Recomeço

14 Capítulo 14 - Tenha uma boa noite


Notas iniciais
Chuva no telhado, vento no portão, e eu aqui... Nesta solidão. Fecho a janela, está frio o nosso quarto, e eu aqui, sem o seu abraço... Oi?

Bem, capítulo escrito ao som de Temporal de Amor de Leandro & Leonardo. Cuma?

Alice Braga, sua linda!!! Muito obrigada por recomendar a fic! Fiquei com os olhos marejados aqui... Valeu mesmo!

Obrigada a todo mundo que tá curtindo os mistérios da meia-noite desta fic! Mais mistérios vem por aí, mas também teremos algumas respostas.

Queria fazer um merchan. Gente, eu tenho um bloguinho sobre Supernatural. Quem quiser me deixar feliz, faz uma visitinha lá. http://www.dswinchesterblog.blogspot.com.br/ . Se gostares, sigam! E se não for pedir muito, curte a fanpage também https://www.facebook.com/DSWinchesterBlog

Ok. Bora pro capítulo!

Mia e Castiel haviam parado em um hotel em Little Rock no Arkansas para passarem a noite. Ao entrarem no quarto, a garota colocou a mala no chão, se jogou na cama e fechou os olhos enquanto Vincent se acomodava na poltrona como de costume. Castiel olhou para aquela cena e ficou um pouco pensativo. Depois de fechar a porta, ele se aproximou da cama e tirou os sapatos que Mia usava. Os colocou no chão e depois deitou apoiado na cabeceira e ficou a observando por algum tempo até resolver perguntar:

- Você não me ama mais?

Mia, que estava quase dormindo, abriu os olhos ao ouvir aquilo e indagou:

- O quê?

- Responda a pergunta. — pediu ele.

Mia fechou os olhos e murmurou sonolenta:

- Sabe, Cas, você precisa aprender uma coisa essencial sobre a humanidade. Carência e insegurança são características tipicamente femininas. Somos nós, mulheres que precisamos ouvir "Eu te amo" de cinco em cinco minutos, não os homens.

Castiel pensou um pouco e então insistiu:

- Você não respondeu a minha pergunta.

Mia abriu os olhos e respirou fundo antes de se aproximar de Castiel e dizer olhando em seus olhos:

- Sim, eu te amo, anjo. Ainda amo e vou amar até os próximos cinco minutos quando você me perguntar isso de novo. — ao ouvir isso, Castiel sorriu levemente e Mia se aconchegou em seu peito e fechou os olhos antes de dizer — Agora vamos dormir.

- Dormir? — repetiu Castiel com certa malícia — Mas... Eu tinha outros planos.

- Cas... Eu estou cansada. — murmurou Mia.

Castiel refletiu um pouco e perguntou um tanto ofendido:

- Cansada de mim?

- Não, anjo... Cansada de dirigir. — respondeu Mia.

Após um longo momento de silêncio, em que Mia pensou que Castiel finalmente ia deixá-la dormir, ele continuou:

- Foi alguma coisa que eu fiz? Por que você está diferente comigo?

Mia abriu os olhos e enquanto sentava e se apoiava na cabeceira da cama, resmungou:

- Certo... Ele quer mesmo discutir a relação às duas da madrugada...

- Então eu fiz alguma coisa. — deduziu ele — Por que se nós vamos discutir a relação é por que tem alguma coisa errada...

- Cas... — interrompeu Mia rindo enquanto passava as mãos pelo rosto. Depois de respirar fundo, ela esclareceu pausadamente — Não, você não fez nada de errado, anjo. Está tudo bem. Mas eu preciso descansar um pouco. Só isso.

Castiel a observou por algum tempo ainda desconfiado de que alguma coisa estava errada e então lembrou:

- Você não falou nada durante a viagem inteira.

- E? — indagou ela.

- "E" que você nunca pára de falar, Mia. Inclusive, às vezes, você fala dormindo. — argumentou Castiel.

- Isso não é verdade. — protestou ela.

- Geralmente, é o meu nome... — completou ele a olhando com carinho.

Ela sorriu e disse:

- Bem, isso deve ser verdade. — e após um tempo pensando, resolveu mentir para não preocupá-lo. — Eu só estou cansada, anjo. Só isso. Amanhã eu vou estar melhor.

