Razão ou Coração

7 Máscaras de Seda e Corações de Vidro



​Após o confronto com Charles no observatório, Sabrina desceu as escadas sentindo as pernas trêmulas. Ela conseguiu manter a postura diante dele, mas, assim que cruzou o limiar de seus aposentos, a força pareceu esvair-se de seu corpo.

​Ela encontrou Camilly sentida em sua cama, brincando com um colar de pérolas. A princesa, que antes ria à mesa, agora tinha um semblante preocupado. Ao ver o estado de Sabrina — pálida e com os olhos brilhando de uma fúria contida —, Camilly levantou-se rapidamente.

​— Sabrina! O que aconteceu? Eu vi Charles descendo as escadas como se fosse matar alguém.

​Sabrina não respondeu de imediato. Ela caminhou até a janela, abraçando o próprio corpo, sentindo o frio do parapeito ainda impregnado em suas mãos.

​— Ele é um monstro, Camilly — Sabrina sussurrou, sua voz finalmente falhando. — Um arrogante, egoísta... E seu pai vai me entregar a ele como se eu fosse um pedaço de terra ou um cavalo de raça.

​Camilly aproximou-se e colocou a mão no ombro da amiga.

​— Meu pai acredita que está protegendo você, Sabrina. E que está mantendo Charles sob controle. Na cabeça dele, é o casamento perfeito.

​— Perfeito para quem? — Sabrina virou-se, e uma lágrima solitária escapou, traindo sua armadura. — Para Charles, que vai continuar sua vida de libertino? Para o Rei, que dormirá tranquilo? Eu passarei o resto da minha vida presa a um homem que me despreza e que eu mal suporto olhar! Ele me disse... ele disse que faria da minha vida um inferno, Camilly.

​A princesa suspirou, puxando a amiga para se sentar ao seu lado.

​— Ouça, Sabrina. Eu conheço o meu tio. Ele fala grosso para esconder que foi atingido. Ele nunca encontrou uma mulher que o enfrentasse, e você o deixou desarmado. Ele está apavorado porque, pela primeira vez, não tem o controle da situação.

​— Eu não quero ter que lutar todos os dias dentro da minha própria casa — desabafou Sabrina, limpando o rosto com raiva. — Eu queria casar por... eu nem sei mais. Mas não por um decreto!

​— Então use isso a seu favor — disse Camilly, com um brilho astuto nos olhos. — Se ele quer guerra, dê a ele uma que ele não possa vencer. Mas não deixe que ele veja que você está sofrendo. No baile de noivado de Alexander, o anúncio será feito. Até lá, você precisa ser a mulher mais imperturbável desta corte. Deixe que ele perca a cabeça. Deixe que ele seja o único a parecer um tolo.

​Sabrina respirou fundo, recompondo-se. A vulnerabilidade foi guardada em uma gaveta trancada dentro de seu peito.

​— Você tem razão. Se eu sou uma peça nesse tabuleiro, então vou garantir que o Rei e Charles se arrependam de terem me escolhido para esse jogo.

​— É assim que se fala! — Camilly sorriu. — Agora, vamos escolher o seu vestido para o anúncio. Se você vai ser condenada ao "Lobo", que seja vestida como a Rainha que ele nunca terá o prazer de realmente possuir.