Recém Casados

18 Capítulo 18


Notas iniciais
Espero que gostem! Boa leitura!

Acordei com a cabeça aconchegada no peito de mim envolta em seus braços. Não me lembrava de quando havia caído no sono, somente de conversarmos em meio à escuridão.

Tentei me desvencilhar dele sem acordá­-lo em vão, quando tirei seu braço que segurava minha cintura seus olhos se abriram vagarosamente até notarem nossa proximidade e se arregalarem. Min Jun se sentou no mesmo instante se afastando de mim.

— Eu não tenho nenhuma doença contagiosa – Adverti me sentindo um pouco ofendida.

— E-eu e vo-vo-você... Nós.... Dormimos assim?

— Sim... – Sorri – Está tudo bem, é sério, não estou brava nem nada.

— Nós estávamos abraçados!

— Eu sei.

— Não se importa?

— Eu disse que não, nós dormimos, não foi nada demais. Não é como se tivéssemos tran...

— Não diga isso! – Me interrompeu repousando o dedo indicador sobre meus lábios – Eu vou ao banheiro, com licença – Ele parecia aterrorizado com a ideia de termos passado a noite tão próximo, como se não dividíssemos a mesma cama há dois meses.

Eu não fazia ideia do que Min Jun fazia no banheiro, mas com certeza eu sabia que precisava usá-lo e não estava com a mínima vontade de sair do quarto à procura de outro banheiro e dar de cara com minha família adorável.

Girei a maçaneta, a porta não estava trancada, então entrei. Meu marido estava tomando banho, o banheiro tomando pelo vapor da água quente e o chuveiro ligado. A cortina colorida nos dividia entre um Min Jun pelado e um Lisa louca para fazer xixi. Ele desligou o chuveiro e sua mão segurou a cortina quando me notou e soltou um grito assustado.

— O que está fazendo aqui? – Ele segurava a cortina para esconder seu corpo.

— Preciso muito fazer xixi! – Sorri sem graça.

— Não tem outro banheiro na casa?

— Esse está mais perto...

— Eu estou usando agora.

— Você também já fez isso. Acho que estamos quites... – Ele balançou a cabeça de um lado para o outro – Pode pelo menos fechar os olhos, eu realmente não posso segurar mais.

— Aish! – Fechou a cortina ralhando contrariado e ri de sua irritação.

***

Saímos juntos do quarto e já podíamos ouvir as vozes da equipe e principalmente a de Genna que se destacava entre todas as outras. Caminhamos até a sala de estar onde todos nos esperavam e dirigiram seus olhares em nossa direção quando nos aproximamos.

— Bom dia raio de Sol! – Disse Genna com ironia – Você fez uma cena e tanto ontem não?

— Você gostou? Posso fazer outra vez se quiser.

— Não precisa, não era bem essa imagem que eu tinha em mente quando quis te trazer pra cá.

— Deveria ter pesquisado mais – Sorri cínica.

— Deveria ter me dito sobre sua relação familiar.

— Esqueci.

— Me digam o que eu faço com o material que gravamos ontem? Não posso colocar aquilo no ar?

— Por que não? Coloque, eu não me importo, o erro é deles – Apontei para meus pais sentados no sofá fingindo não prestar atenção em nós duas – Não é meu.

— Realmente não se importa?

— Isso pode te trazer audiência não pode?

— Muita, mas você poderia nos processar.

— Não vou, sinta-se à vontade para aproveitar imagens emocionantes de afeto em família. Falando nisto eu quero ir pra casa! – Cruzei os braços – Hoje!

— Hoje? Nós chegamos ontem, nossa viagem está programada para amanhã! – Ela levantou a voz irritada.

— Eu não ficarei aqui.

— Vai voltar sozinha? – Arqueou as sobrancelhas e cruzou os braços.

— Não ficarei aqui... – Caminhei até Min Jun que já havia se acomodado no grande sofá da sala e segurei sua mão.

— Filha, não vai nos cumprimentar? – Papai indagou parecendo confuso.

— Não – Puxei Min Jun para que se levantasse.

— O que você quer? – Perguntou sem entender o que estava acontecendo.

— Vamos sair daqui – Cruzei a sala segurando sua mão ouvindo Genna resmungar todos os palavrões que ela conhecia.

— Pra onde pensam que vão?

— Eu disse que não ficaria aqui, fique tranquila nós voltaremos – Saímos pela porta da frente – E não nos sigam! – Alertei entredentes os cinegrafistas que caminhavam logo atrás de nós.

— Deixe eles! – Genna disse e comecei a correr de mãos dadas com Min Jun.

— Onde estamos indo? – Me alcançou ficando ao meu lado e soltei sua mão.

— Eu não sei, essa é a graça – Ri correndo pelas ruas tão familiares de Rogersville.