Castiel a olhou preocupado. A princípio, ele apenas desconfiava que Mia estava escondendo alguma coisa, mas agora tinha certeza. Isso porque ela tentava disfarçar uma tristeza no olhar, mas ele percebeu porque a conhecia melhor do que ninguém. Então, resolveu insistir mais uma vez:

- Você não está cansada, Mia, você está estranha. Desde hoje de manhã, na verdade. O que aconteceu?

Mia não conseguia mais disfarçar a angústia que estava sentindo, mas, ao mesmo tempo, não queria falar sobre aquilo. Não até entender se tinha sido um mal estar isolado ou se aquilo que aconteceu de manhã voltaria a se repetir. Só queria esquecer aquilo por uma noite.

Então ela se aproximou de Castiel e se aconchegou no seu peito. Ele ficou um pouco confuso e surpreso com aquela atitude, mas quando ia perguntar o que estava acontecendo, percebeu que os olhos de Mia estavam ainda mais tristes. Então ela fechou os olhos e uma lágrima escorreu pelo seu rosto. Pressentindo que Castiel ia se manifestar, ela se adiantou e pediu:

- Por favor, não pergunte nada, anjo. Não hoje. Por favor. — e o abraçando mais forte, acrescentou — Eu só quero ficar assim. Por favor... Apenas me abrace, anjo. Não fale mais nada.

Instintivamente, Castiel obedeceu e decidiu não falar mais nada. Pelo menos não aquela noite. Porém aquela atitude de Mia o deixou ainda mais intrigado e preocupado. Tinha alguma coisa errada com a garota.

Ele a abraçou mais forte, beijou sua testa e ficou afagando os cabelos de Mia até ela adormecer.

Enquanto isso Dean parou o Impala no estacionamento do mesmo hotel e olhou para Natalie ao seu lado. A loira dormia profundamente. Ele a observou por mais alguns instantes e teve a impressão de que ia se lembrar de onde a conhecia, mas em seguida, tudo ficou nebuloso de novo e Dean resolveu esquecer aquele maldito déjà vu por enquanto. Então tirou um dos fones que Natalie mantinha nos ouvidos e chamou o mais alto que pode:

- Ei! Loira! Acorda!

Natalie fez uma careta, virou o rosto para a janela e resmungou sem abrir os olhos:

- Eu te odeio, Dean Winchester.

- A recíproca é verdadeira. — provocou ele na esperança de que ao ouvir aquela frase, ela acordasse de uma vez. No entanto, Natalie permaneceu imóvel. Então, Dean esclareceu — Eu não vou carregar você de novo, Natalie. Você é pesada demais. Já pensou em fazer um regime?

- Vai pro inferno, Dean. — resmungou ela sonolenta.

- Na verdade, eu já fui. — respondeu ele.

- Certo... — murmurou Natalie pensando que aquilo era mais uma brincadeira sem graça de Dean.

Ele franziu a testa surpreso por ela não ter levado à sério, mas resolveu não entrar naquele assunto. Primeiro porque Natalie não estava muito a fim de conversar e segundo porque ele não queria conversar com ela sobre aquilo. Nem sobre nada. Não queria nenhuma proximidade com a loira. Pensando nisso, ele tirou o cinto de segurança e disse antes de sair do carro:

- Tudo bem. Você quer ficar aí? Então fique. Boa noite.

Quando Dean bateu a porta do carro, Natalie se mexeu assustada com o barulho inesperado e xingou baixinho:

- Son of a bitch.

Dean olhou para trás imaginando que a garota tivesse saído do carro, mas para sua surpresa Natalie permaneceu dentro dele. Então ele revirou os olhos e caminhou até a entrada do hotel. Tocou a campainha em cima do balcão e logo um rapaz apareceu.

- Eu preciso de dois quartos de solteiros. — começou Dean.

O rapaz abriu um livro com os registros dos hóspedes, folheou algumas páginas e em seguida avisou:

- Desculpe, mas eu só tenho um último quarto. De casal.

