Recém Casados
14 Capítulo 14
Estávamos casados há um mês e alguns dias. As gravações de Min Jun começariam naquele dia e eu estava o agradando desde o Hawaii, fazendo o máximo possível para amolecer seu coração e enfim ter a grande oportunidade de conhecer o amor de minha vida.
Min Jun havia acabado de sair apressado de nosso quarto quando o parei curiosa.
— Está de saída? – Indaguei preparando um café da manhã perfeito para ele – Estou preparando seu café.
— Tenho que ir para o set – Parou em frente à bancada.
— Agora?
— Daqui a pouco – Se sentou na banqueta e começou a mexer no celular.
— Não está se esquecendo de nada? – Perguntei ansiosa.
— Não que eu saiba, é o meu roteiro? Eu juro que o guardei no carro!
— De mim! – Min Jun franziu o cenho com um ar confuso – De me convidar para te acompanhar.
— E por que eu faria isso? – Desfiz meu sorriso.
— Porquê.... Porque eu tenho sido uma amiga muito dedicada ultimamente? – Me debrucei sobre a bancada.
— Eu sabia! – Disse com um sorriso maligno – Acha mesmo que acreditei na sua história de me agradar em nome de nossa “amizade” – Fez aspas no ar. Realmente acha que sou tão estúpido para acreditar nisto? É subestimar minha inteligência Lisa! – Me afastei e fitei seus olhos.
— Você sabia o tempo todo? – Ele acenou concordando – Por que me deixou fazer todas essas coisas ridículas para você?
— Não estava te obrigando a nada.
— Eu massageei a droga dos seus pés!
— Você tem talento para isso admito. Foi uma massagem e tanto.
— Então não vai me levar, não é?
— Não – Mordi meu lábio contendo minha amargura – Eu não entendo você, simplesmente não consigo entender.
— O que não entende? – Ele parecia interessado em minha resposta.
— Como pode parecer que se importa comigo em um momento e em outro ser um completo idiota que não se importa com meus sentimentos?
— Ah isso.... Porque esse sou eu o tipo de pessoa que te ajuda quando não está olhando.
— Não pode me ajudar dessa vez?
— Eu tenho que te aturar todo dia nesta casa, por que te levaria para o meu trabalho?
— Porque se importa comigo e quer que eu encontre meu grande amor?
— Por que ele Lisa? O que esse homem tem de tão especial?
— Você sabe, ele é lindo, um grande ator e eu sempre fui apaixonada por ele desde quando era adolescente. Por acaso estaria com ciúmes, por isso não quer que eu o conheça?
— Ciúmes de você, é claro que não! Saiba de uma coisa. Nada entre o céu e a Terra me fará te levar até aquele set!
— Às vezes você é apenas um grande babaca Hyun Min Jun! – Ele apenas abriu um grande sorriso e se dirigiu para fora.
Decidi comer tudo sozinha enquanto amentava todo o tempo perdido me dedicando aquele mal-agradecido que sequer se importou ou cogitou a ideia de me levar consigo.
Uma hora depois lá estava Min Jun adentrando nossa casa apressado, trajando um terno cinza listrado, sapatos reluzentes e o cabelo perfeitamente alinhado e uma expressão de derrota no rosto com uma pele que parecia mais lisa que de costume.
— Vamos! – Segurou meu braço me puxando para fora da cozinha.
— Ei, o que pensa que está fazendo? − Tentei me soltar.
— Genna me ligou. Ela quer que eu te leve ao set e estou atrasado, então por favor apenas venha antes que eu desista de tudo.
— Está usando maquiagem? – Tentei observar seu rosto mais de perto e Min Jun soltou um longo suspiro frustrado — Ainda estou de pijamas!
— E eu não dou a mínima, agora, vamos! – Fechou a porta da casa e correu para o carro já ligado.
“Não acredito que vou conhecê-lo de pijamas! ” – Era tudo o que eu podia pensar.
***
Chegamos ao set do filme, uma grande galpão e dezenas de trailers do ado de fora, centenas de pessoas correndo de um ado para o outro. Eu já havia estado em um set antes, mas não com tais dimensões e grandiosidade, talvez pelo fato de ser um filme de baixo orçamento que basicamente foi um grande fracasso.
A equipe de filmagem do reality já estava à nossa espera em frente ao trailer de Min Jun. Eu não tive um trailer em meu filme e senti uma pontada de inveja. Os cinegrafistas nos seguiam para onde quer que fossemos, não havia escapatória e eu precisava mais que tudo me livrar deles para encontrar meu amado.
Hyun Min Jun me arrastava de um lado para o outro enquanto éramos seguidos por uma equipe encarregada de captar cada passo nosso. Ele dizia que queria me apresentar à equipe, afina éramos um casal e agora mais que tudo, amigos.
— Vou te apresentar ao meu diretor! – Ele sorria um tipo de sorriso perverso enquanto me conduzia entre as câmeras e cadeiras de atores.
— Você pode me largar? – Murmurei entredentes puxando meu braço até me soltar.
