Notas iniciais
Em homenagem a minha mais nova amiga, Min.

– Acorda! Acorda, acorda! – dizia uma voz fininha, vinda de algo que pulava em cima de Rebecca.

– Não enche. – respondeu Rebecca virando-se na cama.

– Acorde! – gritou Febes.

– Hoje é sábado, cale a boca. Você vai ser descoberta.

– Já não tem ninguém aqui, e quem vai ser descoberta é você! – gritou Febes, que tentou em vão puxar a pesada coberta.

Febes torceu seu nariz e assumiu a forma de humana, conseguindo puxar a coberta e fazendo Rebecca cair no chão.

– Ai!! – gritou Rebecca. – Agora você vai ver!

Rebecca começou a correr atrás de Febes, que derrubava tudo a sua frente. Por fim, Febes acabou batendo nas costas de Rebecca e as duas caíram. Elas começaram a rir, mas rapidamente pararam, pois ouviram passos na escada e Rebecca pegou sua varinha no bolso da sua calça pendurada na cama e organizou o quarto, se enfiou debaixo das cobertas junto com Febes, que já havia voltado ao seu tamanho original, e fingiu estar dormindo, segundo antes da monitora entrar no quarto. Depois que a monitora saiu, Rebecca e Febes desataram a rir novamente e, depois de um tempo, Rebecca aprontou-se e saiu do salão comunal com Febes dentro do bolso de seu casaco.

Já era quase meio dia, constatou Rebecca pela posição do Sol, então foi direto para o Salão Principal. Depois do almoço, Riego apareceu com um singelo pulo em cima de Rebecca acompanhado pelo riso de Katheryn e Juan e foram todos juntos para perto do lago passar a tarde. Logo já estavam jogando água um no outro, apesar do clima de frio de final de outobro. Horas depois, molhados e exaustos, todos deitaram-se embaixo de uma árvore e Febes, que estava sentada em cima da mesma observando a brincadeira, começou a emitir um som, como se estivesse cantando.

– Que som é esse? – perguntou Katheryn.

– Deve ser uma fada. – respondeu Juan.

Percebendo uma leve mudança áspera na canção, Rebecca contrapôs.

– Não acho que seja uma fada.

– Então o que é? – disse Juan.

– Algo muito melhor. – respondeu Rebecca.

Rebecca pensou ter ouvido uma risadinha fininha acima, mas logo foi abafado pelos roncos de Riego.

Ficaram assim até o pôr-do-sol, quando um garoto se aproximou correndo e parou caindo em cima de Riego, acordando-o.

– AAAAH!!! Calma aê Léo, tem gente aqui embaixo! – reclamou Riego.

– Foi mal, mas vocês não sabem o que aconteceu...Ah. – parou ao ver as meninas. – Eu não conheço vocês. Meu nome é Léo Vanderpool, sou da lufa-lufa, quarto ano.

– Rebecca Fidgeman.

– Katheryn Devon.

– O que aconteceu Léo? – perguntou Juan.

– Um grupo de alunos foi atacado por dementadores, aqui em Hogsmeade! A sorte é que tinha uns aurores no Cabeça de Javali e puderam afastar os dementadores.

– Como você sabe disso? – indagou Katheryn.

– Um amigo meu do terceiro ano estava lá, acabei de visitá-lo na enfermaria. Alias, por que vocês não foram?

– Ah, é que eu fui proibido de tirar os pés da escola desde ano passado quando eu briguei duas vezes seguidas quando fui lá...Uma longa história. – explicou Riego olhando para Katheryn.

– Quem mais foi atacado além do seu amigo? – perguntou Rebecca.

– Bom, tem um garoto chamado Dogmar da cornival, uma menina chamada Romilda da corvinal, um casal da sonserina que não eu quis nem saber e um garoto da grifinória chamado Krast.

– A Romilda?! – exclamou Rebecca. — Vamos visitá-la. Aproveitamos e sabemos essa história direito.

– Vamos – disseram todos.

Rebecca e os amigos se levantaram e foram direto para a enfermaria. Ao chegar, Rebecca avistou sua colega de quarto Romilda. Como só podiam ficar na enfermaria seis visitantes e já haviam cinco lá dentro, Rebecca entrou sozinha para falar com Romilda. Ela estava pálida, mas parecia estar melhorando. Romilda estava com um pedaço de chocolate nas mãos e ao avistar Rebecca deu um sorriso.

– Rebecca! Que bom receber uma visita que não grite no meu ouvido!