- Você está brincando, não é? — duvidou Dean, mas pela expressão do rapaz, ele deduziu que infelizmente ele estava falando sério. Então, Dean olhou em direção ao estacionamento e avistou Natalie no carro do mesmo jeito que ele havia deixado. Em seguida, revirou os olhos e voltou-se para o rapaz da recepção antes de dizer — Ok, eu vou ficar com o quarto.

Enquanto isso em Kansas City, Sam e Claire pararam na varanda de um hotel e se olharam por alguns instantes, antes do Winchester dizer:

- Te vejo amanhã.

Claire assentiu e colocou a chave na fechadura enquanto Sam se afastava um pouco em direção ao seu quarto do lado daquele. No entanto, de repente, Claire parou o que estava fazendo e indagou:

- Posso te fazer uma pergunta?

Sam se virou para ela e respondeu:

- Claro.

Então a garota o observou por alguns instantes antes de perguntar:

- O que aconteceu?

- Como assim? — não entendeu ele.

Claire deu alguns passos em sua direção e explicou:

- Pode ser pretensão minha, mas eu acho que eu já te conheço um pouco, Sam. O suficiente para dizer que este não é você. Você está diferente, calado, estranho, desde que nós saímos do hospital hoje cedo. Por quê? Foi alguma coisa que eu disse? Foi a minha história maluca?

- Não! Não tem nada de errado com a sua história, Claire. — esclareceu Sam prontamente e após uma longa pausa se perguntando se deveria dizer ou não o motivo que o deixou daquele jeito, resolveu desconversar — Eu só estou um pouco cansado. Só isso.

Claire o olhou ainda desconfiada, mas percebeu que Sam não diria nada aquela noite. O que era uma pena porque por um instante, só por um instante, Claire pensou que talvez eles pudessem ser amigos. Mas pelo visto, Sam ainda não confiava o suficiente nela para ser honesto e dizer o que realmente estava acontecendo. Um pouco decepcionada, a garota se afastou e antes de entrar no quarto, encerrou:

- Se é assim, então... Boa noite, Sam.

- Boa noite, Claire. — assentiu ele antes de entrar no outro quarto e fechar a porta rapidamente como se estivesse fugindo de um fantasma.

Ficou apoiado na porta algum tempo antes de colocar a mochila sobre uma poltrona e procurar o celular no bolso da jaqueta. Precisava falar com Dean urgentemente.

No entanto, naquele momento, o Winchester mais velho pegava Natalie no colo depois de ter tentado acordá-la mais uma vez, sem sucesso. Estava impressionado como o sono da garota era pesado. Mas em seguida pensou que ela devia estar fazendo aquilo para irritá-lo de alguma forma.

- É a última vez que eu estou fazendo isso. — resmungou ele enquanto Natalie passava os braços em volta do seu pescoço quase involuntariamente.

Dean bateu a porta do carro, esquecendo o seu celular dentro dele. Não o ouviu tocando. Em seguida subiu alguns degraus da varanda em direção ao quarto. Momentos antes, ele havia destrancado a porta e levado as mochilas dele e da loira para dentro do quarto. Então, tudo que ele precisou fazer foi empurrar a porta com um dos pés e entrar. Já dentro do quarto, ele chutou a porta novamente, desta vez para fechá-la. Em seguida ele olhou para a cama de casal logo adiante e respirou fundo sem acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo. Depois olhou para Natalie e a observou por alguns instantes. Incomodado com aquela situação, ele se aproximou da cama sem paciência e colocou Natalie sobre ela sem muito cuidado. Com isso, a garota finalmente acordou. Assustada, ela sentou na cama e olhou em volta antes de encarar Dean e perguntar confusa e irritada:

- O que diabos significa isso?

- Não me olhe assim. Eu não gosto disso tanto quanto você, mas era o último quarto. — explicou ele.

Natalie inclinou a cabeça e o olhou incrédula antes de dizer:

- É mesmo?

- O quê? Você acha que eu forcei esta situação? Por favor, não tenha ilusões, loirinha. No dia em que Dean Winchester quiser ficar num quarto com Natalie Jones, por livre e espontânea vontade, vai chover canivetes.

