Recomeçar
7 Capitulo 6
— Saiu cedo. — Carl murmurou quando me viu.
— Sim. Mas já estou aqui. O que quer Mini Xerife. — Tirei seu chapéu e ele fez careta tentando pega-lo de novo.
— Chata.
— Resmungão. — Entreguei o chapéu para ele.
— Enid e eu estamos bem próximos.
Lancei um olhar curioso a ele.
— Próximos?
— Não quero falar sobre isso.
— Mas foi você quem começou.
— É que eu não tenho com quem conversar.
— Claro que tem. O Rick. O Daryl.
— Não vou falar sobre isso com o meu pai. E Daryl... Não, nem pensar.
— Tenta o Glenn então. Ele vai adorar falar sobre isso com você.
— Glenn não consegue guardar segredo.
— Se você esta com vontade e ela também, faça. Mas use preservativo. Não queremos outro bebe. — Seu rosto tingiu de vermelho e eu ergui as mãos. — Viu é fácil falar sobre isso.
— Falar sobre o que? — Nos viramos assustados para Rick parado nos encarando.
— Nada. — Carl falou rapidamente.
— Ele acha que eu posso me sentir mal por falar sobre Negan. Mas já expliquei que tudo bem.
O menino me lançou um olhar agradecido.
— Mas se não quiser conversar...
— Esta tudo bem, Rick. Todos aqui sabem quem eu sou. Esta tudo bem.
— Como foi as buscas?
— Não encontramos muitas coisas. Já era o esperado. — Assentiu.
— Va descansar.
— Estou bem. Mas vou ir comer algo.
— Opa. Eu estou dentro. — Carl se prontificou e eu sorri.
— Ele gosta mesmo da sua comida. — Rick comentou sorrindo.
— Estão convidados para jantar lá hoje se quiserem.
— Vou falar com o pessoal e iremos sim.
Assenti antes de me afastar. Antes de chegar a minha casa encontrei com Thomas.
— Você não gosta muito de mim não é?
— Por que a pergunta?
— Você nunca sorri quando conversamos.
— Não é sobre gostar, é sobre confiar.
— Podemos ser amigos.
— Não estou dividindo.
— Não vou forçar nada, mas quando precisar de algo é só chamar. E sobre as buscas se quiser continuar indo seria ótimo. Você foi muito bem contra os zumbis.
— Você também.
Ele sorriu e eu acenei com a cabeça antes de seguir meu caminho. Antes de entrar na casa ainda vi Daryl me encarando. Aquela mesma irritação estampada em seu rosto. Desviei o olhar.
A noite vesti uma calça jeans, cropped preto sem mangas e tênis preto. Glenn, Maggie, Rick, Carl e Michonne apareceram com Judith.
— Isso é bem estranho. — Michonne comentou olhando em volta.
— Eu sei. Parece que estamos no mundo de antes não é?
Fui ate a cozinha para terminar o jantar. Eles se acomodaram na mesa quando terminei de arruma-la.
Conversamos coisas normais de antes. Ninguém tocou no assunto família. Só falávamos sobre o trabalho, filmes.
— Você gosta de HQ? — Carl perguntou.
— Mas é claro.
Ele sorriu animado. Bateram na porta e eu o encarei confusa. Levantei e segui ate lá. Encontrei Daryl parado. Parecia bem desconfortável. Mas estava arrumado e limpo.
— Entre.
Ele entrou e seguimos para a cozinha. Não falamos nada. Rick o convidou para vir também e ele veio. Ninguém precisava falar mais nada. Mas Maggie lançou um olhar estranho para mim que não entendi.
— Que bom que você veio. — Rick falou.
Daryl só assentiu sem falar nada.
Nos servimos e comemos em silencio. A única que fazia barulho era Judith que logo quis passar para o meu colo.
— Sempre quando esta por perto ela faz isso. — Carl comentou.
— Eu levo jeito com crianças. Quase fui professora, mas desisti no ultimo segundo.
— E por quis ser advogada?
— Na verdade meu sonho era ser policial, mas comecei por advocacia.
— Você seria uma policial bem durona.
— Talvez. Nunca saberemos.
Carl e Maggie foram lavar a louça.
— Não precisa disso.
— Precisa sim. — Maggie respondeu.
— Por que policial? — Rick perguntou.
— Eu tive uma amiga. Ela foi estuprada. Todos alegaram que a culpa era dela por estar usando um short. O cara nem chegou a ser preso. Eu fiquei indignada. Queria fazer isso por ela, por varias mulheres que eram espancadas ou estupradas. Queria defende-las. Ir afundo nos crimes e colocar os verdadeiros culpados na cadeia. Por isso aprendi a me defender e comprei uma arma. Jurei matar qualquer um que tentasse algo assim comigo. O mais irônico é que meu pai que tanto me apoiou acabou virando o que virou.
