
– Eu gostei... — murmurou ela enquanto seus lábios se aproximavam da boca de Castiel.
Os dois se olharam por um instante antes de se beijarem. Mia sentiu os lábios de Castiel envolverem os seus intensamente e em seguida os dois se levantaram um pouco, ficando de joelhos na cama, de frente um para o outro e bem próximos.
Mia mordeu o lábio inferior de Castiel e ele ergueu os braços para que ela tirasse a camiseta que ele usava. E Mia entendeu o que ele queria e tirou a peça de roupa a jogando ao lado da cama instantes depois. Castiel a envolveu com um abraço forte enquanto a beijava novamente e desta vez ainda com mais paixão. A segurou pelos cabelos e a deitou na cama devagar enquanto Mia deslizava as mãos por suas costas nuas.
No quarto ao lado, o celular de Dean começou a tocar e ele se assustou um pouco quando ouviu Back in Black do AC/DC tocando. Com isso, ele mexeu um pouco o braço e a garrafa de cerveja caiu no piso de madeira fazendo um barulho enorme que acordou Natalie do outro lado da parede. Automaticamente ela olhou para o ponto verde na tela do notebook e em seguida sentou na cama passando as mãos pelos cabelos. Parou intrigada ao ouvir a música que tocava ao longe até que Dean atendeu:
– Sammy? O que aconteceu? Cadê a minha torta?
Do outro lado, na loja de conveniências, Sam andava pelas prateleiras. Jeffrey tinha deixado o lugar minutos antes.
– Dean, eu acho que encontrei uma coisa sobre os anjos caídos. — começou o irmão.
– Anjos caídos? — repetiu Dean confuso e acabou sendo ouvido por Natalie no quarto ao lado.
A garota levantou da cama rapidamente e encostou a cabeça na parede a tempo de ouvir Dean continuar:
– Quando você disse que iria se dedicar ao trabalho, você não estava brincando, não é?
Do outro lado da linha, o mais novo parou em uma das prateleiras e indagou:
– Qual o problema, Dean? Você não quer saber o que eu descobri?
– Cara, são três da madrugada... Seja lá o que for, não pode esperar um pouco? Além disso, você devia estar voltando com a minha torta. — resmungou Dean enquanto Natalie se esforçava para ouví-lo.
Do outro lado, Sam franziu a testa ao ouvir alguns gemidos que vinham do notebook e deduziu:
– Dean, você está assistindo, não é? Pornografia? De novo?
O mais velho abaixou o volume do notebook e o fechou rapidamente antes de responder:
– Não.
– Dean... — começou a dizer o irmão.
– O nome correto é anime. E é uma forma de arte. E sim, eu estava assistindo. Até você ligar, me fazer derrubar a cerveja no chão e acabar com toda a diversão. — confessou Dean enquanto se levantava da cadeira e pegava um pano para limpar a bagunça. Em seguida, se ajoelhou no chão e começou a secar o piso — Ok, estraga prazeres, o que você descobriu de tão importante que não pode esperar até chegar aqui? — perguntou ele depois de deixar o celular no viva voz e colocá-lo sobre a mesa.
Neste momento, Natalie se convenceu de que precisava ouvir aquela conversa mais de perto. Então, andou nas pontas dos pés e saiu do quarto tomando cuidado para não fazer barulho. Dean levantou segurando o pano e a garrafa quebrada, mas parou intrigado ao ver uma sombra passando rapidamente perto da sua janela.
– Dean, os anjos caíram por toda a parte, certo? — recomeçou Sam — No Kansas caíram centenas deles aquela noite, mas em outros lugares houve apenas casos isolados, relatos de pessoas que dizem ter visto uma estrela cadente cair do céu.
Natalie encostou a orelha na porta e Dean olhou para a fresta embaixo dela e viu o movimento dos pés da garota sem saber exatamente que era ela que estava ali.
– Ok... — disse Dean enquanto pegava a arma presa à cintura — Nós dois sabemos que não eram estrelas cadentes. Mas o que você descobriu exatamente, Sammy?
– Bem, eu acabei de falar com um caminhoneiro que alega ter dado carona para um... Anjo naquela noite. — respondeu Sam — Parece um caso isolado. Provavelmente o anjo caiu em St. Louis. E pelo visto foi o único que caiu por lá.
– Ok, mas por que um anjo pegaria uma carona quando eles podem simplesmente abrir as asinhas e para o alto e avante? — estranhou Dean diminuindo o tom da voz enquanto se aproximava da porta devagar.
– Aparentemente, eles não podem mais voar, se teletransportar, essas coisas. — explicou Sam.
– Awesome! Além de tudo, os anjinhos sem asas ainda vão tumultuar o transporte público, as estradas, aumentar o preço da gasolina... — zombou Dean apontando a arma na direção da porta enquanto dava mais um passo.
