Recomeço

43 Capítulo 43 - Enquanto eu morro


Notas iniciais
Oi! Ouvindo muito Let's get it on? kkkkkkkkkkkkk OMG esta musiqueta vicia, neh? Bem, mas como o capítulo de hoje é meio triste, resolvi trazer uma musiqueta à altura do momento: The other side do David Gray. Só para constar, ouvi em TVD, naquela cena da Katherine tentando se suicidar, sabe? Enfim, acho muito emblemática e resolvi usar neste capítulo. Por falar em capítulo, tive muita dificuldade para escrevê-lo. Gente, foi me dando uma crise de criatividade aqui, e as ideias estavam confusas na minha cabeça e eu pensando "Oh meu Deus! Oh meu Deus! Oh meu Deus! O que eu faço agora? Oh meu Deus!" , mas aí quando eu terminei tudo (agora há pouquinho) e que li tudinho, gostei muito. Apesar de ser triste, é claro. Ah! Tem uma parte que eu coloquei em Itálico porque é a visão da Mia sobre o que está acontecendo. Lembram do primeiro capítulo da fic? Pois é, vamos reviver e entender aquele momento agoniante. Bem, espero que gostem. Que rufem os tambores do Apocalipse!!! Lá vai!

Castiel abriu os olhos devagar e se mexeu um pouco. Em seguida, olhou para o lado procurando Mia. Passou a mão pelo lugar vazio na cama. Imaginando que talvez a garota pudesse ter ido ao banheiro, fechou os olhos e tentou dormir de novo.

Na masmorra, Mia começou:

– Eu imagino que você saiba por que eu estou aqui.

– Claro, você quer a minha ajuda. Que irônico, não, Mia? Veja só aonde você chegou. Pedindo ajuda para o demônio que indiretamente matou os seus pais. — respondeu o demônio.

– Eu sei que você gosta de ver as coisas por este lado, mas eu não estou pedindo a sua ajuda, Crowley. Eu estou propondo um acordo. Você me dá a cura e eu torno a sua vida aqui mais confortável. — esclareceu Mia.

Crowley a encarou por alguns instantes e contra argumentou:

– Eu sei que você gosta de ver as coisas por este lado, mas você está sim pedindo a minha ajuda, Mia. Mas para sua sorte, eu ando muito sentimental ultimamente. E por isso, eu aceito o seu acordo.

Mia sorriu com cinismo e disse:

– Veja só aonde você chegou, Crowley. Aceitando me ajudar em troca de algumas regalias. Ah! E em troca de proteção contra aquela diaba ruiva também, não é? Você está mesmo ferrado... Pobre diabo.

O demônio revirou os olhos e se alterou um pouco ao dizer:

– Ok, vamos esclarecer uma coisa aqui, sweetie? Nós dois estamos completamente ferrados. E nós dois precisamos um do outro. Ponto final. Agora vamos fazer isso de uma vez porque eu estou ansioso para te matar, Mia.

– E eu estou ansiosa para que você me mate, Crowley. Mas para o seu próprio bem, eu espero que eu realmente volte da morte porque se você estiver mentindo pra mim, com certeza, Sam e Dean vão te entregar para Abaddon. — disse Mia sem se intimidar.

Crowley a observou por algum tempo e percebeu que aquela discussão não ia dar em lugar algum. Então resolveu começar aquilo logo e perguntou:

– Você trouxe os ingredientes?

Castiel abriu os olhos novamente e mais uma vez olhou para o lugar vazio ao seu lado. Em seguida olhou para a porta. Ficou esperando a garota voltar e pegou no sono novamente.

Mia empurrou uma mesa que havia no porão a colocando de frente para Crowley e colocou sobre ela as amostras de sangue, o recipiente para o feitiço e a estaca. Em seguida, caminhou até um armário que havia ali e pegou também uma faca para que o demônio pudesse se cortar e acrescentar o último ingrediente que faltava.

Após esperar que ele começasse, Mia perguntou:

– O que você está esperando?

Crowley sorriu e mostrou as correntes que prendiam as suas mãos à cadeira onde estava sentado no centro da armadilha do diabo.