– Espero que não esteja se referindo as nossas calmas e silenciosas companheiras de quarto – riu Rebecca.

– Eu? Imagina.

– Mas me diga, você está bem? – indagou Rebecca.

– Estou sim...Nossa, eu nunca mais vou a Hogsmeage!

– Não exagere! Não foi premeditado, e se soubessem do perigo, não teriam deixado os alunos irem lá.

– É, você tem razão. Cara, eu nunca tinha sido atacada por um dementador, nem tinha visto um!! É simplesmente horrível, é como se...

– Como se nunca mais fosse ser feliz.

–Você já foi atacada por algum?

– Bem, foi por causa de um ataque que eu descobri ser bruxa.

– Ah é, você é nascida trouxa...

– É...Mas me conte, como eles apareceram? O que aconteceu?

– Bom. Eu estava com meu namorado Krast – Romilda olhou para a cama ao lado, onde um menino adormecido estava. – passeando pela vila. Estávamos numa conversa agradável quando de repente eu cai e ele começou a rir de mim. Eu me irritei, não sei o porquê, mas senti um ódio profundo dele e comecei a discutir com ele. Ele também não gostou e acabamos brigando. Com a discussão, não percebemos de imediato, mas estava ficando cada vez mais frio e começamos a tremer muito. Krast foi embora e me deixou sozinha, foi então que eu senti uma depressão terrível, como se nunca mais fosse ser feliz, como você disse. Eu comecei a pensar coisas terríveis – os olhos de Romilda encheram-se d'água. – e lembrar de acontecimentos tristes da minha vida. Eu comecei a me sentir fraca e caí no chão. Ouvi gritos e quando olhei pra cima...Foi horrível. Eu senti seu hálito em mim, aquelas mãos vinham na minha direção. Ele me segurou e eu não conseguia me soltar, então ele se aproximou de mim... – Romilda começou a chorar e disse algo inaudível.

– O que disse? – indagou rebecca.

– O Krast. – Romilda parou de chorar e secou suas lagrimas. – Ele me salvou de levar o beijo. Eu não vi sabe, eu desmaiei antes de tudo, mas quando eu acordei me contaram. Sabe, ele já está no sétimo ano, e ele já tinha conseguido fazer o patrono na sala de aula, e...

– Naquela hora, quando te vi, – disse Krast, na cama ao lado. Rebecca e Romilda viraram bruscamente. – sendo atacada por um dementador, e você já estava desmaiada, eu me enchi de coragem. Ergui minha varinha e gritei o feitiço. Uma onça de luz saiu de minha varinha e eu a direcionei para o dementador. Ele se afastou de você, então eu me senti corajoso, como se pudesse fazer tudo. Mas eu não vi. Tinha outro dementador atrás de mim, ele me atacou e eu caí. Ele me virou e estava se aproximando de mim quando uma luz apareceu e afastou o dementador de mim. A ultima coisa que me lembro foi um cara com a cor de cabelo azul se ajoelhando ao meu lado. Quando acordei, já estava aqui e você – Ele virou para Romilda. – estava bem ao meu lado sã e salva. Eu não me perdoaria se tivesse acontecido alguma coisa com você, eu não deveria ter te deixado sozinha, eu...

– Não, a culpa foi minha. Não deveria ter brigado assim com você! – Romilda levantou e foi até a cama de Krast que sentou e a abraçou.

Depois de um beijo longo que Rebecca não sabia como ninguém notou, ela exclamou.

– Em que você pensou para conjurar o patrono? E foi com forma corpórea!

– Eu pensei na Romilda e em como eu sou feliz ao lado dela. – disse Krast sorrindo.

Ao sair da enfermaria, Rebecca contou a história para Riego, Juan e Katheryn a caminho do salão principal.

– Que romântico! – exclamou Katheryn.

– Eu não teria arriscado minha vida mesmo! Ela não tinha brigado com ele? Que se virasse. – disse Juan.

– Cruzes! Eu tenho pena da sua namorada, se é que você vai arranjar uma um dia! – disse Rebecca.

– Talvez você queira se candidatar? – perguntou Juan.

– Está bem. Na próxima vez que você me derrotar num duelo eu penso no assunto.

– Então nunca vai acontecer! Hahaha! – riu Riego.

– Olha que eu consigo hein! – riu Juan.

Chegando no salão, separaram-se e sentaram em suas mesas. Rebecca jantou muito pensativa. Sua cabeça rodava em torno dos dementadores. Lembrou do ataque quando era criança, lembrou do que seu pai lhe contava, lembrou de Febes...

