Recomeço
42 Capítulo 42 - Live together, die alone
Notas iniciais
Claire começou a abrir os olhos enquanto a luz do Sol entrava pelas frestas da janela. Ela estava com a cabeça repousada no peito nu de Sam e usava a camisa xadrez dele como pijama. Suspirou e se aconchegou melhor nos braços dele. Sam respirou fundo e ainda sonolento abraçou a garota. Então, ela apoiou o queixo no ombro dele e ficou olhando para o seu rosto esperando ele acordar. Não demorou muito para que isso acontecesse e finalmente Sam abriu os olhos. Claire sorriu para ele e desejou:
– Bom dia.
Sam a olhou com carinho e respondeu:
– Bom dia.
– Dormiu bem? — quis saber ela.
– Como há muito tempo eu não dormia. — confessou ele.
– É, eu também. — admitiu Claire.
Sam ficou olhando para ela sem dizer mais nada, apenas lembrando de tudo que tinha acontecido entre eles desde que se reencontraram e especialmente na noite anterior. Sorriu sem perceber. Sentia-se leve e feliz como nunca se sentiu antes.
– O que foi? — perguntou ela.
– Eu te amo, Claire Singer. — declarou ele.
Ao ouvir isso, o coração da garota acelerou instantaneamente. Ela sentiu uma forte emoção como se aquelas palavras tivessem a abraçado de alguma forma. Era muito bom ouvir aquilo. Era muito bom ser correspondida. Era muito bom amar e ser amada. Então ela sorriu de volta e retribuiu:
– E eu te amo também, Sam Winchester. Muito.
Ao ouvir isso, o Winchester acariciou o rosto de Claire com uma das mãos e encostou seus lábios nos dela com um selinho carinhoso. Em seguida a abraçou e suspirou. Era muito bom amar e ser amado.
Enquanto isso, em outro quarto, Dean começou a acordar e ao abrir os olhos a primeira coisa que viu foi uma das pernas de Natalie sobre ele. A loira estava dormindo com a cabeça encostada em seu peito e tinha passado um dos braços em volta do abdômen de Dean. Vestia a camiseta do Led Zeppelin e uma calcinha tipo short enquanto ele estava apenas com uma cueca boxer preta.
Ele ergueu um pouco a cabeça para olhar o rosto da loira e ao ver que ela estava dormindo, deitou a cabeça no travesseiro e fechou os olhos. Mas, instantes depois, os abriu novamente e deu uma boa olhada na perna de Natalie sobre ele. Um pouco hesitante, ele colocou a mão no joelho da garota. Fechou os olhos mais uma vez e deixou sua mão subir pela coxa dela. Natalie tinha uma pele tão macia que sem perceber a mão de Dean continuou subindo...
– Tarado... — resmungou Natalie ainda de olhos fechados e em seguida deu um leve soco na barriga de Dean.
– Ai! — reclamou ele tirando a mão da perna dela imediatamente — Bom dia pra você também, cupcake. Dormiu bem?
– Eu quase não dormi, Dean... Lembra? — respondeu ela sorrindo levemente.
– Eu não tenho culpa se você é insaciável. — provocou ele fazendo Natalie lhe dar outro soco na barriga — Ai! — gemeu de novo.
– Eu sou insaciável? Olha quem fala. Você quebrou a cama, Sr. Awesome. — lembrou ela.
– Não, senhora. Nós quebramos a cama. — ressaltou Dean.
– Ok, que seja. Nós quebramos a cama. Mas isso prova que você também é insaciável. — concluiu Natalie.
– Ok, que seja. — concordou Dean e depois de pensar um pouco, colocou a mão no ombro de Natalie, encostando um dedo por vez e sugeriu — Por falar em insaciável... O que você acha da gente testar a resistência da sua cama mais tarde?
– Mais tarde? — estranhou a loira.
– É, mais tarde, porque agora eu estava pensando em tomar café. Eu estou cheio de fome.
– Fome! — exclamou Natalie finalmente abrindo os olhos e sentando na cama — A palavra mágica que move a minha vida! Eu também estou faminta, Sr. Awesome. Anda, levanta logo desta cama.
