Recém Casados

24 Capítulo 24


Notas iniciais
Oie gente, quanto tempo né. Primeiramente peço desculpas pelo atraso, é que eu me mudei de casa e com toda a correria não consegui escrever, arrumar mudança é exaustivo pra caramba e bem, ficamos um bom tempo sem internet devido à isso e ao fato da OI ser enrolada pra cacildes na hora de mandar um ténico instalar a net e ela finalmente voltou ontem e enfim pude ver a final do Masterchef no Youtube, baixar o ultimo ep. de Game of Thrones e baixar eps do drama Save me que super recomendo aliás. Bom, esse capitulo de hoje nem deveria existir, era pra ser o que será o próximo, mas durante um banho me veio a ideia e escrevi esse que aliás deixará o próximo mais completo e até mais fofo diga-se de passagem. Creio que estamos caminhando em direção à reta final e não vejo mais que dez capítulos no máximo, talvez menos? Bom, acho que é isso, boa leitura!

Acordei deitada sobre Min Jun. Espremidos e pelados dentro da banheira. Seu braço esquerdo me envolvia, e o direito se pendurava para fora da banheira. Limpei os olhos com as mãos e me afastei, me sentando sobre as pernas dele.

Min Jun abriu os olhos preguiçosamente. Esticou os braços se espreguiçando, enquanto eu o observava em silêncio. Seus lábios se curvaram quando seus olhos me encontraram, formando um sorriso quase malicioso.

— Bom dia – Disse com calma e ele se ajeitou com cara de sono.

— Bom dia... Está acordada há muito tempo?

— Não – Sorri e me apoiei na borda da banheira para me levantar, quando senti sua mão fria segurar meu tornozelo – O que foi?

— Acho que precisamos de um banho – Eu fingi estar pensativa, batendo o dedo sobre os lábios e voltei me acomodando entre suas pernas.

Min Jun ligou a torneira e pouco a pouco, a água subia cobrindo nossos pés, nossas pernas, até cobrir meu peito acumulando uma densa espuma branca sobre ela. Min Jun cantarolava uma música a qual eu desconhecia e envolveu seus braços ao meu redor.

— O que é isso? – Indaguei brincando com suas mãos.

— Estou feliz – Beijou minha bochecha, apoiou o queixo em meu ombro e brincando passei espuma em seu nariz – Está muito engraçadinha senhorita.

— Estou feliz também –De soslaio, olhei seu rosto em meu ombro – O que você acha que Genna irá pensar quando nós sairmos daqui? Passamos a noite toda neste lugar.

— Eu invento alguma coisa, ela sempre acredita no que eu digo. Posso dizer que estava tendo algumas lições com você.

— Lições?

— Uhum – Me virei para ele – Espero ter sido um bom aluno – Deu um sorriso de canto e baguncei seus cabelos com as mãos molhadas.

— Você foi.

— É bom ouvir isso – Me virei para frente e me recostei em seu peito, sentindo a água na altura do meu pescoço.

As mãos ainda desajeitadas de Min Jun deslizaram por meu corpo, e fechei os olhos, tentando não pensar em nada. Seus dedos tocavam minha cintura e desciam até meu quadril, subindo novamente até meus seios. Eu ainda podia sentir a hesitação em seu toque, o receio que ainda habitava em suas carícias, o toque quase inocente que me tirava qualquer vestígio de sanidade. Seus lábios beijaram o topo de minha cabeça e apenas me deixei levar pelas sensações que ele me provocava. Meu corpo queimava, ardia, se incendiava e nada mais parecia importar.

***

Eu secava meu cabelo com uma toalha enquanto Min Jun vestia suas roupas em silêncio.

— Eu andei pensando no que disse.

— O que eu disse?

— Que Genna acredita em tudo o que você diz.

— E?

— Ela acredita mesmo em tudo o que você diz, e ela o trata diferente de como ela trata todos os outros.

— Eu dei um drago a ela, é falsificado, mas Genna não sabe.

— Não, sempre foi assim, antes de qualquer droga de dragão falsificado. Sabe o que eu acho?

— O que acha?

— Que ela tem uma queda por você!

— Uma, u-uma que-queda p-po-por mim?

