Recomeço

2 Capítulo II - Pesadelo


Notas iniciais
Kevin finalmente sente coragente para chamar Gwen para sair, mas algo pode mudar isso... [Só para avisar... Eu adicionei mais coisas no capítulo um... Antes de continuarem a ler, acho melhor voltar no capítulo um para verem se leram tudo.]

Capítulo II – Pesadelo

“... por dentro ela estava gritando enlouquecida com tudo o que aconteceu, querendo que tudo aquilo não passasse de um sonho, ou melhor, pesadelo. O pior pesadelo que ela já teve...”

Após uma longa manhã de visita aos seus tios avós, os Tennysons queriam apenas descansar, e passar um tempo juntos, apenas os três: Frank, Lily e sua filha, Gwen. Os três sentaram no sofá da sala e pediram para Gwen escolher um filme qualquer. Frank e Lily não gostaram muito da escolha... Crepúsculo. Um filme romântico no qual ambos nunca ouviram falar. Gwen tentava assistir ao filme muitas vezes, mas nunca conseguiu, toda vez que tentava algo acontecia, como uma emergência, ou então uma visita inesperada dos pais de Lily. Mas dessa vez não! Dessa vez ela ia assistir ao filme!

À medida que o filme passava, Gwen ficava mais entretida no filme; sua mãe, que achava que o filme era uma total bobagem, também não desgrudava os olhos mais da tela – o filme provou totalmente o contrário para ela; enquanto Frank quase dormiu... Filmes como aquele nunca foram o que ele gostava. Ele suspirou... Como fazia falta a presença de Ken... Uma mente masculina...

Quando o filme acabou, Frank deu graças a Deus e pegou seu jornal que estava preparado para ser lido na mesa de centro da sala. A mãe desligou a tela da TV, e começou a comentar sobre o filme com sua filha. As duas começaram a dizer sobre como Edward Cullen era o mais bonito entre os outros vampiros, e sobre as falhas de namorar um vampiro.

Enquanto isso, do lado de fora da casa, Kevin estacionou o seu Camaro na frente da casa sem fazer muito barulho. Ele pensou em tocar a campainha, mas achou melhor não. Da última vez que ele foi buscar Gwen para irem se encontrar com Ben no Mr. Smoothies foi o pai dela quem atendeu, e digamos que ele não foi tão hospitaleiro do jeito que Kevin pensava que ele iria ser. Melhor olhar pela janela antes. Kevin se aproximou da janela que dava para a sala e viu Gwen sentada com sua mãe ao lado, e do outro seu pai lendo jornal. Ele achou melhor ir embora e falar com ela outra hora, ele não queria levar uma hora de interrogatório e lições de boas maneiras dos pais de Gwen... De novo. Antes de ir, ele ouviu uma palavra que o fez ficar curioso para saber o que eles estavam falando.

— Bem, namorar um vampiro não seria mesmo uma boa escolha... – Lily disse aos risos.

— Anh. Também acho – Gwen respondeu.

— Mas acho que esse Edward é maduro o bastante. Sensível. Inteligente. O cara perfeito!

— É... Perfeito. – Gwen respondeu suspirando, ela olhou para o nada como se estivesse sonhando com algo, Kevin tentava ler seus pensamentos olhando nos olhos da garota através do vidro.

A mãe de Gwen continuou a falar:

— Imagina você se casar com um cara assim?

— O quê?! – Gwen disse um pouco assustada com o “novo” assunto da conversa. Kevin agora estava totalmente interessado no que elas estavam falando.

— Digo... Não um vampiro, claro... Mas um homem assim como ele. Inteligente, educado...

— Bonito.

— Sim, também. O que eu quero dizer, é que é muito importante você se casar com um cara que se preocupe com o seu bem estar. Assim como esse Edward. Que é como eu falei antes, com uma boa estrutura, inteligente, rico...

— Mãe! – agora sim, Gwen ficou irritada. Por que sua mãe sempre tinha que ficar fazendo isso? Muitas vezes ela agia de um jeito tão... Arrogante.

— Desculpe filha. Mas essa é a verdade! Eu e o seu pai queremos o melhor para você, só isso. Não é Frank?

— Aham, é isso o que a sua mãe falou – disse seu pai sem prestar atenção na conversa. Lily voltou sua atenção para Gwen.

— Não quero que você se case com qualquer um. Principalmente com meninos como... Qual é o nome daquele garoto?

— Quem? O Kevin? – Kevin quase saltou ao ouvir seu nome.

— Isso!

— Mas, peraí! Como assim?! – Gwen estava indignada com o que ouvia, como se ela estivesse sendo proibida de respirar.

— Ele não é uma boa influência para você querida!

Gwen não disse nada por alguns instantes. No começo ela queria revidar, mas achou melhor não. Ela não ia ficar respondendo para sua mãe a noite inteira, para levar a uma briga, onde com certeza ela iria ficar de castigo. E o pior! Não poderia nem ao menos ver Kevin... E Bem também, mas isso era um caso à parte. Sua mãe continuou:

— Aquele garoto é encrenqueiro, violento, além de ter um recorde na ficha dos Encanadores, se não me engano no nome...

— Mãe! Ele é meu amigo!

