Recomeçar
22 Último Capítulo — Parte 02
Notas iniciais
Quarto mês de gestação – HOMEM QUE NÃO “NADA” NÃO MORDE!
As atividades para o bebê requerem energia, acompanhar Felicity está sendo uma aventura. No mês passado, todas as semanas eu tinha que me submeter a posições de Ioga que me deixavam com dores na coluna, mas nada conseguia ser mais gratificante que seu sorriso agradecido por eu não sair de seu lado um só instante.
O que eu posso fazer?
Eu não sairei do lado dessa mulher em momento algum.
E a aventura deste mês, o quarto mês de nossa gestação, é a Natação.
Confesso que quando me inscrevi não sabia no que estava me metendo. Todos imaginam que sou um homem perfeito, tenho músculos fartos malhados em uma academia, falo três idiomas e meus olhos azuis são uma perdição. Mas não há como ser perfeito, aliás, eu sou apenas um grande metido.
É que em toda minha vida eu não aprendi a nadar.
Será que a questão é realmente nadar?
Foda-se, a verdade é que morro de medo.
A água fria não é o problema, o azulejo em tom azul marinho também não é o problema. O que tira minha paz é quando não consigo tocar meus pés no chão, isso faz com que meus braços formiguem e que o pânico se instaure.
— Segure em minhas mãos, amor.
Felicity calmamente entrelaça seus dedos molhados nos meus.
Sinto-me ridículo, porque só há mulheres por todos os lados. Sou um estranho no ninho e para completar também sou o único com boias de baixo dos meus braços e em minha cintura, me ajudando a manter o equilíbrio.
— Felicity, eu não estou tocando meus pés no chão... — murmuro inseguro.
Ela ri de minha expressão. — Você está lindo, sabia?
Reviro meus olhos. — Não caçoe de mim!
Felicity deve estar se referindo as boias que estão em meus braços, elas são rosadas e possuem bolinhas brancas distribuídas por toda a extensão. O instrutor conseguiu de uma menininha que esqueceu na aula do dia anterior, essa menina pode não saber, mas salvou a minha vida.
— Você nunca me contou que não sabia nadar. — suas mãos deslizam para minha cintura, unindo nossos corpos.
Estou sentindo a barriga elevada de Felicity tocar meu abdômen.
É a sensação mais perfeita que existe.
— Você me acharia um frouxo. — deixo que minhas mãos segurem seus braços delicadamente.
— Pelo contrário, eu acharia bem fofo!
Seus lábios estão úmidos e eles tocam os meus com carinho entre um sorriso terno. Eu a correspondo, e então gargalho assim que Felicity desvia seus beijos estalados para meu pescoço, ela está rindo entre os movimentos rápidos que faz com a boca.
— Não se diz a um homem que ele é fofo... Fere nosso orgulho.
— Pare de ser machista e feche os olhos!
Faço um sinal negativo incessante com a cabeça. — Não há possibilidades de fechar os meus olhos sem que eu sinta meus pés tocarem no chão.
As mãos de Felicity são guiadas até meus cabelos molhados, ela acaricia os fios enquanto volta a aproximar nossas bocas. Sua língua está riscando meu lábio inferior, ela o mordisca e o puxa para si, sussurrando novamente.
— Feche os olhos...
Meus olhos se fecham sem que eu perceba pelo simples toque que seus lábios fazem nos meus. Eu inicio um beijo languido e comportado deixando com que nossas cabeças se mexam para lados opostos lentamente, permitindo que um sorriso escape assim que sugo sua língua. Ao sentir sua boca se afastar poucos centímetros, permaneço com meus olhos fechados degustando a sensação que é ter seu hálito tão próximo, quando novamente Felicity sopra baixinho ao pé de meu ouvido.
— Você aprendeu rápido, bonitão.
Eu não entendo o que diz até abrir meus olhos vagarosamente e perceber que estou flutuando sem o auxílio de suas mãos, sem ter seu corpo me dando a segurança que preciso.
Assusto-me ao vê-la se afastar de mim e rapidamente a seguro pela cintura a mantendo por perto, à medida que encosto nossos corpos Felicity arregala seus olhos, uma de suas mãos alcança meu peito para sentir as batidas firmes e aceleradas que meu coração dá. Minha respiração está afobada, e então, sinto seus braços mais firmes ao redor de meu torso.
— Não me solte, por favor. — minha voz sai tão trêmula que chego a me envergonhar.
— Desculpe meu amor, eu não poderia imaginar...
— Eu sou um maricas.
— Claro que não! — ela esboça um sorriso. — Nunca mais diga isso.
— Três dias na semana em uma piscina será um desafio!
Estou mais tranquilo sentindo os braços de Felicity me manterem de pé. Sei que isso parece engraçado, mas eu realmente tenho pavor de piscinas, um dos motivos de nunca ter levado William em um parque aquático ou para qualquer esporte que envolva mais de mil litros de água por metros quadrados.
Sou um fracassado?
Até posso ser, mas o cuidado que Felicity está tento comigo não tem preço.
— Você acha que irá precisar de uma salva-vidas? — ela pergunta seriamente.
— Ela pode ser ruiva?
Felicity morde com força minha clavícula me fazendo gemer baixinho.
— Oliver Jonas Queen, eu irei afoga-lo!
Abro minha boca em um grande “O”. — Vocês mulheres andam com uma cabeça tão suja. Eu apenas pensei que você pudesse pintar o cabeço...
— Claro que foi isso que pensou! — ela arremessa um pouco da água em minhas bochechas.
Encosto meu rosto na curvatura de seu pescoço, deixando que minhas narinas se embriaguem com a essência de sua colônia. Felicity eleva uma de suas mãos até minha nuca fazendo um carinho ingênuo nos poucos fios da região enquanto descansa sua testa sobre meu ombro direito.
— Com você por perto eu não preciso ter medo, não é? — pergunto.
— Não, você não precisa.
Volto a fechar meus olhos descansando meu rosto no colo de seu pescoço, permitindo que a pressão negativa que a água faz em nossos corpos nos eleve.
Fazendo-nos flutuar.
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