O ano é 2019, para ser mais específico é fim de ano. Pessoas comemoram a virada de várias formas diferentes ao redor do globo. Saem com os amigos, com a família, alguns ficam sozinhos em casa. Os seres humanos sempre mascaram, nessa época do ano, a real angústia presa dentro deles, uma rotina chata, entediante, que a cada fim de dia essas pessoas pedem por uma mudança. E tem algo pior do que isso? Viver entediado? Os pedidos de ano novo… o pedido de mudança… a vontade de mudar esse mundo baseado em trabalhar fazendo a mesma coisa todos os dias, esse mundo preso a correntes…

E assim a virada do ano continuava com suas festividades normais, porém assim que acabou a contagem regressiva algo aconteceu diferente, diferente ao ponto de mudar a vida dessa raça para sempre. Ao ponteiro atingir a 00:00, no famoso relógio Big Bang, houve um apagão, não só no bairro, muito menos só em Londres, um blackout atingiu todo o planeta Terra. Em meio a essa escuridão foram sentidos fortes tremores, terremotos potentes assombravam todo o mundo, desde as Américas, até a África, Ásia, Europa e Oceania.

O apagão acabou seis dias depois da virada do ano, assim que a energia retornou à toda a população mundial, cientistas já começaram a observar o que havia acontecido, o resultado, uma grande mudança. Os continentes, países e até estados foram realocados de lugar, a estrutura geográfica da terra já não era mais a mesma, e o resultado final: 1 bilhão de pessoas morreram durante o apagão. Em seis dias o mundo e as vidas dos seres humanos mudaram, agora a Terra e a humanidade renasceram.

Se passaram 5 anos desde o Blackout, o foco da nossa história é o Novo Japão, cidade capital Tóquio. No dia 04 de abril de 2025, já se passaram alguns dias desde que começaram as aulas, os alunos seguem suas rotinas escolares comuns, e neste momento é o intervalo onde eles se reúnem, lancham e socializam. A rotina escolar não parece ter mudado nesses cinco anos, tudo parece “normal” tirando o fato que existe muito mais variação nas etnias presentes, pessoas de todos os lugares do mundo em uma escola japonesa. Estranho não?

Um aluno em questão está tendo um lunchtime diferente, Ryoku Hiroto um jovem de 15 anos do primeiro ano, com cabelos avermelhados e olhos azuis, estava sendo pressionado contra a grade do terraço sendo segurado pela gola da camisa. O nariz do jovem estava sangrando enquanto ele olhava para o rosto de um grandalhão a sua frente, Ivar Kaminski.

— Hiroto… tá achando que tenho cara de palhaço seu merdinha? Primeiro você se acha no direito de andar com a Taiyou-san… um bostinha sem popularidade como você… e depois VEM FALANDO QUE EU SOU UM PORCO SEM CÉREBRO!! — grita o grandão pressionando o menor na grade.

Hiroto fica em silêncio durante um tempo desviando o olhar para o lado, em seguida suspira e olha novamente para Ivar. Como sempre, Hiroto encara o maior da mesma forma que aparenta na maior parte do tempo, com um olhar sério, fixo, transparecendo frieza. Hiroto segura o braço de Ivar continuando com o mesmo olhar de antes.

— Eu não devo nada pra você Kaminski… eu só fiz o que um amigo devia fazer… falei pra ela que você é um merdinha. Ainda bem que eu sou um bom amigo que evita que os seus dediquem seu tempo com um gorila acéfalo. — diz o ruivo ainda com a mesma expressão dando um sorriso ao fim da fala.

Ivar desfere um soco na cara do menor que joga ele no chão. Hiroto sente o sangue pingar de seu nariz direto no chão, o mesmo passa a mão na boca limpando o sangue que escorria pelo seu rosto. O garoto ruivo se levanta devagar de costas para o brutamontes, o maior encara Hiroto estalando os dedos. Ivar vai correndo para dar um socão no seu adversário, o brutamontes acerta um soco potente na barriga do mais novo, fazendo-o cair ajoelhado.

— Não fique se achando com essa cara de bunda seu merda… eu só não mato você porque eu não quero ser expulso nem preso! — Ivar levanta ele novamente e depois joga Hiroto contra a grade.

— Encontra o seu lugar bostinha, um morto como você não deveria ficar andando com a galera legal. Otário! — O grandão limpa as mão batendo uma contra a outra e sai do terraço.

Depois de um tempo sentado com as costas junto a grade, Hiroto escuta o sinal de fim de intervalo. Ivar Kaminski, capitão do time de futebol americano da escola, nestes anos que se passaram a cultura das escolas japonesas se juntou em parte com algumas outras, esportistas tem grande reconhecimento dentro da escola além de estrangeiros não respeitarem bem as antigas regras e costumes. Ivar é um clássico caso de valentão que tenta ganhar atenção e se acha dono da escola, além de não gostar de Ryoku Hiroto por causa do ruivo ser amigo de uma garota específica: Himawari Taiyou, capitã do time de Voleibol da escola.

Hiroto se dirige à sala de aula como se nada tivesse acontecido, seu nariz estava meio avermelhado mas nada que se preocupar. Entrou na sala sentando em sua cadeira padrão a primeira da frente no canto da parede sem janela, atrás dele Himawari. A garota observa o ruivo e depois volta a prestar atenção na aula normalmente.

