Cameron Albuquerque

— Você fica tão lindinho dormindo – ouço uma voz feminina sussurrar no meu ouvido, até acharia sexy se não fosse pela dona.

— Não estou com saco para você – resmungo – o que você quer? – pergunto apenas por perguntar, enquanto me espreguiçava, na verdade eu nem estou interessado em saber o que a rainha das cobras quer.

— Onde está a Danna? – ela pergunta e eu a encaro como se estivesse vendo um alienígena na minha frente.

— E eu deveria saber, porque... – faço a minha pausa dramática e me levanto, logo vestindo uma blusa e dando um jeito no ninho de passarinho na minha cabeça.

Para falar a verdade eu estava apenas tirando um cochilo, mas pelo visto alguém aqui não se importa com isso, ou com o fato de que minha porta estava trancada, se eu chamar a polícia do campus e acusar ela de arrombamento, ela vai presa? Talvez eu devesse testar.

— Você é o namorado dela.

Suspiro e reviro os olhos, impaciente.

— Ex-namorado – corrijo, e sim, antes que perguntem, a Danna terminou comigo, mas foi em uma boa, ela disse que não achava que gostava tanto assim de mim e que queria aproveitar o resto da faculdade e eu apenas concordei, não que eu não tivesse sentimentos por ela, até gostava dela, mas isso também não era o suficiente para eu manter um relacionamento – Danna saiu da faculdade Bella, ela quer distância do drama “vadias de Elite”, que você e a Angel estão começando a construir.

— Estamos lutando por um proposito maior, eu quero a Skyler fora para recuperar o que é meu, ela me tirou a ZSB – a outra fala raivosa e eu apenas nego com a cabeça.

— Me poupe das suas desculpas, planos e desejos Isabella, eu não ligo, aliás, ninguém liga e por isso você está saindo da ZSB – dou de ombros e trato de sair do quarto, rezando para que ela não quebre nada, ou taque fogo.

Sinceramente? Esse drama está começando a realmente me deixar puto, afinal, a Skyler e a Angel são irmãs, porque elas não se resolvem de uma vez e deixam a porcaria do passado para lá? Eu ainda não entendo, e sinceramente, isso está começando a me parecer como um filme da Disney, lembra das irmãs da Ariel? Ou era da Cinderela? Enfim, vamos ver até onde a Bella e a Angel vão para prejudicar apenas uma pessoa.

Christian Colucci

— Podemos conversar? – Lisa segura meu braço, enquanto eu passava pelo campus, ela parecia triste e eu estava cansado demais, depois do treino, sim, nós já começamos o treino da temporada.

— O que quer Lisa? Estou cansado, quero ir para casa, não temos mais nada e sinceramente, eu não quero ter, depois do que te ouvi falando – falo impaciente, mas permanecendo de braços cruzados, até que ela finalmente dissesse o que queria daquela conversa sem sentido.

— Eu vi vocês dois juntos e sei o que houve na SDI na mansão da KKT – a ouço falar e franzo o cenho, pera aí, é sério que ela veio falar disso? – Chris, eu sei que você me ama, por favor, volta para mim, eu não consigo ficar longe de você.

Nego desacreditado e suspiro.

— Terminamos justamente por causa da sua mania de querer me controlar e se vitimizar, eu não vou voltar com você e o que eu faço da minha vida ou não, não lhe diz respeito, então com licença – passo por ela, mas sei que ela está me seguindo, por isso paro bruscamente e me viro para ela, esperando que ela diga de uma vez o que quer.

— Você vai se arrepender disso – sussurra e sai andando para longe, furiosa.

Suspiro e passo as mãos no cabelo, quando foi que isso tudo virou um show de drama? Será que ninguém tem um minuto de sossego?

Lydia West

Conta, não conta, conta, não conta, okay, eu acho que preciso contar de uma vez, arrancar o bandeide de uma vez e fingir que isso não vai mais acontecer, ou talvez não fingir nada e só, me fazer de demente? De qualquer forma, eu deveria contar, okay porra, cala a boca consciência, eu vou contar.

