Razão ou Coração livro 4: Arthur e Kristine
5 O Rugido do Herdeiro
O banquete em honra ao batismo iminente de Jasmine e à visita da comitiva francesa estava em pleno vigor. Longas mesas de carvalho estavam cobertas com o melhor que a Inglaterra podia oferecer, e o vinho fluía livremente. Mas, sob a superfície da música e das risadas, a tensão elétrica entre Arthur e Kristine era quase palpável.
Lorde Julian, no entanto, parecia ignorar o perigo. Sentado à direita de Kristine, ele se inclinava excessivamente, sussurrando elogios que faziam a jovem princesa desviar o olhar, desconfortável.
— Diga-me, Princesa — Julian disse, sua voz elevando-se para que os nobres ao redor ouvissem —,Versalhes não deve ser terrivelmente entediante? Talvez precise de um cavaleiro inglês, alguém com mais vigor e menos... obrigações políticas que o nosso Príncipe de Gales, para lhe mostrar o que é a verdadeira paixão.
O salão mergulhou em um silêncio súbito. Arthur, que segurava uma taça de ouro, apertou o metal com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos. Ele pousou a taça com um baque seco que ecoou nas abóbadas.
— Lorde Julian — a voz de Arthur saiu baixa, como o rosnado de um lobo antes do bote. — Parece que o vinho subiu à sua cabeça antes que a inteligência pudesse alcançá-la.
Julian riu, tentando manter a fachada. — Apenas um comentário sobre a beleza da vossa prima, Alteza. Nada que um homem de mundo não entenderia.
— Um homem de mundo entende o conceito de respeito — Arthur levantou-se, sua estatura dominando a mesa. — Você fala de vigor, mas demonstra apenas a insolência de um parasita. Kristine é uma Princesa da França e da Inglaterra. Ela não é um troféu para as suas piadas de taverna. Se você abrir a boca para dirigir a ela mais uma palavra que não seja de absoluta reverência, eu farei questão de que sua língua nunca mais prove o vinho deste palácio.
— Arthur! — A voz de Edward cortou o ar. O Rei olhava para o filho com uma sobrudez severa. — Sente-se. Há modos de tratar os súditos, mesmo os impertinentes.
Arthur olhou para o pai, o peito subindo e descendo com a fúria contida, mas obedeceu. Julian, pálido e humilhado sob o olhar de desprezo de toda a corte, retirou-se silenciosamente. Kristine olhou para Arthur, seus olhos brilhando com uma mistura de medo e uma admiração profunda; ninguém jamais a defendera com tamanha ferocidade.
Nas Sombras do Poder
Mais tarde, nos aposentos da Rainha Mãe, o silêncio era interrompido apenas pelo estalar da lareira. Sabrina Tudor estava sentada em sua poltrona de veludo, observando Charles, que servia uma última dose de conhaque.
— Você viu, Charles? — Sabrina perguntou, sua voz carregada de uma astúcia que os anos não apagaram. — Os olhares na mesa hoje. Arthur não estava defendendo a honra de uma prima. Ele estava defendendo a posse de uma mulher.
Charles suspirou, sentando-se à frente da esposa. — Eu vi. O rapaz tem o mesmo sangue inflamado de Edward. E Kristine olha para ele como se ele fosse o sol e a lua ao mesmo tempo.
— Isso é perigoso — Sabrina murmurou, estreitando os olhos. — Edmund quer que ela volte para a França. Edward quer que Arthur se case por estratégia com a Holanda ou com a Espanha para fortalecer as fronteiras.
Charles soltou uma risada melancólica, balançando a cabeça.
— Parece que estamos diante de um espelho, Sabrina. Mais uma história de amor complicada se instala neste palácio. A diferença é que, desta vez, as rosas e os lobos já conhecem o caminho da guerra. Se tentarmos separá-los, Arthur não fugirá como Selene fez... ele queimará o mundo para tê-la.
Sabrina olhou para as chamas, sentindo o peso do ciclo recomeçando. — Então que Deus ajude a Inglaterra, Charles. Porque um Tudor apaixonado é mais perigoso do que um Tudor em guerra.
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