Rebel Blood
5 Descendentes
Notas iniciais
“Pra quê pressa se o futuro é a morte?” – Kassio Felippe
Theo saiu da enfermaria e veio em direção a mim e Marine, que estávamos o esperando no banco ao lado de fora.
– Então... Vocês podem me dizer o que está acontecendo ou eu vou ter que prendê-los em calabouços até que me contem? – Foi Marine quem perguntou. – Que história é essa de que os novos professores são fadas? Theo, você tá metido com droga?!
– Pergunta para o Noah. – Taylor ainda me encarava de um jeito estranho, como se estivesse algo errado em mim.
– Mar, eu juro que irei lhe contar, mas só irei poder te contar na hora da saída, o.k? – Eu sinceramente preferia que eles não soubessem sobre a maldição, mas eu não queria mentir para eles.
– Tudo bem então. – Ela se levantou, caminhando para o refeitório e a seguimos.
Enquanto pegávamos nosso almoço notei que as panelinhas no refeitório já estavam formadas, parecia que os novos alunos haviam encontrado o grupo que mais se identificavam. Enquanto as mesas eram ocupadas por grupos de góticos, hipsters, geeks, emos, populares, entre outros, Raven jazia em pé no centro do refeitório com sua bandeja na mão, parecendo perdida. Todas as conversas eram abafadas pela “Smells Like Teen Spirit” do Nirvana que tocava em volume baixo pelos alto falantes do local.
– Ei, aqui! – Acenei para ela, que sorriu ao me achar com seus olhos cinzentos e caminhou em direção a minha mesa.
Nós três não formamos nenhuma panelinha, nenhum grupo específico por que não somos todos iguais, e é assim que deve ser. Se alguém que não nos conhecêssemos fosse nos chamar de algo seria: o geek, a popular e o emo. Acho isso meio estranho, por que isso não é tudo sobre nós.
– Você parecia perdida... – Falei quando Raven se sentou.
– Só parecia? Eu estava totalmente perdida. – Raven riu e cumprimentou Theo e Marine. – Oi, sou a Raven.
– Gostei do cabelo. – Theo sorriu e pegou uma batata frita de sua bandeja.
– Sou Marine, e esse é o Taylor. – Marine cumprimentou de volta. – Que engraçado, as veias de vocês tem a mesma cor azulada.
Então percebi que o meu braço e o de Raven estavam sobre a mesa, e no seu pulso haviam finas veias azuis. Ela me encarou com os olhos arregalados e me arrastou até o banheiro masculino mais próximo.
– Você também é um Lumminus, não é? – Ela perguntou, segurando meus pulsos e me olhando nos olhos. – Achei que todos os que foram amaldiçoados haviam sido capturados pelos vampiros.
– Eu também achava isso. – Ainda estava surpreso por ela ter sido amaldiçoada também. – Mas eu vi um deles esta semana. Eles estão cada vez mais próximos.
– Eu estou planejando fugir, pelo bem de quem amamos. Não quero que ninguém se machuque por minha causa. – Ela tirou um pedaço de papel e escreveu o seu nome de usuário de alguma rede social. — Você pode vir comigo, se não preferir ficar e morrer, é claro. Não precisa responder agora, você pode se decidir até o final do dia e me enviar a sua decisão pelo Tumblr.
Um garoto abriu a porta do banheiro masculino e ficou encarando Raven, meio assustado por ter encontrado uma garota no banheiro masculino.
– Eu já estava de saída. – Raven falou com seu tom de voz mais doce e saiu do banheiro.
***
– Você tá zoando comigo, não é? – Marine perguntou enquanto andávamos a caminho de casa. Pois eu contei tudo sobre os vampiros, fadas, e a maldição para eles– Tá falando dessas coisas sobre “maldição” só porque te obriguei a assistir Crepúsculo?
– Não, Mar. Ele tá falando sério. – Theo respondeu. – Você nunca se perguntou o porquê de ele não fazer exames de sangue? E lembra aquela vez quando estávamos pegando doces no halloween, ele se machucou e saiu sangue azul do seu joelho?
– Eu achei que era pegadinha, ou sei lá... – A voz de Marine começava a travar. – Ai meu Deus! Você é uma criatura sobrenatural!
– Isso não é bom. – Respondi. – E não sou uma criatura sobrenatural, só o meu sangue é. Este tipo sanguíneo é descendente dos sangue dos antigos vampiros, que transmitia habilidades fora do comum a eles, e a mim também.
O pôr do sol deixava a rua em um tom alaranjado, iluminando os olhos dela que faiscavam pela descoberta. Folhas rastejavam no asfalto, e o vento cantava nos nossos ouvidos. As luzes de lojas e postes começavam a se ascenderem. Traziam mais uma noite iluminada pela energia mundana.
– E os professores novos são fadas, eu tenho certeza. – Theo sussurrou. – Eu pesquisei, e eles têm os mesmos traços.
Chegamos à frente prédio onde Marine morava, ela parou e nos encarou.
– Eu estou muito confusa. Preciso pensar nisso, pesquisar sobre isso, e depois decidir acreditar mesmo, ou não. – Marine ainda respirava velozmente. As luzes de um parque de diversões brilhava atrás de nós e iluminava seu rosto. – Até amanhã, garotos.
Então ela abriu o portão e correu até o elevador.
– Você perdeu tempo pesquisando isso? – Perguntei para Theo, arqueando as sobrancelhas enquanto seguíamos pela rua.
– Você é o meu melhor amigo. Eu me preocupei com essas suas veias azuis e habilidades anormais para o seu físico. – Ele respondeu. – E achei um mito sobre pessoas que possuíam sangue azul, denominadas “Lumminus”, e agora tudo faz sentido. Mas essa coisa da maldição que seu avô causou é novidade. O que você vai fazer em relação a isso?
– Sabe ontem, que eu desmaiei no banheiro? Foi porque eu vi um vampiro do outro lado da rua, Marine também viu, mas não notou o que ele era, achou que era só uma pessoa qualquer. Enfim, eu pretendia ir embora porque se eu fizesse isso estaria me protegendo, e protegendo vocês também, entende?
– Entendo, mas para onde você vai? – Theo perguntou.
– Raven tem um plano, e sim, ela também é um Lumminus. Ela quer que eu vá com ela, acho que vamos para algum lugar longe, que não haja vampiros para tentar nos drenar.
Theo ficou em silêncio por bastante tempo. E a única coisa que ele disse antes de chegarmos na frente de sua casa foi:
– Vou sentir sua falta. – Então me abraçou forte.
Eu senti suas lágrimas molhando meu pescoço.
Eu senti seu corpo tremer.
Eu senti a saudade que ele já estava sentindo.
Eu senti que tinha que protegê-lo.
Eu senti que deveria ir embora, por mais que isso doesse em mim.
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