Às oito em ponto Rebecca estava na frente de uma porta de madeira simples, como qualquer outra da escola. Junto dela estavam Kamina e Ástimus.

– Onde está Demetry? – perguntou Rebecca.

– Ainda não chegou. Acho melhor entrarmos. – respondeu Ástimus.

A sala atrás da porta era uma sala de aula comum, a diferença era que tinha apenas quatro carteiras alinhadas a frente da mesa do professor, onde Halena estava sentada. Ástimus sentou-se na ponta e ao seu lado sentou Kamina. Dado as circunstancias, Rebecca percebeu que iria sentar-se ao lado de Demetry de qualquer forma, então escolheu a carteira ao lado de Kamina.

– Onde está o sr. Devon? – perguntou Halena.

Nessa mesma hora a porta se abriu com um estrondo e Demetry entrou ofegante.

– Desculpem o atraso. Foi dificil despistar a Meg... – disse Demetry.

– Não irei tolerar atrasos da próxima vez, Sr. Devon. Isto aqui é uma coisa séria. Sente-se, por favor. – repreendeu Halena com extrema frieza.

– Sim senhora. – respondeu Demetry um pouco envergonhado.

Ele olhou para a sua carteira e viu que ao seu lado estava Rebecca. Franziu a testa e sentou-se.

– Muito bem alunos, hoje iremos conhecer um pouco sobre o feitiço que eu conjurei a duas semanas.

Halena balançou a varinha e livros cairam sobre a mesa dela. Ela balançou a varinha mais uma vez e os livros foram flutuando até as mesas dos alunos, dois para cada.

– Esses livros são de minha autoria. Não o percam. – disse Halena. – No primeiro, "Dicionário de Feitiços", estão todos os feitiços do mundo bruxo que eu pude encontrar em livros. Há também varias combinações que vocês podem executar nas mais variadas situações. No final dele, deixei algumas paginas em branco para que vocês possam anotar descobertas proprias. Eu gostaria de pedir-lhes também que qualquer descoberta fosse compartilhada com o grupo, para podermos evoluir também. Não tolero individualismo.

Halena fez uma pausa. Rebecca, que estava com muita curiosidade por saber qual cara Demetry estava fazendo por receber uma represália, olhou-o com o canto do olho. O menino encontrava-se com as sombrancelhas franzidas e uma pequena mancha perto da boca, uma mancha de batom.. Ela lembrou-se do que ele falou quando entrou e ficou pasma. "Então ele está namorando aquelazinha?", revoltou-se Rebecca por dentro. " Se ela descobrir o nosso segredo é capaz de espalhar a todos os cantos da escola apenas para se vangloriar.". A raiva subiu por seu peito e entalou na garganta. " Pelo menos eles se merecem.", pensou novamente.

– No segundo livro – continuou Halena. – está uma descoberta minha, que apenas os aurores conhecem: os feitiços ordenativos. Eles são feitiços criados pelos franceses a muito tempo, que consistem simplesmente em utilizar ao máximo a magia que existe em um determinado objeto. Vocês podem usá-los com suas varinhas, embora eu nao recomende isso até estarem experientes no usos dos feitiços, ou podem usar em qualquer item que contenha magia suficiente para realiazar o feitiço.

– Como assim, professora? – perguntou Ástimus.

– Os feitiços servem... como posso dizer? Eles multiplicam a magia do objeto usado. Não há feitiço no mundo que possa fazer com que algo persiga um alvo em movimento, não deixando-o escapar não importa o que aconteça. O "Hunt et Hook", que traduzinho seria "Cace e Prenda" faz isso. Você ordena à sua varinha ou à algum outro objeto magico que cace algo e o acorrente. Existem outros, como por exemplo o "Brouillard", que significa "neblina". Essa faz com que o objeto transforme-se numa neblina densa e que age conforma a sua vontade.

– Já podemos começar a praticar esses feitiços? – perguntou Rebecca.

– Não! De jeito nenhum. – disse Halena. – Esses feitiços são dificeis, pois vocês precisam estudar françes para poder pronunciá-los da maneira certa, além do fato de que precisam de um item mágico poderoso para praticar. O françes é facil, vocês podem usar os dicionários que têm lá na biblioteca, já que eles contem a forma de pronuncia das palavras, mas o item mágico eu suponha que vocês não possuam, ou se possuem, nao vão querer estragá-los a troco de nada. Também não devem fazer isso com a varinha como eu fiz, podem acabar perdendo-a de vez se não souberem fazer a varinha voltar ao normal. Esses feitiços podem parecer simples, mas não são. Eles são tão dificeis que não dá nem pra usá-los sem falar o nome. Não podem ser usados da forma não-verbal. Agora voltem para os seus dormitórios e estudem esses dois livros para a proxima aula. Nós iremos praticar esses feitiços com presentinhos que consegui no Ministério.

