Recomeço

3 Capítulo III - Ilusões


- Ah! Qualé Gwen! Por que não? – Ben perguntou para sua prima que estava sentada no sofá de sua sala, assistindo TV.

- Porque não! Será que isso já não é o bastante?! – ela disse mudando de canal para Discovery Chanel.

- Não! Por favor, Gwen! A gente só vai sair pra investigar um pouco vai! O Kevin encontrou umas pistas sobre Os Cavalheiros Eternos. A gente pode ir até lá pra dar uma investigada, como nos velhos tempos!

- Que velhos tempos, Ben?

- Você sabe muito bem do que eu estou falando! Desde aquele de no Mr. Smoothy você tem agido de um jeito muito estranho!

- Eu já pedi desculpas por ter jogado suco em você!

- Não é disso que eu estou falando! Depois disso você fez o máximo pra não ficar perto do Kevin. E só sai com \"a gente\" quando o Kevin não está perto!

Gwen arregalou os olhos ainda olhando para a TV.

- Acha que eu não percebi é?

Houve um silêncio durante alguns minutos. E foi interrompido por Gwen dizendo:

- Tudo bem... Eu vou. – ela se levantou, pegou o celular e o distintivo e colocou-os no bolso. Gwen empurrou Ben para fora e trancou a porta colocando suas chaves no bolso depois que fizera – Vamos! – Gwen o empurrou para dentro do carro onde Kevin estava os esperando.

Ben entrou no carro no banco de trás e ficou parado lá sem dar espaço para Gwen se sentar.

- Com licença? – ela disse nervosa.

- Maus... Mas você pode sentar no banco da frente. – Ben apontou para o banco ao lado de Kevin.

Gwen olhou um pouco apavorada e irada ao mesmo tempo. \"Ben, eu te mato!\".

Ela entrou no carro e se sentou no banco ao lado de Kevin.

Ele olhou para ela. Gwen fez o mesmo. \"Ele cortou o cabelo?\".

Kevin viu que Gwen parecia bem. Depois de um tempo sem vê-la ele andava um pouco que preocupado com ela. Mas ele viu errado. O que ele não viu assim como todos foi que ela estava fraca. Por isso não queria investigar sobre os cavaleiros, por que estava fraca. Seu corpo ainda estava se recuperando dos hematomas. E sua energia estava voltando, mas devagar para lutar. Por dentro, torcia que a pista de Kevin seja apenas uma furada e os leve a nada.

Kevin ligou o carro e direcionou-o para onde ele torcia haver algum cavaleiro para bater.

- Nossa... Está muito escuro aqui. – Ben comentou para si mesmo enquanto ele entrava em uma das passagens do prédio abandonado. O prédio ficava uma pouco longe da cidade e estava com uma aparência de totalmente abandonado. Eles tiveram que se espreitar entre os buracos apenas para descobrir uma imensa escuridão – Gwen... Pode acender uma luzinha aqui?

\"Merda!\" Ela não queria gastar sua energia com isso. Ela tentou se concentrar e chamou um pouco de mana para as mãos. Um pequeno feixe de luz percorreu seus braços até suas mãos e criou um tipo de mini-luminária que se moveu para frente de Ben, revelando um salão imenso. A luz estava um pouco fraca.

- Dá pra ficar mais claro? – Ben perguntou de uma forma crítica.

- Quer ser pego pelos cavaleiros? – Gwen respondeu como uma desculpa para poupar sua energia.

Ben ficou quieto e começou a seguir o feixe de luz rosado sem criticar mais. Gwen o seguia em total silêncio, atrás dela, Kevin a observava também em silêncio.

- Tomem cuidado... Tem alguma coisa ali na frente – Ben disse sussurrando – Ai! – ele próprio não seguiu o que disse, tropeçou em o que se parecia, uma cadeira. O barulho foi estrondoso.

- Ben! – Gwen disse com raiva do primo.

Foi tarde demais. Luzes fortes se acenderam e o salão todo ficou iluminado, revelando uma multidão de cavaleiros em suas armaduras tradicionais.

- Uh-Oh...

- É... – Kevin respondeu – Uh-Oh...

O feixe de luz que Gwen criara sumiu, ela ficou assustada com o grande número de cavaleiros. O salão parecia o local de castelo onde se localizava o trono do Rei e da Rainha nas épocas Feudais. Eram um corredor grande e comprido com um tapete vermelho no centro e nos cantos várias pilastras.

Ben, Kevin e Gwen se ajuntaram e observaram a imensidão de cavaleiros.

Um dos cavaleiros começou a ir para cima dos garotos com uma espada na mão. Ele levantou sua espada para atacar Kevin, mas este segurou seu pulso antes que pudesse. Kevin aproveitou e absorveu o metal da armadura do Cavaleiro. Quando o fez ele deu um chute no homem de armadura que saiu voando e bateu em outro Cavaleiro.