— Sim. Pense comigo, ela faz tudo o que você quer e não trata ninguém como você e já viu como ela me odeia? Deve ser ciúmes.

— Ela não sabe que estamos namorando.

— Mas eu divido a mesma cama com você! De qualquer forma, não entendo o que ela vê em você.

— Você é hilária, Lisa – Ri de sua cara de bobo – E por falar em Genna, tenho que falar com ela ainda hoje.

— Sobre o que, é importante?

— É sim.

— O que é?

— Eu te digo, depois que falar com ela.

— Sério? – Ele fez que sim.

— Pensando bem, acho que não gosto da ideia de que fale a sós com ela.

— Está com ciúmes? – Abriu um sorriso gigantesco.

— Um pouco... é, um pouco.

— Por que sentiria ciúmes de Genna? Eu nunca te trocaria por ela.

— Ela não é atraente o bastante para você? – Cruzei os braços.

— Ela não é você! – Rebateu sem hesitar.

— Você vivia dizendo que eu era irritante...

— Você é irritante, Lisa!

— Sou, então porque gosta de mim?

— Me pergunto isso todos os dias, desde quando a conheci naquele café – Ele beijou minha bochecha e saiu correndo.

— No café? Mas isso foi no primeiro dia – Pensei em voz alta.

— Sim, faz – Berrou da sala.

***

Nossa felicidade matinal não foi duradoura. Genna esmurrava nossa porta sem se preocupar em derrubá-la, enquanto berrava nossos nomes aos quatro ventos.

— Falando no diabo – Min Jun revirou os olhos e abriu a porta forçando seu melhor sorriso falso.

— Olá Genna, a que devo sua agradável visita nesta manhã?

— Por que infernos vocês dois passaram a noite na merda do banheiro? – Entrou em casa com as mãos na cintura e as sobrancelhas unidas. Min Jun olhou para mim. Eu olhei para Min Jun.

— Nós ficamos conversando – Ele deu início as explicações.

— É, eu estava com insônia e Min Jun ficou conversando comigo até eu pegar no sono.

— Sobre o que conversaram.

— Sobre o que? – Engasgou Min Jun.

— Foi o que perguntei.

— Coisas, conversamos sobre coisas que são particulares e não queríamos que as câmeras filmassem e não podemos te falar justamente por ser particular – Genna permaneceu me olhando com descrença.

— É verdade, o que Lisa disse é verdade.

— Ótimo, apenas não repitam isso...

— É sério isso?

— Isso?

— Você desconfiou de mim, mas acreditou quando ele disse! – Apontei o dedo acusadoramente.

— Eu não fiz isso.

— Na verdade fez sim – Afirmou Min Jun.

— Eu devo ter feito.

— Viu! Acabou de fazer – Ela apertou os lábios.

— Genna Min Jun interrompeu – Eu precisava mesmo falar com você, é importante.

— Fale.

— Em privado.

— Ah, mais que droga! – Resmunguei me jogando sobre o sofá e revirei os olhos feito uma adolescente embirrada.

Genna o convidou para que ele a acompanhasse até o quintal e fechou a porta dos fundos com um olhar quase maligno em minha direção através do vidro.

Tentei ouvi-los me esgueirando entre as cortinas, mas tudo em vão. Estavam longe o bastante e falando baixo o suficiente.

Desisti voltando a me jogar esparramada sobre o sofá, com minha mente trabalhando em mil e uma conspirações diferentes para a tal conversa particular.

Meia hora depois, lá estavam eles de volta, depois de eu ter pego no sono e babado no encosto do sofá.

— Tem certeza disso? – Pude ouvir quando adentraram a casa.

— Tenho.

— Do que tem certeza? – Berrei saltando do sofá com uma súbita disposição.

— Pode nos dar licença, Genna?

— Ah, claro, eu já vou indo, tenho que resolver alguns assuntos na sala de edição.

— Certo – Genna saiu séria e calada. Genna não era séria, muito menos calada.

Min Jun fitou-me sério.

— Por que eu tenho a impressão de que isso é uma droga?

— Pode ser... Meu pai andou me ligando muito recentemente, como você bem sabe. Ele não está bem...