– Você disse que ia tornar a minha vida mais confortável, lembra? E essas correntes estão me matando. Então, me solte. – exigiu ele.

– Depois. Depois que você me curar e que eu voltar, aí sim eu vou cumprir a minha parte no acordo. – esclareceu Mia.

– Nada feito, sweetie. Eu quero que você me solte agora. Se eu vou te matar, eu quero fazer isso com certa dignidade, e não preso como um bicho. – insistiu o demônio.

Mia sorriu com sarcasmo e argumentou:

– Você ainda não vai me matar, Crowley. Primeiro você tem que fazer o feitiço, lembra?

Crowley abaixou as mãos e ficou imóvel olhando para o canto da sala. Em seguida, começou a assobiar deixando claro que enquanto Mia não o soltasse, ele não iria colaborar. Então, ela respirou fundo, e concordou:

– Ok, eu vou te soltar, Crowley. Mas se você tentar escapar de alguma forma... Ou tentar qualquer coisa...

– Ei! Nós estamos no mesmo barco, lembra? – interrompeu ele e depois explicou – E mesmo que eu quisesse fugir, eu não faria isso agora, com aquela diaba ruiva me esperando lá fora. Além disso, eu estou dentro de uma armadilha. Preso.

A vampira pensou mais um pouco, e embora ainda estivesse desconfiada, resolveu dar um voto de confiança para Crowley. Ele estava acabado e completamente perdido, não tentaria escapar sabendo que não ia durar muito tempo lá fora. E mesmo que quisesse, a armadilha embaixo dos pés dele impediria qualquer tentativa.

Pensando nessas coisas, ela saiu por alguns instantes do porão, foi até um armário numa sala ao lado e pegou uma chave dentro de uma das gavetas. Em seguida, ela voltou para o porão, se aproximou com cuidado da armadilha e abriu as algemas das correntes que prendiam Crowley. Depois disso, se afastou e ficou olhando para o demônio. Até que ele levantou e deu uma boa espreguiçada.

– Ah! Como é bom sentir os meus braços de novo. E as minhas pernas também. – disse ele e em seguida, se aproximou da mesa, também dentro da armadilha, pegou a faca, fez um corte na mão e sangrou dentro do recipiente.

Depois disso, acrescentou o sangue de Castiel e de Silas, os misturou bem e começou a pronunciar algumas palavras num dialeto desconhecido.

Mia sentia seu coração acelerar a cada instante. Um pouco por medo de que aquilo desse errado e um pouco devido à ansiedade porque queria que aquilo acabasse logo.

Castiel se mexeu um pouco na cama e seu braço foi parar no travesseiro de Mia. Então ele abriu os olhos e percebeu que ela ainda não havia voltado para o quarto. Começou a estranhar aquilo e sentou na cama um pouco preocupado.

– Mia? – chamou ele.

Os olhos de Crowley ficaram vermelhos enquanto ele continuava pronunciando as palavras do feitiço que aprendeu com sua mãe, que tinha sido uma bruxa poderosa. Instantes depois, parou de falar e fechou os olhos. Quando os abriu novamente, eles estavam completamente normais. Então ele estendeu o recipiente na direção de Mia e ordenou:

– Beba, sweetie.

Mia se aproximou da armadilha e pegou o recipiente das mãos do demônio. Não sabia se aquilo ia dar certo, não sabia se podia mesmo confiar naquela cura, mas precisava tentar e agora iria até o fim. Então olhou para o líquido vermelho, fechou os olhos e bebeu. Cada gota dele. Preferiu não pensar que tinha bebido os sangues de Crowley e do vampiro que a transformou e apenas se concentrou no sangue do homem que amava.

– E agora? – quis saber ela.

Crowley sorriu, pegou a estaca e respondeu:

– Agora eu vou te matar, Mia. – e olhando para a armadilha, completou – Mas antes eu quero sair daqui.

– O quê? – surpreendeu-se ela.

Castiel levantou da cama e começou a se vestir. Mia estava demorando demais e ele estava ficando realmente intrigado com aquilo.