Neste momento, um relâmpago iluminou a janela do quarto e um trovão estrondoso foi ouvido em seguida. Dean franziu a testa surpreso e caminhou até a janela. Afastou um pouco a cortina e viu que tinha começado a chover. Intrigado, ele se virou na direção de Natalie e esclareceu:

- Não se preocupe, ainda não são os canivetes.

Natalie sorriu com deboche e perguntou:

- E você também não viu nenhuma vaca voando por aí, certo? Porque é exatamente isso que vai acontecer no dia em que Natalie Jones quiser ficar num quarto com Dean Winchester, por livre e espontânea vontade.

- Ótimo! Que bom que esclarecemos que nenhum de nós dois está gostando desta situação. Mas infelizmente, não tem outro jeito. Era o último quarto e o próximo hotel fica muito longe daqui. Além disso, é só uma noite. Eu acho que eu consigo sobreviver desde que você fique calada. — disse Dean.

- É, eu acho que eu também consigo sobreviver a esta noite. Desde que você também cale a boca e não ronque, é claro. — devolveu Natalie.

Dean revirou os olhos cansado daquela discussão e a garota fechou a cara, se encolheu um pouco e abraçou as próprias pernas enquanto Dean se aproximou da poltrona e abriu uma das mochilas. Tirou algumas roupas de dentro dela para tomar um banho e em seguida, caminhou até o banheiro e provocou:

- Nem pense em me espiar pelo buraco da fechadura.

- Não se preocupe, eu não quero ter pesadelos, Dean. — debochou ela antes de deitar na cama de novo.

- Você quis dizer, sonhos maravilhosos, certo? — corrigiu ele com certa pretensão.

- Por favor... Não tenha ilusões, Sr. Awesome. Eu já disse antes e vou repetir agora, você não faz o meu tipo. Nem um pouco. — esclareceu ela.

- A recíproca é verdadeira. — encerrou ele antes de entrar e fechar a porta.

Enquanto isso, o celular dele continuou tocando dentro do carro por mais algum tempo até que Sam desistiu e resolveu ligar para o Garth.

De repente, ele atendeu com a voz sonolenta:

- Quem incomoda?

- Sam Winchester. — respondeu o outro um pouco sem graça e só então se deu conta de que já estava muito tarde.

Ainda deitado na cama e com os olhos fechados, Garth zombou:

- Cara, eu sei que você e o Dean me amam, mas tudo tem um limite, sabia? São duas da madrugada.

- O que você sabe sobre a filha do Bobby? — perguntou Sam de repente.

Ao ouvir isso, Garth finalmente abriu os olhos e sentou na cama surpreso com aquela pergunta.

- O quê? — indagou ele querendo se certificar de que não estava ouvindo coisas por causa do sono.

- Claire Davis. — esclareceu Sam e enquanto andava pelo quarto, acrescentou — Bem, talvez agora eu deva chamá-la de Claire Singer. Ela é a garota que você conheceu há alguns meses. Ela estava procurando pelo pai biológico. No caso, o Bobby. O que você sabe sobre isso, Garth? O que você contou exatamente pra ela? E por que você esqueceu de mencionar esse detalhe pra mim e pro Dean?

- Ei! Ei! São muitas perguntas pra duas da madrugada, cara. Vai com calma. — reclamou Garth um pouco zonzo — Além disso, essa não é uma conversa para se ter por telefone.

Sam pensou um pouco e indagou:

- Ok, onde você está?

- Kansas City. Mas continua sendo duas da madrugada. — respondeu Garth.

- Você está brincando, não é? — surpreendeu-se Sam — Você também está em Kansas City?

- Como assim "também"? — indagou Garth sonolento e em seguida, continuou — Oh... OK, entendi. Mas o que você está fazendo nessa cidade, Sammy? Eu já dei um jeito nos ghouls que estavam por aqui. Você chegou tarde demais, amigo. Eles já foram gartheados.

- Na verdade, eu não vim atrás de ghouls, Garth. Eu estou de passagem, voltando para Lebanon e... Levando Claire comigo.

- Claire está com você? Por quê? — quis entender ele.

- Eu e o Dean vamos ajudá-la a encontrar um anjo... — começou a explicar Sam, mas em seguida sacudiu a cabeça e retomou o assunto — Não importa. Não foi por isso que eu liguei. Eu estou te ligando porque a garota no quarto ao lado me contou que é filha do Bobby e que conheceu um caçador chamado Garth. Isso é verdade?