Tentei fazer o mesmo caminho que fazia durante minha infância e adolescência quando saía com meus amigos para longe de casa. Costumávamos pegar a pequena estrada até os prédios abandonados em Pressmen’s Home.

— Tem certeza que sabe para onde estamos indo? – Indagou arfante.

— Tenho – Parei de correr e respirei ofegante – É um lugar onde costumava ir com meus amigos.

— Você tinha muitos amigos?

— Alguns... Mais do que tenho agora. Eu era mais popular do que sou agora – Min Jun riu.

— E quantos amigos tem agora?

— Eu tenho a Brie... e você – Ele sorriu em silêncio – O que aconteceu com você senhor Hyun?

— O que quer dizer?

— Tem estado de bom humor ultimamente, é estranho não te ver resmungando por qualquer coisa.

— Talvez eu esteja feliz...

— Pelo que? – Caminhávamos lado a lado pela estrada.

— Apenas estou – Ele mantinha um singelo sorriso nos lábios.

— Espere, já sei, está apaixonado, não é?

— O que está dizendo? – Ele corou imediatamente e comecei a caminhar de costas em sua frente para provoca-lo.

— É isso, não é? Está feliz demais para algo comum, você não faz o tipo que sorri por qualquer coisa, certamente está apaixonado – Bati meu dedo indicador em seu peito – Vamos lá, me diga o nome dela!

— Não há ninguém...

— É claro que há alguém, você até ficou vermelho, ah, vamos, me diga, não há nenhuma câmera aqui, pode me dizer o que quiser, eu paro de encher seu saco se me disser.

— Talvez eu esteja apaixonado.

— Viu só, eu sabia! Sei reconhecer esse tipo de coisa de longe, sou boa com essas coisas, agora me diga o nome dela, ela é bonita? O que ela faz?

— Ela é linda! – Sorriu lembrando-se de sua musa – Ela é uma artista.

— Uuuh, ela é do Show Business! – Movi as mãos para cima dando ênfase nas palavras – Ela é mais velha ou mais jovem?

— Um ano mais nova que eu.

— Hum... quem poderia ser? Não vai mesmo me dizer quem é?

— Não, este é um segredo que não posso confessar à minha amiga.

— De qualquer forma eu vou descobrir, só preciso de tempo, posso ser uma grande investigadora se eu quiser.

— Faça isso – Dei as costas para ele e corri na frente.

— Estamos chegando, é logo ali – Apontei para um grande gramado repleto de arbusto, mato, musgo e de longe era possível avistar as velhas construções abandonadas – Não é lindo?

— Esse mato e as coisas abandonadas?

— Sim, eu sempre tive um certo fascínio por essas coisas, é tão melancólico e belo ao mesmo tempo – Segurei sua mão o arrastando comigo – Veja, há uma floresta ao fundo.

— Não é tão ruim – Afirmou e sorri para ele. Caminhei até um pequeno lago envolto por plantas que havia se formado devido as chuvas – Essa água não está suja?

— Eu não sei, está? – Chutei o pequeno lago jogando água nele.

— Lisa! – Ralhou nervoso e surpreso, mas a única coisa que eu podia fazer era curvar meu corpo gargalhando de sua expressão irritada.

Minhas gargalhadas não duraram muito, pois foram interrompidas por Min Jun que havia levantado sua calça jeans até os joelhos e chutava o lago jogando água em minha direção. Ele gargalhava perversamente e corri até ele molhada e dei um soco em seu braço, mas era como se ele não sentisse nada.

— Estou encharcada!

— Você começou! – Riu.

— Se é guerra que você quer, é guerra que você terá! – Chutei o lago jogando mais água nele que parou de rir imediatamente e começou a fazer o mesmo. Em questão de segundos estávamos numa estúpida guerra de água de chuva, encharcados e rindo como duas crianças que brincavam na poça de água do quintal.

— Seria vergonhoso se alguém visse nossa situação agora! – Comentou Min Jun se afastando e tirando a camisa me proporcionando a mais bela visão naquele lugar de seus singelos músculos molhados brilhando sob a luz do Sol.

— Seria... – Contive-me para não dizer nada estúpido diante daquele vislumbre diante de mim e o segui me sentando ao seu lado na grama alta e tirei minha blusa.

— Oh, o que pensa que está fazendo? – Esbugalhou os olhos e abriu a boca em formato de um “o”.

— O mesmo que você, minha blusa também está molhada, vou deixa-la no Sol, não quero voltar para casa com um resfriado.

— Mas... Ah esquece, você é teimosa de qualquer forma.

— Ah, que lindo, você me conhece tão bem – Espremi seu rosto entre minhas mãos e seus olhos tentavam não olhar para meu busto coberto apenas por um sutiã cor de rosa – Admita, isso foi divertido.

