Realidade Inversa
4 Capítulo 4 - O Palácio das Ilusões
Ainda andavamos apressados, parecia que Tray não ficaria sossegado enquanto não contasse ao tal \"Daven\" tudo o que estava havendo... Os campos até a entrada do palácio eram sombrios e úmidos, as poucas árvores desfolhadas ao redor da pequena estrada que levava ao grande portão folhado a ouro me davam a impressão de que não estavamos sozinhos e de que eramos observados por alguém.
-Allan, preciso que me prometa uma coisa... *Tray disse virando a cabeça ligeiramente para o lado, ainda andando apressado*- Sim, Tray... eu tenho que lhe di...- Dizer o que? Já não basta o fato de que vai se tornar o centro das atenções!? Isso sem contar que você é suspeito! Não me contou onde obteve aquelas informações! *Tray parou rapidamente virando-se para trás e me agarrando os braços, conforme ele me mexia ele dizia* -Apenas me prometa que irá cumprir tudo o que lhe for dito naquele palácio....me prometa...- Claro, mas é que..-Não é só você que está em risco!... toda uma ordem, a sociedade está em risco! Você entende o que aconteceu? Colapsos não são normais! O último ocorreu há trezentos anos e foi quando...-HEY! Vocês dois! Não pretendem resolver isso aqui fora, certo!? Mexam-se! *Disse uma voz no tom de um trovão, eu sabia que eramos observados....era uma das árvores que falava e quase que ao mesmo tempo bocejavam...era incrível! Entes?* Tray olhou, mas antes que continuasse virou-se para mim e disse, sussurrando: -Posso confiar em você?*Olhei para baixo, e em seguida nos olhos dele* -.....pode...eu prometo...-Ótimo vamos! *Ele apressou o passo novamente*- Vão rápido! Se mexam! Quero voltar a dormir! *Disse a árvore bocejando novamente, e fechando seus olhos*Chegando próximo ao enorme portão do palácio, Tray tocou em uma das extremidades da direita e outra da esquerda do portão, e do movimento de suas mãos derivaram-se feixes de luz azuis não muito fortes. O portão abriu-se quando ele disse algumas palavras estranhas, como que em outro dialeto.-Venha....é por aqui! Notei que o castelo era vago, um tapete de pele recobria parte do chão próximo a uma espécie de altar e uma gigantesca escada caracol que se estendia até o alto do castelo. Tray subia as escadas rapidamente, e eu o seguia. — Está ouvindo isso? *Encabulei-me com um som fino, que vinha de longe*- Ouvindo o que? * O som aumentou, agora pude notar que era o canto de uma mulher* Ah, sim ...isso? É o canto de Yvaine.. *Tray abriu um pequeno sorriso, ligeiro*-Yvaine?-Sim! Lindo não, agradeça a Daven! *sorriso* Ele encantou as escadas para que cada degrau aumentasse a intonação de sua obra..e para que nós, não ficassemos....exaustos..- Obra?-Veja.... *Quanto mais subíamos, mais sublime o canto se tornava e imagens começavam a contornar nosso caminho, entrelaçando-se pelas curvas da escada aquilo me acalmava...talvez não só a mim, nesse instante, surgiram as primeiras*Borboletas, velas... serafins.... magnífico! * Uma luz remanescia ao centro da escadaria enquanto belas imagens passavam através de meus olhos...*-Isso...isso...é ....irreal! *Meus olhos lacrimejaram*Foram assim durante intensos 480 degrais da escadaria... mas daquela forma, ninguem se importava em subir outros 200, quando chegamos ao topo, Tray disse: — Logo ali, vê aquele quarto?Apressamo-nos para a porta. Três toques foram necessários para que ela se abrisse: — Ora! Tray! Você já veio? Entre! *Havia uma cama enorme no centro do quarto, e um homem robusto, alto e com cabelos longos estava deitado acariciando a cabeça de uma linda mulher enquanto outras cinco, seminuas que se encontravam também deitadas, alarmaram-se com a entrada de Tray* — Saiam daqui, depois eu vejo o que faço com vocês! Ordenou o homem, espantando as mulheres...exceto a que ele acariciava. Elas foram para uma pequena sala dentro daquele quarto.-Daven, eu...eu acho que você deve ver algo... eu trousse o... o garoto! Disse Tray. - Allan? Ele está ai? Mande-o entrar! *Sai, da fresta entre a porta e a parede, pela qual observava a cena, e entrei no quarto* Notei um som de harpa tocando no fundo, e o chão transparente, me passava insegurança...parecia que iriamos cair de toda aquela altura.- Allan? É você? * Disse o homem* *Olhei ligeiramente para a face dele, e contornei meus olhos ao chão*O homem levantou-se da cama, e a mulher tornou-se uma pequena esfera... não só ela, o chão voltou ao normal, não era mais transparente, e o som da harpa cessou... as janelas fecharam-se e a pequena sala onde as mulheres estavam já não parecia existir mais, fora tudo aquilo uma ilusão? O Homem aproximou-se de mim estendendo a mão, que usava uma luva de couro maciço: — Prazer, Davendithas Foheck....creio que....temos muito a conversar!
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