Garth ficou em silêncio por algum tempo até que finalmente respondeu:

- Sim. É verdade, Sammy. Mas como eu disse antes, esta não é uma conversa para se ter por telefone.

- Tudo bem. Em qual hotel você está? Eu vou até aí. — propôs o Winchester.

- Eu não acho que seja uma boa ideia. — disse Garth.

- Por que não? — estranhou Sam.

Garth se desenrolou do cobertor e levantou da cama antes de responder:

- Porque você não pode deixar a Claire sozinha aí. Você sabia que tem demônios atrás dela? Demônios da pesada que estavam atrás do Bobby há muito tempo? Você precisa protegê-la, Sam.

Ao ouvir isso, Sam lembrou da história que a garota lhe contou no hospital. De que um demônio que Bobby exorcizou no passado, voltou, a encontrou enquanto ela procurava pistas do pai e depois possuiu a mãe dela. Em seguida lembrou que Garth falou no plural, "demônios" e então, querendo entender aquela história direito, disse:

- Eu pensei que a Natalie tivesse mandado o tal demônio para o Inferno.

- O quê? Você conheceu a Natalie também? Natalie Jones? — surpreendeu-se Garth — Como aquela maluca está?

- Ah... Tentando irritar o Dean de alguma forma. — supôs Sam e em seguida, retomou a conversa. — Por que você falou em "demônios"?

Garth começou a trocar de roupa enquanto mantinha o celular no ouvido e explicava:

- Bem, a Natalie exorcizou o demônio que possuiu a mãe da Claire, o mesmo que o Bobby tinha mandado para as profundezas do Inferno quando conheceu a Sra. Rachel, mas o tal demônio não está sozinho, Sam. Ele tem uma irmã, na verdade. Uma irmã tão perigosa quanto ele. Eu acho que você e o seu irmão a conheceram no verão passado. O nome dela é Abaddon.

Tomado pela surpresa, Sam sentou na cama e ficou mudo por um longo tempo. Não sabia se estava mais surpreso por Abaddon ter um irmão ou por Claire estar na mira dos dois. Ou se estava surpreso diante de mais uma coincidência que envolvia Claire e que a ligava à sua vida. Além de ser filha do Bobby, agora ela também estava sendo perseguida pelo mesmo demônio que ele e Dean conheceram no verão passado, como Garth mesmo disse?

Parecia que de uma forma ou de outra, a sua vida e a de Claire sempre se interligavam de alguma forma. E cada vez, ele tinha mais certeza de que devia mesmo conhecer a garota de algum lugar. Parecia que ela estava o cercando de alguma forma que ele não compreendia direito. Eram coincidências demais para não significarem nada. Era quase como... Destino.

- Então... Abaddon está atrás da Claire? — quis confirmar Sam ainda se recuperando daquela sensação estranha que aquela revelação lhe causou. E em seguida, disse preocupado — Provavelmente Abaddon está querendo se vingar por terem exorcizado o... Irmão dela. E isso significa que Natalie também está em perigo... Eu preciso avisar o Dean e proteger a Claire... Abaddon deve estar atrás das duas...

- Ei! Muita calma nessa hora, Sammy! Me diz em qual hotel você está e eu vou até aí. E então nós conversamos e eu te explico tudo. — sugeriu Garth.

- Ok. Hotel LaFleur. Fica na interestadual 215. — respondeu Sam.

- Ok, eu estou à caminho. — disse Garth e em seguida desligou.

Ele terminou de se arrumar e logo deixou o hotel enquanto Sam resolveu tomar um banho para tentar esfriar um pouco a cabeça.

Enquanto isso, Natalie mudava os canais da televisão que havia no quarto do hotel à procura de algo interessante para assistir, já que toda aquela situação embaraçosa de dividir a cama com Dean a fez perder o sono.