— O que ele tem?

— Eu ainda não sei ao certo. Bem, ele quer que eu vá para a Coréia visita-lo. E de certa forma meu pai está correto, não nos vemos pessoalmente há alguns anos, seria bom vê-lo outra vez.

— Vai ficar muito tempo?

— O que posso dizer? Genna permitiu que eu passe até duas semanas fora, mas posso voltar antes.

— Então era isso?

— Não, eu implorei a Genna um dia sem câmeras. Eu embarco em dois dias e pensei em passarmos o dia de amanhã, para... – Olhou para a câmera no canto superior da parede – Para desenvolvermos melhor nossa relação que é muito conflituosa e tentarmos nos entender melhor, para uma boa convivência, como um retiro espiritual.

— Claro, entendo – Apesar de seus lábios sorrirem, seus olhos não faziam o mesmo.

— Se isso é tudo, por que está triste?

— Não estou triste – Sorriu seu melhor sorriso.

— Seus olhos, seus olhos estão tristes – Ele desviou o olhar e limpou a garganta.

Talvez aquele fosse o dia das grandes notícias, afinal antes mesmo que Min Jun pudesse formular alguma desculpa esfarrapada para me despistar, a campainha tocou como uma forma de desfazer o drama que pairava sobre nós.

Era incrível como num reality show sobre um casal o que menos fazíamos era ficar a sós.

Ela nos dizia que as notícias eram importantes demais para serem ditas por telefone ou numa simples mensagem de texto.

Brie segurou minhas mãos e seus olhos verdes me fitaram.

— Eu tenho uma notícia boa e uma ruim. Mas não vou pedir pra escolher entre as duas, já que a ruim depende da boa – Prendi a respiração aguardando ansiosa – Vamos lá, uma empresa irá promover alguns concertos por Los Angeles e cidades próximas, e eles querem que você seja o ato de abertura.

— Ai meu Deus, você tá brincando né? – Indaguei sentindo palpitações no peito – Não brinca comigo Brie, se eu morrer do coração, eu juro que volto pra puxar seu pé de madrugada.

— É sério Lisa, sério o bastante pra parte ruim da notícia existir.

— O que poderia ser ruim depois de uma novidade dessas? Eu voltarei aos palcos Brie! – Dei pulinhos com um sorriso que mal cabia no rosto.

— Então, foi bem por isso que eu decidi falar pessoalmente com você, pra te impedir de fazer algo que acabe de vez com sua imagem levemente menos suja.

— Está me assustando Brie – Fechei a cara – Depois desse convite, eu liguei para a sua antiga gravadora, só pra ter certeza que ficaria tudo bem, afinal eles ainda tem os direitos de suas músicas...

— E daí? – Incentivei impaciente.

— Bernard te proibiu de cantar as músicas que eles produziram e isso corresponde a basicamente todo seu repertório. Então isso é bem ruim mesmo.

— Aquele bastardo, filho da puta... Eu juro que acabo com a raça dele – Caminhei de punhos cerrados em direção a porta, mas as mãos de Brie me seguraram.

— Quem é Bernard?

— É o filho da puta, CEO e produtor da gravadora, e quem transava com Lisa dizendo que ia largar a esposa, mas é claro que ele nunca fez isso. Espere. Quem perguntou?

— Min Jun.

— Ah, droga, eu nem vi você aí, que susto garoto.

— Eu moro aqui.

— Às vezes eu esqueço disso.

— Agora eu preciso sair e dar na cara daquele filho da mãe.

— Ah, mas não vai mesmo. Lembra, foi por isso que eu vim, pra evitar que merdas aconteçam, me considerem a mulher maravilha ou qualquer super herói que faria o mesmo.

— Todos?

— Exatamente, eu sou praticamente os Vingadores e a Liga da Justiça juntos.

— Você não vai me impedir, ninguém vai, estou indo agora mesmo para aquela gravadora – Me desvencilhei de Brie a empurrando para o lado a fazendo cair sentada sobre o sofá.

— Não, Elisabeth Scott, você só irá por cima do meu cadáver – Se levantou e me encarou decidida.

***

Eu, Min Jun e Brie, enfileirados, observávamos o suntuoso edifício da Empire Records bem à nossa frente.