Em seguida, Natalie levantou e procurou seu short pelo quarto. Quando o encontrou, vestiu a peça e depois olhou para Dean que a observava atentamente com um leve sorriso nos lábios:
– O que foi? — estranhou ela.
Dean levantou da cama e caminhou até ela. Automaticamente, Natalie deu uma boa olhada para o corpo do Winchester e sentiu sua pulsação acelerar imediatamente. Ele parou na frente dela e esperou a garota olhar para o seu rosto antes de dizer:
– Apesar de você ser insuportável, eu te amo, Natalie Jones.
A loira sentiu seu coração acelerar ao ouvir aquilo. Era muito bom ouvir aquela declaração. Tirando a parte do "insuportável", é claro. Mas Natalie sabia que Dean não falava sério sobre esta parte e então resolveu retribuir:
– E você é um idiota, Dean Winchester. Mas eu também te amo. Que cara sortudo você é, hein?
Dean sorriu e encarou Natalie com carinho antes de envolvê-la com seus braços e lhe dar um selinho demorado.
Enquanto isso, Sam terminava de vestir a sua calça enquanto Claire permanecia deitada na cama o observando. De repente ele olhou para ela e perguntou:
– Você pensa em devolver a minha camisa algum dia?
Claire sorriu e levantou da cama.
– Claro... — respondeu ela e em seguida abriu os botões da camisa lentamente enquanto olhava profundamente para Sam.
Depois tirou a peça e jogou para ele do outro lado da cama ficando apenas de calcinha e sutiã na frente dele.
– Isso é golpe baixo, Claire. — repreendeu ele e em seguida, também jogou as peças de roupa da garota para que ela pegasse e se vestisse. — Mas, infelizmente, nós precisamos sair deste quarto. Eu quero continuar com o seu treinamento hoje. Talvez um pouco de defesa pessoal...
Claire sorriu levemente ao lembrar que ela já sabia lutar, mas preferiu não dizer nada. Preferia pegar Sam desprevenido. Então, começou a se vestir e logo os dois abriram a porta do quarto. E ao fazerem isso, viram Dean e Natalie do outro lado do corredor, saindo do quarto da loira. Os quatro se olharam sem conseguir disfarçar a surpresa e o constrangimento. Após um longo momento de silêncio, Dean olhou para Claire ao lado do irmão e murmurou:
– Claire?
– Natalie? — disse Sam olhando para a loira.
– Sam? — devolveu ela olhando para ele e Claire e imaginando o que havia acontecido entre eles.
– Dean? — disse Claire olhando para o Winchester mais velho e para Natalie ao seu lado e imaginando o que havia acontecido entre eles.
– Claire? — repetiu Dean enquanto os quatro voltavam a se olhar e a ficarem mais constrangidos diante daquela situação.
Para piorar, Mia que estava vindo pelo corredor, parou atônita ao ver os quatro ali imóveis. Dean e Natalie na porta do quarto dele e Sam e Claire na porta do quarto dela, todos com as roupas um tanto amassadas, um pouco descabelados e com cara de que tinham aprontado alguma coisa. Rapidamente, a vampira deduziu o que havia acontecido e se aproximou com um leve sorriso. Ao passar por eles, provocou:
– Bom dia... Coelhos.
Em seguida, Mia continuou andando e desceu as escadas.
– Eu vou tomar um banho. — anunciou Claire querendo quebrar aquele silêncio que se instalou entre eles. E então olhou para Sam e antes de voltar para o quarto para pegar uma roupa, combinou — Te vejo daqui a pouco.
Ele assentiu e disse para os outros:
– E eu vou para o meu quarto, pegar algumas roupas e tomar um banho também. — e em seguida, esclareceu — Sozinho! No outro banheiro...
– Eu vou fazer a mesma coisa. — disse Dean e olhando para Natalie, acrescentou — Te vejo, daqui a pouco, baby.
– Baby? — repetiu Sam tentando não rir.
– Eu vou para o meu quarto também. E depois que eu tomar um bom banho, te encontro lá embaixo, Sr. Awesome. — disse Natalie e em seguida se afastou deixando Sam e Dean no corredor.
O mais novo sorriu levemente e o mais velho cortou imediatamente:
– Nem uma palavra, Sammy.