Os outros Cavaleiros avançaram todos de uma vez para cima deles. Ben regulou seu relógio e transformou-se em Cala Frios. O alienígena azulado bateu asas para chegar até o teto e congelou os Cavaleiros que vinham em sua direção com seu sopro. Kevin espancava os Cavaleiros como sempre fazia. Enquanto Gwen tentava ao máximo não usar mana e se esquiva como podia dos cavaleiros. Um deles tentou surpreende-la por trás, ele agarrou a garota, envolvendo seu corpo com os braços. Gwen tentou escapar empurrando-o para trás, mas não adiantou de nada. O cavaleiro a segurou mais forte apertando seu corpo. Gwen tentou não gritar. A dor que sentia começou a aumentar, ele estava a machucando bem em seus hematomas. Ele a apertou mais forte percebendo que ela estava sentindo dor. Outro cavaleiro chegou próximo aos dois e tentou atingi-la com uma de suas espadas. Gwen tentou usar suas forças e chutou o cavaleiro bem na cabeça. Este caiu para trás inconsciente.

- Tsc! Garota irritante! – o cavaleiro que a segurava disse apertando-a com todas as suas forças. Dessa vez Gwen não suportou a dor e grunhiu. Ela deu uma cotovelada na cabeça dele. Este bateu contra a parede libertando Gwen. Ela voltou a lutar novamente, dessa vez foi obrigada a usar mana que tinha, mas bem pouco. Suas mãos se iluminaram com um brilho violeta, ela andou até os Cavaleiros mais próximos e os acertaram com seus raios de energia. Isso era o máximo que ela conseguia fazer. Só não sabia se ia conseguir ficar assim por muito tempo.

Kevin absorveu a pilastra de cimento e socou dois cavaleiros de uma vez só. Ele correu até outro grupo que estava perto dos tronos e os jogou contra a parede do salão, dando um soco. Na mesma hora em que os Cavaleiros bateram na parede, um enorme buraco apareceu nela. Kevin sorriu. Fazia muito tempo que ele não lutava, as coisas tinham ficado meio monótonas e isso o deixou meio entediado.

Alguns outros cavaleiros o atacaram por trás, pegando-o de surpresa. Eles o atingiram com uma de suas armas a laser fazendo com que ele fosse jogado até o outro lado do salão e batesse em uma porta de madeira escondida no canto, atrás de uma das pilastras. A porta ficou em mil pedaços. E Kevin ficou inconsciente dentro de algum da sala que a porta, antes escondia.

- Kevin! – Gwen gritou, ela se direcionou para onde Kevin havia \"entrado\" para ajudá-lo.

Enquanto isso. Os Cavaleiros ficaram numerosos demais para Ben lutar. Ele apertou o Omnitrix que estava em seu peito e se transformou em Eco-Eco. O pequenino alienígena feito de silicone se multiplicou em milhares e estes começaram a atacar os cavaleiros que estavam em volta deles... Isso ia demorar pra acabar.

Gwen começou a chamar Kevin para ver se o encontrava entre os destroços de madeira e concreto que ele havia causado quando bateu na porta. O lugar onde Gwen entrara para procurá-lo era meio escuro. Mas ela teve que se contentar apenas com a luz que vinha do salão onde ela estava lutando há alguns segundos atrás.

Como Kevin não respondia aos seus chamados, ela mesma teve que encontrá-lo. Mesmo com a dor que sentia em seu corpo, forçou seus braços magros a tirarem os destroços do caminho. Um tempo depois, embaixo de uma das madeiras da porta, ela encontrou uma mão, a de Kevin. Gwen não perdeu mais tempo e tentou tirar a madeira do lugar. Ao retirá-la, Gwen pode ver as que as pernas do garoto estavam embaixo de mais destroços. Ela pegou o braço dele e o puxou para tirá-lo de lá. \"Ugh! Devia fazer uma dieta!\" Quando viu que o corpo dele havia saído dos destroços, Gwen examinou-o com os olhos para ver se tinha algum ferimento grave. Nada... Apenas alguns arranhões. Ela tentou acordá-lo dando tapas leves em sua bochecha, e chamando-o pelo nome. Suas pálpebras se espremeram um pouco, depois abriram revelando dois olhos castanhos.

Kevin levou um tempo para processar o que aconteceu. Ele viu o rosto mal-iluminado de Gwen e se levantou na mesma hora.

- Você está bem? – Gwen perguntou ainda sentada, tentando esconder a pitada de tristeza que estava sentindo pelo susto repentino do garoto.

Kevin olhou para os lados antes de responder:

- Sim. – ele andou até onde estava a abertura da porta para voltar ao salão e lutar mais, ignorando Gwen sentada no chão. Antes que ele alcançasse a saída um dos Cavaleiros entrou na frente de Kevin e apontou uma arma para ele, só que dessa vez diferente da outra que o atingira. Kevin a reconheceu, era a arma que ele vendeu no dia em que conheceu Gwen e Ben. Isso não era bom... Aquela arma era mais poderosa, mais potente, e causava mais danos, muito mais danos do que a outra.

