​O mundo parecia ter perdido o fôlego. O fim da Grande Guerra dos Três Reinos não trouxe os vivas imediatos que se esperaria de uma vitória tão esmagadora; trouxe, em vez disso, um silêncio solene que se estendeu das colinas de Calais até as torres de Londres. O preço da paz havia sido depositado sobre o altar do sacrifício, e o nome desse preço era Charles Tudor.

​O Funeral: A Despedida do Patriarca

​O cortejo fúnebre que atravessou o Canal da Mancha foi a maior frota já vista em tempos de paz. Navios ingleses, franceses, escoceses, irlandeses e noruegueses navegavam em formação de luto, com suas bandeiras a meio mastro, escoltando o navio capitânia que carregava o caixão de carvalho e prata.

​Em Londres, o povo se amontoava nas ruas em um silêncio absoluto. Charles, que passara anos sendo visto como o "Rei das Sombras", agora era reverenciado como o mártir que unira o mundo contra a tirania. O funeral na Abadia de Westminster foi o encontro de todas as linhagens. Edward caminhava à frente, carregando a espada do pai, com o rosto rígido como pedra para não desabar diante de seus súditos. Ao seu lado, Sabrina usava um véu negro que ocultava os olhos, mas não a dignidade inabalável. Ela não chorava em público; o luto de uma rainha era uma fortaleza.

​Edmund da França carregava uma das alças do caixão, um gesto que selou para sempre a amizade entre os reinos. Na cripta real, diante de todos os monarcas do norte, Edward proferiu as últimas palavras:

​— Ele não foi apenas um Rei. Ele foi o homem que nos ensinou que a Razão serve para governar, mas apenas o Coração serve para viver. Ele morreu para que o futuro pudesse nascer. E esse futuro começa agora.

​O Nascimento: O Broto entre as Ruínas

​Três meses após o funeral, o inverno ainda castigava as janelas de Whitehall com neve e vento. No entanto, dentro dos aposentos reais, o calor das lareiras era intensificado pela ansiedade. Kristine, exausta pelos meses de guerra e luto, enfrentava agora a sua própria batalha.

​Arthur não saiu do lado dela. Ignorando as tradições que afastavam os homens do quarto de parto, ele segurava a mão da esposa, sussurrando palavras de encorajamento. Selene e Sabrina auxiliavam as parteiras, formando um círculo de proteção feminina que atravessava gerações.

​Quando o primeiro choro rompeu o silêncio da madrugada, não foi apenas um bebê que nasceu, mas a esperança consolidada. Era um menino, de cabelos acobreados e olhos que já prometiam a intensidade dos Tudor e a doçura dos Bourbon.

​— Ele se chamará Charles — anunciou Kristine, a voz fraca, mas carregada de orgulho, enquanto entregava o filho nos braços de Arthur.

​Sabrina aproximou-se e tocou o rosto do bisneto. Pela primeira vez desde a morte do marido, um sorriso genuíno apareceu em seu rosto. O ciclo estava completo. Charles I havia partido, mas Charles II trazia consigo a promessa de uma era onde o sangue não seria mais o único vínculo, mas sim o amor que o seu avô tanto defendeu.

​A Coroação: A Ascensão do Rei Arthur

​A coroação de Arthur não foi apenas uma cerimônia de posse; foi a consagração de uma nova ordem mundial. Edward, sentindo que sua missão de restaurar a honra da família estava cumprida, decidiu abdicar formalmente. Ele queria passar seus últimos anos ao lado de Selene, longe do peso da coroa, cuidando das terras e da família que ele quase perdera tantas vezes.

​No dia da coroação, Londres estava decorada com rosas vermelhas e lírios brancos. Arthur caminhou pelo corredor da Abadia com uma postura que misturava a força de seu pai e a sabedoria de seu avô. Richard, Thomas e os líderes das nações aliadas formavam a guarda de honra.

​Quando o Arcebispo colocou a Coroa de Ferro e Ouro sobre sua cabeça, Arthur não olhou para a multidão, mas para Kristine, que estava sentada ao trono ao lado, com o pequeno Charles no colo.

​— Eu juro — disse Arthur, sua voz ecoando por cada canto da catedral — que este reino não será governado pelo medo, mas pela justiça. Que as fronteiras que nos separavam sejam agora pontes. E que a memória daqueles que caíram seja o alicerce de cada lei que eu assinar.