Recomeço

45 Capítulo 45 - Feliz Natal


Notas iniciais
Eitcha lelê!!! Tô chegando na Cohab com o famigerado e aguardado capítulo de Natal!!!! Bem, neste capítulo, eu quis mostrar alguns momentos românticos do primeiro Natal dos casais fofis, trazer alguns personagens para singelas participações especiais, explorar mais um pouquinho do lado humano do Crowley e celebrar o Natal no meio disso tudo ué! Espero que gostem! Lá vai!

Era manhã do dia 24 de dezembro e ainda de pijama, Dean abriu a porta da masmorra e entrou.

Crowley estava deitado numa cama que havia sido posta no centro da armadilha do diabo, há uma semana, quando Mia voltou da morte e conseguiu algumas regalias para ele.

– Jingle bells, jingle bells, lá lá lá lá lá... — cantarolava o demônio enquanto olhava para o teto onde também havia uma chave de Salomão. E ao ver Dean, perguntou — Ei, Squirrel! E então? Você foi um bom menino este ano? — ele sentou na cama e só então viu que o caçador segurava um recipiente metálico e uma seringa — O que é isso? — quis saber ele.

– Isso? Ah! Isso é a sua boa ação de Natal. — respondeu Dean e em seguida foi até uma pequena mesa no canto da sala, colocou o recipiente sobre ela, perfurou uma veia do braço com a agulha e começou a retirar uma amostra de sangue.

Crowley observava tudo atentamente, mas continuava sem entender o que o Winchester planejava. Dean despejou a primeira amostra de sangue no recipiente e depois tirou mais algumas. Quando o recipiente já estava relativamente cheio, ele o pegou e se aproximou do demônio. Entregou o recipiente repleto de sangue para ele e explicou:

– Eu quero que você faça uma ligação, Crowley.

– Claro, pra quem? Para o Papai Noel? — zombou ele.

– Para os demônios que estão com a Sra. Tran. Eu quero que você peça para eles soltarem a mãe do Kev. — respondeu Dean.

– Desculpe, Squirrel, mas mesmo que eu quisesse, seria impossível conseguir algo assim. A Sra. Tran está morta. — esclareceu Crowley.

Dean observou o demônio por alguns instantes. Depois pegou uma cadeira no canto da sala e sentou de frente para ele. Então, prosseguiu:

– Ok, o negócio é o seguinte, Crowley. Eu acredito em milagres de Natal.

– Então você acredita que a Sra. Tran está viva? — indagou ele.

– Não é deste milagre que eu estou falando. Eu estou falando de você, Crowley. Você sim é um milagre ambulante. Você ajudou a Mia a se curar do vampirismo, lembra? Você não mentiu sobre a cura, Crowley. E um demônio sincero é mesmo um milagre hoje em dia. É por isso que eu estou aqui agora na sua frente. Porque eu espero mais um milagre de você. Eu quero que você ajude o Kevin também. Eu quero que você liberte a mãe dele.

Crowley o observou por algum tempo enquanto pensava e depois perguntou:

– Supondo que a Sra. Tran esteja viva e que eu possa libertá-la, o que eu ganharia fazendo isso?

Dean pensou um pouco e respondeu:

– Ok, eu vou ser bem honesto com você, Crowley. Eu te odeio. Com todas as minhas forças e por tudo o que você fez a todos nós, eu te odeio muito. Mas existe rumores de uma guerra vindo por aí. E se isso for mesmo verdade, seria interessante ter alguém que conhece os demônios e o Inferno ao nosso lado. Então ajude o Kevin a reencontrar a mãe dele, e além de ganhar mais algumas regalias, talvez você possa passar de inimigo asqueroso para nosso aliado. Não que isso me agrade porque como eu disse, eu te odeio, mas numa guerra, às vezes, o inimigo do meu inimigo se torna meu amigo. Nós queremos destruir Abaddon e Belial. Eu suponho que você queira a mesma coisa, então...

– Então, em outras palavras, você está me oferecendo um emprego? Ao lado de vocês? Numa guerra? Que espécie de proposta é essa, Squirrel? Pelo que eu entendi eu não ganho vantagem nisso. Só vou arriscar ainda mais o meu pescoço. — disse o demônio sem gostar nem um pouco daquela ideia.