Mas não adiantou e Sam provocou:
– Você e a Natalie... Eu sabia que tinha alguma coisa. Toda aquele papo de "Eu não a suporto" e "Ele é um idiota" era só fachada. Eu sabia...
– Você e a Claire. Eu também sabia. Todo aquele papo de "Somos apenas bons amigos e nunca vai passar disso" nunca me convenceu. — devolveu Dean e em seguida, brincou — Mas cuidado, Sammy, que o sogrinho pode puxar o seu pé à noite.
E antes que o irmão dissesse alguma coisa, Dean entrou imediatamente no quarto e fechou a porta.
– Bitch. — xingou Sam.
– Jerk! — gritou o outro dentro do quarto.
Em seguida, Sam riu levemente e foi para o seu quarto também.
Havia dois banheiros no bunker, então Claire e Natalie se revezaram em um deles e depois Sam e Dean no outro. Quarenta minutos depois, todos já haviam tomado banho, se arrumado e agora estavam sentados à mesa para tomar café.
Mia observava todos eles enquanto andava de um lado para o outro perto da mesa. Natalie estava ao lado de Dean, Claire ao lado de Sam, e Castiel de frente para eles tentando entender o que estava acontecendo ali exatamente.
– Então, vocês não tem nada para me dizer? Do tipo, "Mia, você estava certa desde o começo sobre todos nós"? — intimou a vampira.
– Isso é mesmo necessário? — indagou Sam e como Mia fez "sim" com um meneio de cabeça, ele resolveu admitir de uma vez — Tudo bem. Mia, você estava certa. Sobre mim e a Claire desde o começo. Realmente estava rolando um clima, então nós nos apaixonamos e agora estamos... Juntos.
Claire observou Sam por alguns instantes e sorriu levemente. Ele segurou a mão dela sobre a mesa e a olhou com carinho.
– E vocês? — disse Mia voltando-se para Dean e Natalie.
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, a loira se antecipou:
– Bem, o Sr. Awesome insistiu muito, muito mesmo, eu fiquei com dó e resolvi dar uma chance para ele.
– Ah! Você resolveu me dar uma chance? — protestou Dean.
Natalie revirou os olhos e resolveu admitir de uma vez:
– Tudo bem... Mia, você estava certa sobre a gente também. Eu estou... apaixonada por esse idiota, ele está completamente maluco por mim, afinal... Não tem como não gostar de mim e nós estamos... Meio juntos.
– Meio juntos? — repetiu Dean e em seguida brincou — Tem uma cama lá em cima que discorda desse "meio juntos". — e depois de segurar a mão da loira, olhou para Mia e corrigiu — Nós estamos juntos. Pra valer. Ela está completamente maluca por mim e eu resolvi dar uma chance.
Natalie sorriu discretamente e segurou a mão de Dean também. E em seguida, voltou-se para Mia e mudou de assunto:
– Ok, que lindo, o amor está no ar, mas agora... Será que nós podemos tomar café, cupido? Porque eu estou cheia de fome.
A vampira sorriu e depois de sentar ao lado de Castiel que estava um tanto surpreso pelos casais finalmente terem se assumido, consentiu:
– Claro... Coelhos. Vocês devem ter gastado muita energia ontem e devem mesmo se alimentar. Bom apetite...
Todos começaram a refeição ignorando o comentário constrangedor de Mia até que Castiel olhou para a mesa e perguntou:
– Cadê o Kevin?
Em seguida, todos pararam e escutaram a voz do profeta perto dali. Então se levantaram e seguiram o som até a sala.
Kevin estava deitado em um dos sofás, com o celular em uma das orelhas e acariciando Vincent em seu colo enquanto dizia:
– Ah não... Desliga você. Você primeiro... Eu não vou desligar enquanto você não desligar, Chloe...
– Chloe? — repetiu Dean em um tom de voz que Kevin não ouviu.
Aliás, o profeta nem percebeu que estava sendo observado por todos eles e também não ouviu Sam dizer:
– Eu acho que ele conheceu alguém no bar.
Em seguida, todos voltaram para a mesa e, imitando o que Natalie havia dito momentos antes, Mia disse satisfeita:
– Que lindo! O amor está no ar... Agora só falta eu arranjar uma gatinha manhosa para o meu Vincent.