— E a sua amiga? — Carl perguntou.
— Ela ficou bem traumatizada, se mudou para a França, a ultima vez que falei com ela estava cursando psicologia para trabalhar com pessoas que passavam pelo mesmo trauma que ela. Não sei se esta viva, zumbi ou morta. E nunca saberei.
— Por que ela queria fazer isso? — Glenn perguntou.
— Psicologia? — Assentiu. — Ela queria transformar a coisa ruim em algo bom. Foi traumatizante, mas ela queria ajudar outras pessoas. Ela tinha sofrido na pele aquilo, sabia como ninguém o que os outros estavam sentindo. Queria ajudar. A vida tem disso. Nem tudo é bom, tem as coisas ruins. Temos que passar por coisas ruins para nos deixar fortes. Devemos levar isso como experiências para nós e ate para outros.
Todos ficaram em silencio.
— E namorado? — Carl quebrou o silencio me deixando desconfortável.
— Alguns. Nada que valesse a pena. A maioria dos caras da minha idade eram idiotas, babacas e imaturos.
Ainda conversamos sobre mais algumas coisas, era divertido tê-los ali. Uma família. Michonne era mais quieta enquanto Maggie falava pelos cotovelos. Rick era mais centrado enquanto Glenn era mais agitado. E Daryl como sempre fechado e desconfortável. Era obvio que não se sentia bem ali, mas eu não entendia o por que de estar ali.
Assim que terminaram a louça resolveram ir embora. Os acompanhei ate a porta.
— Carl estava errado. — Rick falou. — Sua comida não é ótima. É maravilhosa.
— É. A branquela devia voltar a cozinhar algumas vezes lá.
— É só chamar. — Sorri.
Eles se despediram e saíram. Daryl ficou ao meu lado os observando depois virou para mim.
— Achei que o namoradinho estaria aqui.
— Namoradinho?
— O cara que passa só conversando com você. Foi rápida não é? Mas pelo menos arrumou alguém da sua idade.
— Você esta falando do Thomas?
— Não me interessa o nome.
— Para quem não se interessa parece bem interessado. — Ele segurou meu braço. — Ele não é meu namorado, nem nada do tipo. Nem mesmo o vejo desse modo.
— Pois devia.
Me estiquei ficando cara a cara com ele.
— Se eu ficar com outro cara não vai diminuir o tesão que você sente por mim e o desejo que sinto por você. O único jeito de mudar o que estamos sentindo é ficarmos juntos assim logo passa.
— Você só pode estar louca.
— Não. — Bati a mão na testa. — Eu tinha esquecido. Homens com mais de 40 anos já começam a brochar não é? — Seu aperto em meu braço ficou forte.
u sabia que era a coisa mais ridícula de se dizer e uma grande mentira, mas a provocação foi correspondida.
— Não me provoque.
— Vai fazer o que? Vai dizer que não pensa em mim todas as noites? Ou enquanto esta tomando banho? Pensa não é? Todo esse tesão reprimido vai acabar te deixando louco. — Puxei meu braço. — E Daryl quem esta aqui é você. Poderia ter ido para casa, mas continua aqui.
— Eu já estou indo.
— Ótimo. Bom banho frio.
Ele rosnou vindo ate a mim, agarrou minha nuca e puxou meu corpo para o dele. Seus lábios vieram para os meus me beijando loucamente. O desejo latente. Não era carinhoso, era bruto, mas eu não esperava coisa diferente. Daryl era selvagem.
— Você é minha perdição.
— Fala como se eu estivesse bem em desejar um cara que não me quer. Sabe o que é se sentir sozinha? Saudade? Vontade? Estou louca por você, Daryl mesmo com todo esse mal humor e esses seus princípios. Não adianta. O motivo de você não me querer, só faz eu te querer mais ainda por que você é digno!
— Não sou.
— Pode pensar o que quiser. Só me interessa a minha opinião.
Voltei a beija-lo segurando firme sua nuca. Sua mão desceu para a minha barriga e encontrou minha pele exposta por causa do cropped. Beijou meu pescoço e desceu a mão para a minha coxa a puxando para cima encaixando minha perna na sua cintura. Voltou a me beijar ate que se afastou.
— Espero o tempo que for Daryl. Um dia você entendera que não há nada de errado em querer ficar comigo. — Soprei um beijo antes de entrar e fechar a porta.
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