De repente, algo em cima da poltrona chamou a atenção da garota e ela desligou a TV. Em seguida olhou para a porta do banheiro e ouviu o barulho do chuveiro. Voltou a olhar para a mochila de Dean e para algo que estava aparecendo entre o zíper aberto de um dos bolsos. Então Natalie levantou da cama e andou nas pontas dos pés até a poltrona. Olhou mais uma vez para a porta do banheiro e em seguida, retirou de dentro da mochila uma espécie de diário. O abriu na primeira página. Seus olhos passaram pelas primeiras linhas e Natalie leu mentalmente:

"16 de novembro de 1983.

Há duas semanas, minha esposa foi assassinada. Eu a vi morrer, presa no teto do quarto do Sammy, o sangue pingando sobre o berço dele até ela pegar fogo, com os olhos voltados para mim, enquanto morria."

Natalie sentiu seu coração acelerar e parou de ler por alguns instantes. Ficou se perguntando que tipo de diário era aquele. O homem que escreveu aquelas linhas mencionava o filho Sammy. Não era difícil concluir que aquele era o diário do pai de Sam e Dean.

Natalie olhou a capa de couro por alguns instantes antes de voltar a folheá-lo e ler mais trechos.

Mergulhada nos relatos de um homem desesperado que havia perdido a esposa de uma forma sobrenatural e ficado com dois filhos para criar, Natalie não ouviu Dean desligando o chuveiro. Muito menos percebeu quando ele abriu a porta minutos depois vestindo um pijama e segurando uma toalha com a qual ainda secava os cabelos. Ao ver Natalie em pé, perto da poltrona, com o diário do seu pai em mãos, ele indagou um tanto ríspido:

- Leitura interessante?

Natalie afastou o olhar do diário e olhou para o Winchester. Imediatamente fechou o diário ainda um pouco atordoada pelas coisas que havia lido ali e se desculpou:

- Dean, eu sinto muito. Me desculpe.

O Winchester a observou por alguns instantes e em seguida se aproximou, pegou o diário das mãos da garota e o guardou de volta na mochila sem lhe dizer nada.

- Dean... Olha... Me desculpe, ok? — repetiu ela em vão — Eu não devia ter lido. Eu realmente sinto muito.

- Por favor... Apenas vá tomar o seu banho e me deixe em paz. — dispensou ele sem olhar para Natalie e incomodado por ela ter lido o diário do seu pai.

Natalie o observou por alguns instantes arrependida por ter se deixado levado pela curiosidade diante daquele diário e em seguida pegou algumas roupas na sua mochila e caminhou até o banheiro. Entrou e fechou a porta.

Enquanto isso, Claire estava deitada na cama olhando fixamente para o teto. Alguma coisa estava impedindo que ela dormisse. Não conseguia se desligar de jeito algum. Se virou de um lado pro outro e fechou os olhos. Automaticamente lembrou do dia anterior quando viu Sam parado dentro do seu quarto. Mexendo em um dos seus livros. E lembrou de ter acertado a cabeça dele com um vaso momentos depois. Abriu os olhos, mas continuou vendo o rosto dele. Aquele rosto... De onde o conhecia?

Claire se virou para o outro lado, abraçou o travesseiro e fechou os olhos novamente. Então lembrou de quando os dois finalmente se apresentaram formalmente depois que ela resolveu dar um voto de confiança para Sam.

"- Eu sou Claire Davis.

- Sam Winchester."

E em seguida, ela lembrou dele apertando a sua mão e do que sentiu naquela hora. Como se uma corrente de eletricidade tivesse percorrido todo o seu corpo.

Claire abriu os olhos novamente e franziu a testa. Não entendia por que estava pensando tanto em Sam. Era só um caçador que ia ajudá-la a encontrar Ezekiel. Só isso. Entendia menos ainda por que ele passou a olhá-la como se ela fosse uma alienígena desde que os dois saíram de St. Louis. Mais precisamente depois que deixaram o hospital, depois que ela lhe contou a sua história maluca. Será que era por isso? Será que no fundo ele tinha ficado impressionado com tudo aquilo, assim como David?

O barulho de um carro se aproximando e a luz dos faróis iluminando a janela do quarto fizeram Claire afastar aqueles pensamentos e se sentar na cama um pouco sobressaltada. Levantou devagar e caminhou até a janela. Afastou um pouco a cortina e viu, no meio daquela escuridão, um sujeito magro saindo de dentro de um carro e se aproximando do hotel. Fez um esforço para enxergar com nitidez e logo o reconheceu.