— Eu disse que viria.

— Disse sim – Concordou Brie num tom insatisfeito.

Deixei os dois para trás e tomei a frente em direção à entrada principal, onde um homem de dois metros de altura e um metro de largura e cara amarrada guardava porta.

— Oi, é... bom, eu preciso entrar.

— Seu nome por favor.

— Lisa Scott e esses vindo alí, são minha agente Brie e meu... meu marido Min Jun.

— Não estou autorizado a permitir a entrada de nenhuma Lisa Scott.

— Como é que é?

— Recebi ordens diretas para impedir qualquer pessoa que possua esse nome de entrar no prédio.

— Não, eu errei – Forcei uma gargalhada – Meu nome é Elsa Scott. Sabe, igual aquele desenho, Frozen, “let it go, let it go, nananana...” — Cantarolei.

— Eu sei quem é Elsa, minha filha adora esse filme.

— Bom, então eu vou entrando – Dei dois passos para frente, mas as mãos gigantescas do segurança me barraram.

— Preciso confirmar sua identidade, documentos, por favor.

— Elsa! Elsa! – Ouvi Min Jun gritando enquanto caminhava até mim, deixando Brie sozinha há poucos metros de nós – O que está acontecendo meu amor?

— Elsa? Ah, sim, eu sou Elsa, é... Eu preciso muito entrar, mas esse cara acha que eu sou uma tal de Lisa Scott, eu nunca nem ouvi falar esse nome antes.

— Você disse esse nome antes senhora.

— Eu me confundi. Sabe, eu tenho esse pequeno problema de trocar nomes e troco até o meu às vezes.

— É um problema sério de dicção, como se a língua dela tivesse vida própria e acaba falando coisas que não fazem sentido na maior parte do tempo. Como no dia do casamento, quando ela disse não, mas queria dizer sim, não é querida?

— Isso.

— É o marido dela?

— Sim, meu nome é Min Jun Hyun, sou um ator de Hollywood – Ele estendeu a mão para a montanha à sua frente que o olhava com descrédito e as encolheu quando o homem permaneceu imóvel.

— O único ator asiático que conheço é o Jackie Chan e você não é ele.

— Não, não sou, Jackie, grande Jackie, ele é apenas meu primo, mas isso não importa mesmo.

— Jackie Chan é seu primo? – O segurança ergueu os óculos escuro e finalmente notei seus olhos escuros como a noite.

— Sim, nós, nós... somos bem próximos e meio que crescemos juntos.

— Eu adoro o Jackie Chan, sou o maior fã desse cara, todos aqueles golpes, há – Arregalei os olhos, dando alguns passos para trás quando ele gritou e moveu suas mãos em posição de luta, como se uma criança tivesse possuído seu corpo gigantesco – Não acredito que são parentes, mas bem que vocês são bem parecidos – Segurei uma gargalhada.

— O que acha de permitir nossa entrada? É coisa rápida, cinco minutos.

— Eu sinto muito senhor Chan.

— Hyun, quero dizer, pode ser Chan.

— Como eu dizia, senhor Chan, não estou autorizado.

— E se eu te trouxesse algumas coisas do meu primo? Como uma forma de agradecimento, você mesmo disse que é um grande fã.

— Faria isso por mim? – Ele não parecia mais tão ameaçador.

— É claro, por que não? Eu apenas chego e digo, ei Jackie, meu amigo...

— Leslie.

— Leslie? – Repeti prendendo uma gargalhada – Mas que droga de nome!

— Ei, esse é o nome do meu avô, ele foi condenado a perpétua por matar bastardos que zombavam do nome dele – Me encolhi.

— Isso foi uma ameaça?

— Não, ou será que foi? E você Chan, me promete as coisas do seu primo?

— Prometo.

Leslie abriu a porta nos permitindo adentrar no edifício.

— Você não vem Brie? – A esperei na porta, mas ela apenas descruzou os braços e balançou as chaves de seu carro.

— Espero vocês no carro, não estou afim de estragar meu dia, vendo a cara daquele bosta.

