Quando finalmente saímos do quarto era perto do meio dia. Ele foi ate a minha casa pegar minha roupa e eu aproveitei para cozinhar já que a casa estava vazia.

Quando voltou, vesti a roupa que ele havia trazido e voltei a cozinhar, Daryl abraçou meu corpo.

— Já cometi muitos pecados, mas você é o maior deles. — Olhei por cima do ombro. — Quero você, Carly. Quero você como nunca quis nada na minha vida. — Beijou minha bochecha.

— Ótimo. — Murmurei antes de virar e beija-lo.

As conversas que estavam agitadas pararam, nos separamos encarando Rick, Michonne, Carl, Tara, Enid, Rosita, Eugene, Maggie e Glenn.

— Como esta? — Carl quebrou o silencio vindo ate a mim com Judith no colo.

Agarrei a menina enquanto passava um braço por seu ombro.

— Bem.

Ele sorriu dando um tapinha no braço de Daryl depois olhou a comida.

Nos sentamos na enorme mesa. Carl sorriu para mim.

— Perdi meus filhos, meu irmão. — Rick sorriu. — Vou algemar Michonne.

Sorri antes de virar para Daryl. Nada de demonstração de afeto perto dos outros, mas eu não me importava.

— Como estão as coisas lá fora? — Daryl perguntou.

— Ouvi as outras garotas e todos concordaram que Carly fez o certo. Claro que algumas pessoas disseram que foi cruel, que devíamos tê-lo deixado ir embora. Dar uma chance.

— Mas ele não deu uma chance as meninas. — Maggie falou. — Então fim de conversa. — Sorriu satisfeita.

Quando todos foram trabalhar sobraram somente Daryl e eu. Paramos na varanda da casa observando as pessoas.

Algumas me olhavam assustadas, outras via que me repreendiam com o olhar.

— Você acha que eu fiz o certo? — Perguntei a Daryl que sorriu.

— Se não fizesse eu faria pode acreditar, na verdade queria ter feito. Só de pensar que ele tocou em você. Queria revive-lo só para mata-lo de novo. — Gargalhei.

— Nossa você é mau Dixon. — Olhei para as pessoas de novo. — Não ligo para a opinião deles, nunca ligo para nada disso. Mas dou importância para o que você pensa. Se você acha que eu estava certa, ótimo.

— Você matou a primeira vez para nos salvar?

— Sim.

— Parecia bem profissional.

— Fiz bastante aulas de tiro ao alvo. Era a melhor do grupo. Quando o apocalipse começou usava só em ultimo caso, mas sempre fui boa. Caçava antes de tudo começar?

— Sim. Passei quase minha vida toda na floresta, uma vez me perdi e ai descobri que era minha casa na verdade, me sentia melhor entre as arvores do que embaixo de um teto.

— A vida moldou você para esse mundo. Você nasceu para isso.

— Não achei tanta diferença de antigamente mesmo. Só agora... Tenho pessoas que amo. Que me amam. Tenho medo de perde-las. Medo de perder você.

— Não vai me perder.

— Eu saio em buscas com Aaron. Ele é uma boa pessoa, vou conversar com ele e dizer que você vai junto conosco. Ele vai gostar, eu não converso muito. Apesar que... Prefiro que você vá de moto comigo.

— Tem ciúme dele?

— Não. Ele é gay. Adorariam recebe-la um dia na casa deles eu garanto. Quando cheguei aqui não me sentia em casa, não me encaixava. E ele me ofereceu um trabalho.

— Quando cheguei no Santuário demorei a me acostumar com isso. Pessoas e tudo mais. Não me sentia bem lá. Quando cheguei aqui também achei estranho, mas gosto daqui. Carl é um bom amigo, nunca me deixava sozinha.

— Vocês se deram bem mesmo. Sempre observava você. E ele sempre elogiava sua comida. Na verdade era só o que ele falava, era em você e sua comida. Isso me deixava melhor. Saber de você. me poupava o constrangimento de perguntar. — Sorri. — Eu tenho que ir trabalhar, nos vemos a noite.

— Ok. — Ele se afastou.

Segui para a horta ficar com Carl.

— Então você e Daryl estão juntos.

