Rebels : Anarchy masters

2 O galpão 33 - Cápitulo 2


Ela passava por mim como se nada houvesse acontecido e isso sem duvidas estava me irritando, com a passagens dos fios curtos e vermelhos vivos daquele cabelo, me perdi em pensamentos sobre alguns dias atrás, o dia em que conheci a dona daquele cabelo.

A manhã havia sido como todas as outras e eu já estava no quartel, passavam das vinte e uma horas e eu havia passado o dia arrumando o trigésimo segundo galpão, e isso não me incomodava, claro que era chato ter que arrumar tudo aquilo mas assim que os recrutas terminavam seus treinamentos levamos seis meses até uma nova remessa e nesse tempo limpamos os dormitórios e colocamos suprimentos de guerra lá, o lugar se torna um galpão de verdade cheio de coisas desde misseis até comidas lacradas, o ponto é que como recompensa por ter desobedecido o General Theodore na frente do recrutas no dia da pré-formatura acabei por ser designado por ele mesmo para limpar os galpões 30-35.

Uma sensação tomou conta do meu corpo ao chegar no Galpão-33, algumas vozes falavam alto, homens bêbados gritavam, porém não era de se estranhar que não houvéssemos notado que eles estavam ali, havia ficado a luz de uma fogueira, o que achei desnecessário a primeira vista, mas logo notei que a intenção deles era realmente não chamar atenção, quando cheguei lá me escondi entre as caixas de balas e olhei para o centro do galpão.

Logo notei que os homens ali eram os recrutas recém reprovados nos testes de recrutamento do exército que estavam rodeando uma mulher, de primeira vista me impressionei de ver ela entre eles por duas razões, a primeira porque a conheci mais cedo, pois eu mesmo fui obrigado a entregar a medalha de "melhor recruta" a ela, e a segunda razão foi... bem, porque mesmo estando rodeado por homens que a xingavam ela olhava diretamente nos meus olhos, por que isso é estranho? Porque eu jamais fui notado quando não queria, ela saber que eu estava lá mesmo eu tendo entrado no galpão na surdina era impressionante.

Depois de algum tempo me perdendo em pensamentos quanto aos olhos azuis calmos que contrastavam de forma graciosa com o cabelo vermelho dela, acordei do transe de surpresa e reparei que não era hora de ficar comovido com a habilidade ou a beleza dela, o ponto é que tinha vários homens ao redor dela a xingando e só de se ouvir um pouco do dialogo qualquer ser humano teria se irritado ou ficado amedrontado, porém a mulher sequer mudou sua expressão, a cada momento que se passava e a cada coisa nova que eu notava ela parecia cada vez mais interessante.

— Sabe o que vai acontecer com você sua vadiazinha de merda? — Um dos homem falou, ele parecia bêbado e caminhava meio desordenado, parecia ter sido o homem que teve a ideia de trazê-la até lá pois além dele quase mais ninguém falava, só esboçavam aqueles sorrisos amarelos que ficavam ainda mais tenebrosos a cada estalar da madeira pelo fogo.

— Não faço a mínima ideia do que você está falando – A boca dela se moveu com o mínimo esforço, como se ela esperasse mais da situação, ela estava sem duvidas entediada, era estranho ver alguém agir como eu e esbocei um sorriso em ver como era estar do outro lado da face do tédio.

Ela não tirou os olhos de mim em nenhum momento enquanto falava.

Um soco a acertou e a fez dar alguns passos para trás, de alguma forma nem sequer me movi, normalmente uma pessoa ao ver aquela situação, uma mulher indefesa sem arma com vários homens ao redor acabara de levar um soco e eu nem sequer me movi, por um instante me perguntei se havia me tornado uma pessoa ruim de vez, mas então a resposta para o porque de eu não agir veio até mim na forma de um chute.

Assim que ela foi acertada pelo soco do homem que antes a xingava ela retribuiu com um chute e um estralo nojento de ossos se partindo no pescoço do homem denunciou que quando o corpo dele caiu no chão já não havia mais vida nele.

Por alguns segundos o silêncio tomou conta do galpão, os recrutas reprovados olhavam um para o outro se perguntando o que fazer agora que o homem que os reuniu havia partido dessa pra melhor, e então o silêncio foi quebrado pela voz dela saindo de uma forma tão calma que a humanidade dela seria posta a prova.

— Alguém me ajuda a levar o saco de carne pra fora? — Ela disse de forma calma se aproximando do corpo e o chutando.

— Quem ajudaria uma desgraçada como você? — Gritou um dos homens que tomou uma meia coragem e deu um passo a frente se destacando dos outros, mesmo que ainda fosse perceptível o desabamento emocional dele, talvez fosse a primeira vez que viu alguém morrer.

— Bem… — Recomeçou ela olhando com o mesmo rosto de tédio — … Sabemos que me trouxeram aqui para uma falha tentativa de abuso. — Ela falou de uma forma tão calma que parecia até piada. — Eu apenas esperei ele encostar em mim e ai o matei, não serei presa porque foi autodefesa, porém todos vocês vão a cadeia por uma tentativa de estupro.

Os homens reagiram como qualquer animal selvagem agiria ao ser ameaçado, eles notaram em que situação estavam e todos os quatorze reprovados ainda vivos voaram em fúria para cima da mulher, no meio do caos antes de qualquer um dos homens chegar a ela, ela me olhou nos olhos de novo e senti que a mensagem era “Te permito ajudar”.

Então peguei minha pistola no coldre a apontei para cima de dei o famoso tiro de aviso, todos no galpão pararam e olharam ao redor confusos, sai de trás dos caixotes de munição e sorri, o mesmo sorriso falso que sempre faço quando quero resolver as coisas sem espancar alguém.

— Bem senhores – Girei a arma no meu dedo e apontei diretamente para a desconhecida de cabelos vermelhos – Acho que a brincadeira acabou.

— Acha que vamos obedecer um dos cães do General como você Hund? — Me irritei por um milésimo de segundo, sempre odiei a droga desse apelido que o Theodore me arrumou – Não brinque com a gente, estamos resolvendo nossos problemas aqui.

E um tiro estalou o ar e acertou milimetricamente a testa do homem que falava. — Tá explicado porque foram reprovados, o primeiro passo para se entrar na porra desse exercito é sempre obedecer a droga dos superiores. — Disse enquanto outro corpo desfalecido caia no chão do galpão.

As coisas se complicaram após isso os homens atacaram a mulher e outro grupo correu até mim para tirar minha arma e fiz esse favor a eles, fazia anos que não lutava de verdade com as mãos vazias, então soltei a pistola e corri até eles.

Enquanto eu acertava de forma pesada socos no rosto dos homens que me atacaram notei que um vulto vermelho saltitava de homem em homem deixando um traço de sangue para trás.

Depois de eu desmaiar o ultimo dos homens que veio a mim aquele vulto pulou para mim e eu simplesmente me defendi, acertei no rosto dela com um jab no ar e ela caiu me olhando, ficamos nos encarando por alguns momentos o olhar dela foi ficando mais calmo a cada respiração.

— Recruta, Alto! – disse em tom de brincadeira mas ela levou a sério e se levantou e reverenciou batendo o punho fechado conta o lado direito do peito.

— Jackie Callaghan se apresentando ao serviço senhor – Agora eu sabia como o Thedore me via com a minha cara de tédio quando fazia a mesma reverencia.