- Garth? — estranhou ela e em seguida andou até a cama, pegou um hobby que havia deixado ali e vestiu por cima da camisola branca.

Natalie saiu do banheiro vestindo um short cinza e uma camiseta preta com letras vermelhas que diziam "AC/DC".

Ao vê-la, Dean olhou para as pernas da garota sem perceber. Quem diria que Natalie Jones tinha pernas tão bonitas? Em seguida, ele balançou um pouco a cabeça voltando a si e colocou um travesseiro no chão antes de dizer:

- Bela camisa.

- Obrigada. — agradeceu ela um pouco sem graça se aproximando da cama enquanto Dean esticava um lençol sobre o chão, pegava um cobertor e se deitava ali — O que você está fazendo? — indagou ela.

- O que parece? — rebateu ele sem muita paciência.

Enquanto a tempestade aumentava, Natalie sentou na cama e observou Dean por alguns instantes antes de propor:

- Eu acho que a cama é grande o suficiente pra nós dois.

Dean a olhou um tanto surpreso com aquela proposta e em seguida, dispensou:

- Obrigado, mas eu estou bem aqui.

Então Natalie respirou fundo e disse com toda paciência do mundo:

- Dean, está esfriando. Você vai acabar ficando doente. Além disso, você vai acordar todo dolorido se dormir no chão.

- E desde quando você se importa? — perguntou ele a olhando confuso.

Natalie o encarou de volta e argumentou:

- Bem, ao contrário do que você pensa, eu tenho um coração, sabia? Eu não te suporto, mas deixar você dormir no chão e ficar com essa cama só pra mim, parece meio... Cruel e egoísta. Além disso, se você dormir aí, vai acordar de mau humor e ficar resmungando durante a viagem inteira. E te aguentar de bom humor já é difícil, mas de mau humor... Deve ser a treva. — após esperar em vão que ele dissesse alguma coisa ou levantasse dali de uma vez, ela insistiu — Anda logo. Vem pra cá. Antes que eu desista.

Dean pensou um pouco e relutou por mais algum tempo antes de finalmente levantar e colocar o travesseiro no seu lado da cama.

- Ok, você venceu, Natalie Jones. Já que você insiste tanto, eu vou pra cama com você. — provocou Dean e só depois percebeu como aquilo soava estranho e inapropriado.

- Hilário. — resmungou ela sem graça e enquanto se enrolava, esclareceu — Nem pense em encostar em mim, Dean Winchester.

- Oh! Por favor... Me mate antes. — devolveu ele enquanto deitava e se enrolava com o outro cobertor.

Natalie virou para o outro lado para não ficar de cara para Dean e ele ficou deitado reto, de barriga pra cima, olhando para o teto. Enquanto isso, ela se perguntava se devia ou não dizer uma coisa. Resolveu dizer de uma vez:

- Sinto muito sobre... A sua mãe.

Dean olhou para a garota e depois voltou a olhar para o teto antes de responder:

- Não sinta. Eu matei o son of a bitch que fez aquilo com ela.

Depois de um longo momento de silêncio, Natalie perguntou:

- Como ele era? O seu pai?

Dean franziu a testa estranhando aquele interesse repentino de Natalie, mas resolveu responder:

- Ele era um herói. — e após alguns instantes, lembrando de John, acrescentou — Tudo o que eu sou, tudo o que eu sei, eu devo à ele. Ele foi o melhor homem, pai e caçador que já existiu.

Natalie se virou na direção de Dean e o observou por algum tempo. Achou bonita a forma como ele falou sobre o pai. Dean a olhou de volta e ela quis confirmar:

- Então ele morreu? Quando?

- Sim, ele morreu. Há muito tempo. — respondeu Dean, mas não se sentiu à vontade para contar mais detalhes.

A verdade é que ele não entendia o súbito interesse de Natalie na sua vida. E a verdade é que ela entendia menos ainda. Se convenceu de que só estava impressionada pelas coisas que leu no diário e então disse:

- Pelo visto ele era um sujeito legal. — e após uma pausa, e para não perder o hábito, ela sorriu e provocou — Bem diferente do filho mais velho dele.