— Foi, foi divertido – Min Jun olhava para cima com seus pequenos olhos quase fechados, sua beleza era singular o bastante para que eu o observasse por alguns segundos tentando registrar os detalhes de seu rosto antes que ele notasse.

— Sente falta de sua mãe? – Indaguei mudando de assunto e ele me fitou sério.

— Não... É... Às vezes. Apenas procuro não pensar nela como agora.

— Me desculpe, eu sinto muito, não devia ter tocado no assunto.

— Está tudo bem... – Forçou um sorriso – Meu pai foi a melhor mãe que eu poderia ter.

— Fico feliz por isso – Sorri – Mesmo – Segurei sua mão e me deitei na grama. Min Jun se deitou ao meu lado e nos encaramos por alguns segundos – Obrigada por estar aqui comigo, eu não conseguiria sozinha – Sussurrei sentindo um estranho frio na barriga e sua respiração mais rápida que o normal.

— É para isso que servem os amigos – Tocou sua testa na minha um nó se formou em minha garganta.

Permanecemos ali por algumas horas, fazendo nada, conversando entre sussurros e risadas até meu estômago faminto interromper o assunto.

Saímos de Pressmen’s Home à procura de uma lanchonete ou qualquer lugar onde pudéssemos encontrar comida. Eu conhecia a cidade, mas isso não significava que eu conhecia todos os estabelecimentos nela.

— Você pelo menos sabe onde podemos ir comer?

— Acho que sim.

— Acha?

— Uhum.

Caminhei logo a sua frente tentando raciocinar e lembrar do lugar mais próximo que conhecia, andei um pouco sem rumo fingindo ter plena certeza da direção que andava até me lembrar e dar meia volta para a direção oposta.

— É pra lá! – Ri sem graça e caminhamos até a lanchonete de beira de estrada mais próxima.

Passamos o dia todo fora andando sem rumo e brincando como idiotas correndo um atrás do outro devido a provocações bobas. Eu poderia descrever aquele dia como libertador. Estava escuro quando decidimos voltar para a casa de meus pais. Min Jun decidiu pedir um táxi afirmando que seria perigoso voltarmos no escuro. Não que eu temesse nada naquele lugar, mas estava cansada de andar e apenas concordei.

Entramos no carro e imediatamente o motorista com aparência asiática abriu um grande sorriso girando seu corpo no banco do carro e nos encarando.

— Eu não posso acreditar que está em meu táxi!

— Ah, não é nada dem... – Me senti lisonjeada.

— Eu vi todos os seus filmes, sou um grande fã, desde quando fazia dramas na nossa amada Coréia! – Ele esticou a mão para cumprimentar Min Jun.

— Obrigado, é muito bom conhecer os admiradores do meu trabalho – Agradeceu desconcertado.

— Fiquei sabendo que fará um novo filme, espero que seja tão bom quanto os anteriores.

— Espero que goste!

— Eu também sou uma celebridade! – Comentei e Min Jun franziu o cenho.

— Me desculpe moça, mas não conheço você... – Seu sorriso se fechou.

— Eu sou uma cantora de sucesso!

— O que você canta?

— “My sister is a bitch”, com certeza você já deve ter ouvido.

— Não, eu nunca ouvi falar, mas é bom saber que tem um famoso em meu táxi – Voltou seu olhar para Hyun Min Jun e sorriu novamente acenando com a cabeça.

Enquanto nos conduzia de volta os dois conversavam animadamente, ora em inglês, ora em coreano o que me impedia de ter a mínima noção de sobre o que falavam, então me mantive em completo silêncio, concordando com a cabeça para me sentir parte daquilo. O táxi parou em frente à casa e nos despedimos do homem:

— Arigatou – Agradeci ao homem e Min Jun cutucou meu braço.

— Isso é japônes – Murmurou me advertindo.

— Ele entendeu! – Murmurei de volta.

— Kamsahamnida! – Curvou-se no que eu acreditava ser o agradecimento correto em sua língua.

O carro saiu e observei que Genna ainda estava nos esperando. Ela nos observava na varanda com os braços cruzados, apoiando seu peso em uma das pernas.

— Eu disse que voltaríamos.

— Perdemos um dia de gravação – Disse com a cara amarrada.

— Eu também disse que não ficaria nesta casa.

— Para onde os senhores foram?

— Por aí, mas o mais interessante é o fato de ter simplesmente nos deixado sair sem hesitar.

— Garota esperta – Deu um sorriso torto – Pense comigo, o que me dará mais audiência? A segunda fuga do nosso amado casal devido atritos familiares, ou vocês dois sentados no sofá da sala o dia todo com cara de bunda juntos à sua droga de família?

— Entendo – Assinalei.

— Lembrem-se, para mim, vocês dois são apenas números numa planilha repleta de cifrões – Piscou o olho e entrou na casa.