- GWEN! SAI DA FRENTE! – Kevin gritou pra ela com total desespero ao ver que o Cavaleiro apontava uma arma para ela, e ela... Nem percebeu a entrada do cavaleiro, estava mergulhando em seus próprios pensamentos e só foi perceber que estava em perigo com o grito que Kevin dera.

Ela virou o rosto para ver o que estava acontecendo, o que foi tarde demais, pois apenas viu o brilho do laser saindo da arma que o Cavaleiro segurava. O que viu depois foi apenas a sombra de alguém entrando na frente dela. A sombra foi atingida em cheio, mas parecia ser o que queria. A sombra caiu no chão imóvel.

Gwen arregalou os olhos ao ver que a sombra era Kevin. Ela correu até ele. O Cavaleiro apontou a arma para ela, dessa vez não ia errar. Gwen usou o pouco que restava de mana para atingi-lo, foi o bastante para deixá-lo inconsciente \"Lá se foi o resto da minha energia!\".

- Kevin? Kevin?

Ele estava acordado.

- Devia prestar mais atenção... – ele respondeu se sentando, ele encarou Gwen por um tempo sem dizer nada.

Gwen respirou mais fundo, estava ficando mais fraca, mas queria apenas ver se Kevin estava bem, por sorte, ele havia absorvido uma camada de ferro para não se ferir, então não houve muitos danos.

- Você está bem?

- Acho que sim.

- Bem... – Gwen se levantou, ou pelo menos tentou, antes de cambalear e cair no chão de novo.

- Parece que você não está bem... – Kevin disse escondendo a preocupação que sentia para não se apavorar mais.

- Eu estou bem sim... – ela mentiu.

Kevin olhou para ela se levantando novamente, e percebeu um pequeno rasgo causado por uma espada no canto de sua camiseta rosa, mas não foi isso que o assustou, foi o que estava embaixo da camiseta. Um hematoma enorme.

- Gwen... O que... O que é isso? – ele apontou para o rasgo e o hematoma que estava por baixo deste.

Gwen viu que era sobre o hematoma enorme que tinha.

- Nada! – ela disse cobrindo o machucado com uma das mãos – Não é nada...

- Não parece nada!

- Como assim? A gente sempre fica assim depois de uma missão... Sabe disso... Um dos cavaleiros me acertou. Só isso.

Kevin não conseguiu argumentar contra aquilo, sim era verdade, eles sempre ficavam um pouco machucados depois de uma missão. Mas por que ele sentia que o que ela estava dizendo não era mesmo a verdade?

- Não acredito em você... – ele disse. Como sempre, age antes mesmo de pensar duas vezes.

- O que? – Gwen disse virando sua atenção a ele achando que ele já sabia de tudo o que aconteceu durante esses dias todos, ela ficou um pouco assustada, mas queria ouvir o que ele tinha para dizer antes de tomar decisões precipitadas.

- Foi o que eu disse... Acho que você está mentindo... Acho que não foi assim que você ganhou essas feridas.

- Essas feridas? – Gwen perguntou um pouco assustada por ele ter falado feridas no plural, sendo que na verdade ele só vira uma.

- Isso... Essas feridas. Eu vi que tem uma escondida no seu pescoço, bem na gola da sua camiseta. – ele apontou para o pescoço da garota bem onde estava a ferida. Ela pôs a mão no hematoma. Droga! Ela esqueceu que tinha um bem ali! – Pode me explicar isso?

Gwen não respondeu por um tempo, mas quando foi responder ela ficou nervosa com ele:

- Quer saber? Eu não tenho que explicar nada pra você... Eu já te disse o que aconteceu. Se não quer acreditar, problema seu... – ela se virou para ir embora, mas antes que pudesse, uma mão gelada e grande segurou seu pulso esquerdo magrinho fazendo com que ela parasse. Ela virou o rosto para Kevin. Ai, ai... Como ela queria estar no desenho animado dos Padrinhos Mágicos, onde ela poderia fazer que nem Timmy Turner, na hora de fugir de Trixie, tentar morder o braço fora e depois desejar outro. Por que ela estava pensando nisso? – Se importa se me soltar, por favor? – ela perguntou.

Kevin não respondeu, apenas examinou seu braço e colocou a outra mão gelada sobre ele. Gwen tentou puxar o braço, mas ele era muito forte e ela estava muito fraca. Kevin percebeu algo: Havia alguma coisa a mais no braço de Gwen, bem embaixo da manga de sua camiseta. \"Ah não!\" A garota pensou sem dizer nada. O rosto dele estava calmo, sua mão correu até a manga da camiseta dela e puxou-a para cima revelando um enorme hematoma. O rosto dele se apavorou. Primeiro ele pensou que podia ter sido mesmo por causa dos Cavaleiros, mas ele levantou mais a manga e percebeu que havia pequenos arranhões, que já estavam se cicatrizando, o que significava que eles não eram de agora, e mesmo que fossem de agora, esses arranhões se pareciam mais com marcas de... Unhas. Kevin olhou para as mãos de Gwen, suas unhas estavam curtas demais para ela mesma se cortar... Isso o deixou mais apavorado ainda. Ele levantou o rosto para ela e fitou-a.