— Eu beijei meu professor de direito constitucional – falo de uma vez e vejo a morena olhar para mim assustada, ótimo Lydia agora você foi direta demais, tal vez deveria ter amaciado a carne, mas que porra, eu quebrei a Skyler? – Sky? – chamo a mesma que estava com um olhar estranho, meio paralisada.

— O semestre nem começou e você já fez merda? – ela arqueia as sobrancelhas e eu grunho frustrada – Ly, deveria aprender com seus erros, e não os cometer novamente.

— Eu sei, mas é que eu tinha que fazer a escolha das matérias e rolou um clima e aí eu beijei ele.

— Sempre rola um clima – Sky revira os olhos rindo e negando, que ótima amiga eu tenho hein, pelo amor do pai. Mas quem manda ele ser tão gato? Eu tenho uma quedinha por professores sexy, me julguem. Sky coça a lateral do rosto com o indicador em movimentos pequenos e suspira – sabe que você se ferra se alguém falar, né? O que as ZSB vão aprender?

— Ninguém vai falar nada, porque só você sabe.

— Ou alguém mais sabe e você ainda não sabe porque estava ocupada demais bebendo a fonte das leis do direito constitucional direto da língua do seu professor – ela dá de ombros e me entrega uma planilha – estude isso, são as novas propostas para as mudanças da ZSB, precisamos mudar a imagem de vadias gloriosas para mocinhas de fraternidade.

— Às vezes você é má, sabia disso? – pergunto indignada, pegando a maldita pasta e colocando sobre meus cadernos.

— Só falei a verdade e você adorou.

Sim, eu adorei, mas jamais diria isso a você, sua maldita. Semicerro os olhos e viro o rosto para o outro lado, tratando de ignora-la, ouvindo seu riso nasal, ela sabe que eu adorei, mas adora me provocar, megera.

— Lydia – ouço a Sky chamar e eu ignoro, sei que ela vai falar algo sobre isso, mas meu nome soa novamente e um pouco desesperante, olho para ela, no mesmo momento em que ela estende o celular sobre meu rosto – eu avisei.

— Você deveria manter sua boca fechadinha e apenas prever eu ganhando na loteria – bufo e analiso a foto, sou eu e o professor gostosão, e agora? O que eu faço?

— Se eu fosse você, corria até a única pessoa que pode ter ajudar agora, aproveita que tem poucas visualizações – dá de ombros e eu suspiro.

Saio correndo da KKT e vou direto para o único lugar que pode me salvar, a sala de informática. Bem, pelo menos eu sei que ele deve estar ali, fazendo seus lances nada lícitos.

— Socorro – falo ofegante, assim que paro próxima da última cadeira do corredor, sabia que ele estaria ali.

— Eu já apaguei Lydia – ele resmunga e mantem seus olhos no computador, mal ligando para o meu momento de pânico – pense pelo lado positivo, apenas quinze pessoas viram e nem dá para saber que é você de verdade.

Semicerro os olhos recuperando minha compostura.

— O que você quer em troca? – eu sei como funciona essas coisas, ele nos faz um favor e depois cobra um favor, típico.

— Como sabe que eu quero algo? Nunca me pediu algo assim – seus olhos tinham um quê de maldade, cínico.

— Desembucha logo.

— Eu quero um encontro.

Rio nasal, isso, eu posso arranjar fácil.

— É só dizer com quem que eu arranjo fácil – sorrio com as sobrancelhas erguidas e um olhar convencido.

— Bom saber – ele sorri maléfico, okay, talvez não seja tão fácil assim, fecho o sorriso desconfiada – com você.

— Ficou maluco?

— Não, essa era você segundos antes de chegar aqui, eu quero um encontro com você e não aceito não, como resposta.

Eu não diria não, apenas planejaria te matar e enterrar seu corpo na mata, talvez eu ainda possa fazer isso, é, eu posso.

— Lydia, nem pense em um assassinato, eu te conheço – ele se levanta e segura meu queixo – te pego as sete – me dá um selinho e sai andando.

Esse ser odioso ainda me paga com todas as economias que ele tem.