Na masmorra, Mia esclareceu:

– Isso não faz parte do acordo, Crowley. Eu não vou deixar você sair da armadilha. Por acaso você acha que eu sou alguma idiota?

– Você quer mesmo que eu responda? Porque você está numa sala com um demônio, no meio da madrugada, sozinha, fazendo um acordo... É , você é meio idiota. – provocou ele e em seguida, acrescentou – Sweetie, de um jeito ou de outro, eu vou te matar. Não é para isso que você está aqui? Então. Para se curar do vampirismo, Mia, você precisa morrer primeiro, lembra? E se eu vou te matar, eu quero fazer isso olhando para você, face a face, vendo a vida se esvair dos seus olhos enquanto você me olha de volta. Por favor, não tire isso de mim, Mia. Eu esperei tanto por este dia.

Mia sentia uma tensão e um medo crescente. Toda aquela situação era horrível. Ter que confiar em Crowley, deixar que ela o matasse, era humilhante.

– Por que você me odeia tanto? – perguntou ela de repente.

Crowley franziu a testa e lembrou:

– Hello? Eu sou um demônio. Odiar é o meu hobby. Além disso, você teve a petulância de me enfrentar algumas vezes, Mia, e feriu meus sentimentos com isso.

Ela pensou um pouco e tentou argumentar:

– Você mandou aqueles Cães do Inferno atrás dos meus pais, matou o meu melhor amigo, me torturou, me contaminou com o seu sangue, eu tive pesadelos a minha vida toda por sua culpa, eu previa coisas horríveis por causa deste sangue... Eu só estava me defendendo de você. – mas como o demônio pareceu não se importar com o que ela havia dito, Mia tentou outra coisa – Eu não consigo entender. O Sam quase te curou há alguns meses e ele e o Dean acreditam que alguma coisa mudou dentro de você... Então como...

– Não o meu ódio por você, querida. Esse ódio continua aqui. Mas veja pelo positivo, eu vou usar esse ódio para te matar e quando você voltar será uma humana patética de novo. Não é isso que você quer? – contrapôs ele.

– Sim, é exatamente o que eu quero. – respondeu Mia depois de alguns instantes em silêncio.

– Ótimo. Então me tira daqui e me dê a honra de acabar com você. Mesmo que seja só temporariamente. – disse Crowley.

– Eu vou mesmo voltar, não é? – quis certificar-se Mia.

Crowley sorriu e respondeu com certo mistério:

– Claro, tudo que você precisa fazer é confiar em mim.

Mia pensou mais um pouco e tomou a sua decisão.

Castiel saiu do quarto e começou a andar pelo bunker procurando Mia. Checou os banheiros, a cozinha, a sala, outros cômodos, foi até o lado de fora para verificar se ela não estava no carro, mas não a encontrou em lugar algum. Então voltou para dentro e ficou alguns instantes pensando em onde ela poderia estar. Quando ele chegou a uma resposta, Mia já havia raspado um pouco da tinta da armadilha do diabo deixando Crowley livre.

– Mia! – gritou Castiel desesperado enquanto corria até a masmorra.

XXX

Eu sabia que ele estava adorando fazer aquilo. Me torturar psicologicamente enquanto andava à minha volta segurando aquela maldita estaca. Uma arma fatal para vampiras como eu. Acerte o coração e nós morremos rapidamente.

E lá estava ele. Livre de qualquer armadilha e pronto para me matar. Segurando a estaca enquanto se aproximava lentamente de mim.

E quando Crowley finalmente parou na minha frente, ele me encarou por algum tempo. Em seguida, afastou as mechas de cabelo que caíam sobre o meu rosto usando o objeto de madeira. Eu mordi os lábios com raiva e virei o rosto. Mas antes disso, eu pude ver o sorriso cínico se formar nos lábios do demônio. E como se aquilo já não fosse tortura suficiente, eu ainda tive que ouvi-lo perguntar enquanto a estaca descia devagar até o meu peito:

– Então... Como vai ser?