- E isso?! – ele perguntou, apontando para as marcas de unha no braço de Gwen – Não vai me dizer que agora os Cavaleiros vão pra manicure fazer a unha, pintar elas de rosa só pra arranhar o seu braço na hora de lutar! — Gwen não sabia o que dizer. – Gwen, me responde! – ele estava ficando nervoso. Sua expressão agora era raiva e desespero. Gwen ficou assustada, e estava com muito medo de Kevin. Ele viu o que estava fazendo e tentou se acalmar. Gwen virou o rosto e fechou os olhos para tentar segurar as lágrimas. – Por favor... – Kevin continuou a falar dessa vez, baixinho. Gwen suspirou. Ele não ia largar ela até ela responder.

- Está bem... – ela disse. Gwen ia ter que contar para alguém de qualquer jeito... Mas não pensava que seria bem para ele.

- Bem... Eu... Eu estava na escola, uns dias depois de bem... De você \"me dar o fora\"... – Kevin não disse nada, apenas a fitou ouvindo a garota – Eu vi que o Tyler... O capitão do time de futebol americano estava agredindo um dos garotos da escola. Como ninguém tentou ajudar ele, eu não pensei duas vezes e entrei na frente. Tyler foi embora depois de eu falar com ele e levei o Peter.

- Peter?

- É... O garoto que eles estavam agredindo... Enfim eu o levei para a enfermaria e ele ficou bem. Eu contei pro diretor o que aconteceu e o Tyler junto com os amigos dele ficaram suspensos e levaram detenção. O que eu achei um absurdo já que os quatro deviam era terem sido expulsos, isso sim. Bem... Todo mundo descobriu que fui eu que falei pro diretor, e quando eu fui embora para casa, a Mary e a gangue dela me barrar-

- Espera! Mary?

- Isso... Ela mesma, a garota que você namorou, quer dizer... ficou... Por um tempo. – Kevin olhou para o nada como se estivesse se lembrando dela, depois voltou sua atenção para Gwen que continuou – Voltando... Ela me barrou com umas amigas dela e começaram a me seguir depois de eu ter falado para elas uma coisa que acho que não gostaram muito. E ai... – ela pausou por um momento duvidando se devia ou não falar – E ai elas me cercaram e... Bem... Acho que você já sabe o que aconteceu...

Kevin emudeceu. Depois recuperou a fala e disse:

- Por que você não se protegeu?!... Sei lá! Usou mana ou então lutou caratê! Hein?!

- Eu... Estava sem força... Não tinha força pra usar minha energia... Ou me defender com golpe algum... Eu estava tão fraca que tinha até cabulado uma das minhas aulas de caratê naquele dia...

- O quê?!

Droga! Não era pra ela ter falado isso!

- Nada...

- Por que você estava fraca?

- Eu...

- Você o quê?

- Eu não tinha comido quase nada naquele dia, e no dia anterior... E talvez eu tenha... Tomado alguns remédios que...

- Remédios?! Pra que?

Gwen emudeceu... Com certeza, Kevin não era a melhor pessoa para se contar algum segredo... Ou você contava pra ele, ou ele arrancava de você.

- Remédios pra que Gwen?! – ele perguntou nervoso.

- Pra depressão e alguns calmantes...

- Depressão?

- Isso...

- Calmantes...

Gwen achou que ele havia entendido o porquê de usar calmantes, ela olhou em seus olhos e viu que ele estava confuso então continuou a falar:

- Desde que você... Falou aquelas coisas pra mim, eu fiquei muito triste... E quase que enlouqueci com isso... Então, de noite eu ia até o armário e... Eu pegava alguns calmantes e antidepressivos da minha mãe e tomava... – ela olhou para o chão.

Kevin estava pensando em tudo que ela falava... Todo esse tempo em que ele via Gwen ele pensava que ela estava bem. O que não era verdade, ela estava mal e como sempre por causa dele. \"Droga! Droga! Droga! Eu fui um retardado! Por que eu não vi isso antes?!\"

Gwen começou a chorar.

- Desculpe – ela disse, Kevin virou o rosto para ela de novo completamente confuso – Desculpe... Eu acho que... Exagerei demais com essas coisas. Eu... Fiquei um pouco que iludida demais. E depois... Eu fiz todo esse drama, quando você falou que não gostava mais de mim.

- Isso é mentira.

- O quê?

- Eu menti... Dizendo que não gostava mais de você...

- Você mentiu? Por quê? Eu não estou entendend-

- Por que eu... – ele olhou para o chão – Eu achei que eu não merecia você...

- Como... Como assim?

- Se você olhasse do meu ponto de vista... Veria o quanto eu me acho... Bem... Inferior... – ele estava sem graça... Com certeza, para ele falar isso não era fácil — A você. Veja bem... Você é uma garota de classe média alta, tira notas altas... Estuda em uma escola cheia de mauricinhos. – \"E patricinhas...\" Gwen pensou para si mesma – É inteligente, luta caratê, tem pais que não são separados... E eu cabulava aulas desde que eu tinha sete anos, me dava mal nas provas, e quando fiz onze já tentei matar seu primo, seu avô e você. E nem acredito ainda que você e Ben tornaram-se meus amigos mesmo depois de tudo o que eu fiz.