— Espero que não passe disso!Não quero ver aquele garoto namorando você! Uma vez estava conversando com a mãe de uma de suas colegas da sua escola pelo telefone... E ela me disse que uma vez ele magoou os sentimentos da filha.

— O quê! Mãe de quem?

— De uma garota chamada... Mary.

— Ah... – Mary, a garota mais irritante de toda a escola. A idiota que não deixava Gwen em paz desde a segunda série. Loira oxigenada, misturada com bronzeamento artificial e uma bela lipoaspiração. Certa vez, Kevin foi buscar Gwen na escola e Mary começou a paquerar ele. Infelizmente, Kevin caiu na gandaia dela e... Ficou com ela, por um tempo. Até ele terminar com ela. Segundo Kevin, Mary era “um pé no saco”, ela dizia que estava num relacionamento sério com ele para todo mundo. Sendo que eles nem tinham começado a namorar direito. Mary deve ter dito aquilo por ver a proximidade que Kevin tinha de Gwen, e deixar Gwen magoada o bastante para desistir de Kevin, mas isso não aconteceu.

— Eu estou te avisando minha filha. Esse Kevin não é uma boa escolha... Ele não merece você...

Isso fez Gwen ficar vermelha.

Kevin nem acreditou no que estava ouvindo... Ele não queria mais ouvir uma conversa como aquelas, onde a mãe da garota que ele gostava o esmagasse feito um inseto, e a filha nem mesmo o apoiava. Foi para o seu carro, ir embora. Sem ver o que aconteceu depois:

— MÃE! Já chega! Isso é um assunto que eu decido! Você nem conheceu o Kevin direito para saber quem ele é de verdade! – nisso ela subiu as escadas pisando os pés com força e depois fechou e trancou a porta de seu quarto. Na sala, deixou sua mãe e pai confusos.

“Droga!” Kevin surrou a porta do motorista com a mão que não estava segurando o volante. Por sorte a porta não quebrara. O quê aconteceu lá dentro? Por que ele estava se sentindo assim? Claro que ele era meio rebelde, mas... Mesmo assim. Ele estava tentando mudar. E mudando por causa dela. No começo ele achava que era apenas uma paixão passageira por ela. Mas depois ele viu que era mais do que isso... Quando ele percebeu, queria se convencer de que não era isso que ele sentia, e tentou se convencer ficando com aquela garota, Mary. Mas ele não conseguiu... Toda vez que ele ficava perto daquela menina ele via outra pessoa, então terminou com ela. Na hora de responder para Gwen o porquê, ele inventou a desculpa mais esfarrapada que pôde...

— Ela era um “pé no saco”.

Claro que ela acabou sendo no final, mas não foi a causa verdadeira de ele terminar com ela.

Kevin examinou o que ele acabara de pensar, e percebeu o quanto ele ainda era insensível e irresponsável.

Talvez... A mãe de Gwen estivesse certa. Talvez fosse melhor ele terminar com ela, se é que um dia eles tivessem mesmo começado alguma coisa. Era o melhor a fazer... Kevin gostava muito dela. Só que ele não a merecia Gwen.

Gwen deitou em sua cama de barriga, ela abraçou seu travesseiro e olhou para o vazio, pensativa. Será que ela foi muito grossa com a mãe? Mas... Ela foi muito insensível de sua parte... Falando coisas que ela nem sabia sobre Kevin! Claro que ela estava falando aquilo para seu bem e era um pouco verdade... Desde que Gwen o conheceu, Kevin sempre foi um namoradeiro. Ele se aproveitava de Gwen para dar uma desculpa para ir até a escola dela para ver as garotas de lá. Pelo menos era o que parecia. Todas as vezes que ele chegava para dar uma carona de volta para a casa dela, ele vinha com um tipo de colônia masculina diferente. Como se estivesse tentando impressionar alguém... E toda vez que ela perguntava ele fingia não ouvir e mudava de assunto. E finalmente aconteceu de ele ser alvo de Mary. Ele cedeu tão rápido em ficar com ela que Gwen ficou até assustada, como se ele estivesse desesperado para aquilo acontecer, toda vez que ele deixava Gwen em sua casa ele já ia de encontro com aquela garota. E o pior. Era que quando eles estavam sozinhos, Kevin não parava de falar dela... Ele parecia não saber o quanto isso a machucava por dentro. Várias vezes ela ia para seu quarto dizendo que ia fazer lição de casa e se trancava lá dentro apenas para chorar e voltar no outro dia dizendo que estava bem como se nada tivesse acontecido.

Agora que os dois finalmente conseguiram ficar “juntos”, sua mãe veio com essa idéia de ficar longe dele.

Gwen se levantou, enxugando as lágrimas de sua bochecha. Foi até seu armário e procurou em uma de suas gavetas uma coisa que provava o quanto ele gostava dela. Um pequeno colar de ouro com um pingente que se abria revelando uma foto de um casal, ela e Kevin, quando eles foram passear no píer junto com Julie e Ben. Aquele dia foi um dos melhores de sua vida. Ela se divertiu tanto, principalmente na hora em que Kevin a puxou para longe numa forma de proteção do menino da barraca dos beijos. Como foi que ele disse mesmo?

-Ei! Quer ganhar um beijo de graça?

Kevin a puxou para trás e disse:

-Ela já tem bastante.