Dean arregalou os olhos e descartou aquela ideia imediatamente:
– Não se atreva.
Mia sorriu e o tranquilizou:
– Não se preocupe, eu só estou brincando... Embora toda brincadeira tenha um fundo de verdade, mas com certeza esta é só brincadeira mesmo. Afinal, ninguém quer uma infestação de filhotes pelo bunker, não é?
Dean a olhou de canto ainda desconfiado, mas em seguida voltou a tomar café.
Mia ficou olhando para todos eles com um expressão serena. Sentia que de alguma forma, havia cumprido a sua missão com aqueles casais que finalmente eram casais agora. Encostou a cabeça no ombro de Castiel e passou as mãos em volta do braço dele enquanto todos conversavam e riam.
No entanto, ela não estava prestando muito atenção no que eles estavam dizendo porque de repente ela começou a pensar em alguém que estava preso na masmorra do bunker naquele momento e no que ela havia decidido que faria em relação à cura.
Mia estava resolvida a colocar a sua decisão em prática. E não passaria daquela noite. Não podia passar porque antes de encontrar os casais no corredor momentos antes, ela voltou a sentir um pouco de náusea. E nem o sangue de Castiel estava ajudando a passar.
De repente, Mia se deu conta de que se tudo aquilo desse errado, se Crowley estivesse mentindo e ela não voltasse da morte desta vez, então aquele era o seu último dia na Terra.
Todos riram mais alto e ela sorriu levemente sem entender qual era a piada. Em seguida voltou a ficar com o olhar distante enquanto segurava o braço de Castiel com mais força.
Uma hora depois
Sam e Claire estavam em uma sala do bunker própria para praticar luta corporal. O chão era revestido com uma espécie de acolchoado e o local era bastante amplo.
Então Sam se aproximou da garota, segurou o seu braço simulando um ataque e desafiou:
– Se alguém faz isso com você, como você reage?
Claire o encarou por alguns instantes, em seguida olhou para a mão dele apertando o seu braço e sorriu. Então, sem que o Winchester pudesse prever que ela ia fazer aquilo tão rápido e com tanta agilidade, Claire segurou no antebraço dele com a outra mão o forçando para baixo ao mesmo tempo em que passava uma das pernas por trás de uma das pernas dele o derrubando no chão, caindo por cima do Winchester e o imobilizando com certa facilidade.
– Mais ou menos assim. — respondeu ela orgulhosa de si mesma e sorrindo.
Sam a olhou incrédulo e admirado ao mesmo tempo enquanto Claire segurava os braços dele os mantendo presos contra o chão.
– Parece que alguém esqueceu de me contar que já sabe lutar, não é mesmo... Pantera? — brincou ele quando a surpresa passou um pouco.
Claire sorriu novamente e sem dizer nada, curvou-se sobre ele e tocou os lábios de Sam com um beijo suave que aos poucos foi ficando mais intenso.
Ele aproveitou que a garota havia diminuído a pressão nos seus braços, se soltou, virou-se e ficou por cima dela.
– Você é cheia de surpresas, Claire Singer. — murmurou ele a olhando com certo encanto.
– Você nem imagina quantas, Sam Winchester. — devolveu ela antes de se virar sobre ele o imobilizando mais uma vez.
Então, novamente o beijou com paixão e em seguida soltou os braços dele. Sam aproveitou e a abraçou trazendo o corpo dela para mais perto do seu. Em seguida, suas mãos subiram pelas costas de Claire, por seu pescoço e Sam a segurou com firmeza na nuca.
Uma das mãos de Claire desceu até os primeiros botões da camisa de Sam e começou a abrí-los.
Ao perceber as intenções da garota, ele a afastou um pouco e indagou um pouco assustado:
– Aqui?
– Cheia de surpresas, lembra? — insinuou ela antes de beijá-lo de novo.
Deixando-se levar pelo forte sentimento que nutria pela garota, Sam resolveu aceitar aquela sugestão e se virou sobre ela mais uma vez. Depois se afastou um pouco e tirou a camisa. Então voltou a deitar sobre Claire, a envolveu em seus braços e a beijou mais intensamente.