— Acho que isso define. — Murmurei envolvida na terra em minhas mãos.

— Nunca achei que ele fosse ficar com alguém. — Encarei Carl que mantinha seus olhos em mim. — Estamos juntos desde que isso começou e ele nunca mostrou interesse por nenhuma mulher. Sempre respeitou todo mundo.

— Ele é uma pessoa diferente. Especial.

— Vocês combinam. — Sorriu. — Fico feliz que estejam juntos. Não vou dizer que ele é um segundo pai, mas é um tipo de tio. Me ajudou bastante e me defendeu. Ofereceu seu sangue por mim. Quando Judy nasceu e mamãe morreu, papai enlouqueceu. Daryl tomou conta das coisas e foi o primeiro a ir pegar leite para a minha irmã. No começo era resmunguento e mal humorado, xingava e reclamava de tudo, mas depois se mostrou companheiro. Ele nos manteve alimentados sempre. Caçava os animais para nós comermos, comia pouco para sobrar para mim, minha mãe gravida depois para Judith. Fingia não se importar, mas todos víamos que se importava.

— Ele é especial. — Carl assentiu e voltamos ao trabalho.

Depois fui para a reforma dos muros com Glenn e Carl.

— Vamos recomeçar de novo. — O mais novo comentou.

— Esta perdendo as esperanças? — Perguntei.

— Não, mas... É meio repetitivo. A gente consegue um bom lugar e ai algo da errado, as vezes os zumbis, as vezes as pessoas.

— Por isso se chama recomeçar. Todo novo dia é um recomeço. É a vida. Nascemos, crescemos, procriamos e morremos. — Brinquei. — Agora nós lutamos mais que procriamos. Lutamos para ficar vivos, para deixar os outros vivos e principalmente para dar uma chance as crianças, eles serão nosso futuro. A vida deles, de Judith serão diferente. Eles nasceram no meio disso. Vão ser guerreiros. Por isso temos que levantar toda as manhãs e recomeçar. — Ele assentiu voltando a trabalhar e Glenn ergueu a mão mostrando o dedo positivo e sorrindo.

A noite fui para a casa dos Grimes e Daryl me encontrou no meio do caminho.

— Eu estive pensando...

— Mudou de ideia? — Perguntei curiosa.

— Não. Mas poderíamos morar todos juntos.

Claro que Daryl queria que eu morasse com eles.

— Daryl aquela casa não precisa de mais uma casal. Deixa a família Grimes sozinha e feliz.

— Mas poderíamos morar todos juntos.

— Daryl.

— Mais que birra. — Resmungou de mal humor.

— Isso é só para as pessoas não saberem que estávamos juntos? Por que se for todos já sabem ta?

— Todos já sabem? — Paramos na varanda da casa.

— Sim. Não sei quem contou, mas foi da sua família. — Deixei claro e ele bufou.

— E o que estão falando?

— Ninguém tem nada para falar. — Agarrei sua nuca e me estiquei para beija-lo.

Ele ficou desconfortável, mas retribuiu o beijo mesmo na frente de todos.

— Ok. Eu vou morar com você. — Sorri vitoriosa.

— Não vai se arrepender. Comida boa e sexo a vontade todos os dias.

— Fale baixo. — Olhou em volta.

— Não tem ninguém aqui.

— Carly, eu não sou uma boa companhia. Quer isso mesmo?

— Vai começar de novo?

— Ok. Você é teimosa e nunca vai desistir.

— Não. Você é meu Daryl Dixon. — Agarrei sua cintura o puxando para mim e o beijando.

— Não faz isso. — Estava tímido e eu sorri.

— Agarrar na mão pode?

— Engraçadinha.

De mãos entrelaçadas e levando duas mochilas caminhamos ate nossa casa. Quando me rebelei contra meu pai nunca pensei que as coisas iriam chegar ate aqui. Foi um momento de desespero que gerou uma amizade, uma aliança e um amor.

Assim que a porta fechou o encostei na parede e o beijei com vontade sendo retribuída na mesma maneira.

Notas finais
Chegamos ao final. Quero a agradecer a todos que acompanharam a historia, favoritaram e comentaram. Muito obrigada. Vocês são demais! Um grande Beijo CM.