Recém Casados
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Eu terminava minha maquiagem em frente ao espelho do banheiro e avaliava o quão bonita estava para a sessão fotográfica. Uma hora antes Brie havia me ligado dizendo que eu mesma deveria fazer minha maquiagem e cabelo, pois sua prima não arcaria com nenhuma despesa. Tentei levar tudo isso com tranquilidade, afinal meu rosto em breve estaria em dezenas de outdoores pela cidade, e ela também teria as despesas com um fotógrafo e tudo o que fosse necessário.
— Está pronta? Eu já estou indo sem você! – Resmungou Min Jun mal-humorado.
— Sim, sim, estou pronta senhor sem paciência – Saí apressada do banheiro e parei logo à sua frente – Por Deus, como você é chato – Bufei e ele deu um curto sorriso curvando o canto dos lábios – Não faça isso!
— Isso o que? – Indagou confuso.
— Sorrindo assim, com o canto da boca – Ele voltou a sorrir da mesma forma – É disso que estou falando – Murmurei chorosa apontando para seus lábios curvados – Como posso me manter irritada com você se sorri dessa forma? É injusto! – Prossegui com minha lamentação.
— Meu sorriso te desarma? – Riu.
— Eu já disse que tem um belo sorriso, mas assim – Chacoalhei a cabeça removendo quaisquer pensamentos impuros – Assim fica complicado.
Ele apenas riu e se levantou do sofá em silêncio, saindo à frente.
— Por que ele tinha que ser tão bonito? – Murmurei baixo o bastante para que ele não ouvisse.
***
Brie, sua prima e um cameraman nos aguardavam dentro da loja quando chegamos. Entramos na loja que cheirava a naftalina e com os olhos vasculhei procurando por algum cenário, luzes ou qualquer coisa que pudesse remeter à uma sessão fotográfica, porém não encontrei nada, nem sequer uma câmera sobre o balcão.
— Sejam bem vindos à minha loja, sou Mary, prima da Brie...
— Prima de 2º grau! – Observou minha amiga antes de me abraçar e apertar minhas bochechas – Não faz ideia de como você me faz falta sua vaquinha – Fez um bico e voltou a me abraçar.
— E esse deve ser Hyun Min Jun – Comentou Mary com um sorriso pervertido nos lábios – Você é bem mais bonito ao vivo – Cruzei os braços apenas observando.
— Obrigado, e é um prazer conhecê-la!
— O prazer é todo meu – Parecia que seu sorriso rasgaria sua boca a qualquer momento.
— Que tal começarmos a sessão fotográfica logo hein? – Sugeri entrando na frente de meu marido e seu sorriso se fechou no mesmo momento.
— É claro.
— O fotógrafo ainda não chegou? Eu não vejo um estúdio pronto...
— Não tem fotógrafo, eu vou tirar as fotos! – Cruzou os braços e levantou a sobrancelha.
— Você é fotógrafa?
— Não, vou te fotografar com a câmera do meu celular.
— Como? Mas não seria melhor uma boa câmera? As fotos estarão em dezenas de outdoores espalhados por Los Angeles, as fotos devem ter muita qualidade.
— Quem falou sobre outdoor? – Olhei para Brie que observava o teto da loja fingindo que não estava ali.
— Brie? – Chamei minha amiga.
— Se eu dissesse que seriam panfletos você não aceitaria – Disse murcha.
— Panfletos? As fotos são para um panfleto?
— Você sabe quanto custa anunciar em outdoor? Minha loja não tem esse dinheiro não – Mary vasculhou as araras e trouxe algumas mudas de roupas usadas.
— O panfleto pelo menos é grande?
— Isso importa?
— Um pouquinho – Apertei os lábios com força. Não havia mais um lado positivo em tudo aquilo.
— Vista isso, o provador é lá nos fundos – Me entregou uma muda de roupas com cheiro de asilo e apontou para os cubículos nos fundos da loja – Hyun Min Jun? Você aceitaria posar para algumas fotos também? Não é todo dia que tenho uma estrela de Hollywood em minha loja, na verdade você é a primeira.