Enquanto isso, Natalie estava deitada na cama do seu quarto com as costas apoiadas na cabeceira olhando uma foto de Dean aos quinze anos que ele havia lhe entregado momentos antes. Ela inclinou um pouco a cabeça enquanto examinava melhor a imagem até que opinou:
– Pra mim, você também era meio baixo aos quinze anos. — e ao ouvir um ruído, pediu — Dean, dá pra parar de mexer nos meus CDs.
Houve um breve momento de silêncio até que uma música começou a tocar:
I've been really tryin', baby
Natalie franziu a testa, tirou os olhos da foto e olhou para Dean em pé, de frente para ela, perto da cômoda.
Tryin' to hold back this feelin' for so long
And if you feel like I feel, baby
Then come on, oh come on
Let's get it on, oh baby
Dean lhe lançou um olhar malicioso, um leve sorriso e apoiou uma das mãos no móvel, mas ao fazer isso, sua mão escorregou e ele se desequilibrou um pouco.
– Let's get it on? Sério? — perguntou a loira tentando não rir enquanto Dean se apoiava melhor na cômoda.
– Não me julgue, o CD é seu. — lembrou ele e depois de pensar um pouco, assumiu — Mas eu confesso que eu também gosto. É tão... Sugestiva... Você não acha, baby?
– Sim, muito sugestiva, mas agora desliga, Sr. Awesome. — pediu Natalie voltando a olhar para a foto.
Mas a música continuou tocando e ela olhou para Dean novamente. Ele estava com os olhos fechados, fingindo que estava dançando com alguém e dublando a música com uma emoção que deixaria Marvin Gaye com inveja.
Natalie colocou a foto sobre o criado-mudo e ficou olhando para Dean. Ele abriu os olhos e enquanto continuava aquela performance, foi se aproximando aos poucos da cama. Quando chegou perto o suficiente, ele segurou uma das mãos de Natalie e a puxou um pouco fazendo a garota levantar.
– Dean... O que você está fazendo? Não... Eu não quero... — relutou ela tentando se soltar.
Mas Dean não desistiu daquela ideia, segurou os braços da loira e os passou em volta do pescoço dele. Em seguida, segurou na cintura de Natalie e encostou seu rosto no dela. Fechou os olhos e só então começou a dançar lentamente com a ela.
No começo, Natalie achou aquilo engraçado, mas logo percebeu que também era bem romântico e se deixou levar pelo momento permitindo que Dean a guiasse.
Ele abriu os olhos, a girou e depois a trouxe de volta para os seus braços enquanto continuava "cantando".
Natalie o olhou profundamente por alguns instantes e sorriu. Em seguida, encostou a cabeça em seu ombro, suspirou e fechou os olhos. Era tão bom sentir Dean tão perto dela. O calor dele, o cheiro dele, o toque dele em seus cabelos, a mão dele em sua cintura.
Pensando nisso, Natalie o abraçou mais forte e depois passou as mãos pelos ombros dele e subiu em direção ao pescoço. Foi aproximando o rosto aos poucos e logo tocou seus lábios. Finalmente Dean parou com aquela dublagem e correspondeu ao beijo. Era tão bom sentir Natalie perto dele. Seu calor, seu cheiro, a maciez da sua pele e dos seus lábios.
Pensando nisso, ele segurou o rosto dela e explorou melhor os seus lábios e sua língua com um beijo que deixou as pernas de Natalie trêmulas e fez a sua pulsação acelerar imediatamente.
Então ela segurou no colarinho da jaqueta de Dean e deu alguns passos para trás o puxando para a cama. Logo, os dois caíram sobre ela.
Algum tempo depois
Um estrondo ecoou pelo quarto e Dean e Natalie começaram a rir. Nus e envoltos apenas por um lençol, eles ficaram alguns instantes sem saber o que fazer diante de mais uma cama quebrada até que Natalie refletiu:
– Ou tem alguma coisa muito errada com a mobília ou com a gente porque... Dean, definitivamente, isso não é normal. Quantas camas nós ainda vamos quebrar?
O Winchester deitou de lado e ficou olhando para a loira com um leve sorriso antes de responder:
– Se depender de mim, muitas.
– Dean, eu estou falando sério. — esclareceu Natalie.