– Você acabou, Crowley. O seu reinado no Inferno acabou. Qualquer vantagem é uma vantagem para você, qualquer risco vale a pena. E você pode ter muitos defeitos, afinal você é um demônio nojento, mas você também é um cara inteligente. E eu estou te dando a chance de acabar com os seus inimigos. Além disso, você não precisa mais da Sra. Tran. Nós já sabemos de cor o que está escrito na Tábua dos demônios, mas nós não podemos fechar o Inferno porque o Sammy morreria se completasse os testes, então... Não faz sentido continuar mantendo a mãe do Kevin como refém. Solte-a, Crowley e agarre essa chance que eu estou te dando. A chance de recomeçar. Você sabe que é o máximo que vai conseguir aqui. Então... Aceite e recomece. Ouça esse lado humano que eu sei que está aí em algum lugar dentro de você e recomece. — propôs Dean. Em seguida, ele levantou e antes de sair da sala, olhou para o recipiente com o sangue e encerrou — Leve o tempo que precisar, mas liberte a Sra. Tran. Feliz Natal, Crowley.

Então o demônio ficou completamente sozinho na masmorra e começou a pensar na proposta do Winchester. Olhou para o sangue no recipiente. Em seguida o colocou no chão, deitou na cama e voltou a cantarolar:

– Jingle bells... Jingle bells...

XXX

Dean voltou para o quarto de Natalie, onde havia passado a noite, e deitou ao lado dela na cama quebrada. Abraçou a garota por trás e beijou o trecho entre a orelha e o pescoço dela deixando a loira ligeiramente arrepiada. Em seguida, ela se virou ficando de frente para ele e ainda sonolenta, tocou os lábios de Dean com um beijo suave deixando o caçador ligeiramente arrepiado.

– Bom dia, dorminhoca. – sussurrou ele depois que ela afastou o rosto e abriu os olhos.

– Bom dia, Sr. Awesome. – respondeu ela e depois perguntou – Será que eu posso te pedir uma coisa de Natal?

– Claro. O que é? – quis saber ele.

– Será que você poderia consertar a minha cama, por favor? – indagou a loira.

– Pra quê se nós vamos quebrá-la de novo? – rebateu Dean.

Natalie choramingou constrangida e deu as costas para ele. Dean a abraçou de novo e a loira contou:

– Dean, ontem a Claire veio aqui me pedir o shampoo emprestado e quando ela viu esta cama nesta situação... Eu não sabia onde enfiar a minha cara. Ela perguntou o que tinha acontecido e eu respondi “Cupins! Cupins são terríveis!”. Mas ela não acreditou muito e eu acho que ela riu antes de sair do quarto.

O Winchester começou a rir daquilo e Natalie protestou:

– Não tem graça, Dean! Eu fiquei morrendo de vergonha.

– Ok... – disse ele tentando parar de rir e quando conseguiu, prometeu – Eu vou consertar a cama, ok? Eu prometo. Mas eu acho que não vai adiantar muito porque você sabe como cupins são, não sabe? São verdadeiras pragas insaciáveis...

– Cala a boca... – resmungou ela tentando não rir.

Ele a abraçou mais forte e sugeriu:

– Talvez seja melhor comprar outra cama. De carvalho maciço, daquelas bem resistentes, que duram décadas e que devem ser 100% à prova de Dean e Natalie. E mais espaçosa do que esta e do que a minha também. Aí eu poderia me mudar de vez para o seu quarto... Ou você para o meu...

Natalie franziu a testa e virou-se para ele antes de perguntar intrigada:

– O que diabos você está sugerindo, Sr. Awesome?

– O que você acha que eu estou sugerindo, Naty? – desafiou ele a olhando com carinho.

– O que eu acho é que para alguém que me achava tão insuportável, você está querendo passar tempo demais comigo. – respondeu ela sorrindo levemente.

– Nenhum tempo que eu passe com você é demais, Natalie. Na verdade, sempre parece muito pouco. Além disso, eu gosto da ideia de acordar e você ser a primeira coisa que eu vejo quando abro os meus olhos. – expôs ele.

– Quando foi que você se tornou tão romântico, Dean Winchester? – surpreendeu-se ela.

– Digamos que eu conheci uma garota insuportavelmente especial que me deixou meio bobo. – respondeu ele.

Natalie o observou por algum tempo, mordeu o lábio inferior e depois concordou:

– Ok, vamos pensar na cama nova e numa possível mudança de quarto. Porque a verdade é que eu também gosto da ideia de acordar ao seu lado, Dean. Aliás, eu não me vejo de outra forma pelos próximos... Mil anos.