“Acho que não devo ficar me sentindo desse jeito...” Gwen pensou. Amanhã ela iria sair com Ben e Kevin para Mr. Smoothy. Gwen pegou seu pijama, vestiu-o e deitou na cama, cansada...

“Amanhã, vai ser tudo diferente...” ela sorriu. “Kevin”

No dia seguinte, Gwen se levantou num salto. Ela pegou sua roupa no armário e foi até o chuveiro tomar banho. Depois que saiu do chuveiro se vestiu com a roupa habitual: Camiseta de manga comprida branca, com outra de manga comprida por cima, só que rosa; saia preta, meia-calça de cor vinho bem escuro e sapatos formais. Ela passou um pouco de maquiagem, bem leve e prendeu seu cabelo num rabo de cavalo apertado.

Quando acabou, arrumou o banheiro, saiu de lá e foi para o seu quarto para pegar o celular e seu distintivo de Encanador, colocou-os no bolso da saia. Ela foi fechar a porta quando viu em cima de sua cama o pequeno pingente de ouro. Ela sorriu. Gwen dormiu com aquele colar a noite toda, como se tivesse medo de que o pingente criasse pernas e fosse embora junto com os sentimentos de Kevin por ela. Gwen pegou o colar, colocou-o no pescoço e o escondeu em baixo da camiseta para poupar seu tempo da curiosidade da mãe.

Gwen desceu as escadas, animada, tentando fingir que nada aconteceu noite passada entre ela e sua mãe. Nisso ela estava craque: fingir que nada aconteceu. Ela treinara bastante toda vez que via Kevin com aquela idiota troglodita.

Ela se direcionou para a cozinha. Lá ela viu sua mãe preparando a mesa, enquanto seu pai estava sentado em uma das cadeiras, lendo seu jornal habitual com uma xícara de café quente em uma das mãos. Na pequena mesa arredondada tinha sempre um banquete que sua mãe preparava, ela era uma das melhores cozinheiras da cidade, e isso foi provado quando ela fez um concurso de culinária na feira anual da cidade, ela ganhou o primeiro lugar, até suas omeletes tinham um gosto diferente e especial; hoje o “banquete” se resumia em: um prato cheio de panquecas, com bastante cobertura doce em cima, torradas com manteiga derretida, um bolo de chocolate e café com leite bem quente.

Gwen olhou para Lily que estava colocando uma xícara de chá para si. As duas se encararam por um tempo sem dizer nada. Após um tempo a mãe deu seu sorriso habitual para a filha, Gwen também sorriu e saiu correndo para dar um beijo na bochecha da mãe. Depois se sentou e atacou o máximo que pode, tomou seu café com leite de uma vez, comeu duas panquecas e uma torrada, quando acabou enxugou a boca com um guardanapo, se levantou, deu um beijo na mãe e no pai e saiu correndo para cima para escovar os dentes. Um tempo depois ela voltou a descer as escadas, e quando foi abrir a porta sua mãe disse:

— Aonde você vai querida?

— Eu vou no Mr. Smoothy me encontrar com o Ben!

— Certo... Liga pra falar que horas você vai voltar!

— OK! Amo vocês!

Nisso ela fechou a porta e foi andando até a lanchonete preferida do primo. Mr. Smoothy era um pouco longe da onde Gwen morava geralmente Kevin a buscava para ir até lá, mas ele sempre ligava para ela antes de vir buscá-la. Como ele não ligou para ela dessa vez, Gwen achou melhor não ficar esperando.

Ela olhou para o céu. “Devia ter trazido um guarda-chuva!” O tempo estava ficando meio nublado, podia chover a qualquer hora. Gwen achou melhor acelerar o passo.

Chegando ao estacionamento, ela viu que entre os carros havia um Camaro verde de listras pretas. Kevin já tinha chegado. E Ben já devia estar lá, ele era sempre o primeiro a chegar quando seus encontros tinham a ver com Suco de gingerina misturado com chocolate e menta. Gwen achava Ben um completo retardado com esses vícios por sucos nojentos e enjoativos. Ela nunca tinha ouvido falar em suco de chocolate pra começar! Pelo menos até conhecer o Mr. Smoothy.

Gwen começou a sentir pequenas gotas d’água pinicando seu rosto... Ela chegou bem a tempo. A garota ruiva saiu correndo até dentro da lanchonete, estava um pouco cheio. Ela começou a andar e olhar entre as mesas para ver se encontrava seu primo e Kevin. Ela avistou uma cabeça com cabelos marrons virada de costas, e em frente a essa cabeça no outro banco da mesma mesa, ela avistou um garoto pálido com cabelos pretos e cumpridos, Ben e Kevin. Ela andou até lá. O primeiro a perceber sua presença foi Kevin. No começo, Gwen olhou em seus olhos e deu um sorriso autentico. Um sorriso que ela pensou que ia ser retornado, mas pensou errado. Kevin apenas ignorou o sorriso de Gwen e virou o rosto como se não tivesse visto ela. Gwen ficou congelada por um tempo. “Mas o quê...?” Será que ela fez alguma coisa de errado? Ela olhou seu rosto pelo reflexo do vidro da janela. Nada de errado... Ela não estava muito molhada, o pouco da maquiagem que ela estava usando não tinha borrado.