Gwen ficou muda.

- Engraçado – ela disse – Eu achei que você terminou comigo porque eu não te merecia, e achei que você queria voltar com a Mary... – ela não estava sorrindo.

- Você achava isso? E eu achava que você estava bem depois da gente ter terminado. Eu fui um idiota... Você não devia pedir desculpas.

Gwen olhou para o chão. Depois de um tempo em silêncio ela o abraçou. Kevin não fez nada, apenas fechou os olhos e sentiu o calor do corpo de Gwen. Isso o confortou um pouco.

Gwen olhou para ele com um sorriso no rosto, dessa vez ela finalmente sorriu de verdade depois de muito tempo.

Kevin sorriu com ela. Os dois se sentiram um pouco mais aliviados com tudo o que aconteceu.

- Será que... – Gwen falou – Será que agora você podia soltar o meu pulso? Está machucando um pouquinho.

Kevin percebeu que todo esse tempo ele segurava o pulso dela. Ao invés de soltá-la ele fitou-a por algum momento e depois fez algo inesperado. Ele puxou levemente seu braço para perto do rosto e beijou onde estava a ferida. Gwen corou. Isso não era coisa que o Kevin fazia. Ele continuou a beijar o braço dela seguindo para seu ombro, seu pescoço, sua bochecha e afastou o rosto para encará-la por alguns segundos. Gwen estava suando frio, a cada beijo que ele dava, mesmo com sua roupa atrapalhando, ela sentia uma pequena corrente elétrica correndo por seu corpo. Os dois aproximaram seus rostos mais alguns centímetros... E os dois iriam se prender em um beijo se não fosse por alguém aparecendo no lado de fora dizendo:

- Cara! Vocês sumiram e eu tive que cuidar de todos eles sozinho! Graaande time esse hein? – Ben disse aparecendo na abertura da porta limpando um de seus ombros com a mão – Nossa... Mas vocês tinham que ver o golpe que eu fiz e... O que vocês estavam fazendo?

Kevin e Gwen pularam para se afastarem, na mesma hora em que Ben aparecera. Os dois o encararam com expressões de raiva e vergonha. Ben percebeu o que os dois estavam fazendo, e odiou a si mesmo pelo que fez. Ele pensou em usar essa \"missão\" apenas para juntar os dois um pouco mais e transformá-los num time de novo. Um silêncio irritante ecoou pelo salão, e foi Ben quem o quebrou:

- E ai? Vamos? To morrendo de sede!

Gwen e Kevin assentiram e os três entraram no carro. No começo houve silêncio, mas depois de um tempo Ben começou a falar coisas sem sentido que sempre eram respondidas por Kevin, enquanto Gwen olhava pela janela as árvores e prédios passarem. O hematoma em seu pescoço começou a latejar e ela secretamente colocou as mãos sobre a ferida para aliviar um pouco a dor.

Chegando no Mr. Smoothy, Ben comprou cinco copos de suco: um suco de limão médio para Gwen, um suco grande de laranja para Kevin, e três sucos de limão misturados com gingerina para Ben, claro. Eles se sentaram no lugar habitual e começaram a conversar como eles faziam nos \"velhos tempos\". Kevin pegou dois canudinhos, colocou-os no nariz e começou a fazer brincadeiras ficando com os olhos vesgos para Gwen e Ben. Gwen começou a rir, enquanto Ben ficava morrendo de vergonha. Depois diziam que ele era o estranho da turma!

Quando terminaram seus sucos e palhaçadas, Kevin, Gwen e Ben se levantaram e foram para o carro para voltarem pra casa. Ben foi o primeiro a ser deixado em casa. Gwen estranhou um pouco, já que a casa dela ficava mais perto do que a de Ben. Ela e Kevin ficaram em total silêncio por um tempo. Gwen observou para onde Kevin a estava levando... Esse não era definitivamente o caminho de volta para sua casa... Alguns minutos depois, Gwen não agüentou de curiosidade e disse:

- Kevin... Você sabe que esse caminho não é para minha casa, sabe?

- Sei... – ele respondeu, e depois ficou calado.

Gwen fitou-o por um momento, percebeu que ele não ia falar mais nada para ela, ficou um pouco assustada, mas também não disse nada.

Alguns minutos depois Kevin estacionou o carro na frente de um prédio enorme.

Gwen olhou pela janela para ver do que se tratava. Ela arregalou os olhos. Um hospital.

- Kevin... Posso saber o porquê de você me trazer até um hospital?!

Kevin fitou-a por um momento, a expressão no rosto do garoto estava ilegível. Ele saiu e foi até o outro lado do carro para abrir a porta para Gwen. Ela não saiu do lugar, estava com braços cruzados e com uma expressão que exigia uma explicação. Kevin suspirou:

- Acho que a causa é meio óbvia, não acha? — Gwen não disse nada, Kevin suspirou novamente, um pouco irritado com a teimosia de Gwen e continuou – Eu estou te levando ao médico, para examinar essas feridas... Quero ver se não é nada grave...

