Razão ou Coração livro 2
4 A amante
O silêncio do corredor de Whitehall foi quebrado pelo som pesado das botas de Edward. Ele encontrou Isabelle perto da ala das damas; ela tentou desviar o olhar, mas o Rei foi mais rápido. Com um movimento firme, ele a segurou pelo braço. Não era um toque bruto, mas carregava a possessividade de um homem que atingira o seu limite.
— Edward, por favor, solte-me! — Isabelle implorou, os cabelos ruivos escapando do penteado enquanto ele a conduzia sem parar. — Eu fiz isso por você! Por York!
Ele não respondeu. Edward atravessou as portas duplas da sala privada onde a família real estava reunida. Lá dentro, o cenário era gélido: Charles e Sabrina conversavam perto da lareira, Camilly confortava a jovem Alycia, e Katherine Petrovic ocupava a poltrona central, bebendo chá com a calma de quem acreditava ter vencido.
O estrondo da porta fez todos se levantarem. Edward entrou arrastando Isabelle, parando no centro do tapete real.
— Chega de sacrifícios silenciosos e casamentos arranjados nas minhas costas! — Edward rugiu, sua voz fazendo os candelabros tremerem.
Sabrina deu um passo à frente, os olhos brilhando em advertência. — Edward, recomponha-se. O Conde de Richmond já aceitou os termos...
— O Conde de Richmond não terá nada! — Edward cortou-a, virando-se para Katherine, que o observava com um olhar de puro veneno. — Katherine, você terá o seu trono e a sua coroa. O tratado com a Rússia será assinado. Mas não se engane: você terá o meu título, mas nunca o meu leito ou o meu coração.
Ele puxou Isabelle para mais perto, o braço dela ainda firme em sua mão.
— Esta é a minha primeira e última ordem sobre este assunto — declarou Edward, olhando para seus pais e depois para a corte presente. — Isabelle Pierce não irá para o norte. A partir de hoje, ela fica sob minha proteção pessoal e oficial. Ela será tratada com as honras de uma Rainha, pois ela é a Amante do Rei. E quem ousar desrespeitá-la ou tentar vendê-la novamente, enfrentará a minha lâmina, não a minha diplomacia.
O choque foi absoluto. Katherine levantou-se, a porcelana da sua xícara estalando sob a pressão dos seus dedos.
— Você me insulta diante de sua família, Edward? — Katherine sibilou, os olhos azuis faiscando. — Você prefere uma dama de companhia ruiva à aliança com o meu Imperador?
— Eu prefiro a verdade à sua farsa, Katherine — Edward respondeu friamente.
Sabrina olhou para Isabelle, que estava pálida, dividida entre a vergonha da posição e o alívio de estar nos braços de Edward. O plano da "razão" de Sabrina acabara de ser estraçalhado pelo "coração" selvagem de Edward.
— Você acaba de declarar guerra à sua própria esposa e ao seu maior aliado — disse Sabrina, a voz baixa e carregada de presságio.
— Então que venha a guerra — Edward finalizou, olhando para Isabelle. — Mas desta vez, eu não lutarei sozinho.
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