Quando coloquei meus pés dentro daquele lugar, prendi minha respiração por alguns segundos. Era a mesma sensação que havia sentido quando entrei pela primeira vez. Medo, apreensão, ansiedade. Meu coração se apertava e palpitava. Parte de mim sentia falta daqueles corredores que não eram nem longe o que haviam se tornado com o tempo. E outra parte de mim se corroía ao saber que grande parte daquilo havia sido conquistado com meu trabalho e agora minha entrada no prédio sequer era permitida.

Era um tanto mágico, confesso. Aquele lugar possuía seus encantos, era como uma Disney para músicos, o paraíso para qualquer pessoa que sonhasse em se tornar um cantor de sucesso. Era minha antiga casa, o lugar onde dormi por meses por não ter onde viver e agora eu era uma intrusa que precisava armar um circo, para passar pela entrada.

— Dá para acreditar nisso? – Min Jun quebrou o silêncio inconformado – Ele realmente acreditou que sou primo do Jackie Chan, isso significa que ele acreditaria em qualquer asiático que dissesse o mesmo? Jackie é chinês, eu sou coreano, nem falamos a mesma língua, nossos países nem se dão bem... – Reclamava gesticulando os braços exageradamente.

Apesar de ouvir e compreender suas queixas, minha mente não processava nenhuma delas. Estava ocupada demais projetando memórias de tempos mais fáceis e simples.

Conforme caminhávamos, mais minhas mãos tremelicavam e menos oxigênios entrava em meus pulmões.

— Respire, respire, respire, não é nada demais – Murmurei contendo um ataque de pânico.

— Você está bem Lisa? – Min Jun parou em frente ao elevador e segurou meus braços. Seu cenho franzido, os lábios entreabertos, seus olhos imersos nos meus, como se já soubesse a resposta.

— Não, mas não importa.

— Importa sim, não quero que passe por coisas ruins por algumas músicas.

— Não são algumas músicas, eu sou como a mãe delas e elas são minhas filhas, é como se tivessem me tirado a guarda dos meus filhos e os entregue a adoção, entende o que quero dizer?

— Mais ou menos.

— Apenas me acompanhe – Segurei sua mão e o arrastei para o elevador – Fica no último andar, apenas mais quatorze andares e finalmente estarei cara a cara com aquele desgraçado.

— Eu espero nunca ser odiado por você.

— Eu nunca te odiei, era implicância gratuita.

— Você e Brie nutrem um ódio significativo por ele. Mas o que ele fez exatamente, fora a parte que dormiram juntos? – Seu rosto corou e encarou o piso.

— O que tínhamos não era sequer pra ter acontecido. Eu era a nova contratada da Empire, e ela não era incrível como é agora, não havia esse piso de mármore, nem esse monte de gente trabalhando, andando de um lado pro outro, era apenas uma pequena gravadora perdida entre centenas de outras maiores e mais conhecidas. Mas Bernard gostou de mim quando me ouviu cantando num bar da cidade, ele me convidou para gravar um CD e ver o que aconteceria e bom, eu não tinha nada a perder. Foi como um sonho perfeito, nos tornamos cada vez mais próximos e a gravadora crescia à medida que meu sucesso aumentava. E em algum momento, eu não sei o que deu em mim, talvez por estar sozinha no mundo e receber toda a atenção que eu recebia, acabei me deixando levar, me apaixonei por ele.

— Você o amava? – Levantou a cabeça e olhou para a porta do elevador.

— Sim, eu o amava, ele me dava presentes e sempre me dizia o quanto seu casamento estava fracassado e em breve pediria o divórcio para ficar comigo e eu como uma boa idiota apaixonada acreditei em todas as histórias que ele criou pra me manipular, eu sei que não sou uma vítima, não completamente, oras eu era a amante de um cara casado e pai de dois filhos, mas eu realmente fui estupida e em um belo dia a esposa dele descobriu sobre nós e ele apenas me deixou, jogou em minha cara o quanto eu havia sido tola de acreditar nas promessas de alguém como ele e que eu deveria ser mais esperta. Eu entrei em depressão, usei drogas, me afundei em bebidas, me envolvi com um monte de babacas e quando minha imagem estava no lixo, a gravadora cancelou meu contrato para novos álbuns e ficaram com os direitos de tudo o que fiz. Resumindo, eu fiquei na merda, atolada em dívidas, com a imagem destruída e eu tinha apenas Brie que decidiu se tornar minha empresária para não me deixar na mão.