– Quando foi que você se tornou tão romântica, Natalie Jones? – indagou ele.

– Bem, digamos que eu também conheci um cara muito especial. Um idiota, é verdade, mas um idiota especial que me deixou meio boba também. – respondeu ela sorrindo levemente para ele.

Os dois se olharam por um longo momento, até que o Winchester aproximou o seu rosto do dela e a beijou.

– Feliz Natal, Natalie. – desejou ele afastando um pouco os lábios.

– Feliz Natal, Dean. O primeiro de muitos. – respondeu a loira e em seguida o beijou de novo enquanto Dean se aproximava mais e se posicionava sobre ela.

XXX

Castiel se aproximou de Mia e beijou toda a extensão do pescoço da garota a fazendo despertar e se mexer um pouco na cama.

– Cas, o que você está fazendo? – perguntou ela com a voz sonolenta.

Ele aproximou os lábios do ouvido dela e sussurrou:

– Nada.

Mia riu e virou-se na direção dele. Passou os braços em volta do pescoço de Castiel e o beijou de novo. Depois o olhou com carinho e perguntou:

– O que você acha da gente continuar esta conversa sobre “nada” no chuveiro?

– Eu acho que é uma ótima ideia. – concordou ele sorrindo e depois de levantar da cama, pediu – Não demore muito, ok?

Mia observou Castiel saindo do quarto e sentou na cama. Passou as mãos pelos cabelos enquanto sorria feliz. Era muito bom ter voltado a ser humana, ter sobrevivido à tudo aquilo e era muito bom amar e ser amada. Tudo estava perfeito entre ela e Castiel, mas Mia sabia que agora que tinha resolvido a questão da cura, ela devia ajudá-lo a voltar a ser um anjo. Havia passado a noite pensando numa forma de recuperar a graça dele e sem chegar a uma conclusão melhor do que aquela que havia pensado, resolveu colocá-la em prática de uma vez. Então fechou os olhos e rezou:

– Ei! Metatron, seu filho da mãe desgraçado... Aqui é Mia Clarke. Você deve ter ouvido falar de mim, não? Pois é... Então você deve imaginar o que eu quero também. Bem, eu andei pensando e já que, aparentemente o feitiço que você fez é irreversível, eu acho que você não precisa mais da graça do Cas, certo? O que foi feito, está feito, não é? E como o Céu está fechado para balanço, mesmo que o Cas volte a ser um anjo mil vezes melhor do que você jamais vai ser, ele não poderá ir atrás de você para quebrar a sua cara. O que é uma pena, mas tudo bem... – Mia fez uma pausa e depois continuou – Então, devolva a graça dele. Por favor. Você não precisa mais dela, mas ele precisa. Eu sei que você é um anjo sem nenhum escrúpulo, que não se importa com ninguém e que na verdade não é ninguém mesmo, mas eu estou apelando para qualquer traço de dignidade que ainda possa existir em você. Digamos que eu acredito em milagres de Natal. – e após mais uma pausa, completou — Olha... Eu estou disposta a fazer qualquer coisa para consertar o meu anjinho, ok? Então se você quiser negociar, entre em algum dos meus sonhos e nós poderemos conversar melhor sobre isso. Eu sei que você não vai me entregar a graça dele de mão beijada, mas deve haver alguma coisa que você queira em troca, não? Bem, pense nisso, idiota. E por enquanto, aproveite a sua solidão aí no Céu e Feliz Natal, Transformer maldito.

Mia abriu os olhos, respirou fundo e em seguida levantou e deixou o quarto. Instantes depois, entrou no banheiro.

– Por que você demorou tanto? – estranhou Castiel que tinha começado o banho sem ela.

– Ah... Eu estava fazendo uma ligação. – respondeu Mia.

– Pra quem? – quis saber ele.

Mia pensou um pouco e, embora não gostasse daquilo, resolveu mentir:

– Para a Melissa. Minha amiga da faculdade, lembra? Eu sei que eu dei adeus àquela vida, mas é Natal e eu achei que seria legal dar noticias, desejar Feliz Natal, essas coisas.

Castiel a observou por algum tempo. Estava achando Mia um pouco diferente desde que ela voltou da morte. Como se ela estivesse planejando alguma coisa e não quisesse que ele descobrisse o que era. Mas era Natal, Mia estava viva e ele a amava ainda mais. Não queria entrar em uma discussão e estragar tudo. Então sorriu e mudou de assunto:

– Ok, mas agora o que você acha de vir para cá? A água está uma delícia.