Gwen voltou a andar fingindo não ter visto o que Kevin fizera e se convencendo de que aquilo era apenas uma simples imaginação de sua cabeça. Ela parou no lado da mesa que não dava para a janela, e apoiou suas mãos na mesa.

— Oi, Gwen! – disse Ben, tirando o canudo de um copo vazio para colocar em outro copo cheio de suco.

— Oi... – Gwen olhou para a mesa onde estava apoiando as mãos e viu uma pilha de copos de plásticos que antes tinham sucos de variados sabores dentro. Essa pilha só podia ser de Ben, já que o cheiro de suco lembrava gergelim, menta, laranja e morango, tudo misturado com um cheiro de batatas fritas bem gordurosas cobertas com queijo cheddar – Sério... – ela continuou a falar para Ben enquanto ele terminava seu último suco de morango – Quantos desse você tomou só hoje?

— Anh... Deixe-me ver... Esse daqui é o segundo pedido que faço...

— Isso foi uma pergunta retórica! Não era pra você responder... Mas – ela disse mudando de assunto – E a sua mesada? Não disse que ia economizar? – Ben não respondeu nada apenas a encarou bebendo o resto do suco – Essa não é uma pergunta retórica, Ben. Dessa vez é para você responder...

— A ta! Desculpa!

— Ai, ai... – Gwen suspirou.

— Decidi fazer um super pedido hoje, já que é aniversário do Kevin – Gwen se desequilibrou... Aniversário do Kevin! Ela esqueceu! Ben continuou sem perceber o que aconteceu com Gwen – Eu ia dar tudo pra ele, só que ele não quis... Então eu peguei tudo pra mim.

— Ah... Tá. – Gwen só respondeu isso.

Ben soltou um grande arroto depois de terminar seu último suco, se levantou, pegou todos os copos plásticos vazios para jogá-los fora e disse:

— Vou pegar mais... Quer alguma coisa, Gwen?

— Ah... Eu? Quero só um suco médio de laranja... – ela respondeu.

— Ceeeeeeerto! – ele saiu correndo de lá direto para a lixeira jogar os copos, depois foi para o caixa fazer o pedido.

Gwen ficou em pé por mais um tempo, observando Kevin. Esperando alguma coisa dele... Um sorriso... Qualquer coisa! Qualquer coisa pra provar que o que ele fez na hora que ela entrou na lanchonete era apenas a imaginação dela! Mas ele não fez nada. Nem se moveu... Não olhou nos olhos dela, não falou com ela. Gwen sentou onde Ben estava para ficar de frente com Kevin. Ele não olhou nos olhos dela.

“Vamos!” ela pensou “Diga alguma coisa!”

— Oi... – ela disse. “Ótimo! De tanta coisa pra falar...”

Kevin virou o rosto para ela apenas para retornar o “Oi” e depois virou o rosto de volta para a janela.

— Bem... – será que ele ficou bravo com ela porque ela se esquecera de seu aniversário? Ela tinha que inventar uma desculpa – Eu comprei o seu presente... Só que na pressa... Eu me esqueci de trazer...

— Tudo bem... Não precisa. – ele respondeu de um jeito indiferente. Gwen arregalou os olhos. Era ele o mesmo Kevin que ela conhecia? Ele sempre aceitava os presentes que davam pra ele, sempre. E ficava triste quando não recebia, como uma criança.

Gwen pigarreou como se estivesse tentando jogar para fora o seu nervosismo.

— Eu... – ela tentou falar, mas Kevin a interrompeu.

— Escuta Gwen – ele virou o rosto para ela. Gwen queria sentir-se aliviada de ver o rosto de Kevin, mas sentiu mais nervosismo ainda... O rosto dele estava sério. Ele continuou – Eu quero te falar uma coisa... Que eu estava pensando já faz um tempo.

— O... O quê?

Kevin pausou por alguns instantes, aquilo, mesmo não parecendo, estava sendo difícil.

— Eu acho que o melhor... O melhor seria se nós dois terminarmos...

Gwen ficou muda. Em seus pensamentos ela estava gritando, apavorada.

— T-Terminar...? – terminar algo que eles nem começaram direito...

— Isso...

— Por quê?! – ela disse agora seus olhos estavam apavorados.

— Na verdade... Eu nem sei se nós dois começamos... Alguma coisa...

Por que você quer terminar? – agora ela estava mais calma. Tentando não perder a cabeça.

Kevin olhou para os lados...

— Eu acho que isso não vai dar certo...

Gwen ficou muda novamente.

— Eu acho que... Acho que você e... Eu... Devíamos ser apenas... Amigos e só isso.

— Kevin... Você só pode estar de brincadeira... – ela olhou para ele tentando sorrir, esperando que ele começasse a rir da própria piada de mau gosto, ele não fez.

— Não estou – dessa vez ele olhou para ela. Seus olhos estavam decididos.

— Sou eu? – ela perguntou, sentindo uma pequena vontade de chorar. Ela tentou ignorar o olhar de Kevin para ela.

— O que?

— Fale pra mim por quê... E eu nunca mais toco nesse assunto.

Kevin suspirou... Isso estava sendo muito mais difícil do que ele pensou.

— Eu... – “Minta!” uma voz passou na cabeça dele “Minta!” – Eu não sinto o mesmo que eu sentia por você antes.

Isso a machucou... E muito.

