Realidade Inversa

6 Capítulo 6- Decisão do Destino


Quando as palavras de Daven acabaram, ele contornou a minha direita em uma velocidade bruta, e avançou em direção a porta *Senti calafrios no mesmo instante*
-Tray, prepare os equipamentos, Allan...venha comigo! *Disse Daven quando parou momentâneamente para abrir a porta*
— Mas Daven nós....
-Sem mas, você já sabe o que fazer...prepare os equipamentos e nos encontre no terraço...
Eu ja estava próximo a Daven, quando virei-me para trás e notei a feição incrédula na face de Tray. Choque? Pelo menos não fora só ele, desde que havia lido aquele pergaminho na minha casa em Kenneth, nunca havia pensado que isso pudesse se tornar tão sério...muito menos que em algum dia eu chegasse tão perto de membros da alta sociedade... o que estava acontecendo? Porque a minha vida havia mudado drásticamente de rumo em poucas horas? E porque eu? Allan Maxford? São questões que buscarei a resposta, mesmo que para isto eu tenha que atravessar a barreira da realidade...
Daven andava apressadamente em direção a parede, no inicio achei que pela tensão da conversa que haviamos tido a poucos instantes ele não havia se dado conta de que iria socar a cabeça na parede...fui tentado a avisá-lo, mas quando dei por mim ele atravessou a parede — Era uma passagem secreta — mas aquilo não me surpreendeu, afinal...Daven era especialista em ilusionismo e estavamos em seu palácio, atravessei a parede.

Era lindo, atravessavamos um enorme corredor iluminado a fileiras de velas, e envolto em suas paredes cresciam roseiras que esbanjavam espinhos perante a luz.
-Allan... receio que você deva estar se perguntando sobre os colapsos... eles não ocorrem de uma hora para outra....eles são como um aviso, e como consequência ocorrem grandes catástrofes... algumas delas, podemos impedir... mas outras ainda nos arrependemos de não ter conseguido...
-Acho que estou entendendo...você disse algo sobre regentes do destino...isso quer dizer que... o dever da sociedade é manter a ordem nesses colapsos... certo?
-Correto.... mas, não desta vez... geralmente colapsos não vem em grupo... desta vez ocorreram dois, ou sabe-se lá quantos mais... enquanto o normal, seria um a cada 800 anos...
-.......
O corredor chegava ao fim, e nos aproximavamos de uma grande janela.
-Além de tudo isso...aquele rapaz, Nagato... como ele sabia de tudo aquilo?
Haviamos chegado na beirada da janela, de onde todo a cidadela de Gwen podia ser avistada panorâmicamente, o problema? Era o ponto final, não havia para onde ir.
-É o que vamos descobrir.... *Foram as últimas palavras de Daven antes de se jogar daquela altura* Tentei segurar a mão dele, mas falhei. Pude ver o corpo dele caindo de toda aquela altura, e mais uma vez...eu não havia feito nada. –Droga!!! *Eu virei para trás, socando o ar. Estava consumido por raiva de mim mesmo*

- Allan!!!! *Ouvi alguem me chamando, espera....era o Daven!* Duas asas douradas nas costas de Daven foram o que me chamaram a atenção, meus olhos brilharam. – Pense....Voe!!! Daven gritava essas palavras para mim enquanto eu admirava suas asas, e por impulso me joguei daquela altura. Começei a cair, mas ao mesmo tempo pensava em voar, como Daven havia me pedido. Ilusão? Não! Era algo há mais que isso! Duas asas cresçeram em mim, e quando o vento bateu, começei a deslizar no ar.Era incrivel! – Uhuuuuulll!!! *Gritei, enquanto apreciava aquele momento* .Mas em um instante qualquer daquele momento, senti algo estranho, algo frio pingou no meu rosto. Era uma gota de chuva. As asas fecharam e começei a cair.O que era incrivel, passou a ser um pesadelo...-Aaaaaaaaaah!! *Despencava de uma altura imensa*
Mas ainda não era minha hora, Daven mergulhou em um vôo profundo para me salvar. Quando fui pego em seus braços, tudo o que sentia era o meu coração disparado enquanto eu ouvia ele praguejar – Droga!! Chuva!! As gotas eram reais, e as asas, ilusões. Uma delas em contato com a outra podia negar o efeito do encantamento.Daven desviava das gotas de chuva em manobras absurdas no meio do ar, e nossa vida dependia de seus pensamentos. –Justo agora!? Daven se aproximava do terraço no palácio enquanto fazia as manobras, praguejando.
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Fui arremessado sobre o terraço, e Daven se jogou. Enfim estavamos a salvo, e por sorte, não fomos mortos. Seja o que fosse, naquele momento tive certeza de que o destino não era traçado pelas mãos dele, muito menos da sociedade... ele seguia o próprio rumo, e nós, eramos apenas seus “brinquedos” ... a sociedade estava acabada e vidas estavam sobre risco.