- Não é grave... Eu consegui me virar com o que eu tinha em casa... E estou me sentindo muito bem com isso, Kevin. – ela disse como uma criança.

- Gwen... Por favor... – ele disse nervoso – Estou falando sério! E se isso for mais grave do que você pensa? Só quero ter certeza de que não é! Por favor!

Gwen olhou para ele espantada. Kevin... Pedindo por favor?! A única vez que ele pediu para ela, por favor, eles estavam na Nave dos Soberanos e Gwen estava prestes a se esquecer dele e ir embora, para sempre. Ela viu que seu tom não havia mudado quase nada com o daquela vez, a única diferença era que naquele dia o rosto de Kevin mostrava puro desespero, agora ele estava ilegível, como se Kevin estivesse tentando se segurar.

- Vamos, Gwen! É rápido! – ele disse esticando a mão para ela.

Gwen encarou a mão dele por um momento, respirou fundo e disse colocando sua mão pequena sobre a dele:

- Tudo bem... Mas tem que ser rápido mesmo, se não eu vou embora, na mesma hora!

- Tuuudo bem! – Kevin disse agora seu rosto estava uma mistura de alegria, alívio e ansiedade. Depois que Gwen saiu do carro, ele trancou-o e ativou o alarme. Os dois andaram até o prédio e Kevin torcia para que este não estivesse tão cheio. O que não aconteceu... Todas as cadeiras de espera estavam lotadas, cada pessoa segurava um papel com o número da senha, aguardando pacientemente suas consultas. Kevin olhou para o lado; Gwen estava nervosa.

- Vai ser rápido, certo?

- Anh... Calma, Gwen! Pode ser que esse não seja o andar certo! Ali! Vamos perguntar pra atendente... – ele puxou Gwen até o balcão de atendimento. Atrás do balcão, uma mulher de cabelos presos estava mexendo nos papéis sem notar a presença dos dois. Kevin pigarreou e disse para ela – Com licença... Nós queremos saber onde ficam exames para feridas e essas coisas... — Kevin tentou explicar o melhor possível, mas, como Gwen sempre dizia seu vocabulário não era maravilhoso.

- Certo... – a atendente disse parecendo já saber lidar com esse tipo de gente, ela olhou o machucado que estava no braço de Gwen. – Quinto andar... Fale com o atendente de lá e peça um exame de trilogia.

Kevin e Gwen assentiram e foram até o elevador para subir ao quinto andar. Enquanto esperavam no elevador, Kevin disse:

- Gwen... O que é trilogia?

- É um exame que o médico faz pra ver se as feridas são muito graves e tudo mais. Se for grave eles encaminham você direto para uma sala para ver o que eles podem fazer... Entendeu? – Gwen respondeu com um sorriso no rosto.

Kevin corou... Ele sempre podia contar com Gwen pra essas coisas.

- Entendi. Valeu.

No quinto andar, os dois foram até o balcão para seguir as orientações da atendente, eles pediram um exame de trilogia e ambos foram encaminhados diretamente até uma sala para o médico atendê-los. Eles se sentaram nas cadeiras que havia na sala até o médico chegar.

- Boa noite – o médico disse para os dois com um sorriso.

Ele era alto, tinha cabelos marrons e usava uma roupa habitual de médico: sobretudo branco com um estetoscópio em volta do pescoço. Ele parecia ser o tipo de médico que se dava bem com qualquer tipo de paciente, bom... Pelo menos até Kevin aparecer, já que ele percebeu que Gwen corou ao ver o médico e já entendeu o que se passava pela mente dela. Por uns instantes ele se arrependeu de ter trazido Gwen ao hospital.

O doutor foi até os dois e apertou as mãos, depois falou seu nome, mas Kevin não prestou atenção, estava mais preocupado com Gwen.

- Bom... – o doutor disse, parecendo finalmente chegar ao assunto onde Kevin queria – O que aconteceu com os dois?

- Na verdade... Só com ela... – Kevin apontou para Gwen – A gente... Sem querer, se envolveu numa briga.

- Certo... Então eu vou pedir para que você se sente ali naquele banco. – o médico disse para Gwen.

Ela foi até o banco que ele apontara e se sentou lá, já sabendo o próximo passo que o médico iria dizer.

- Bom... Onde foram os danos?

- Braço e barriga.

- Entendo... Então vou ter que pedir que você tire sua camiseta.

Kevin não gostou muito do que ouviu mas ficou quieto.

Gwen sabia que isso não era nada de mais, mas ficou sem graça por ter que fazer isso com Kevin olhando. Ela o fuzilou com os olhos até ele perceber que era para virar o rosto para o outro lado. Quando o fez, ela tirou a camiseta e o médico examinou os hematomas em sua barriga.

- Me diz uma coisa... – ele começou a falar – Essa \"gente\" que você brigou quem são elas?