— Certo. – ela se levantou da mesa – Eu acho que... – a fala de Gwen ficou falha, mas ela foi interrompida por Ben chegando animado com duas bandejas cheias de copos de suco. Gwen se sentiu aliviada, sentou novamente no cantinho da mesa e observou as gotas d’água caírem do lado de fora da lanchonete. Ela suspirou tentando acalmar os pensamentos em sua mente.

— Aqui está! Suco de laranja para você, Gwen! – Ben esticou a mão para entregá-la o seu suco.

— Ah! Obrigada! – ela disse dando um sorriso falso.

Gwen pegou o suco e começou a dar pequenos goles para não se engasgar com os próprios soluços escondidos.

Kevin apenas observou pelo canto dos olhos o que Gwen fazia. Ele feriu muito ela. Mas ele estava pior, e mais ainda por ele ser a causa do que ela estava sofrendo.

Ben começou a falar com Kevin sobre o novo vídeo-game do Sumo II, e como era mais difícil de manusear o jogador com o joystick. Kevin não prestava mínima atenção no que ele falava, estava apenas pensando em Gwen e no que ele fez a ela tentando se lembrar por que ele disse isso.

Ben começou a falar mais do que um ser humano normal podia. Kevin ouvia só pedaços:

— Julie... Smoothy... Misturado... Geléia... Sumo...

Gwen estava tentando segurar suas lágrimas o máximo que podia. Será que Kevin terminara com ela só por que tudo o que ele sentia por ela era uma mentira? Ela não acreditou no que ele disse... Que ele queria terminar com ela por que ele não gostava mais dela... Podia até ser verdade, mas não a verdadeira causa de ele não querer mais namorar ela. Será que era então por que... Gwen segurou seus soluços mais um pouco... “Pare...” ela dizia para a voz em sua cabeça que parecia estar lá apenas para machucá-la mais ainda, enquanto Ben falava mais alto, agora sobre a prova de Física:

— O professor decidiu revisar o que agente aprendeu na oitava série sabe?

...Ele acha que você é inferior a ele...

“Pare...”

— Eu não sabia nada dos testes...

Ele não contou a verdade por que não queria que você ficasse mais machucada ainda!

“Então por que eu estou aqui destroçada com o que ele disse?...”

-... Dilatação térmica era a pior!...

Quer que ele volte para aquela garota da sua escola? Deve ter sido por causa disso que ele terminou com você...

“Por favor... Para!”

Gwen abaixou a cabeça, e colocou as mãos dos lados pescoço...

— Só sabia que a dilatação do ferro...

Aquela garota é melhor que você... Tem que admitir...

Gwen cerrou os punhos, como se fosse um modo de escapar da dor que sentia.

“Não é verdade...”

Ela espremeu um pouco mais as mãos até sentir um pequeno pingente em seu pescoço... O medalhão que Kevin deu para ela...

Ainda está com isso? É melhor devolver para ele, assim ele pode tirar a foto daí de dentro e entregar o medalhão pra outra garota, que com certeza vai fazer ele feliz... Uma coisa que você não conseguiu...

“Chega disso!... Por favor...”

— Isso era muito mais difícil do que eu pensava, mas por sorte eu vi que a Julie quis me passar cola... Tenho muita sorte de ter ela!

Você tem que admitir... Ele nunca gostou de você do mesmo jeito que você pensou que ele gostava! Nunca!

“CHEGA!”

Gwen se levantou. Ela pegou a bandeja cheia de suco que Ben trouxera e a empurrou, acertando seu primo, que ficou todo lambuzado. Ela se espreitou entre ele e a mesa para sair de lá. Depois que conseguiu saiu correndo sem ligar para os olhares das outras pessoas. Ela saiu da lanchonete para a rua, e para a chuva. Ben ficou confuso... Ele procurou por um guardanapo para se limpar... Kevin ficou apenas observando... Olhando para a porta onde Gwen saíra... Sentindo-se um total e completo idiota, por ter causado aquilo.

— O que foi aquilo?! – Ben disse se limpando com o guardanapo.

— Eu não sei... – Kevin mentiu.

Gwen saiu correndo pela chuva, finalmente podendo chorar. Isso parecia até uma novela... Ela agiu de um jeito tão ridículo, e descontou em alguém que nem sabia direito o que estava acontecendo. Mas ela iria pedir desculpas para ele depois. Agora, o que ocupava sua mente não era seu primo, e sim Kevin. Tudo o que aconteceu dentro daquela lanchonete estava memorizado em sua mente, tudo. E isso era o que ela queria apagar. Mas não conseguia.

Sua roupa agora estava encharcada. Seus cabelos estavam grudados em seu rosto e sua maquiagem estava toda borrada por causa das lágrimas.

Depois de correr um pouco mais, ela chegou a casa, arfando de tanto correr. Ela procurou pela chave e abriu a porta da frente. Sua mãe e seu pai estavam na sala vendo TV.

— Gwen? – sua mãe virou o rosto para ver a filha e se apavorou com o estado da filha – Meu Deus! – ela se levantou junto com o marido – O que aconteceu?

— Nada... Eu só me molhei com a chuva...

— Olha o seu estado! Tenho certeza que você vai pegar um resfriado muito forte e... Você estava chorando?