— Ei, e eu? – Reclamei sentindo-me profundamente ofendida.
— Você não é mais famosa, eu sinto muito – Suas palavras eram como agulhas perfurando meu coração – E você o que acha Min Jun?
— Acho melhor não... – Negou com um ar sem graça.
— Você se acha bom demais pra isso não é? – Murmurei revoltada – Mary, você devia saber que estrelas de Hollywood não se submetem a isso. Eles são bons demais...
— Eu faço! – Mary abriu um sorriso de orelha a orelha com as mãos unidas como em oração – Eu faço algumas fotos se quiser.
— Ai que honra, eu preciso contar pra todas as minhas amigas!
— Não precisa contar, vai passar na televisão em dois dias – Assinalou Brie aparentemente irritada com toda a situação – O mundo inteiro vai saber.
— Eu vou pegar algumas roupas pra você? O que você gosta? Curte jeans rasgado? Uma camisa mais social? Algo mais moderno?
— O que você escolher para mim está ótimo – Forçou um sorriso e decidi seguir para o provador.
Enquanto eu lidava com uma blusa com botões nas costas ouvi a porta do provador ao lado ser fechada e pensei que não seria uma má ideia pedir ajuda a ele com os botões. Saí de meu provador e empurrei a porta ao lado que não estava trancada, ele mesmo não respeitava suas próprias regras.
Seus olhos quase saltaram das órbitas quando me viu pela fresta que abri. Ele vestia uma camisa branca de botões com estampas minimalistas. Felizmente ainda estava de calças. Ou seria infelizmente?
— O que você pensa que está fazendo? – Indagou aparentemente perturbado.
— Preciso de ajuda com os botões, malditos botões nas costas, dá pra entender por que jogaram isso fora – Bufei nervosa sentindo os lábios trêmulos e o empurrei para que eu também coubesse dentro do cubículo minúsculo e abafado – Pode abotoar isso pra mim?
— Por que não pediu para as garotas fazerem isso pra você? – Perguntou sem graça atrás de mim.
— Porque – Meus lábios insistiam em tremer enquanto um nó se formava em minha garganta – Porque... – Comecei a soluçar colocando as mãos no rosto.
— Você tá chorando? – Ele soava preocupado – Por favor Lisa, não chore – Suas mãos tocaram meus braços e me viraram fazendo com que ficasse de frente para ele e tudo o que eu podia fazer era soluçar cabisbaixa – Você não precisa fazer essas fotos se não quiser.
— Eu preciso... Isso é uma droga – Levantei a cabeça e o encarei, seu olhar parecia aflito – Eu devo parecer estúpida pra você.
— Não, não parece – Ele respirava ofegante – Apenas parece mais humana.
— Você pode abotoar meus botões? – Sequei o rosto com as costas das mãos torcendo para que a maquiagem à prova d’agua cumprisse seu papel.
Voltei a ficar de costas para ele e senti suas mãos levemente trêmulas gentilmente tocando o tecido de minha roupa, subindo até meu pescoço abotoando o último botão.
— Obrigada! Você acabou de ganhar um ponto comigo – Disse sem graça.
— Apenas um? – Sorriu com o canto dos lábios.
— Ainda te acho um idiota convencido. Mas só 99%, um por cento até que é legal – Forcei um sorriso triste e abri a porta do provador – Termine de se trocar.
Voltei para as garotas que interromperam sua conversa subitamente quando me aproximei.
— Estava chorando? – Brie me olhou confusa e examinou meu rosto inchado.
— Alergia, estou com alergia, deve ser esse ar seco, não chove há um bom tempo, é só alergia, você sabe que minha saúde não é das melhores.
— Não sabia que tinha alergia – Constatou desconfiada.
— Pois é, parece que eu tenho – Dei um sorriso amarelo e prossegui esperando por meu marido.
— Aí está ele! – Mary abriu outro enorme sorriso, Min Jun conseguia ficar bem em qualquer coisa, até em roupas com cheiro de baratas – Vamos começar com as fotos.