– Eu também, baby. — afirmou ele e depois de encará-la por algum tempo, sugeriu — Mas por enquanto... O que você acha da gente testar a resistência do chão?
Natalie pensou um pouco, depois sorriu, fez "sim" com a cabeça, puxou Dean para o chão e recomeçaram.
À noite
Mia estava de frente para a pia do banheiro, se olhando no espelho enquanto penteava os longos cabelos castanhos. Quando terminou, ficou mais alguns instantes olhando para o próprio reflexo antes de pegar uma espécie de tubo de vidro em cima da pia. Em seguida, fechou um pouco a mão escondendo o recipiente, se olhou mais uma vez no espelho e disse para si mesma:
– Vamos fazer isso de uma vez, Mia Clarke.
Então ela deixou o banheiro e logo chegou no quarto. Castiel estava deitado na cama, folheando um livro, mas quando percebeu a presença da garota ali, colocou o livro no criado-mudo e disse ansioso:
– Você demorou.
– Desculpe. — lamentou ela ainda parada perto da porta.
– Está tudo bem? — perguntou ele estranhando um pouco o comportamento de Mia, pois havia certa tristeza no jeito que ela o olhava.
Ela pensou um pouco e foi direto ao assunto:
– Cas, eu preciso te pedir uma coisa.
– O quê? — quis saber ele.
Mia pensou mais um pouco e sem encontrar uma forma mais sútil de dizer aquilo, decidiu dizer de uma vez:
– Eu preciso do seu sangue, anjo.
Castiel a olhou por alguns instantes sem entender o motivo de tanta cerimônia. Então a tranquilizou:
– Ah! É isso? Você está com fome... Mia, você sabe que pode me pedir isso quando quiser. Se o meu sangue te faz bem de alguma forma, se é o único que te faz bem, eu não me importo em ajudar. Você sabe disso. — e estendendo o braço, acrescentou — Pegue. Beba.
Após um breve momento de silêncio, Mia esclareceu:
– Não é disso que eu estou falando, Cas. Eu não quero e não vou mais me alimentar de você, eu não vou morder você de novo. Nós já fomos longe demais com isso. E a verdade é que eu não quero mais ser uma vampira. Mas... Para colocar um fim nisso, eu preciso do seu sangue. É disso que eu estou falando.
Castiel abaixou o braço finalmente entendendo onde Mia queria chegar e apavorado com aquela ideia, ele discordou imediatamente:
– Mia, nós já conversamos e eu não vou deixar você ir adiante com isso. Eu não vou deixar você se arriscar deste jeito. Você não pode confiar no Crowley! Depois de tudo que ele te fez? Ele não é a resposta, Mia. Ele é a sua provável morte. E eu não vou te perder de novo. Por favor, não me peça isso. Nós vamos encontrar outra forma de reverter a transformação. Eu prometo. Então, por favor, confie em mim e não nele.
A vampira sentiu um aperto enorme no coração ao ouvir o pedido de Castiel, mas ela já havia tomado a sua decisão e não voltaria atrás. Então olhou para Castiel com certo pesar e disse:
– Bem, pelo menos eu tentei ser honesta com você. — e depois de encará-lo por alguns segundos, lamentou — Eu sinto muito, anjo.
Confuso, Castiel franziu a testa e indagou:
– Como assim? Pelo o quê?
Mia se moveu rapidamente e parou diante dele. Castiel sentou na cama atônito e tentou argumentar:
– Mia... Eu não sei o que você está planejando exatamente, mas por favor... Não faça isso... Por favor. Vamos procurar outra alternativa, tem que haver outro jeito... Eu não vou deixar o Crowley te machucar de novo... Eu não posso...
Mia se abaixou ficando de frente para ele, colocou as mãos nos joelhos de Castiel, o olhou fixamente e o compeliu:
– Pare.
E imediatamente, Castiel parou de falar e ficou completamente imóvel diante dela.
Sentindo mais uma vez aquele aperto no coração, Mia explicou:
– Eu sinto muito, Cas. Mas eu preciso fazer isso. É a minha única chance de voltar a ser normal, a ser eu de novo.
Castiel não disse nada. Conforme Mia havia ordenado, ele permaneceu imóvel, sem falar ou se mexer, apenas a olhando enquanto seus olhos enchiam-se de lágrimas.