Mia passou os olhos pelo corpo nu de Castiel e enquanto se despia, respondeu:

– Bem, não é exatamente na temperatura da água que eu estou interessada, mas... Eu estou indo, anjo.

Então ela entrou no chuveiro, se aproximou de Castiel e o beijou com paixão, deixando seus corpos bem próximos. Ele passou os braços em volta da garota a abraçando enquanto o beijo se tornava mais envolvente.

Instantes depois, ele se afastou um pouco e desejou:

– Feliz Natal, Mia.

– Feliz Natal, Cas. – respondeu ela.

– Que este seja o primeiro de muitos que passaremos juntos. – disse o ex-anjo.

– Com certeza será. – garantiu a garota um pouco pensativa.

Em seguida, eles se beijaram de novo enquanto a água morna caía sobre seus corpos...

XXX

Sam caminhava no lado de fora do bunker com Claire. Ela andava na frente e ele logo atrás tampando os olhos da garota com as mãos.

– Uma surpresa? – perguntou ela sorrindo.

– Como eu disse, uma surpresa. – confirmou ele enquanto os dois se aproximavam do carro da garota.

– Alguma dica? – pediu ela.

– Calma, você já vai descobrir o que é, curiosa. – tranquilizou ele e em seguida tirou as mãos do rosto dela e orientou – Não abra os olhos ainda.

– Ok. – concordou Claire cada vez mais intrigada com todo aquele mistério.

Sam se afastou um pouco e abriu a parte traseira do carro. Em seguida se aproximou da garota novamente ficando ao seu lado e disse:

– Pronto, agora pode abrir os olhos.

Claire fez o que ele pediu e se deparou com um porta-malas repleto de coisas que a deixaram boquiaberta por alguns instantes. Ela deu alguns passos a frente e olhou para cada tipo de arma e munição que havia ali. Sam se aproximou e começou a explicar:

– Balas de prata para lobisomens e metamorfos, balas de sal para fantasmas, sal, querosene e alguns isqueiros para queimar corpos e despachar os tais fantasmas, uma pá para desenterrar os corpos, antes de mais nada, um... Tipo de maçarico para queimar e destruir wendigos, um facão para decapitar vampiros, água benta para os demônios. Ah! Também tem algumas armas para alguns tipos de deuses pagãos, um notebook para as suas pesquisas, uma faca de prata, documentos falsos, o diário do Bobby e uma pequena bibliografia sobre outras criaturas sobrenaturais que eu e o meu irmão mais vimos por aí ao longo dos anos. Basicamente, é isso. Então? Gostou?

– Se eu gostei? Sam... Eu amei! É perfeito! Eu já me sinto mais caçadora só de olhar para essas coisas. Obrigada... Eu nem sei como te agradecer por isso... – respondeu Claire empolgada.

– Bem, eu tenho uma ideia... – insinuou Sam.

Claire sorriu, ficou de frente para ele e passou os braços em volta do pescoço do caçador antes de dizer:

– É mesmo? Que tipo de ideia?

Então a garota aproximou os lábios e beijou o Winchester sutilmente. Ele sorriu e correspondeu ao beijo, mas em seguida, esclareceu:

– Não este tipo de ideia, pervertida. Eu estava pensando em continuar o seu treinamento.

Claire se afastou um pouco e lembrou:

– Mas hoje é Natal. Ou véspera de Natal, enfim.

– Eu sei, mas é provável que no próximo Natal, Claire, você esteja na estrada caçando alguma criatura bizarra. Então você tem que se preparar. – explicou ele.

Claire se afastou mais um pouco e percebendo que Sam tinha razão, resolveu não discutir aquilo e perguntou:

– Ok, então o que você tem em mente para o treinamento de hoje, professor?

Sam sorriu se divertindo com aquela ideia, foi até o porta-malas, pegou uma pá e respondeu:

– Hoje, Claire Singer, você vai aprender a cavar um túmulo. Mas não se preocupe, nós não vamos a um cemitério de verdade, eu pensei em fazermos isso aqui mesmo.

A garota segurou a pá e disse um pouco desanimada:

– Parece divertido...

– Então, vamos começar, aluna. – disse Sam se afastando e caminhando até um canto do quintal, então sentou em um banco, olhou para o relógio no pulso e orientou – Pode começar.

Claire olhou mais uma vez para a pá e depois para o chão embaixo dos seus pés antes de respirar fundo e começar a cavar.