— Não era o que queria, estar aqui?
— Não era bem assim que imaginei – Semicerrei os olhos irritada e um homem que aparentava estar na casa dos cinquenta anos com uma barbicha branca e boné preto se aproximou de nós.
— Lisa! Este é Ryan Preston, o diretor do filme! – Anunciou subitamente e imediatamente abri um grande sorriso contendo meu ódio.
— Ah, é... oi seu diretor, digo senhor Preston! – Estendi minha mão, mas o homem me puxou para um súbito abraço e senti seu forte cheiro de cigarros me provocando náuseas.
— Lisa Scott, ouvi muito sobre você! – Ele dizia com um grande sorriso exibindo seus dentes amarelos – Hyun Min Jun sempre me fala sobre o quanto você é... – Min Jun tentava disfarçar colocando o dedo indicador nos lábios para que o diretor parasse de falar, porém o homem prosseguia tagarelando.
— Senhor Preston, por que não falamos de outra coisa não? – Interrompeu antes que Ryan concluísse seu pensamento.
Aproveitando a distração de meu marido decidi que iria atrás de meu objetivo. Silenciosamente me afastei e caminhei de fininho para que ele não notasse que estava me afastando.
— Aonde pensa que vai senhorita? – Indagou Min Jun e parei praguejando em pensamento.
— Hum... eu.... – Girei sobre os calcanhares e o encarei me observando com os braços cruzados e feições fechadas − Vou dar uma volta por aí, conhecer o lugar.... Você tem que trabalhar mesmo né! – Soltei uma risada sem graça, mas ele apenas caminhou até mim e envolveu seus braços nos meus me trazendo para perto enquanto Ryan assistia a toda aquela cena digna de Óscar.
— Ainda temos um tempinho antes de começar e enquanto eu estiver gravando vai me esperar dentro de meu trailer – Sorriu irônico – lembre-se que não veio aqui para passear e sim para trabalhar! – Disse compassadamente como quem instrui uma criança.
— Como você controlava sua vontade de me esganar? Eu preciso saber disso para não tentar nada contra sua vida! – Bufei cerrando as mãos em punho.
— Eu pensava em coisas felizes como o dia que essa droga de programa vai acabar e eu não terei que dividir o mesmo teto que você.
— Pensei que fossemos amigos!
— Foi antes. Mas às vezes ainda funciona.
Quando uma das assistentes finamente chamou Min Jun para gravar ele fez questão de me conduzir ao seu camarim e me implorar para que eu prometesse não sair de lá, como se isso realmente fosse me segurar. Ninguém poderia me conter. Não quando se tratava de Brad Pitt.
— Eu prometo que ficarei mofando aqui! – Revirei os olhos.
Seu trailer era confortável, com um belo sofá aconchegante, um frigobar cheio de sucos naturais, uma grande penteadeira forrada de maquiagens, produtos para cabelo e uma mesa repleta de variadas comidas saudáveis e certamente nada saborosas.
— É bem a cara dele, poder ter o que quiser para comer e pedir salada, se isso fosse meu não seria assim – Dizia a mim mesma enquanto vasculhava cada centímetro daquele lugar – O que estou fazendo? Tenho que encontrar o amor da minha vida. Mas antes preciso sair daqui.
Abri a porta do trailer dando de cara com dois câmeras que me aguardavam na saída.
— Eu preciso ir ao banheiro – Anunciei aos homens que estavam quase dormindo e se assustaram com minha voz.
Eles ajeitaram suas câmeras e começaram a seguir cada passo meu. Virei para trás e tentei os repreender com um olhar que simplesmente ignoraram.
— Eu disse que vou ao banheiro por que estão me seguindo?
— É o nosso trabalho! – Respondeu o mais baixo e gordo que usava uma camiseta menor que seu tamanho deixando metade de sua barriga para fora.
— Será que eu não terei privacidade nem para ir ao banheiro?
— Temos que filmar tudo ou não recebemos nosso salário – Assinalou o mais alto e magro.
— Vamos fazer assim, eu vou SOZINHA ao banheiro e quando voltar vocês podem filmar cada passo que eu der, o que acham? – Eles se entreolharam e concordaram com um maneio de cabeça.
Caminhei sorrateiramente, me esgueirando entre trailers e barracas, eu me sentia como uma espiã em um filme de espionagem. Aquilo tudo mais se parecia com um labirinto do que um set, eu sabia que as chances de conseguir voltar eram difíceis, mas afinal, por que eu voltaria?
Uma jovem carregando algumas roupas penduradas em cabides caminhou até mim, ela parecia desconfiada com a minha presença, talvez não fosse muito comum encontrar uma mulher de pijamas perdida por lá.
— Precisa de alguma ajuda? Você parece perdida – Sorriu de modo gentil.
— Para falar a verdade eu preciso, você poderia me dizer onde fica o trailer do Brad Pitt?
— Brad Pitt? E você seria quem para falar com ele?