Então Mia abriu uma gaveta do criado-mudo e pegou a espada angelical de Castiel que estava guardada ali. Em seguida, o olhou nos olhos mais uma vez e depois segurou a mão dele. Fez um corte e depois aproximou o recipiente de vidro do ferimento e apertou um pouco a mão de Castiel fazendo o sangue cair ali dentro. Quando o tubo já estava cheio de sangue, Mia o fechou com uma tampa e o colocou com cuidado sobre o criado-mudo junto com a espada. Em seguida, caminhou até o guarda-roupa, pegou uma blusa que não usava mais e rasgou um pedaço do tecido. Então se reaproximou de Castiel e amarrou o pano em volta da mão dele estancando o sangramento. Ela podia dar o seu próprio sangue para ele e assim curá-lo do corte, mas preferiu a forma convencional. Não queria submeter Castiel ao sangue do demônio que também corria pelas veias dela.
Em seguida, Mia voltou a olhar para ele e o compeliu mais uma vez:
– Você se cortou acidentalmente com uma faca na cozinha. E você não vai lembrar de nada disso, de nada desta conversa, de nada do que eu disse e fiz... Mas de uma coisa eu quero que você lembre, Cas... — Mia parou de falar vencida pelas lágrimas que não conseguiu mais segurar. Após se recuperar um pouco, ela enxugou o rosto e prosseguiu com a voz um tanto trêmula — Eu quero que você se lembre que não importa o que aconteça comigo, eu sempre vou te amar. Mesmo que por algum motivo, eu não esteja mais aqui ao seu lado... Eu vou continuar te amando, Cas. Aonde quer que eu esteja eu vou seguir te amando. Pra sempre.
Uma lágrima escorreu pelo rosto de Castiel ao ouvir isso. Mia enxugou o rosto dele e em seguida o abraçou. Ele permaneceu imóvel. Então ela voltou-se para ele mais uma vez, esboçou um sorriso e enquanto o olhava fixamente, o compeliu mais uma vez:
– Agora, se eu ainda posso te pedir mais alguma coisa, eu peço que você faça "nada" comigo, Cas. Mas desta vez tem que ser ainda mais especial. Como se fosse a última vez. Como se esta fosse a minha última noite na Terra. Nossa última noite juntos, anjo. Então... Vamos fazer com que valha a pena. Pela última vez.
Ao ouvir isso, Castiel aproximou o rosto e tocou os lábios de Mia com um beijo sútil e doce que aos poucos se tornou mais envolvente. Ela levantou um pouco e sentou no colo dele passando os braços em volta do seu pescoço enquanto ele envolvia sua cintura com um abraço apertado.
Algum tempo depois, Castiel se afastou um pouco e com cuidado deitou Mia sobre a cama. Em seguida, tirou a camiseta do pijama e se reaproximou ficando por cima dela. Acariciou seu rosto e a olhou com carinho antes de beijá-la mais uma vez.
Em seguida, começou a beijar o pescoço de Mia e ela sentiu seu corpo inteiro tremer sob o efeito daquela carícia. Ela apertava as costas de Castiel o trazendo para mais perto de si enquanto o beijava intensamente.
De repente, ele se afastou um pouco e Mia sentou e ergueu os braços. Então, lentamente ele tirou a camisola branca que a garota vestia. Voltou a deitar sobre ela e retirou a lingerie que ela usava. Então acariciou e beijou todo o seu corpo sem nenhuma pressa e com muito amor. Se aquela era a última noite de Mia na Terra, então ele queria que fosse a mais especial e inesquecível de todas.
Castiel só não entendia direito porque estava pensando essas coisas. Estava um pouco confuso desde que Mia o compeliu. Mas independente de qualquer coisa, ele queria fazer aquilo. Queria fazê-la se sentir ainda mais amada e desejada. Queria fazê-la feliz, embora pudesse sentir a tristeza que ela tentava disfarçar.
Pensando nisso, ele terminou de se despir e voltou para os braços de Mia. Suas mãos subiram pelas pernas dela e percorreram todo o seu corpo. Mia acariciava os braços e as costas de Castiel enquanto suas pernas se entrelaçavam nas dele. A cada segundo, seus corpos ficavam mais próximos, envolvidos e quentes. As carícias se intensificavam, assim como os beijos.