– Dean, eles devem estar completamente confusos, tentando se adaptar e entender o que aconteceu. É por isso que eles não se manifestaram até agora. Os anjos nem sabem direito como vieram parar aqui. — expôs Sam e depois de pensar por alguns instantes nas coisas que Jeffrey lhe contou, prosseguiu — Alguns deles devem estar com muita raiva, Dean, mas pelo menos o anjo que o tal caminhoneiro encontrou parecia ser diferente.
– Diferente como nós pensamos que Metatron era? — lembrou Dean — Desculpe, Sammy, mais é meio difícil acreditar nisso.
– Metatron? — sussurrou Natalie do outro lado da porta — O que um Transformer tem a ver com isso? — perguntou a si mesma antes de aproximar o ouvido da porta mais uma vez.
Dean franziu a testa ao ouvir os sussurros dela do outro lado e colocou a mão na maçaneta.
– Tanto faz, Dean. O fato é que o tal anjo se chama Ezequiel e o caminhoneiro me contou exatamente onde o deixou. Sei lá... É uma pista. Vale a pena checar, não? — argumentou Sam.
– Ezequiel?! — exclamou Natalie sem perceber ao lembrar do nome que Claire lhe disse várias vezes desde que se as duas se conheceram.
– Ah! Já chega! — resmungou Dean abrindo a porta de repente e com isso a garota caiu no chão.
Ela ergueu a cabeça assustada e olhou para ele sem saber o que fazer.
– Oops... — deixou escapar a garota enquanto o Winchester a olhava com uma mistura de surpresa e raiva.
– Dean? — chamou Sam do outro lado — O que aconteceu? Quem está aí com você? Dean?
Natalie começou a levantar, mas Dean a interrompeu quando ordenou com firmeza:
– Não se mexa!
– Ok. — assentiu ela.
Então ele se aproximou, segurou o braço da garota a fazendo levantar e a puxou para dentro do quarto. Em seguida, bateu a porta e apontou a arma na direção dela antes de perguntar desconfiado:
– Quem diabos é você e por que está me seguindo?
No quarto ao lado, Castiel começou a abrir o roupão de Mia, deixando a mostra a delicada lingerie que a garota usava por baixo. Mas de repente, ela sentiu os olhos arderem quando seus lábios tocaram o pescoço de Castiel.
– Espera! — pediu ela o afastando.
– O quê? — perguntou ele confuso enquanto ela fechava o roupão e descia da cama — O que aconteceu?
Mia o olhou envergonhada e sentiu raiva de si mesma. Por que não conseguia mais se controlar quando estava com Castiel? Por que tinha que ser uma vampira? Um monstro? Por que aquilo aconteceu com ela? Por que cada vez se tornava mais difícil resistir ao instinto de atacar e saciar a fome que sentia? Por que aquela fome não passava nunca? E por que aquela curiosidade crescente em relação ao sangue dele?
Natalie deu um passo para trás e Dean gritou:
– Eu disse não se mexa!
– Desculpe. — lamentou ela tentando manter a calma.
– Dean? O que diabos está acontecendo aí? — preocupou-se Sam enquanto deixava as compras para trás e saía da loja de conveniências apressadamente.
Então o mais velho olhou para o celular em cima da mesa e respondeu falando mais alto e se distraindo por um instante:
– Eu ainda estou tentando descobrir, mas parece que temos uma espiã.
Natalie aproveitou este exato momento de distração de Dean para correr na direção dele e tentar desarmá-lo. Então ela segurou a mão dele com o máximo de força que pôde e tentou pegar a arma, mas Dean não largava o objeto de jeito nenhum. Com isso, os dois ficaram bem próximos e Dean olhou novamente para aquele rosto e de novo teve aquela estranha sensação de que já conhecia aquela garota. E desta vez, Natalie teve a mesma sensação e franziu a testa confusa.
Saindo daquela espécie de transe, Dean empurrou e encurralou a garota contra a parede e em seguida perguntou com raiva:
– Por que você me seguiu até aqui?
– Porque eu te achei bonito. — debochou a loira.
– Por que você estava atrás da minha porta? — indagou ele ainda mais irritado.
– Oh! Por favor, não me entenda mal, eu só ia te pedir uma xícara de açúcar. Você tem? — zombou ela novamente lhe dando um sorriso sarcástico.
– Quem é ela, Dean? — perguntou Sam enquanto entrava no Impala e dava partida.
– A loira do bar. — respondeu ele desviando um pouco o olhar do dela.
Então, quando Dean voltou a olhá-la, Natalie aproveitou que ele estava um tanto distraído e lhe deu uma cabeçada acertando a testa de Dean com força. Com isso ele se afastou um pouco zonzo e ela tentou correr em direção à saída. Mas então, Dean segurou o seu braço e a puxou de volta. Natalie acabou esbarrando na mesa e derrubando as cadeiras no chão.
– Loira do bar? Aquela do déjà vu? — indagou Sam enquanto dirigia.
– Déjà vu? — repetiu Natalie sem entender.