— Está melhor? – Sussurrou em meu ouvido e apenas balancei a cabeça num “sim” silencioso.
— Vamos lá, fiquem um ao lado do outro desse jeito – Ela nos guiou como se soubesse o que estava fazendo.
— Você vai tirar algumas fotos da Lisa sozinha não vai Mary? – Inquiriu Brie um tanto desconfortável.
— Eu tenho?
— Sim, você tem, nós a chamamos aqui, ela poderia estar fazendo outra coisa mais importante neste exato momento, Lisa diga uma coisa que você poderia estar fazendo, mas não faz porque está aqui.
— Eu poderia estar dormindo ou vendo Masterchef na televisão. Ah não, hoje é dia de Hell’s Kitchen. Então eu estaria dormindo.
— Viu?
— Querido Hyun Min Jun, poderia me dar licença? Preciso fotografar Lisa sozinha! – Pediu à contragosto.
Min Jun se afastou e parou ao lado de Brie me observando atentamente enquanto Mary prosseguia com suas fotos.
— Isso não está ficando como imaginei, você não deve ser uma boa modelo.
— Eu posso dar uma sugestão? – Manifestou-se Min Jun – Antes de ser ator eu era modelo na Coréia e fiz muitas sessões fotográficas, além de assistir à muitas outras – Ele se aproximou de mim – Você precisa fazer isso – Levantou minha cabeça e moveu meus braços – Assim, agora feche um pouco os olhos e abra os lábios levemente, isso. Está ótimo – Voltou para o seu lugar e olhou para Mary – Ela não é uma modelo ruim, apenas está sendo mal dirigida.
Confesso que me senti radiante quando Min Jun disse aquelas palavras à Mary. Eu não sabia se a interação dele era me ajudar ou se ele apenas estava sendo arrogante com Mary para mostrar que sabia mais do que ela. De qualquer forma eu me sentia grata por aquilo. Eu devo ser realmente uma pessoa ruim.
— Acho que terminamos! – Concluiu Mary, espero conseguir aproveitar as fotos.
— Eu também espero, fiz isso de graça – Lamentei – Me deem licença que eu vou tirar essas drogas de roupas. Brie, pode me acompanhar, essa droga de blusa tem botões atrás.
Já no provador Brie me observava com as sobrancelhas franzidas e unidas, num silêncio quase perturbador.
— Se tem algo pra dizer, apenas diga, ficar me olhando assim me dá medo – Pedi enquanto vestia minha calça jeans rasgada.
— Se não consegue lidar com esses botões, quem os abotoou pra você?
— Eu pedi pro Min Jun, e ele me ajudou – Sussurrei embaraçada.
— Agora ele está tirando proveito de você? Esse safado! – Disse revoltada.
— Ele não é pervertido, nem safado, ele sequer queria fazer isso, Min Jun não é um grande fã de contato homem e mulher.
— Ele é gay? – Arregalou os olhos boquiaberta.
— Não, em suas palavras ele disse ser reservado, e só beija quem ele está realmente apaixonado. Caso contrário, nada de beijos ou toques. Ou seja, nada de beijos e toques entre nós dois.
— Hum, sei. Talvez seja uma desculpa pra não ter que te aturar. Você sabe que é insuportável.
— Haha, engraçadinha. Vamos lá, me ajude com essa droga de blusa.
Quando voltamos, Min Jun estava inclinado no balcão da loja conversando com Mary que apenas acenava sua cabeça positivamente e enrolava uma mecha de seus cabelos encaracolados no dedo. Pigarreei e eles nos olharam parando sua conversa. Por que todos faziam isso?
— Estou pronta, podemos ir querido marido? – Me aproximei e segurei seu braço enquanto encarava Mary.
— Claro, podemos ir. Brie, foi um prazer te conhecer – Curvou-se se despedindo – E Mary, por favor, lembre-se disso – Sorriu para ela que sorriu de volta e apertei seu braço com mais força.
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