Todos concordaram com um aceno de cabeça.

– Boa noite, sra. Halena. – disse Ástimus. – Quer que te acompanhe até seu dormitório Kamina?

– Hã...Claro, Ástimus.Tchau professora. – disse Kamina corada.

– Boa noite alunos. – disse a professora, para os alunos que saiam. E brincando acrescentou. – E srta. Joullic, tome cuidado com os charmes do sr. Onaomi.

Ástimus corou profundamente surpreendido pelo tom brincalhão de Halena, o que foi acompanhado por todos. Rebecca sorriu para a professora e saiu da sala.

No corredor, antes que Demetry pudesse ir embora, Rebecca o chamou.

– Demetry, fale para sua namorada não usar batom 24 horas da próxima vez, e que essa cor não fica bem em você.

Demetry abriu a boca para falar, porém não encontrando palavras para responde-la a altura, virou-se para ir embora e sumiu no corredor à esquerda.

– Caraca Rebecca, você não deixa escapar uma heim? – riu Ástimus.

Kamina, Ástimos e Rebecca seguiram por mais algum tempo, pois Rebecca iria para as torres, assim como Kamina. Para não criar uma situação constrangedora, Rebecca deixou eles se afastarem um pouco, seguindo-os de longe. Ela pode perceber quando Ástimos tentou pegar a mão de Kamina, porém esta soltou e passou o braço pela cintura dele. Ele entendeu o recado e também a abraçou.

– Ai, o amor é lindo! – gritou uma voz fininha ao lado de Rebecca.

Rebecca quase teve um infarto. O casal à frente de Rebecca olhou para trás e a menina ficou vermelha. Ela tentou pensar em algo.

– Ninguem merece esse Pirraça! – disse ela alto o suficiente para o casal ouvir. Ela ficou olhando para trás e quando percebeu que Ástimos e Kamina ja haviam virado, voltou a andar.

– Febes, eu te mato. – sussurou Rebecca.

– Mata nada. – disse Febes pousando no ombro de Rebecca.

– Poxa, você me fez passar vergonha.

– Me desculpa, mas você sabe que não resisto a romance, mãozinhas dadas e essas coisas todas.

– Sim, sim, mas você podia se controlar mais. – disse Rebecca. A menina olhou para frente e viu que Ástimos e Kamina viravam o corredor à direita e acenou para eles. Eles acenaram de volta e desapareceram atrás da parede. Rebecca os viu de longe quando ela passou pelo corredor em que entraram.

– E você Reb, não vai arranjar ninguem não? – perguntou Febes. – Ninguem se candidatou?

– Não, não fico pensando nisso com tanto estudo e a situação toda dos dementadores. – respondeu Rebecca. Repentinamente veio à sua mente a imagem de Gim e ela corou.

– Sabe, Reb, você não sabe mentir. – disse Febes rindo.

– Não estou mentindo! – gritou Rebecca.

– Ei! Quem está ai? – perguntou uma voz que Rebecca reconheceu como sendo do zelador Filch.

Rebecca passou a mão pelos bolsos de suas vestes a procura do passe que lhe permitia andar pelos corredores de noite. Não o achou. Ela se sentiu uma idiota ao lembrar que quando dormira naquela tarde, havia tirado as coisas dos bolsos e colocado na gaveta da cama.

– Se segura Febes, vou ter que correr.

– Você não tem um passe ou sei lá o que que te deixa ficar aqui até tarde?

– É, eu tenho, mas eu esqueci ele lá em cima.

– Ai, que droga Reb, eu to cansada, não quero voar.

– E por diabos você ta cansada? – perguntou Rebecca aumentando a velocidade dos passos conforme ela ouvia os passos de Filch se aproximando.

– Voei a escola toda te procurando.

– Aaaa! Ninguem mandou você fazer isso. Já falei pra ficar no quarto. – Rebecca pegou Febes com a mão e saiu corrando quando Filch surgiu no final do corredor em que estavam.