Não existe nada de poético em morrer. Morrer é trágico e doloroso. Quem diz que morrer não doí está mentindo e geralmente está vivo. Mas pergunte aos fantasmas e qualquer um deles irá te contar a verdade. Morrer doí sim. E muito, aliás. Eu já morri algumas vezes e por experiência própria, acredite, morrer não é nada agradável. E eu estava prestes a vivenciar aquela dor mais uma vez.

No entanto, quando você já está morta, a sua perspectiva de dor muda um pouco. Então eu resolvi enfrentar aquilo de uma vez. Olhei Crowley com ódio e desafiei:

– Faça.

Crowley sorriu. E desta vez fez questão de mostrar que estava sorrindo. Então ele observou a estaca na altura do meu coração e depois me olhou enquanto seus olhos ficavam vermelhos.

– Com todo o prazer, sweetie. — concordou ele e sem hesitar forçou a estaca contra a minha pele.

– Não! — gritou uma voz familiar de alguém que entrava no porão naquele momento.

Mas já era tarde demais e eu senti a madeira perfurar o meu peito e atingir o meu coração certeiramente.

O grito soou abafado e logo eu senti o gosto de sangue invadir a minha boca enquanto minha visão começava a ficar turva. Não demorou muito para que eu perdesse o controle das minhas pernas e sentisse o meu corpo cair. Mas antes de atingir o chão alguém me segurou.

– Não! Não! Mia... Por quê? Por quê você fez isso? Mia... Não morra...

Eu vi o rosto de Castiel se apagar diante dos meus olhos enquanto a vida se esvaía de mim pouco a pouco.

– Não... Mia... Não morra... — implorou ele vendo os meus olhos ficarem paralisados quando finalmente eu parei de respirar.

E então eu morri.

XXX

Crowley se afastou um pouco e ficou olhando para aquela cena com certo prazer.

– Mia? – chamou Castiel atônito diante do corpo inerte da garota. – Mia! – gritou ele enquanto a sacudia em seus braços – Mia! Volta! Mia! – ele a abraçou e implorou – Mia... Por favor, não morra. Volta... Mia?

Os gritos desesperados de Castiel acordaram todos no bunker, e logo Sam, Dean, Kevin e as garotas chegaram ao porão. Eles não sabiam com o que estavam mais chocados, se com Mia morta nos braços de Castiel ou se com Crowley completamente livre diante deles. No entanto, para surpresa de todos, o demônio não tentou fugir. Ao contrário disso, ele voltou para a sua cadeira e se sentou. Rapidamente, Sam pegou um spray de tinta em um dos armários e refez o trecho da armadilha que Mia havia raspado com uma faca momentos antes.

Castiel permanecia sentado no chão segurando Mia. As lágrimas o venceram enquanto ele se recusava a acreditar que a garota estava mesmo morta.

– Mia, não morra. Por favor. Volta. Não me deixe. Eu preciso de você. Mia... – disse o ex-anjo com a voz trêmula.

– Desculpe, Cas, mas ela está 100% morta. Agora não resta outra alternativa a não ser esperar que ela volte. Ou que não volte. – provocou o demônio fazendo o ex-anjo o encarar com muito ódio e começar a levantar.

No entanto, Kevin colocou a mão no ombro de Castiel e ele se controlou um pouco.

– Não faça isso, Cas. Ele não merece que você suje as suas mãos. – aconselhou o profeta.

Crowley observou todos eles e disse com cinismo:

– Eu não sei pra quê tanto drama. Eu estava aqui, quieto no meu canto, quando a Mia entrou dizendo que queria a cura, que queria a cura e blá blá blá blá blá. Mesmo com todos os alertas que vocês fizeram, ela quis assim, foi a escolha dela. Mas é sempre mais fácil culpar o diabo, não é?

– Cala a boca. – ordenou Dean com raiva e tentando disfarçar o desespero que sentia diante da amiga morta.

– Vai começar... – resmungou o demônio revirando os olhos e quando Sam começou a prendê-lo com as correntes, reclamou – Ei, Moose! Vai com calma. Você está me machucando.