Gwen ficou emudecida por um momento, mas depois respondeu:

- Er... Elas têm unhas grandes...

- Certo – ele achou melhor não continuar, já que parecia que ela não ia mesmo responder.

Kevin ficava quieto olhando fixamente para o chão enquanto ouvia Gwen e o doutor conversarem. O médico perguntou para ela as partes em que ela sentia dor e Gwen respondia calmamente... No final a idéia de Kevin de levá-la ao médico não era tão ruim assim, ela própria se sentia mais aliviada por ver que o médico não mostrava sinais de preocupação. A única coisa que a incomodava era o fato de ela estar sem camiseta com um sutiã de rendas cor de rosa bem perto de Kevin. Ele já tinha visto ela de biquíni, claro, mas isso era diferente: Eles não estavam na praia e ela não estava de biquíni e sim de roupas íntimas.

Quando a consulta acabou, o médico saiu de perto e foi para um armário próximo, com portas de vidro, dentro havia vários remédios para primeiros socorros. Depois ele voltou para Gwen e passou um tipo de pomada em seus braços e barriga, dizendo:

- Bom... Acho que é só isso mesmo... Pelo que eu vi você mesma cuidou muito bem das suas feridas; por isso não tenho muito que fazer aqui. – ele voltou para sua mesa limpando a mão dos restos de pomada e disse para Gwen colocar sua camiseta de volta, ela fez o que ele pedira e sentou-se ao lado de Kevin, que virou o rosto para olhar para ela. O médico continuou o que dizia enquanto escrevia num papel o que se parecia uma receita – O melhor a fazer é ficar em repouso até você melhorar, coma e durma bem, isso ajuda bastante. Continue a passar a pomada que você está usando também – quando terminou de escrever ele arrancou o papel de seu bloco de notas e entregou para Gwen que guardou em seu bolso. Os três se levantaram e foram até a porta. O médico apertou a mão de Kevin e se despediu de Gwen. Quando os dois estavam longe da sala, Kevin hesitou por um momento em colocar a mão no ombro de Gwen, quando o fez começou a acariciar seu ombro gentilmente enquanto dizia:

- Viu? Rápido!

Gwen ficou vermelha sem falar nada, estava sem graça pela ação de Kevin e um pouco por ver que ele estava certo no que disse. Ela decidiu colocar seu orgulho de lado, apoiou a cabeça no ombro de Kevin enquanto voltavam a andar e envolveu seu braço esquerdo em volta das costas do garoto. Era tão bom estar ao lado de ele... Ela não se sentia confortada há muito tempo. Kevin estava pulando de alegria por dentro, também.

Quando os dois voltaram para o carro, se desprenderam do abraço e se sentaram nos bancos do carro. Kevin deu a partida no carro, enquanto Gwen ligava seu celular que estava todo esse tempo desligado. Ela olhou a hora.

- Droga!

- Que foi? – Kevin perguntou assustado com o grito de Gwen. Ele virou o rosto por alguns instantes para observá-la melhor e apenas ver seu rosto, que agora estava apavorado observando a tela de seu celular.

- É meia noite! – ela respondeu apavorada – Meus pais vão me matar! Tem umas dez ligações não atendidas aqui!

Kevin não gostou muito da resposta, estava planejando levá-la ao Cinema. Mas o plano foi por água abaixo, pelo que parecia. Ele pisou fundo, assustando um pouco Gwen. Ela também não gostou muito de ver que ia ter que se separar de Kevin tão rápido.

Os dois chagaram na casa de Gwen bem rápido. Por um tempo esqueceram que havia dois pais muito preocupados dentro da casa onde eles pararam em frente... Então ficaram apenas quietos olhando para frente fixamente, esperando que um falasse com o outro para quebrar o silêncio. Quem quebrou foi Gwen, falando a primeira coisa que veio na cabeça:

- Quer entrar?

Kevin virou o rosto um pouco assustado com a proposta da garota.

- Quê?

\"Ops!\" ela não devia ter falado isso. Ela se lembrou que da última vez em que o pai e mãe dela o viram, eles tentaram ensinar as regras de \"Boas Maneiras com Frank e Lily\" durante uma hora, antes de deixá-lo ir embora. Essa situação chegou a ser até engraçada, claro que Gwen não falou isso para Kevin, já que ele ficou meio transtornado depois daquele episódio. Para não voltar atrás ela continuou:

- Não quer entrar?

Kevin ficou mudo por um momento. Ele já ia perguntar se ela estava louca, se ela queria que ele se suicidasse, ou se ela queria que ele perdesse os ouvidos, mas ele pensou duas vezes e respondeu calmamente:

- Não obrigado.

Gwen não disse mais nada. Ela tirou o cinto de segurança e ia abrir a porta quando viu que Kevin foi mais rápido que ela. Ele deu a volta na frente do carro e abriu a porta do lado de Gwen. Ele esticou a mão para ela como da última vez. Ela sorriu e segurou a mão dele. Gwen saiu do carro, fechando a porta por trás. Eles seguiram para a porta da casa de Gwen, ainda com as mãos dadas. Os dois pararam na frente da porta por um momento sem dizer nada.