Dean respirou fundo visivelmente irritado e virou pro outro lado, ficando de costas para a garota antes de encerrar:

- Boa noite, Natalie.

- Boa noite, Dean. — respondeu ela antes de também ficar de costas para ele, suspirar e fechar os olhos.

Sam saiu do banheiro com os cabelos molhados e uma toalha enrolada na cintura. Caminhou até a porta do quarto, viu quem era pelo olho mágico e a abriu. Era Garth. Ao vê-lo, Sam lembrou de um hábito que ele tinha e se arrependeu por ter atendido a porta naqueles trajes. Mas antes que Sam pudesse protestar, Garth entrou e o abraçou.

- Olá, Sammy! Sentiu minha falta?

- Você não imagina o quanto... — respondeu Sam e em seguida se desvencilhou daquele abraço embaraçoso e fechou a porta.

Garth caminhou até um pequeno frigobar que havia no quarto e o abriu.

- Não tem cerveja? — reclamou ele.

Sam o olhou incrédulo e respondeu:

- Desculpe, eu estava chocado demais com o que eu descobri sobre a Claire e não tive tempo de comprar cerveja. Além disso, nós só paramos para passar a noite.

Em seguida, Sam caminhou até o banheiro para se vestir, mas parou ao ouvir alguém bater na porta novamente.

- Você está esperando mais alguém? — perguntou Garth se aproximando um pouco e ficando atrás de Sam.

- Não... — respondeu o Winchester intrigado e em seguida se aproximou da porta e olhou através do olho mágico. Porém a pessoa havia se afastado um pouco e ele não conseguiu enxergar direito por causa do escuro. Então ele pegou uma arma que havia deixado sobre uma cômoda momentos antes e abriu a porta rapidamente apontando o revólver na direção da pessoa que se aproximava da soleira da porta naquele momento — Claire? — estranhou ele e só então abaixou a arma.

A garota não sabia com o que estava mais surpresa. Se por Sam abrir a porta com uma arma apontada pra ela, por ele e Garth se conhecerem e estarem reunidos às três da madrugada ou por Sam estar só de toalha.

Claire acabou se prendendo mais a este último detalhe e sem perceber passou os olhos pelo corpo de Sam. Especialmente pelo seu peito e abdômen nus. E braços. Braços fortes onde qualquer garota adoraria estar. Em seguida, ela ergueu o olhar e parou nos cabelos de Sam. Ele tinha cabelos lindos... E molhados daquele jeito tinham ficado ainda mais... Perfeitos. Na verdade... Sam era... Lindo...

Sam franziu a testa ao notar que Claire estava olhando demais pra ele e viu o rosto dela ficar vermelho de repente. Ela encontrou o olhar do rapaz e ficou profundamente constrangida. Olhou para os lados e para o chão... Teve vontade de desaparecer, se desintegrar, deixar de existir. Mas não conseguiu evitar e o olhou de novo enquanto Garth observava os dois e dava um leve sorriso.

Notas finais
Quando você chegar, tira essa roupa molhada, quero ser a toalha, e o seu cobertor. Quando você chegar, quando a saudade sair, vai trovejar vai cair um temporal de amoooooooooooooooooorrrrrrrrrrrrrrrrrrr

Reação da Claire ao ver Sam só de toalha: Jesus Maria José, pra onde eu olho primeiro?

Fiquei com dó da Mia neste capítulo, gente. Em breve, complicações, explicações, respostas e tragédias. Hein?

Adorei escrever as cenas de Dean e Natalie kkkkkkkkkkkkkkkkkkk adoro deixar os personagens em momentos vergonha alheia total! Esses dois aí não sei não...

Dean super safado olhando as pernas da moçoila e Claire olhando o corpitcho do Sam. Pode isso, Arnaldo?

Gostaram da aparição do gatinho manhoso (Garth)?

E que história é essa de que Abaddon tem um irmão? Em breve saberemos mais, e o nome dele...

Sobre o diário de John Winchester, tirei o trecho do próprio livro, Alex Irvine, página 1. O livro é super interessante, gente, afinal é o diário do papi dos meninos. Eu recomendo. Fica a dica.

Agora é o seguinte: quero reviews!