– Acredite, Crowley. Se a Mia não voltar, essas correntes serão pouco perto do que eu vou fazer com você. – ameaçou o Winchester mais novo cheio de ódio.

Depois que terminou de prender o demônio, Sam saiu de dentro da armadilha, se aproximou de Claire e a abraçou. A garota estava chocada com o que estava vendo ali e logo algumas lágrimas escorreram pelo seu rosto enquanto ela olhava para Mia.

Natalie segurou na mão de Dean tentando controlar a vontade de chorar, mas também não conseguiu e também o abraçou.

Crowley observou tudo aquilo e perguntou:

– Quem são essas duas gracinhas?

– Cala a boca, Crowley. – disseram as duas ao mesmo tempo o olhando com repulsa.

– Uau! Elas aprenderam rápido, hein, rapazes? – resmungou o demônio e olhando para Sam e Dean, continuou – Quer dizer que vocês vão mesmo tentar de novo, não é? Se envolver com alguém, destruir a vida dessas duas... É o amor. – e ao perceber, o que os dois iam lhe dizer, se adiantou – Ok, eu vou calar a minha boca. – e olhando para Claire e Natalie, alertou — Mas antes, um conselho. Se envolver com os irmãos Winchesters é morte na certa, meninas. Depois não digam que eu não avisei.

Claire e Natalie não deram ouvidos para aquilo. Sabiam muito bem o perigo que estavam correndo, mas também tinham certeza de que os Winchesters valiam qualquer risco. Eles podiam ser a fraqueza um do outro, e com certeza os inimigos se aproveitariam disso em algum momento, mas também eram a força um do outro. E estavam juntos. E continuariam juntos até o fim. No amor e no family business, lidando com as ameaças que surgissem, de cabeça erguida. Além disso, Natalie era caçadora e Claire estava caminhando para o mesmo destino. Não tinham ilusões de ter uma vida normal ao lado de Dean e Sam. E nem queriam isso. O que elas queriam era enfrentar tudo que viesse pela frente ao lado deles. Eram mulheres fortes, corajosas e determinadas, e não donzelas em perigo. Portanto, não ia ser um comentário de um demônio em fim de carreira que iria fazê-las repensarem os relacionamentos que assumiram. Ao contrário, aquilo só fez com que elas se sentissem ainda mais seguras do que queriam.

Enquanto elas pensavam nisso, Castiel segurou a estaca que estava cravada no peito de Mia e começou a puxá-la com cuidado. Instantes depois, jogou o objeto em um canto da masmorra, se levantou e segurou Mia no colo. Um pouco mais calmo, mas sentindo uma dor profunda, ele observou os olhos dela. Estavam um pouco dilatados e paralisados. Sem saber o que fazer, ele começou a sair daquele lugar levando a garota em seus braços.

Logo chegou na sala enquanto os outros o seguiam. Então ele colocou Mia no sofá. Levantou um pouco a cabeça dela e sentou também. Depois colocou a cabeça da garota no seu colo e ficou acariciando os seus cabelos sem dizer mais nada. Suas lágrimas secaram aos poucos e apenas aquela dor excruciante permaneceu em seu peito. Castiel não conseguia acreditar que aquilo havia mesmo acontecido. Não conseguia entender como Mia havia aceitado se arriscar daquele jeito. Como ela podia ter confiado em Crowley. Como deixou que ele fizesse aquilo com ela.

Porém, independente de discordar da decisão de Mia, naquele momento tudo que Castiel queria era que ela estivesse certa. Que ela realmente tivesse feito a escolha certa ao confiar na cura proposta pelo ex- Rei do Inferno. Tudo que Castiel queria era confiar no demônio também porque aquilo significava que Mia iria voltar. Iria voltar para ele. E Castiel a queria de volta mais do que tudo. Não podia perdê-la. Mia tinha que voltar.

Começou a se condenar por ter se deixado enganar por Metatron há alguns meses. Se não tivesse sido tão burro, ele mesmo poderia trazer Mia de volta agora. Aliás, se ele não tivesse aceitado ajudar Metatron a “fechar os portões do Céu”, a garota não teria ido embora com raiva, não teria encontrado aquele vampiro no caminho e nunca teria sido transformada.