- Bem... Obrigada, Kevin. Por ter me levado ao hospital e tudo mais – Gwen falou.

- Ah – Kevin ficou sem graça – Isso... De nada.

Silêncio novamente.

- Sabe Gwen – Kevin disse colocando a mão livre atrás do pescoço, agora sem graça nem uma – A gente podia fazer isso de novo... Digo. Não ir ao hospital, mas... Você sabe: Sair, pro cinema, essas coisas.

- Kevin... Você está me chamando pra sair?

Ele parou por um tempo. A mão que estava segurando a de Gwen a apertou por uns segundos, mostrando que ele estava meio nervoso.

- Eu... Eu acho que sim. – ele olhou para os lados.

O coração de Gwen começou a bater mais rápido... Há quanto tempo ela esperava ele chamá-la pra sair, essa era a segunda coisa que ela queria ouvir de Kevin... A primeira ela nem sabia se era mesmo isso. Gwen começou a soar frio quando viu que o rosto de Kevin se aproximava dôo seu.

- É... É claro. – foi a última coisa que ela conseguiu falar. Seus rostos se aproximaram mais um pouco. Seus olhos começaram a se fechar.

- Gwen! É você?! – uma voz de dentro da casa atrapalhou os dois. Era Lily – Frank! Tem alguém na porta. – dessa vez a voz parecia estar falando com outra pessoa de dentro da casa. Os dois ouviram o barulho de passos de dentro, que ficavam cada vez mais altos. Kevin e Gwen se separaram um pouco desanimados por serem atrapalhados pela segunda vez na hora de darem um beijo. A porta se abriu rapidamente, revelando um pai de cabelos marrons e óculos. Seu rosto estava preocupado, mas aos poucos começou a mudar de preocupação para alívio com uma pitada de desapontamento ao ver quem estava ao lado de Gwen.

Seus braços se cruzaram olhando para a filha, agora querendo uma explicação para o atraso.

Gwen deu um sorriso quebrado.

- O-Oi pai... Eu posso explicar... É que...

- Gwen?! – a mãe de Gwen apareceu na porta surpreendida por ver a companhia da filha.

- Mãe! – Gwen tentou acabar com a tensão entre os quatro abraçando a mãe, soltando a mão de Kevin. Quando as duas se soltaram do abraço, ela e Frank encararam a filha querendo uma explicação para o atraso.

- Sabe como eu fiquei preocupada? Você não atendeu nenhuma das minhas ligações!

- Estou bem mamãe. – Gwen secretamente colocou o braço em cima do rasgo da camiseta.

Lily encarou Kevin por alguns instantes. Ele ia tentar cumprimentá-la, mas foi atrapalhado:

- Obrigada por ter trazido ela até em casa. – ela disse, surpreendendo Gwen e Kevin.

- De- De nada. – Kevin tentou respondeu sem gaguejar. Cara... Isso é mais difícil do que enfrentar os Dnaliens junto com os Cavaleiros Eternos.

Frank colocou a mão no ombro de Gwen e a puxou para dentro.

Gwen e Kevin se encararam por um tempo:

- Bom... Então até mais.

- É até mais – mesmo estando um pouco nervoso com a situação ele ainda estava feliz.

Gwen acenou com a mão enquanto entrava em casa e Frank estava pronto para fechar a porta. Antes de fazer isso, também agradeceu a Kevin, deu um sorriso fraco e fechou a porta.

\"Ufa\" pelo menos dessa vez ele não ficou pra aula de boas maneiras. Ele foi para o carro, abriu a porta e deu uma última olhada na casa de Gwen. A porta da casa voltou a se abrir, Kevin ficou parado por uns instantes para poder ver melhor quem saia da porta: Gwen. Ela foi correndo em direção a ele, que ainda estava parado como uma estátua, um pouco surpreso. Quando chegou perto dele, ela colocou as mãos sobre o peito de Kevin, ficou na ponta dos pés para alcançar o rosto do garoto e deu um selinho rápido nele. Ela falou rapidamente:

- Em frente ao Cinema de Bellwood, sábado às 3 da tarde.

Depois saiu correndo de volta para casa antes que os pais vissem que ela havia saído por alguns instantes. Ela fechou a porta lentamente, encarando Kevin por alguns segundos antes de fechá-la totalmente.

\"Wow\" Ele nem sabia o que responder, ainda estava parado encarando a porta por onde Gwen sumira. Sua boca estava aberta e os olhos arregalados. Quando voltou a si, cambaleou um pouco antes de entrar no carro e fechar a porta. Ele tocou os lábios onde Gwen o beijara com sua mão. Durante o tempo em que seus lábios se tocaram ele pode sentir uma corrente elétrica percorrendo seus lábios. A corrente era parecida com a de quando eles tocam as mãos. Só que ao mesmo tempo era totalmente diferente... Era mais forte.

Kevin sorriu.

\"Em frente ao Cinema de Bellwood, sábado às 3 da tarde... Não posso esquecer\"