De repente, uma lágrima escorreu pelo rosto de Mia. Uma lágrima também percorreu o rosto do ex-anjo antes que ele se unisse à garota.
Algum tempo depois
Mia estava com a cabeça apoiada no peito nu de Castiel e abraçada à ele enquanto um cobertor envolvia seus corpos.
Ela sabia que podia compelir o ex-anjo mais uma vez para que ele não a visse saindo do quarto, mas preferiu esperar que Castiel adormecesse. Queria aproveitar cada instante com ele já que aquela podia ser mesmo a sua última noite na Terra. Isso porque Crowley podia estar falando a verdade e ela voltaria da morte mais uma vez, ou ele podia estar mentindo e então ela não voltaria nunca mais.
Mia sabia que estava correndo um grande perigo ao confiar no demônio, mas a possibilidade de voltar a ser humana valia qualquer risco. Além disso, se ela não se curasse do vampirismo, o seu corpo continuaria rejeitando a transformação, até um ponto em ela enlouqueceria e acabaria dando um fim naquela tortura de um jeito ou de outro. Então se de qualquer forma ela iria morrer, pelo menos iria morrer lutando. Até o fim.
Pensando nisso, Mia olhou para Castiel e percebeu que ele estava dormindo. Então, respirou fundo e levantou com cuidado para não acordá-lo.
Minutos depois, ela deixou o quarto vestindo uma calça jeans, uma blusinha branca e um casaquinho por cima porque a madrugada estava um pouco fria.
Em seguida, ela pegou o tubo com o sangue de Silas em uma gaveta da cômoda, o tubo com o sangue de Castiel no criado-mudo e os colocou no bolso do casaquinho.
Olhou para o ex-anjo dormindo. Aquela podia ser a última vez que ela estava olhando para ele e, por isso, demorou um pouco naquela espécie de despedida.
– Eu te amo, anjo. — disse ela e então respirou fundo e fechou a porta.
Desceu as escadas devagar. Não estava com muita pressa de morrer. Ao passar por uma das salas do bunker, pegou em um dos armários um recipiente maior para Crowley fazer o feitiço com os sangues. Também pegou uma estaca em uma das gavetas e sentiu um arrepio percorrer o seu corpo. Vampiros não gostam muito de madeira.
Ficou alguns instantes parada pensando se realmente estava fazendo a coisa certa. Em seguida olhou em volta e ficou pensando em tudo que viu e viveu no bunker. E de tudo que viveu antes de chegar naquele lugar. Lembrou da madrugada em que Castiel invadiu o seu quarto, da decisão de seguir dois "agentes do FBI", do cemitério onde viu Sam e Dean desenterrando e queimando um corpo... De quantas vezes morreu e voltou, das vezes em que esteve em Mystic Falls, de tudo que viveu por lá, do Hotel Califórnia, dos seus pais, da sua infância, da faculdade, das coisas que viveu desde que se tornou caçadora, dos casos que investigou, das criaturas que despachou, da transformação em vampira, do amor insaciável que sentia por Castiel... E muitas outras memórias. Era como se a sua vida realmente estivesse passando como um filme diante dos seus olhos. Com pensamentos que se misturavam em sua cabeça. Lembranças boas e ruins de épocas bem diferentes de sua vida.
Ela voltou a caminhar enquanto continuava pensando no seu passado, no seu presente e no seu futuro incerto e nebuloso.
Logo chegou na porta da masmorra e hesitou um pouco com as mãos na maçaneta. Fechou os olhos e respirou fundo. Em seguida, abriu os olhos e empurrou a porta dupla para dentro.
O lugar estava semi iluminado por fracas lâmpadas. Às vezes, Sam e Dean deixavam as luzes acesas e às vezes deixavam Crowley na mais completa escuridão. Ainda estavam decidindo o que atormentava mais o demônio.
Por falar em demônio... Lá estava ele. Sentado, de frente para ela, a encarando como se soubesse que a garota iria ali. E essa teoria se confirmou quando Crowley disse:
– Olá, Mia. Eu estava esperando por você.
Então o demônio lhe lançou um sorriso cínico e Mia fechou a porta atrás de si.
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