— Sou a nova assistente dele – Notei que todos usavam crachás com identificações – Eu fui contratada há muito pouco tempo e ainda não fizeram minha identificação – Ri sem graça.
— Hum.... Isso é bem comum, eles são tão lerdos, não espere muita agilidade dessa equipe, se quiser algo, faça você mesma! – Comentou revirando os olhos, como se fossemos amigas há tempos – Mas por que está de pijamas? – Apertou os olhos desconfiada, mas antes que eu pudesse responder algo ela prosseguiu com suas constatações – Já sei, é um daqueles visuais que as celebridades costumam usar, não é? Pijamas que na verdade são roupas de sair!
— Sim! – Respondi sem pensar duas vezes – Exatamente, isso bem caro, por isso preciso desse trabalho se é que me entende? – Suspirei aliviada.
— Entendo perfeitamente... qual é mesmo o seu nome?
— Li... Lindsay, é Lindsay meu nome!
— Adorei seu estio Lindsay! Arrasou. O que você queria saber mesmo?
— Onde fica o trailer do senhor Pitt...
— Ah, claro, você deve virar à direita, é o segundo, com o nome dele na porta.
— Muito obrigada... – Olhei para o nome no crachá – Jane, você não sabe o quanto me ajudou, serei eternamente grata!
— Ah, por nada! Nos vemos por aí Lindsay!
— Nos vemos por aí! – Acenei e caminhei confiante até a esquina que deveria virar.
Continuei caminhando em minha busca por ele, então finamente o avistei. Senti meu coração palpitar e acelerar, minha grande paixão estava ali, diante de meus olhos e eu mal podia acreditar. Minhas mãos tremiam e suavam, em meu rosto um sorriso se formou sem nem mesmo eu perceber. Então ele sorriu, parado em frente a seu trailer, ele olhava para dentro sorrindo um sorriso radiante. Notei um pé saindo para fora, em seguida outro, uma bela mulher de cabelos vermelhos saía de dentro daquele ugar e corria para os braços dele.
Ele a envolveu em um abraço e a rodou no ar, em seguida selando seus lábios com um beijo.
Foi ali que percebi o quanto eu era estúpida.
O chão sob meus pés desabou e fui sugada para dentro dele, eu sabia que meu coração pararia a qualquer segundo e tudo o que eu poderia fazer era me deixar ser engolida.
Senti meus olhos lacrimejarem e um bolo se formando em minha garganta. Eu estava despedaçada e me sentindo a pessoa mais idiota em todo o universo. Como alguém como eu teria alguma chance com ele.
Voltei soluçando para o camarim de Min Jun, desviando de todos que cruzavam meu caminho e assistiam meu evidente desespero.
Quando notaram minha chegada os cinegrafistas ligaram suas câmeras as quais empurrei para que não me filmassem e bati a porta com toda a raiva que havia em mim.
Deitei-me encolhida no sofá e apenas chorei como uma criança desesperada, soluçando e murmurando a mim mesma sobre minha estupidez infinita. Não notei quando Min Jun entrou no trailer, apenas quando ouvi sua voz preocupada.
— Está chorando? – Veio até mim e se ajoelhou franzindo o cenho, não o respondi – Por que está chorando?
— Eu o encontrei – Solucei – Eu finamente o vi.
Min Jun apertou os lábios e abaixou a cabeça a balançando de um ado para o outro, notei seus olhos avermelhados quando me encarou e suspirou profundamente.
— Eu disse para não sair, você me prometeu.
— Você sabia? – Ele coçou a cabeça e encarou o chão.
— Depende do que está falando...
— Dele com aquela mulher, você sabia? – Funguei frustrada.
— Eu os vi mais cedo, antes de te buscar – Mordeu os lábios e cerrou os punhos – Eu não queria que visse, por isso queria que ficasse aqui.
— É o momento perfeito para ficar jogando as coisas na minha cara...
— Não, ainda acha que não me importo com você ou sobre como se sente? Porque me importo – Segurou minha mão e fitou meus olhos – Eu realmente me importo com você Lisa! E te ver nessa situação não me deixa feliz, isso me machuca também. Amigos lembra?
— Realmente leva isso a sério?
— Amizades são coisas sérias pra mim – Afastou os cabelos molhados de meu rosto e sorriu – Não chore por ele, existem milhares de caras legais no mundo, tão legais quanto eu!
— Cale a boca! – Murmurei – Por acaso já se apaixonou Min Jun? Porque é uma grande droga!
— Não, eu nunca me apaixonei.
— Então não sabe como me sinto.
— Não, eu não sei, mas sei que posso fazer algo por você e te ajudar! – Levantei as sobrancelhas – Vamos beber Soju! – Anunciou animado.
— So, o que?
— Soju, é uma bebida do meu país, as pessoas bebem muito disso quando querem afogar as mágoas!
— Você disse que nunca se apaixonou como sabe se funciona.
— As pessoas sempre faziam isso nos dramas que atuei, deve ter uma razão – Passou a mão suavemente em minha cabeça e me ajudou a levantar.
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