Pegamos o voo para casa no dia seguinte. Me despedi de meus pais com um abraço frio e um adeus sem qualquer tipo de emoção. Genna vangloriava-se o tempo todo de ter o material perfeito para liderarmos a audiência naquela semana e que já éramos seu casal preferido. Como ela mesma havia dito, não passávamos de números e cifrões para a emissora.

***

Dias depois eu estava decidida a conhecer os tais dramas que o taxista havia mencionado. Minha cabeça curiosa não parava de pensar em descobrir o que Min Jun fazia antes de vir para a América. Procurei na internet por seus dramas e escolhi o primeiro da lista, seu último drama na Coréia.

Eu juro que tentei parar e dormir durante aquela noite, mas eu estava sozinha com Min Jun gravando seu filme e não havia nada melhor para fazer, então continuei vendo um episódio após o outro, a história parecia tão interessante, tão envolvente que não notei que o Sol já batia na janela e meu marido estava prestes a chegar em casa das gravações.

Não percebi quando ele chegou e entrou no quarto. Eu estava ocupada demais chorando copiosamente pelos personagens que eu conhecera na noite anterior.

— Lisa, você está bem? Aconteceu alguma coisa? – Ele me tocou preocupado procurando por algum dano em meu corpo.

— Por que? – Solucei inconformada segurando um lenço – Por que?

— O que aconteceu, por favor me diga...

— Por que você tinha que voltar pro futuro e deixar a Kim Shye sozinha no passado? Ela te amava tanto, vocês ficavam tão lindos juntos, por que? – Agarrei o colarinho de sua camisa – Vocês nem se beijaram direito e já voltou pro futuro, por favor, me diga que esse não é o fim.

Ele olhou para a tela do laptop e enfim entendeu o motivo de minhas lágrimas.

— Espere, é sobre isso que está falando?

— Sobre o que mais seria? – Funguei cessando meu choro e sequei as lágrimas com o lenço.

— Você me pegou – Respirou aliviado e sentou-se ao meu lado na cama – Ele a amava, mas a culpa não foi dele, ele havia cumprido sua missão, não teve escolha. E não, não tem uma continuação.

— Como serei feliz novamente? Me diga, como?

— Esqueça isso e veja algo mais feliz.

— Eu não posso me esquecer, essa dor agora faz parte de quem eu sou!

— Ótimo – Se levantou e foi até o banheiro, mas não fechou a porta.

Passaram-se alguns minutos e Min Jun ainda estava lá com a porta aberta violando nossa regra de privacidade.

Terminei de enxugar minhas lágrimas e me recompus fechando a tampa do laptop. Desconfiada caminhei até o banheiro e o avistei sentado dentro da banheira branca, cabisbaixo e quieto. Me aproximei dele e mesmo que eu tentasse evitar qualquer barulho ele notou minha presença e olhou em minha direção.

— Pode entrar... Se quiser – Apesar do sono aceitei seu convite.

— O que faz aqui?

— Estou pensando, você estava ocupada chorando por meu personagem, então aqui seria um bom lugar para isso.

— No que está pensando? – Ele levantou o olhar e me fitou.

— Muitas coisas, coisas que eu deveria esquecer, coisas que eu deveria dizer, mas não tenho coragem, apenas coisas.

— Você parece triste.

— Eu não estava chorando há dez minutos atrás.

— É ficção, é diferente. Isso é real – O cutuquei com o pé.

— O que é isso?

— Estou tentando te animar, você sempre faz isso comigo – Comecei a cutuca-lo com os pés provocando cócegas e ele fez o mesmo.

— Isso é tão estúpido – Gargalhou – Eu estava apenas pensando na vida – Riu tentando se esquivar no pequeno espaço da banheira, mas fui mais rápida e me ajoelhei o atacando com as mãos.

Era divertido o ver gargalhando e sorrindo de uma forma que não fosse apenas uma provocação comigo e sim por que éramos duas pessoas que finalmente haviam descoberto que podiam se divertir juntas.

Eu estava próxima o bastante de seu rosto para sentir seu hálito a cada gargalhada e suas mãos que se defendiam de mim.

Então ele parou de rir e segurou meus braços. Sua respiração era cansada e seus olhos não se desviavam dos meus, seus lábios se entreabriram e seu rosto se tornou sério. Senti um nó em minha garganta e minha respiração falhando, como se ficasse cada vez mais difícil respirar.

— Você! – Disse ele arfante – A resposta para a pergunta que me fez em Rogersville, é você.

Minha mente simplesmente não havia absorvido suas palavras, não havia sentido, até que suas mãos soltaram as minhas e envolveram meu rosto o trazendo para si, seus olhos se fecharam e senti que meu coração explodiria a qualquer momento. Então seus lábios tocaram os meus.

Notas finais
Não vou falar nada x_x