— O quê? Eu? Não! A chuva que borrou a minha maquiagem... Só isso. Eu vou... Eu vou subir pra tomar banho e depois eu vou dormir um pouco no quarto – Gwen subiu sem ouvir mais nenhuma palavra da mãe.

Gwen tomou um banho quente e vestiu uma roupa mais simples, já que ela decidiu ficar em casa o resto do dia. Depois, desceu para pegar um pouco de doce e subiu para o quarto.

Ela se sentou na cama e ficou pensando... Tudo o que ela sentia por Kevin ainda estava lá dentro. Ela tocou no medalhão que ainda estava em seu pescoço... Mas ele não sentia mais isso por ela.

Uma pitada de raiva percorreu em seu corpo todo, como um veneno injetado nas veias. Ela cerrou o punho que estava segurando o medalhão. Livre-se disso! A voz veio em sua cabeça. Seus olhos se fecharam e lágrimas escorreram suas bochechas. Ela começou a puxar o colar com todas as suas forças. Seu pescoço começou a ficar vermelho pela pressão que a corrente de ouro causava nele. Gwen puxou mais até o colar se desprender de seu pescoço e estourar em mil pedaços. Depois Gwen abriu o pingente que estava em sua mão e tirou a foto dela e de Kevin, rasgando-a e jogou os papéis contra a parede com toda a sua força, junto com o colar estourado. Os papéis esvoaçaram e nem tocaram a parede, enquanto o colar bateu contra o papel de parede e caiu no chão, no cantinho do quarto próximo à janela. Toda aquela raiva que ela sentia foi descontada no colarzinho que ele deu para ela.

Gwen tentou se acalmar novamente. Ela respirou fundo, e soltou a respiração lentamente.

Ela deitou em sua cama e olhou para o teto do quarto. O melhor seria descansar... E foi o que fez. Ela fechou os olhos e dormiu.

A garota de cabelos ruivos começou a andar pelos corredores da escola como se fosse um zumbi. Desde aquele dia, ela nunca conseguiu dormir direito, nem comer muito bem. Nem ela mesma conseguia acreditar aonde a depressão a levava... Como ela ficou assim? Nem ela mesma se lembrava direito. Tantas coisas aconteceram depois disso... Sua mãe começou a perceber que ela estava ficando cada vez mais estranha: seu jeito de agir, o jeito até mesmo de falar... Parecia que ela ficava mais fraca a cada dia que se passava. E isso é estranho, já que Gwen sempre levava um prato para o seu quarto e o devolvia a sua mãe vazio. Mas o que a mãe não via era que a maioria das vezes, sua filha jogava a comida fora. Gwen não conseguia nem mesmo comer direito, todas as vezes que ela via um prato de comida se sentia nauseada. O que mais sua mãe não via? Muitas vezes Gwen se levantava de noite para tomar algumas doses de antidepressivos e calmantes, claro que ela sabia que aquilo podia causar alguns efeitos colaterais, então tomava poucos. Mas apenas isso não a ajudava. Mesmo assim ela tentava fingir que estava bem, passando maquiagem em cima de suas marcas de cansaço e olheiras no rosto, suas notas estavam ficando baixas e ela fazia o máximo para não ver Kevin. As vezes que ela via, tentava nem mesmo olhar em seus olhos. Kevin não tentou mudar isso, pois achava que seria melhor desse jeito, melhor não para ele, mas para ela. E tentava se convencer de que aquilo estava sendo o certo a ser feito. Enquanto Gwen pensava que tudo o que ele havia dito à ela era verdade... Tudo.

Gwen colocou-se em frente ao seu armário e o abriu sem precisar colocar a senha já que o armário estava quebrado. Claro que só ela sabia disso. E assim era melhor, porque do estado que estava ela nem se lembraria da senha se tivesse. Ela pegou seu caderno e se direcionou para a sala de Biologia. No caminho para a sala ela encontrou o que não queria ver: Tyler, o popular e valentão de toda a escola provocando mais um garoto junto com sua tropa de valentões. Gwen olhou o garoto mais de perto, era Peter. Um garoto um pouco isolado, não por querer, mas por que muitos o achavam esquisito; isso de certo modo era verdade, mas não é uma causa para ficar o provocando, e o pior era que ele mal sabia se defender, ao invés de ignorá-los e respondia Tyler com xingamentos e palavrões, só que isso aumentava mais ainda a vontade de Tyler provocá-lo. Gwen tentou falar com Peter uma vez, disse que ele devia se defender contando para o diretor da escola, mas ele não queria... Dizia que conseguia se “virar sozinho”. Depois disso, ela nunca mais conseguiu falar com ele. Gwen observou-os durante um tempo. Tyler disse para Peter, com um bônus de seus amigos rindo:

— E ai cara como vai os “estudos”? Conseguiu pedir ajuda pra mamãe?

— Calaboca! – Tyler disse abrindo seu armário.

— Nossa! – os amigos de Tyler disseram como num coral.

— Que é? Está nervosinho é?

— Me deixa em paz!

— Aham! Agente é só seu amigo, cara! Não precisa ficar nervoso.

— Vai tomar banho!

— O quê você disse?

— Vai. Tomar. Banho! – Peter tentou empurrar Tyler com seus braços finos, no que não deu em nada.