– Febes! – exclamou rebecca.

– O que disse? – perguntou uma garota ao lado dela.

– Ah... nada não.

“Me esqueci completamente de Febes!”, pensou Rebecca. Rebecca acabou de comer rapidamente, passou na mesa de Riego e Katheryn para se despedir e correu de volta ao seu dormitório. Chegando lá, entrou no quarto e acendeu as luzes. Estava vazio, mas como Febes mesmo disse, quando ela queria desaparecer, ficava invisível.

– Febes? Está aí? – perguntou Rebecca.

Rebeca ouviu um resmungo e ficou aliviada.

– Desculpa. Eu me esqueci de você. Prometo nunca mais fazer isso. Por favor, não fique chateada, é que a Romilda estava na enfermaria e...

Febes apareceu na frente de Rebecca e as duas ficaram em silêncio. Por fim, Febes falou.

– Você promete?

– Prometo.

– Então está bem. Eu tenho que te contar uma coisa. – os olhos de febes brilharam.

– Conte-me. – disse Rebecca sentando na cama.

– Quando você foi à enfermaria, eu voei por ai e acabei escutando uma conversa da Sra. Weasley com o vice-diretor e uma professora loura.

– Loura?

– É, era esquisitinha, mas também era bonita.

– Deve ser a professora Lovegood.

– Bom, ele disse que os dementadores estão escondidos na Floresta Proibida e, como ele e a diretora suspeitavam, eles querem alguma coisa aqui em Hogwarts.

– Imaginava!

– A professora disse que um tal de Harry Potter disse que eles estavam mais fortes...

– Isso a sra. Weasley já tinha dito.

–...E a sra. Weasley concordou, disse que ele vai tomar providências para a segurança dos alunos e vai descobrir o que esta acontecendo, o que eles tanto querem.

– É...O que poderia estar aqui no castelo que eles queiram? Um poder grande talvez...

– Pra dominar o mundo?

– Talvez...Mas aí eles teriam que ter um líder, uma coisa bem lógica, afinal, eles não podem simplesmente dominar o mundo todos juntos de uma vez.

– E mais uma coisa estranha, tem nada haver com os dementadores, mas a sra. Weasley, o vice-diretor e a Luna Lovegood estavam se chamando pelo primeiro nome como se fossem amigos de longa data. Achei bem estranho, geralmente as conversas entre os adultos são cheias de formalidades...

– É, mas eles devem ter se conhecido na época da escola, e a Sra. Weasley mesmo disse que ela veio aqui lutar na tal Segunda Grande Guerra. Talvez tenham se conhecido nessa época.

– Será que eles têm um amor secreto?

– Quem, os três?

– Não né! A sra. Wasley é casada, tem uma aliança no dedo. Estou falando dos professores.

– Casada? Você é bem observadora. E tem uma criatividade enorme, onde já se viu dois professores se gostarem?

– Ué, professores também são gente! E eu adoro romances, mãos dadas, olhares trocados, rostos ruborizados...

– Ih, parece até que você esta gostando de alguém...

– Isso não tem nada haver, nós Manys não nos apaixonamos, nós estendemos nosso amor para todos os seres, e mais ainda para os nossos amigos!

– Então você me ama?

– É claro que sim! Você não me ama?

Febes fez uma cara de preocupada e Rebecca sorriu. Nunca tinha parado pra pensar nisso, mas já sabia a resposta.

– É claro que amo, você é a melhor baixinha do mundo!!

Febes voou até Rebecca e abraçou o nariz da menina. Depois se afastou e deu um beijinho na boca de Rebecca.

– Ei garota! – disse Rebecca pondo a mão na boca. – Você não pode fazer isso!!! Isso é nojento.

– Nós manys demonstramos nosso afeto assim. é quase como o abraço dos humanos. – explicou Febes. – Mas eu acho que eu sei porque você ficou assim. – Febes olhou para Rebecca e riu – Não me diga que nunca te beijaram?

– Ah, vem aqui sua pentelha! – gritou Rebecca pondo-se a correr atrás de Febes que voava pelo quarto. Novamente as duas bagunçaram o quarto todinho e, escutando vozes vinda do andar de baixo, Rebecca trocou de roupa, arrumou o quarto e enfiou-se debaixo das cobertas, fingindo dormir. Febes entrou nas cobertas também e ficou, silenciosamente, mandando beijos para Rebecca, que entrou na brincadeira de Febes e fingia aceitar e guardar no coração.