— Eu adoraria dar um belo soco na cara desse babaca.

— Não mais que eu.

A porta do elevador se abriu nos dando o vislumbre do último andar. Minhas mãos suadas, tremelicavam tanto quanto minhas pernas que eu procurava firmar no chão de mármore branco.

A secretária de Bernard abriu e fechou a boca, com os olhos arregalados atônitos, quando me notou debruçada sobre seu balcão.

— Olá Janet, quanto tempo! – Tentei soar confiante.

— Li-Li-Lisa? Lisa Scott?

— A única – Abri um grande sorriso, grande o bastante para esconder qualquer tipo de nervosismo de olhares alheios.

— Vo-você na-não deveria es-estar aqui!

— Não, eu não deveria estar nessa droga de prédio que ajudei a construir, mas pra tudo na vida se tem um jeito né?

— Eu não entendo como...

— Eu explico. Jackie Chan.

— Jackie Chan?

— Guarde essas palavras, elas abrem portas – Janet franziu a sobrancelha e prossegui – Bernard está? – Pisquei os olhos infantilmente ainda debruçada sobre a bancada, apoiando o queixo sobre as mãos.

— Bernard, não, ele não está, foi visitar a mãe dele no hospital.

— A mãe dele não morreu há uns quatro anos? Não pode usar essa desculpa comigo, eu fui ao velório dela.

— Ele não pode te atender – Anunciou de queixo empinado e olhar superior.

— É claro que não, mas não me importo nem um pouco, onde ele está?

— Por que eu te diria?

— Bondade? Amor ao próximo?

— Quem é ele? – Janet me ignorou e olhou para Min Jun enquanto enrolava uma mecha dos cabelos loiros no dedo.

— Não é pro teu bico! – Me aproximei dele e me agarrei ao seu braço, e não pude deixar de gargalhar internamente quando Min Jun depositou um beijo em minha testa deixando Janet com uma careta de nojo.

— Então vai me levar até Bernard ou eu faço isso sozinha mesmo?

— Você não deveria nem estar aqui senhorita Scott.

— Olha o jeito que fala com ela! – Olhei pasma para Min Jun, que murmurou um “o que foi? ”

— Certo, eu acho que ainda sei onde a fica a sala dele, não precisa se dar ao trabalho – Comecei a caminhar.

— Não, mas você não vai dar mais nenhum passo – Janet correu até minha frente barrando minha passagem com os braços abertos.

— Mas que droga, que todo mundo decidiu me barrar hoje, é algum tipo de conspiração?

— Você não entrará naquela sala.

— Ah, então ele está na sala dele mesmo. Mas é claro que eu vou sim – Continuei caminhando sem me importar com a mulher à minha frente.

— Lisa Scott, pare agora mesmo!

— Gostei do seu colar – Fitei a joia familiar em seu pescoço com um “L” cravado em pequenas pedras de brilhantes – Ganhei um igual quando estava com Bernard, mas devolvi quando terminamos. É uma peça bem única, considerando que havia sido feita sob encomenda. Por que o “L”, seu nome não possui essa letra.

— É a inicial do nome da falecida mãe de meu namorado – Abriu um sorriso orgulhosa.

— O nome da mãe de Bernard é Mary – Ela segurou a joia com o cenho franzido e passei por ela sem resistência alguma.

Eu gritava internamente. Gritava o bastante para ensurdecer todo o ocidente. Como Bernard havia sido capaz de dar para a nova amante o colar que havia dado para mim. O que tínhamos realmente não significou nada para ele?

Marchei rangendo dentes por um caminho que eu conhecia muito bem. Meus passos eram capazes de serem ouvidos por todo o prédio e então a encontrei.

A sala do CEO e produtor musical Bernard Williams. Ou o filho da mãe que ferrou com a minha vida.

Não bati na porta, simplesmente entrei quase a derrubando e recebi um olhar incrédulo sobre mim. E adivinhem. O filho da mãe estava incrivelmente mais bonito do que nunca. Cogitei a possibilidade de ser um castigo divino ou tentação demoníaca.