— Ei! – Tyler disse quase gritando. Ele puxou Peter pela gola e o levantou com seus braços cheios – Ninguém toca em mim! Tá ouvindo?!

Tyler o jogou no chão do corredor. Gwen arregalou os olhos. Era a primeira vez que ele ficou descontrolado daquele jeito. Os amigos de Tyler não disseram nada, apenas o ajudaram, parecendo se divertirem com isso. Tyler agachou para encarar Peter no chão.

— Agora... Vai se arrepender de ter feito isso...

Tyler se levantou e chutou Peter na barriga. O garoto tentou se encolher para se proteger. Os amigos de Tyler chegaram perto de Peter. Gwen pensou que eles iam fazer Tyler parar e levá-lo para a diretoria. O que ela pensou estava totalmente errado, eles ajudaram Tyler a bater no garoto. Eles o chutavam enquanto este não fazia nada a não ser tentar escapar dos chutes. Uma multidão se formava em volta da briga, todos assistiam aquilo sem mover um dedo para ajudar Peter, alguns sentiam dó e esperavam que algum corajoso chamasse um superior, outros estavam sorrindo. Gwen não pôde suportar aquilo ela entrou no meio sem ao menos pensar no que estava fazendo, e quando percebeu, já era tarde demais para voltar atrás.

— Sai da frente... – Tyler disse.

— Não. – ela respondeu.

— Quer levar também?

Gwen não respondeu, apenas o encarou. O que ela estava fazendo? Protegendo o esquisito da turma? Sua reputação ia por água abaixo... Mas ela não se importou.

— Para com isso – ela disse.

— Por que eu devo?

— Porque isso não vai levar a nada, sabe disso!

— Claro que vai! Vai o fazerele aprender a não se meter comigo. Agora sai da frente!

— Não. Deixa-o em paz...

Tyler a encarou por alguns segundos. Ele sorriu:

— Sempre durona não é? Tudo bem... Vamos embora – Tyler disse para seus amigos.

Os quatro foram embora.

A multidão observou Gwen tentando levantar Peter do chão e levá-lo para a enfermaria.

— Pronto... – ela disse com a voz macia.

— Obrigado – ele respondeu.

— Não precisa agradecer.

Na enfermaria Peter levou um exame geral. Não quebrara nenhum osso, mas ficou cheio de hematomas em volta da barriga. A enfermeira chamou seus pais para levá-lo para casa e descansar até melhorar, depois disso Gwen foi reclamar com o diretor o acontecido. Depois de sair da sala o diretor chamou Tyler e seus amigos para a diretoria. Isso não ia ser bom... Gwen foi até a sala de Matemática, já que perdera toda a aula de Biologia. Na sala de aula todos a observavam com uma forma de susto. Susto talvez pela causa de ela tiver sido a única aluna que tentou ajudar um colega. Ela se sentou na carteira mais próxima e tentou prestar atenção na aula. Quando a aula acabou Gwen se levantou o mais rápido que pôde para ir embora, ela se sentia fraca e precisava muito descansar. Ela foi para a porta de saída da escola segurando sua bolsa em um dos ombros, ela começou a sentir os respingos da água da chuva caírem em seu rosto. Antes que ela pudesse sair da rua da escola, três pessoas entraram em sua frente. Gwen olhou para elas. Mary, Jane e Lizzy.

— Gwen... – Mary disse a encarando com desgosto.

— O que foi? – ela perguntou desconfiada.

— Sabe muito bem o que é. – Mary respondeu.

Gwen não disse nada.

— Tyler ficou suspenso e vai ter que pagar detenção de duas semanas... – os olhos de Mary expressavam pura raiva. Depois de levar um fora de Kevin, Mary tentou fazer o máximo para voltar com Tyler, que era seu ex-namorado, infelizmente ele quis fazer de difícil e até agora não voltou com ela. Mary continuou – Graças à você.

Gwen ficou nervosa e respondeu:

— Acho que ele deveria ser expulso, isso sim. Ele só não foi só por que ele é o melhor no time de futebol americano da escola...

— O que você disse?!

— Você ouviu.

Gwen se espreitou entre Mary e Lizzy para atravessar a rua. Ela começou a andar e percebeu que as três a seguiam. Droga! A rua estava praticamente deserta... Gwen forçou seus pés que estavam fracos a irem mais rápido. Ela não queria brigar, não nesse estado. Ela começou a soar frio ao perceber que os passos das três garotas também ficavam mais próximos. A chuva que antes estava fina aumentava, parecia que tudo estava contra Gwen, até mesmo o tempo. Gwen começou a correr. As três também. Um barulho de um trovão ressoou no céu. Gwen ficou confusa, e com medo do que podia acontecer. Ela olhou para os lados procurando por um atalho para ir para sua casa o mais rápido possível, mas quanto mais ela tentava pensar, mais ela se perdia. Ela tentou correr mais rápido. “Droga!” Tudo estava mesmo contra ela.

“Essa não!” Sem saída. Ela virou o rosto para encarar as três. Estava apavorada. Fraca demais para lutar. Ela tentou usar mana para criar uma distração e fugir. O único problema era que mesmo ela tentando, não conseguia. Era como se sua energia estivesse sumindo graças a sua fraqueza, e o que restou estava apenas sustentando seu corpo.

Mary olhou para ela.