Duas horas depois

– Ok, eu retiro o que eu disse, isso não é nada divertido. – resmungou a garota que já havia cavado bastante e agora estava dentro da cova. Enquanto continuava cavando e jogando a terra atrás de si, ela acrescentou – Sabe, Sam, até hoje eu pensava que você estava apaixonado por mim, que você me amava, mas agora eu vejo que, na verdade, você me odeia. Por quê? O que foi que eu te fiz? Foi porque eu acabei com o seu shampoo ou algo do tipo? Olha, me desculpe, ok? Eu prometo que vou comprar outro.

Ele riu e respondeu:

– Pare de reclamar e continue cavando, aluna. Falta pouco, só mais uns 30 centímetros e teremos a profundidade de um túmulo de verdade.

Claire respirou fundo tentando manter a calma e continuou cavando enquanto dizia ofegante:

– Aula de tiro, defesa pessoal... Aquilo foi legal, Sam. Foi... Sexy. Mas isso, não... Isso não é nada sexy.

Sam observou a garota atentamente por alguns instantes. A luz do Sol refletia nos cabelos dela dando uma cor ainda mais bonita para a tonalidade castanho acobreada dos fios. Ela havia prendido os cabelos em um coque para facilitar o trabalho braçal ao qual estava sendo sujeitada ali, mas algumas mechas haviam se soltado e caíam pelo seu rosto. Ela estava um pouco suada e tinha levantado as mangas da camiseta xadrez que vestia e aberto alguns botões deixando à mostra, uma regata branca e justa que usava por baixo. A calça jeans num tom escuro e as botas de cano curto completavam o look.

Sam inclinou um pouco a cabeça enquanto a observava mais um pouco e então disse:

– Eu discordo. Isso é bem sexy.

Ao ouvir aquilo, Claire sorriu incrédula e virou-se. Ao vê-lo sorrindo diante do que estava vendo, resmungou:

– Eu não conhecia este seu sorriso, Sam, mas já não gosto dele. É muito irritante, sabia?

O Winchester desmanchou o sorriso e controlou a vontade de rir antes de se defender:

– Desculpe, mas eu achei que você ia gostar de saber que está muito sexy olhando daqui.

– Eu estou suada, exausta, com raiva, descabelada, desarrumada, suja... – enumerou ela.

– Como eu disse, sexy. – reafirmou ele.

Claire o encarou por alguns instantes. Não podia negar que tinha gostado de ouvir aquilo. Então se acalmou um pouco e pediu:

– Por favor, me diga que eu já cavei esses malditos 30 centímetros que faltavam ou eu juro que vou bater na sua cabeça com esta pá.

Sam riu levemente, levantou e observou a cova que a garota havia cavado. Depois pulou dentro dela e olhou em volta. Em seguida, olhou para o relógio e respondeu:

– Você levou duas horas e dez minutos para cavar um metro e meio de profundidade por um metro de largura e dois de altura. Não é um tempo ruim, mas se o fantasma estivesse atrás de alguém, de alguma vítima, por exemplo, teria sido meio... Complicado. Por outro lado, quando você for desenterrar um corpo de verdade, provavelmente você fará isso de madrugada. Aqui o Sol atrapalhou um pouco o seu rendimento...

– Um pouco? Eu quase morri, Sam! – interrompeu ela e ao ver que o Winchester estava rindo, ordenou irritada – Para de rir de mim!

Sam se controlou, se aproximou e passou os braços em volta da garota antes de explicar:

– Eu não estou rindo de você, eu estou sorrindo para você, sua boba. Você foi ótima. Poderia ter sido melhor, se não tivesse reclamado tanto, mas foi ótima mesmo assim. Mas, por via das dúvidas, quando você for fazer isso para valer, eu quero ir junto para te ajudar. Como o seu parceiro.

– Sério? E você não acha que o Dean vai se importar de perder o parceiro dele? – indagou Claire.

– Eu acho que o Dean encontrou uma parceira à altura também. Com certeza, ele não vai se importar. – respondeu Sam.

Claire pensou um pouco e confessou sorrindo:

– Eu gosto da ideia de caçar com você, Sam. Isso sim seria bem sexy.

– Sexy, hein? – repetiu ele aproximando seu rosto do dela – Eu já disse que você fica muito sexy dizendo esta palavra?

– Eu fico sexy, é? – quis confirmar ela mordendo os lábios levemente.

