​Os meses de busca transformaram-se em um desespero silencioso que corroeu a alma de Edward. Ele cavalgou por cada estrada da Inglaterra, revirou cada porto e interrogou cada capitão, mas Selene havia desaparecido como a névoa ao amanhecer. Derrotado pela própria negligência, o Rei de Ferro quebrou. Se antes ele era gélido e focado, agora tornara-se um libertino implacável. Whitehall transformou-se em um cenário de excessos; cada noite uma nova amante, cada dia uma nova distração para tentar apagar a memória daquela que o amou o suficiente para deixá-lo.

​Três anos se passaram. Três anos vendo o filho afundar em um abismo de devassidão e amargura. Sabrina Tudor, vendo o trono que tanto protegeu desmoronar sob a apatia do Rei, finalmente cedeu ao peso da verdade. Ela admitiu para si mesma que, ao expulsar Selene, havia arrancado o coração da linhagem Tudor. Secretamente, usando sua própria rede de espiões, a Rainha Mãe iniciou uma caçada que o filho, em sua embriaguez, já havia abandonado.

​A busca a levou a uma aldeia remota na costa da Irlanda, onde o verde das colinas se encontrava com o cinza do mar. Sabrina parou diante de uma cabana simples de pedra, longe do luxo de Versalhes ou da opulência de Londres. Quando a porta se abriu, não foi a rainha de cetim prateado que a atendeu, mas uma mulher de feições maduras, vestida com trajes simples e desgastados pelo trabalho no campo.

​— Você demorou mais do que eu esperava, Duquesa — Selene disse, sua voz mantendo a altivez de outrora, apesar da simplicidade do lugar.

​Selene a convidou a entrar. O interior cheirava a ervas secas e pão fresco. Elas sentaram-se à mesa de madeira rústica e, pela primeira vez, as duas leoas conversaram com sinceridade. Sabrina contou sobre a ruína de Edward, sobre como ele se tornara um estranho para si mesmo e como o reino sofria com sua falta de propósito.

​— Ele é um homem perdido, Selene — confessou Sabrina, os olhos marejados. — Eu pensei que a razão o salvaria, mas a ausência do seu "erro" o destruiu mais do que qualquer guerra.

​Enquanto Selene ouvia em silêncio, a porta da cozinha se abriu com um estrondo. Um menino de aproximadamente dois anos, com cachos que misturavam o fogo de Selene e o castanho profundo de Edward, entrou correndo. Ele pulou no colo de Selene, choramingando sobre um tombo que havia levado no quintal, apontando para o joelho ralado com urgência.

​— Mamãe, o joelho dói! — o pequeno exclamou, com uma energia que fez o ar na sala vibrar.

​Sabrina sentiu o sangue congelar nas veias. Ela não precisou perguntar. O formato dos olhos, a curva do queixo e a intensidade do olhar eram inconfundíveis. Ali, no meio do nada, vivia o verdadeiro herdeiro de York. O menino era a cópia viva de um Edward Tudor antes da amargura o consumir.

​— Ele tem o nome do pai? — Sabrina perguntou, a voz trêmula de choque e esperança.

​— Ele se chama Arthur — Selene respondeu, beijando o topo da cabeça do filho. — Mas ele tem o sangue do lobo.

​Sabrina levantou-se, a autoridade de Duquesa dando lugar ao desespero de uma avó e de uma súdita. Ela se ajoelhou diante da mulher que um dia tentou destruir.

​— Selene, eu imploro. Volte comigo. Não pelo trono, não pela aliança francesa, mas por Edward. Ele está morrendo um pouco a cada dia. Só você — e este menino — podem trazer o Rei de Ferro de volta à vida. A Inglaterra precisa do seu príncipe, e Edward precisa da sua rainha.

​Selene olhou para o filho e depois para a janela, onde o horizonte mostrava o caminho de volta para a ilha que um dia a rejeitou. O dilema agora era dela: continuar na paz da sua simplicidade ou retornar para o caos de um amor que quase a destruiu.