— Sem lugar pra fugir? – ela se aproximou de Gwen, sorrindo.

Gwen começou a arfar de cansaço.

Mary a empurrou no chão. As costas de Gwen rasparam o chão sujo. Ela tentou se levantar, mas antes que pudesse fazê-lo, a amiga de Mary a chutou na barriga.

Gwen sentiu uma dor insuportável, mas não gritou. Apenas espremeu os olhos e colocou as mãos na região em que recebeu o chute. Caramba! Isso doeu muito...

— Não vai gritar? – a garota loira perguntou para Gwen, zombando. Ela virou o rosto para as duas amigas e continuou a falar dessa vez para elas – Chutem apenas onde tem roupa, pra esconder os arranhões.

Gwen tentou se levantar. Nossa! Pra uma idiota, até que ela era bem esperta... Mary já devia saber que Gwen guardava muitos segredos dos pais. Ela já conhecia o tipo de Gwen. E ela era do tipo que não gostava de contar coisas que fariam seus pais se preocuparem com ela.

— Onde pensa que vai? – ela empurrou Gwen novamente no chão.

Alguns minutos depois, Mary e as outras duas saíram correndo de lá, todas com um sorriso no rosto. Achando que o que fizeram não foi nada, largando uma garota quase inconsciente no chão.

Gwen abriu os olhos. Ela sentia dores nas pernas, barriga e braço. Dores insuportáveis e latejantes. Ela se esforçou ao máximo para se levantar. Olhou pelos cantos e foi recuperando a memória de seu caminho para casa. Ela estava perto. Se ela se esforçasse mais um pouquinho ela conseguia chegar a casa e descansar. Gwen andou cambaleando e apoiando-se na parede. Sorte que ninguém estava vendo isso. Seu rosto era a única parte de seu corpo que estava ilesa, e agora estava todo molhado graças a chuva que aumentava. A água gelada começou a escorrer em seu corpo por de baixo do tecido, e isso aliviou um pouco a dor que sentia.

Chegando a frente da porta de sua casa, Gwen tentou se reerguer ao máximo para fingir que estava bem. Ela pegou as chaves de seu bolso e abriu a porta. Dentro de casa estava sua mãe fazendo a janta. Isso a deixou um pouco nauseada.

— Olá, Gwendolyn... – sua mãe disse movendo a cabeça para ver sua filha da porta da cozinha, ela arregalou os olhos – Meu Deus! Você se molhou de novo!

— Eu sei mãe... Eu vou tomar um banho agora... Pode ser? – Gwen tentou falar o mais firme que pôde.

— Não é “Pode ser” é “Tem que ser”! Vai logo tomar banho antes que pegue um resfriado menina! – dessa vez ela ficou nervosa – Seu pai volta daqui a pouco do trabalho, hoje ele teve que ficar até tarde. Só para avisar.

— Certo – Gwen subiu as escadas apoiando-se no corrimão. Foi até seu quarto, ela pegou algumas roupas, todas eram compridas para cobrir os machucados.

Gwen se direcionou ao banheiro e encheu a banheira com água quente. Despiu-se cuidadosamente enquanto esperava a banheira encher, ela fechou os olhos por causa da dor que sentia. Ela se olhou se olhou no espelho do banheiro. Seu corpo estava cheio de hematomas e arranhões. Alguns causados pelas unhas de Mary. Gwen tossiu, colocou as mãos na frente da boca e sentiu algo na mão direita. Ela olhou melhor e ficou surpresa. Sangue. Era pouco, mas isso a deixou meio assustada. Ela lavou a mão. Gwen entrou na banheira e tentou se acalmar. O que não conseguiu, por dentro ela estava gritando enlouquecida com tudo o que aconteceu, querendo que tudo aquilo não passasse de um sonho, ou melhor, pesadelo. O pior pesadelo que ela já teve. Ela afundou sua cabeça na água quente e ficou lá em baixo por alguns segundos. “ACORDA!”.

Sua cabeça voltou à superfície da água. Gwen olhou para os lados. Seus olhos estavam vermelhos. “Isso não é um pesadelo... Isso é... Real...” Suas lágrimas escorreram por seu rosto já molhado. Sua dor piorava. “Kevin...”. Depois de um tempo dentro da banheira, Gwen saiu de lá, se secou e pegou um kit de primeiros socorros em cima da prateleira. Ela tentou passar alguma coisa que aliviasse a dor que sentia nas pernas e na barriga. Viu que uma pequena ferida estava aberta. Ela pegou um gesso e o enrolou em uma camada fina em volta de sua perna para ninguém perceber. Depois passou algumas pomadas nos braços e barriga. Ela se levantou sentindo-se um pouco melhor, vestiu-se, arrumou o banheiro e desceu para a sala um pouco alegre. Quando chegou à cozinha sentiu um cheiro de frango, arroz e batatas cosidas. Isso enjoou Gwen um pouco, mas ela tinha que se forçar a comer. Ela sentou-se à mesa de jantar e lá viu que seu pai já esperava a sua mãe trazer a comida. Sua mãe apareceu e colocou os pratos na mesa junto com os talheres. Gwen pegou o garfo e a faca e tentou comer o que estava no prato.

Notas finais
Sério gente... Por favor deixem alguns Reviews!!! Preciso mesmo saber se vocês gostaram ou não...