Em seguida, ele olhou para o curativo em sua mão, que Mia havia improvisado momentos antes, e começou a lembrar do que realmente aconteceu. Como Mia estava morta, o efeito daquele poder de compelir as pessoas estava passando e Castiel começou a lembrar dela dizendo que precisava do sangue dele para o feitiço da cura, depois lembrou que ele discordou e que ela o compeliu para conseguir uma amostra. Também se lembrou da garota dizendo que talvez aquela fosse a última noite dela na Terra... E então os dois fizeram amor. Desta parte Castiel lembrava bem.

Enquanto ele pensava nessas coisas e ficava ainda mais triste com tudo aquilo, Dean se aproximou e com os olhos cheios de lágrima lamentou:

– Cas... Eu sinto muito.

– Por quê? Ela vai voltar. – garantiu o anjo.

Com cuidado, o Winchester mais velho continuou:

– Você sabe que existe uma chance disso não acontecer, não sabe?

– Sim, eu sei, Dean. Mas eu prefiro me agarrar à chance de que isso vai acontecer. – respondeu Castiel convicto.

Sam se aproximou e disse:

– O Cas está certo, Dean. Vamos manter a esperança. Além disso, o Crowley não tentou fugir, nem machucar nenhum de nós, e ele estava completamente livre quando nós chegamos e poderia ter tentado alguma coisa. Mas ele simplesmente voltou para a armadilha. Talvez ele esteja mesmo dizendo a verdade.

– Ótimo, eu vou ter que confiar na palavra de um demônio. – resmungou Dean.

– Todos nós vamos ter que confiar, Sr. Awesome. – corrigiu Natalie se aproximando dele.

– Porque todos nós queremos a doida da Mia de volta. – completou Claire também se aproximando do sofá e ficando ao lado de Sam.

– Então vamos torcer para que Crowley esteja mesmo dizendo a verdade. – disse Kevin em pé do outro lado do sofá.

– Ok. – concordou Dean e olhando para o ex-anjo, pediu hesitante – Cas, mas será que você pode apenas... Fechar um pouco os olhos dela? Eu prefiro imaginar que a Mia está dormindo do que... Morta.

Castiel pensou um pouco. Também queria pensar que Mia estava dormindo profundamente, embora já tivesse começado a sentir que o corpo dela estava ficando um pouco gelado. Então resolveu acatar o pedido do Winchester e passou a mão pelo rosto da garota fechando os seus olhos.

E então, sem poderem fazer mais nada por ela, eles apenas esperaram.

XXX

Mia abriu os olhos e a primeira coisa que viu foi um céu completamente limpo de nuvens e extremamente azul. Um pouco confusa, ela sentou e olhou em volta. Percebeu que estava sentada em um grande gramado. Seus olhos percorreram todo o horizonte e tudo que ela viu foi uma imensidão verde e aquele céu surreal e lindo.

De repente, parou para pensar em como chegou ali e deu-se conta de que a última coisa que lembrava era de estar nos braços de Castiel enquanto sua visão ficava turva e seus sentidos falhavam. Logo se lembrou do que aconteceu antes disso. De Crowley e da estaca em seu coração. Ao olhar para o peito, ela percebeu que não havia nenhum ferimento e suas roupas estavam impecavelmente limpas.

– Eu estou morta. – deduziu ela um pouco atordoada.

– Bem vinda ao clube. — intrometeu-se alguém que estava atrás da garota.

Assustada, ela se virou seguindo o som daquela voz e viu que a alguns metros dela havia um banco de madeira pintado com tinta branca e nele, um homem sentado. Ele aparentava uns cinquenta e poucos anos, tinha os cabelos meio grisalhos e usava barba. Vestia uma calça jeans, uma camiseta xadrez, um colete de couro por cima e um boné azul e cinza.

Ela franziu a testa enquanto o observava. De alguma forma, ele lhe pareceu familiar.

– Olá, Mia. – cumprimentou ele sorrindo levemente.