Quando notei seu olhar sobre mim, eu não pude me mover. Meu corpo congelou e minha voz desapareceu. Todos os milhares de palavrões e ofensas se apagaram de minha mente e tudo não passava de uma tela em branco.

— Lisa? Lisa... – Min Jun me cutucou.

— O que pensa que faz aqui? Como entraram aqui? – Era a primeira vez em anos que pude ouvir a voz de Bernard, e era amedrontador.

Meus lábios congelados, não se moviam para formular alguma resposta.

— Lisa veio ter uma conversa séria com você! – Meu marido tentava contornar a situação.

— E quem é você?

— Min Jun Hyun, ator de Hollywood e marido fictício de Lisa.

— Ah, sim, aquela merda que Genna Owen ainda produz. E você, não vai me dizer nada Lisa? Seu marido, disse que tem algo importante a dizer.

— Ela mordeu a língua agora no corredor e ....

— Seu bastardo, filho da mãe – Caminhei passo a passo vagarosamente em direção à sua mesa.

— Ela fala.

— Por que Bernard? Já não foi o suficiente ter ferrado minha vida e minha carreira e agora me proíbe de cantar minhas próprias músicas?

— Suas músicas? Elas pertencem a gravadora. E eu não ferrei você, você ferrou com tudo quando decidiu destruir sua imagem para o mundo com drogas e bebidas, quem você pensava que era? Justin Bieber?

— Você mentiu para mim, me enganou o tempo todo.

— E você foi estupida o bastante para acreditar.

— A culpa é minha, é claro que a culpa é toda minha. A culpa será de Janet quando sua mulher descobrir de novo?

— Você não tem nada a ver com isso – Apertei os olhos.

— Apenas me deixe cantar minhas músicas, apenas uma ou duas, eu odeio a ideia de estar aqui, tanto quanto você odeia minha presença, mas, por favor, apenas me conceda minhas músicas.

— Não são suas musicas!

— Eu ajudei a escreve-las.

— Isso mesmo, não escreveu sozinha e de acordo com o acordo assinado por você mesma, as elas seriam da Empire, mesmo se saísse da empresa.

— Naquela época as coisas eram diferentes, eu não acreditava que algum dia estaria aqui te implorando por ajuda.

— Isso não é problema meu. Você já não é problema meu há muito tempo.

— Não vai permitir que eu cante minhas canções, não é? – Ouvi minha voz trêmula.

— Não – Ajeitou os pés sobre a mesa de vidro e entrelaçou os dedos das mãos sem tirar os olhos de mim.

— Mesmo que eu implore...

— Se realmente precisa tanto delas, ainda podemos conversar em particular, resolver assuntos pendentes – Seus olhos pararam em meu peito e desceram por meu corpo e senti asco – Relembrar os velhos tempos e posso repensar sua situação.

A respiração pesada de Min Jun ecoava pela sala, seus punhos cerrados, o maxilar tenso e a fúria em seus olhos sinalizavam a grande desgraça que estava por vir, mas havia um pequeno problema, Min Jun sempre pensa antes de agir, eu não.

Você já deve ter assistido aqueles documentários sobre a vida dos animais e visto quando um leão se prepara para atacar a presa indefesa que mal tem tempo para se fugir antes de ter sua jugular estraçalhada. Eu era o leão e Bernard...

À medida que eu avançada em direção à ele feito um selvagem com um grito de guerra antes de atacar o inimigo, seus olhos se esbugalhavam quase saltando de suas órbitas. Min Jun me advertia sobre algo que sequer escutei e então me vi pulando sobre a mesa de Bernard e minhas mãos batendo sua cabeça contra o encosto de sua cadeira, enquanto ele lutava para me afastar.

Eu estava sobre ele, arranhando seu rosto e chutando suas pernas, até sua cadeira virar, nos derrubando sobre o chão e eu permanecer ali como uma maníaca estapeando seu rosto e dando joelhadas em suas partes baixas o fazendo gemer de dor, até Min Jun me puxar à força com um olhar desesperado e dizer que deveríamos correr para fora dali como se não houvesse amanhã.