– Muito... Muito sexy... Irresistivelmente sexy... – disse Sam antes de segurar o rosto da garota e envolver seus lábios com um beijo intenso.

Claire passou os braços em volta do pescoço dele e deixou a pá cair no chão. Sam empurrou a garota sutilmente contra a parede de terra enquanto continuava a beijando. Momentos depois, ele afastou um pouco o rosto e perguntou:

– Você ainda está com calor?

– Muito... – admitiu ela fazendo Sam rir novamente.

– É que eu tive uma ideia para aproveitarmos este dia lindo. – insinuou ele.

Ela sorriu curiosa para saber que ideia era aquela e minutos depois os dois começaram a lavar o carro da garota. Na verdade, eles estavam mais empenhados em se molhar e tomar um bom banho de mangueira do que em lavar o veículo.

O casal havia tirado os sapatos e se revezavam naquela brincadeira. Ora Sam molhava Claire, ora ela o molhava fazendo questão de demorar bastante com a água em cima dele como uma espécie de vingança por ele ter a obrigado a cavar terra por duas horas.

Ora Sam corria pelo quintal fugindo dela, ora Claire tentava se esconder atrás do carro para se proteger do caçador. Em dado momento, eles pararam e o Winchester beijou a garota mais uma vez.

– Feliz Natal, aluna. — desejou ele afastando um pouco o rosto.

– Feliz Natal, professor.

Depois os dois se beijaram de novo. Em seguida, Sam a segurou no colo e decidiu que era hora de tomar um banho de verdade. Então a levou para dentro e os dois foram até o banheiro...

À noite

Dean entrou na cozinha e viu Natalie de frente para o fogão mexendo alguma coisa dentro de uma panela.

– O que você está fazendo, baby? – perguntou ele olhando a panela por cima do ombro da garota – Brigadeiro... – murmurou ele ao ver o conteúdo.

Natalie desligou o fogo, pegou um pouco do doce com a colher e ergueu na altura da boca de Dean. Ele assoprou levemente e em seguida provou fechando os olhos em seguida e lambendo um pouco os lábios.

– Humm... – disse ele gostando muito do sabor. Mas quando abriu os olhos, viu que Natalie o encarava de um jeito diferente e que o rosto dela tinha ficado um pouco vermelho – O que foi? – quis saber ele.

– Nada... É que eu tive... Um pensamento impróprio. E envolve brigadeiro. – confessou ela.

– Me conta. – pediu ele curioso e então a loira aproximou os lábios do ouvido de Dean e sussurrou alguma coisa. Ele arregalou os olhos e quando Natalie se afastou um pouco, respondeu prontamente – Eu topo!

– Sério? – surpreendeu-se ela.

– Com certeza, baby. Vamos fazer isso... Por favor... – confirmou Dean empolgado com a ideia proposta pela garota.

Então Natalie segurou a mão dele o puxando para saírem dali e disse:

– Então vamos nessa, Tiger!

Ao passarem pela sala, esbarraram em Mia, que ao ver aquela cena perguntou confusa:

– Pra onde vocês vão com esta panela?

– Que panela? – indagou a loira escondendo o recipiente atrás do corpo.

– É, que panela, Mia? Não tem panela nenhuma aqui. – disfarçou Dean.

Mia observou os dois um pouco assustada e depois dispensou:

– Ok, esqueçam o que eu perguntei. Só estejam decentes na hora em que os convidados chegarem, ok?

– Nós estaremos. – garantiu Natalie antes de se afastar com Dean e subir as escadas.

– Coelhos... – resmungou Mia.

Mais tarde

Era dez horas da noite e a mesa estava posta com a ceia de Natal. No lugar de champanhe, cerveja e ponche. No lugar do Peru, hambúrgueres, fritas e saladas. No lugar de sobremesas sofisticadas, tortas de todos os tipos, sorvetes para todos os gostos e também algumas frutas típicas como uvas, damascos e morangos.

Todos estavam na sala conversando quando a campainha tocou. Sam e Dean levantaram e foram atender enquanto os outros se levantaram e ficaram logo atrás dos dois. Então quando Sam abriu a porta, uma garota de cabelos ruivos entrou. Olhou para ele e Dean e os cumprimentou sorrindo:

– Olá, bitches! Feliz Natal!

– Charlie... Feliz Natal. Obrigado por vir. — disse Sam depois de abraçá-la.