A aula terminou e os alunos começaram a se retirar da sala, Himawari saiu antes de Hiroto e depois o ruivo se levantou para sair. Hiroto sempre sai pela porta do fundo, e ao fazer esse caminho padrão notou algo diferente, rabiscos em uma mesa que parecem ter sido feitos com alguma lâmina já que eram cortes na madeira. “REBIRTH, REBIRTH, REBIRTH” estava escrito por toda parte, e o dono dessa mesa é desconhecido já que o aluno dono dela não aparece a muito tempo.

Hiroto saiu da sala e, encostada na parede, estava Himawari, esperando por ele. A garota virou para o ruivo olhando bem para o rosto dele e sem falar nada, os dois começam a sair andando da escola. Himawari parecia querer dizer alguma coisa, olhava para o rosto de Ryo que continuava com sua expressão olhando em frente.

— Ryo, eu tô vendo esse nariz vermelho e sua bochecha também tá machucada… e eu vi o Ivar contando vantagem no corredor. Vocês dois estavam brigando de novo? Eu já te disse que se quiser eu quebro ele na porrada pra você.- Disse a garota puxando as mangas da blusa e dando um sorriso cheia de si.

Himawari Taiyou, Hiroto a conheceu no início do ano retrasado durante a competição anual, onde Ryo se recusou a participar e os atletas se revoltaram com ele. Não foi apenas uma briga unilateral como a que aconteceu com Ivar… não… essa briga mexeu com Hiroto, ele estava aguentando apanhar numa boa, mas então começaram a falar do incidente do Blackout, falando que os únicos que morreram naquele dia eram inúteis. Hiroto perdeu o controle partindo para cima dos cinco mas não teve chance, o garoto perdeu os dois pais no Blackout e Taiyou sabia disso. A garota viu a surra que Ryo estava tomando e foi ajudar o garoto, derrotando os cinco idiotas, Himawari o ajudou a se levantar e disse que entendia como ele se sentia, a doce garota de cabelos castanhos e olhos brilhantes também havia perdido alguém importante naquele dia.

Depois desse acontecimento, os dois se tornaram grandes amigos que normalmente estão juntos. Hiroto olha para a cara dela depois que ela nota seus ferimentos da briga com Ivar.

— Aquele idiota acha que é dono de todos e de todo mundo… ele não é dono de ninguém… a sorte dele é que hoje eu não tava afim de brigar, se não eu tinha acabado com ele. — Diz Ryoku colocando as mãos no bolso.

— Se ele te encher de novo eu acabo com ele! Tá bom Ryo?! — diz a garota rindo e dando tapinhas nas costas dele.

Os dois começam a caminhar de volta para casa andando pela calçada conversando do dia a dia deles. Era fim de tarde, o sol já estava em sua cor mais alaranjada, e os amigos caminhavam do lado de um pequeno morro com um riacho. Era só mais um dia entediante, mais um dia que o mundo estava chato com sua rotina normal, mas a mudança iria chegar. Os dois continuavam caminhando, Taiyou falava mais que Ryo como sempre, enquanto o garoto prestava muito mais atenção ao seu redor olhando em volta. Ryo sente um arrepio na espinha, e vê um farol alto passando pelo braço dele.

— Ryo! Você tá prestando atenção no que eu tô falando com você? Não me igno — Himawari olha para ele brava enquanto puxa a manga da camisa, mas é interrompida pelo ruivo.

— Himawari! — Hiroto interrompe a garota ao ir checar o pressentimento.

Rapidamente Hiroto olha para trás vendo um carro derrapando na direção deles. O barulho de pneu é estralante, alto e o farol é como uma luz de um trem que vai passar por cima de tudo que vê. Hiroto na mesma hora, no auge do reflexo, se vira para Himawari a empurrando para a grama que tinha depois da calçada, a mesma cai rolando o morro de grama que acaba ao lado de um pequeno córrego. Um barulho extremamente alto de batida é ouvido e quando Taiyou sobe o morro correndo ela encontra uma cena que a deixa tão chocada que a mesma já se ajoelha no chão chorando.

Ryoku Hiroto, o garoto de 15 anos de idade, estava entre a lateral de um carro preto e um poste de energia que chegou a cair atravessando a rua. O garoto ruivo se encontrava caído sangrando com as costas no poste caído, com graves queimaduras e uma poça de sangue que se alastrava. A porta do carro estava aberta e ninguém se encontrava dentro do veículo!

— RYO!!!! — O grito estridente de Himawari é a última coisa que o jovem garoto escuta antes que seus olhos se fechem.

E neste dia, a vida de Ryoku Hiroto chegou ao fim. Foi descoberto que o motorista era Ivar Kaminski que voltava para casa embriagado. Hiroto não morreu naquele dia por algum milagre, ele foi socorrido rapidamente porém ficou em estado grave e em coma. Ryoku passou três meses em coma, todos os laudos médicos apontavam que ele jamais acordaria que ele estar vivo já era um milagre. Himawari já estava desolada, visitava o amigo todos os dias, até que no dia 7 de julho de 2025, Ryoku Hiroto abriu seus olhos e assim ele renasceu.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.