– Como você sabe o meu nome? Quem é você? E que lugar é esse? É muito diferente da minha ideia de Purgatório. – disse ela intrigada e em seguida se levantou e se aproximou com certa cautela daquele homem.

– Purgatório? – repetiu ele confuso ignorando as outras perguntas. E depois de pensar um pouco, esclareceu – Não, você não está no Purgatório.

– Não? – estranhou ela – Mas eu sou uma vampira, então o lógico seria eu ir para o Purgatório quando morresse. Ou talvez até para o Inferno por causa do meu lado demoníaco.

– O fato de ser uma vampira não significa que você seja um monstro. Não era isso que Sam, Dean e o Cas viviam te dizendo? E o sangue de demônio no seu corpo também não faz de você um daqueles desgraçados de olhos pretos. Então, o meu palpite é que o seu lado humano falou mais alto e por isso você veio parar aqui. — argumentou ele.

– Como você sabe dos Winchesters, do Cas e do que eles viviam me dizendo? Como você sabe de mim? Me corrija se eu estiver errada, mas assim como eu, você está meio... Morto. Então como você sabe dessas coisas? — estranhou ela.

– Bem, eu estou morto, mas não surdo. Nem cego. Daqui eu consigo ouvir e até ver algumas coisas que se passam na Terra. E às vezes, até entrar nos sonhos de algumas pessoas. Pergunte ao Sam. Se você tiver oportunidade de revê-lo um dia, é claro. — respondeu ele um pouco rabugento e depois acrescentou com certa nostalgia — E sobre ele, o Dean e o Cas... Bem, na verdade, eu os conhecia também. Eles eram meus amigos. Mais do que isso, nós éramos uma família. Costumávamos trabalhar juntos e formávamos um grande time. Bons tempos.

Mia encarou o estranho por alguns instantes, em seguida sentou ao lado dele e disse admirada:

– Espera um pouco, eu acho que eu estou te reconhecendo. Infelizmente eu não tive o prazer de te conhecer em vida, mas eu me lembro de algumas fotos que os Winchesters me mostraram. Você é o pai da Claire. E foi um segundo pai para Sam e Dean também. Você é ele... Bobby Singer.

– O próprio. Ou o que sobrou dele. – confirmou o fantasma do caçador.

– Eu não acredito! – exclamou Mia sorrindo ainda mais admirada.

Apesar de estar morta, ela havia ficado muito feliz por encontrar um velho amigo dos Winchesters. Eles falavam tanto do caçador que era como se ela também o conhecesse.

Então Bobby estendeu a mão para Mia e quando a garota a segurou de volta, ele a cumprimentou:

– Apesar das circunstâncias, é um prazer te conhecer, Mia. E seja bem vinda ao outro lado.

Notas finais
Bobbyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyyy!!!!! Yep! Mais uma participação do moçoilo (nem tão moçoilo assim, mas tá valendo) na fic!!!! No próximo capítulo teremos a continuação deste diálogo, será bem emblemático e dará algumas diquinhas sobre a próxima fic. Sobre este lugar que eles estão, eu vou explicar melhor no próximo capítulo, mas só para constar, não é o Céu. Oi? Ué, no Céu as pessoas não revivem suas melhores lembranças? Então. Nem o Bobby nem a Mia estão revivendo nada ali, sociedade. Mas se não é o Céu, o Purgatório, nem o Inferno, que lugar é este então? Ótima pergunta!!!! Mas não vou responder agora lero lero!!! Mas vou adiantar uma coisa importante: o feitiço que o Metatron fez para expulsar os anjinhos afetou o Céu todinho... Bem, no próximo capítulo este mistério será respondido e também descobriremos se a Mia vai ressuscitar ou não. O Crowley está tão "bonzinho", não? Será que dá pra confiar nele, sociedade? Eis a grande questão... Trabalharei no próximo capítulo e espero postar ainda este finde porque quero começar a escrever o capítulo de Natal antes do Natal de preferência neh? Então é Natal... E o que você fez? O ano termina. E nasce outra vez... Então bom Nataaaaaaaaaaaaaaaaal kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ok, parei. Inté e reviews por obséquio!