Mia ainda olhava para Castiel quando o barulho no quarto ao lado chamou a sua atenção.
– O que foi isso? — perguntou ela enquanto Dean e Natalie continuavam lutando um com o outro.
Em certo momento, a arma acabou caindo no chão e Natalie correu para pegá-la. Mas então Dean se jogou sobre a garota e os dois caíram na cama.
– Me solta! Saí de cima de mim! Saí de cima de mim, seu brutamontes! — gritou ela enquanto Dean segurava os seus braços contra os lençóis e a imobilizava pouco a pouco.
Natalie sacudia os pés freneticamente e tentava se desvencilhar de Dean à todo custo, mas acabou desistindo ao perceber que ele era bem mais forte do que ela. Então os dois se olharam mais um vez e por um longo período até que a raiva de ambos se dissipou e deu lugar apenas a confusão que sentiam.
– Dean? O que está acontecendo? — perguntou Sam do outro lado, mas desta vez Dean pareceu não ouví-lo.
– Me dê uma boa razão pra soltar você. — pediu Dean mais calmo enquanto olhava a garota bem perto do seu rosto — Me dê uma boa razão para confiar em você.
– Eu não sou sua inimiga... Dean. — afirmou Natalie com a respiração ofegante.
Neste momento Mia e Castiel apareceram na porta do quarto e olharam surpresos para aquela inusitada cena.
– Oh! — murmurou a garota fazendo Dean e Natalie olharem para ela.
– Mia? — chamou Sam do outro lado — Dá pra alguém me dizer o que está acontecendo aí?
– É difícil explicar, mas eu acho que o Dean está no meio de um... Encontro. — supôs a vampira.
– Ok, já chega. — resmungou Sam desligando o celular e acelerando o carro.
Mais uma vez, Natalie aproveitou o momento de distração e desta vez deu uma joelhada numa parte sensível do corpo de Dean. Automaticamente ele saiu de cima dela e se encolheu na cama sentindo muita dor.
– Filha da... — começou a xingar ele enquanto a loira saía da cama e se afastava.
Mas ao tentar passar por Mia, a vampira parou na frente da loira e a encarou antes de dizer:
– Pare.
Natalie obedeceu, mas em seguida olhou confusa para a garota e se perguntou:
– Por que eu parei?
– Porque eu mandei você parar. — respondeu Mia.
– Como? — indagou a loira ainda mais perplexa — Você é um deles? Um anjo?
– Tá mais pra capeta... — resmungou Dean enquanto gemia de dor.
– Oh! Obrigada, Dean! — ironizou Mia.
– Não... Você é a vampira que ele e o cabeludo estavam falando no bar. — deduziu Natalie e desta vez foi Mia que ficou confusa.
– Vocês estavam falando de mim? — indagou ela olhando para Dean na cama — Sobre o quê?
– Nada... — mentiu ele enquanto se contorcia.
– Desculpe, Dean, eu não queria te machucar. — disse Natalie com sarcasmo olhando para ele — Mas você precisa melhorar o seu jeito com as mulheres. Só uma dica.
– Eu vou anotar essa. — respondeu Dean enquanto se arrastava e apoiava as costas na cabeceira da cama. E só então ele olhou direito para Mia e Castiel e perguntou — Mia, por que você está de roupão? E onde está a camisa do Cas?
– É que nós estávamos... — tentou explicar Castiel.
– Oh... Por favor, não respondam... — dispensou Dean.
Mia e Castiel se olharam um tanto constrangidos e rapidamente ela retomou o assunto inicial:
– Então, Dean, o que você quer que eu faça com a loira?
Finalmente recuperado, Dean sorriu e levantou da cama. Natalie olhou para ele com certo receio. Em seguida ele se aproximou e andou em volta dela fazendo suspense.
– Por favor, diz alguma coisa. — pediu Natalie sem gostar daquela situação.
– Calma, eu estou pensando. — provocou Dean e em seguida começou a mexer nos cabelos dela — Deixa eu ver... Bem, Mia, você podia convencer a loira aqui a cortar esses longos, lindos e sedosos cabelos que demoraram anos para chegarem neste comprimento. Cortar bem curto, aliás. E talvez pintar com alguma cor bem... Exótica. Que tal? A pior forma de torturar uma mulher é mexendo com o seu cabelo, não é?
Mia riu ao perceber que Natalie estava realmente assustada com aquela ideia e de Dean por estar irritado e ao mesmo tempo se divertindo ao torturar a loira psicologicamente.
– Dean... — repreendeu Mia.
– Ok. Primeiro eu quero que você peça gentilmente para ela sentar na cama. E depois eu quero saber quem ela é, por que me seguiu, como me seguiu e o que está planejando. — orientou Dean.
Mia assentiu e olhou para a loira que parecia ainda mais desconfortável com aquela situação. Então Dean ficou ao lado de Mia e Castiel, cruzou os braços e anunciou:
– Vamos começar logo com isso.
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