Depois foi a vez de Dean abraçar a amiga hacker e desejar Feliz Natal e então ela foi entrando e cumprimentando os outros também. Ficou um pouco impressionada com a beleza das garotas que estavam ali e as abraçou mais forte. Depois abraçou Castiel e Kevin.

Sam voltou-se para a porta e foi imediatamente abraçado carinhosamente pelo segundo convidado.

– Feliz Natal, Sammy. — disse Garth sorrindo feliz.

Sam sorriu sem graça, bateu levemente nas costas do amigo e respondeu:

– Feliz Natal, Garth. Será que você pode me soltar agora? Isso é meio constrangedor...

Garth se afastou um pouco e caminhou na direção de Dean que deu alguns passos para trás, mas também não conseguiu escapar do abraço característico do magricela.

– Feliz Natal, Dean. — desejou ele — Eu fiquei tão feliz por vocês terem me convidado.

– Na verdade, a ideia foi da Mia. — esclareceu Dean e em seguida revirou os olhos esperando que Garth o soltasse.

– Ei! Garth! Feliz Natal! — cumprimentou Mia o abraçando e ele a levantou um pouco do chão.

– Deste jeito eu vou ficar com ciúme. — reclamou Natalie dando um passo a frente.

– Ciúme? — repetiu Claire também se aproximando — Então entra na fila porque ele é já meu. — brincou ela.

– Calma, garotas. Tem Garth pra todo mundo! — disse ele antes de abraçar as duas e depois completou — Aliás, eu é que devia estar com ciúme. Eu soube que vocês andam me traindo com esses Winchesters aí... Francamente, eu não entendo o que vocês viram nesses dois, mas tudo bem, eu vou sobreviver.

Em seguida, Garth se afastou e cumprimentou Castiel e Kevin com mais abraços acalorados.

– Atenção! Nós temos mais uma convidada. — anunciou Sam e todos olharam para a porta.

– Olá, rapazes! Feliz Natal! — cumprimentou a Xerife Jody Mills aparecendo na entrada da porta.

– Feliz Natal, Xerife! — respondeu Sam a abraçando.

– Feliz Natal! — disse Dean a abraçando em seguida.

Então ela mostrou uma garrafa de conhaque que trazia e explicou:

– Era uma das bebidas favoritas do Bobby. Eu pensei em enchermos a cara em homenagem à ele. O que vocês acham?

– É uma ótima ideia. Encher a cara no Natal... Ah... Viva o espírito natalino! — aprovou Dean.

Em seguida, Jody cumprimentou os outros e Sam fechou a porta. Kevin ficou olhando para todos eles e inevitavelmente sentiu falta de uma pessoa. Dean olhou para o Profeta e notou a tristeza nos olhos dele. Foi quando o celular do Winchester começou a tocar e ele se afastou um pouco para atender o número desconhecido.

Enquanto isso, todos se sentaram à mesa e começaram a conversar, a rir, a confraternizar. Kevin percebeu que o seu celular havia vibrado sobre a mesa e o pegou nas mãos. A mensagem de Chloe lhe desejando Feliz Natal fez o profeta sorrir e responder em seguida.

De repente, Natalie olhou em volta e perguntou:

– Cadê o Sr. Awesome?

Sam olhou em volta assim como todos e lembrou de uma conversa que os dois tiveram há alguns dias. Então sorriu imaginando que o irmão havia conseguido localizar uma pessoa e respondeu:

– Eu acho que o Dean foi buscar a última convidada.

– Que convidada? — indagou Castiel enquanto todos se perguntavam de quem o Winchester estava falando.

Uma hora depois, Dean voltou ao bunker. Todos se amontoaram nas janelas para vê-lo abrir a porta do Impala. E de dentro saiu uma mulher de traços orientais. Estava um pouco abatida devido ao tempo que passou presa em um cativeiro, mas parecia feliz também. Ao vê-la, Kevin saiu correndo da sala e logo chegou do lado de fora.

– Mãe! — gritou ele enquanto corria ao encontro dela.

– Kev! Filho! — gritou ela correndo na direção dele.

E então os dois se abraçaram. E choraram no ombro um do outro. E se olharam sem acreditar que aquele pesadelo tinha acabado. Estavam extremamente felizes e emocionados porque finalmente estavam juntos de novo.

Todos observaram a cena e ficaram emocionados e felizes também. Kevin levou a mãe para dentro e Dean veio logo atrás.

– Obrigado, Dean. — agradeceu o profeta com a voz trêmula e o Winchester assentiu também feliz por aquele pesadelo ter acabado.

A ligação que Dean recebeu momentos antes era da Sra. Tran. A pedido do Crowley, os demônios que a mantinham presa há meses, a libertaram e ela ficou vagando por algumas ruas até encontrar um orelhão. E então Dean foi ao seu encontro e agora eles estavam ali, todos juntos de novo.

Era quase meia-noite e todos se abraçaram entre si mais uma vez desejando Feliz Natal. Depois voltaram para a mesa e celebraram aquele milagre. O retorno da Sra. Tran.

Kevin resolveu ir até a masmorra e entregou um copo com ponche para Crowley. Lhe agradeceu e até lhe desejou Feliz Natal, embora soubesse que demônios não comemoram aquela data. Aliás, data alguma.

Crowley preferia pensar que libertou a mãe do profeta apenas por conveniência. Por não precisar mais dela, para conseguir mais algumas regalias no bunker e até pensando na proposta de Dean em se tornar um aliado e deixar de ser o inimigo asqueroso. No entanto, quando Kevin deixou a masmorra, o demônio sentiu uma emoção diferente. Uma emoção que deixou os seus olhos um pouco úmidos. Imediatamente, ele atribuiu aquela sensação ao efeito do álcool. Mas mesmo assim ele acabou dizendo sem perceber:

– Feliz Natal...

Enquanto isso, Kevin voltou para a mesa e abraçou a mãe sentada ao seu lado. E então, todos eles voltaram a conversar, a rir, a chorar, a celebrar o fato de estarem juntos e vivos enquanto comiam e enchiam a cara.

Celebraram o amor que sentiam, a amizade que construíram no meio de toda aquela loucura sobrenatural, brindaram à memória de Bobby Singer e de todos aqueles que se foram, mas que sempre estariam com eles de alguma forma, celebraram a família nada convencional que formavam e o family business que os unia. Celebraram o Natal. O primeiro de muitos que passariam juntos.

Feliz Natal!

Notas finais
Feliz Natal, sociedade!!!!!! Tudo de bom para vocês e para vossas famílias, que o espírito natalino envolva seus coraçõezinhos assim como invadiu o coraçãozinho do Crowley. Oi? Bem, adorei escrever este capítulo, quis dar um presente de Natal mesmo para vcs e para os personagens, mas... Mas e mas... A partir do próximo capítulo, a coisa vai começar a se complicar de novo e todo este clima de harmonia começará a ir pelos ares porque Abaddon e Belial vem por aí... Sobre a conversa de Deanalie sobre a cama, estou pensando que talvez, na próxima fic, role um pedido de casamento aí.... E não só entre eles... Oi de novo? kkkkkkk tenho muitas ideias românticas aqui, mas também tenho muitas tragédias e afins para desenvolver, então muita calma eheheheheh E aí? Alguém quer uma aulinha de cavar túmulos com Sam Winchester? kkkkkkkkkkkk Neste capítulo, ele judiou da Claire tadinha, mas ao mesmo tempo foi fofo. Aos pouquinhos ele está ajudando a moçoila a se tornar a grande caçadora que está destinada a ser. Sobre a oração meiga e sincera de Mia para Metatron, saberemos se ele ouviu o pedido dela ainda nesta fic, mas sobre a recuperação da graça do nosso Cas, só teremos uma definição na próxima fic. E posso adiantar que o Transformer vai sim querer alguma coisa em troca... Sobre Deanalie e brigadeiro... Prefiro não comentar kkkkkkkkkk Quando a Naty chamou o Dean de Tiger, eu tava pensando naquela música Eye of the tiger e no Dean dançando (devaneios meus....) Mas acho fofo, os apelidos que eles colocam um no outro. Assim como Sam e Claire se tratando por Professor e Aluna é muito fofo também. Kevin reencontrou sua mami!!!! Charlie, Garth e Xerife Mills vieram pra festa também!!! Aiiiiiiiiiiiiiiiimmmmmm adorei isso, sociedade! Adorei escrever este capítulo!!!! Feliz Natal mais uma vez, tá? E vamos encher a cara!!!! Oi? Sobre o próximo capítulo... Acho que ele se chamará "O começo do fim" e teremos muitas reviravoltas, lágrimas e fortes emoções... Preparem seus coraçõezinhos. Tentarei postar até domingo dia 29 e aí depois teremos um pequeno hiatus e volto lá pelo dia 6 a postar, ok? Aguentem aí! Reviews?