Razão
11 Triste
Notas iniciais
É engraçado, li novamente o capitulo anterior e nao gostei. Parece que saiu um pouco da minha linha do inicio. Me desculpem por isso. Mas me inspirou pra fazer esse, que gostei bastante de escrever. Espero que tambem gostem.
Mais cedo do que de costume.
Se preparem pare o fim T.T
Enjoy o/
Inoue piscou uma ou duas vezes antes de abrir os olhos. Raios de sol, do que parecia ser uma linda manha de domingo, teimavam em lhe avisar que era hora de acordar. Espreguiçou-se e depois se encolheu na cama abraçando os travesseiros. Não queria levantar, estava tendo um sonho tão bom. Sorriu tentando se lembrar... Penetrantes olhos verdes. Melancólicos olhos verdes. Era tudo. Um sentimento quente e bom tomou conta de seu coração. Queria voltar a dormir para voltar a sonhar com aquele olhar. Um nome estava se formando e chegando ao seus lábios.
- Ul.. qui... – Começou a garota envolvida pelo calor daquele sentimento inexplicável. Mas uma batida na porta a fez saltar da cama assustada. Sentou-se, com a mão amarrotando a camisola na altura do peito. O coração saltando pela boca. O sonho que estava voltando, se dissipou.
A batida se repetiu, obrigando-a a se levantar. Era Tatsuki.
-Tatsuki-chan. O que faz aqui a essa hora?! – Perguntou esfregando os olhos sonolenta.
- Essa hora?! Já é quase meio dia Inoue. – Disse a amiga com cara de surpresa. – Você não costuma dormir tanto.
- Eu estava tendo um sonho tão bom – Respondeu corando levemente. Fitando lugar nenhum. Um brilho diferente no olhar.
- Vamos almoçar na casa do Sado-kun? – Interrompeu Tatsuki, tentando tirar Inoue de seu devaneio. – O pessoal já esta todo lá.
- Ah?! Esqueci completamente!! – Disse a garota com um tapa na testa. – Me dê um minuto para colocar uma roupa.
Saiu correndo, deixando a amiga com um olhar triste e preocupado na entrada do aposento.
Alguns minutos depois, as duas chegavam na casa de Sado-kun. O cheiro de churrasco podia ser sentido de longe. Estavam no jardim dos fundos. Pode ver, o próprio dono da casa, na volta da churrasqueira móvel, típica japonesa. Ishida, misturando algumas bebidas e servindo. Matsumoto com sua própria garrafa, sendo amparada por um Ikkaku descalço que gritava algumas coisas para Yumichika. Hitsugaya observava tudo com um olhar de reprovação. Renji chamou Rukia para juntos levarem mais carne para Sado. Estava tudo muito animado e divertido. Ichigo estava escorado na cerca de madeira, mais ao fundo, sozinho, olhando para o céu. Parecia muito pensativo.
- Oooooi Inoueeee – Gritou Matsumoto, que veio abraçar a amiga. – Que demora heim?! Precisava de outra flor no meio desse mar de homens!
- Hei, e eu sou o que?! – Disse Rukia incomodada.
- Você precisa de mais peito Rukia-chan! – respondeu Matsumoto, como se fosse a coisa mais obvia do mundo. – É isso que esses homens estão querendo aqui!
- Rangiku! Você já bebeu demais – Interrompeu Hitsugaya. – Como vai Orihime?!
- Ah.. bem Hitsugaya-kun. Mas o que vocês estão fazendo a... – Ia perguntar Inoue, porém foi interrompida.
- Ei... Inoue. – chamou Ichigo. A garota cumprimentou todos rapidamente e foi até ele. “Porque parece tão triste?” – Perguntava-se Inoue, observando os olhos castanhos do shinigami. Que parecia desviar o olhar.
- Como você esta? – Perguntou tentando disfarçar o tom triste.
- Bem.
- Que bom. – Respondeu.
Um silêncio desagradável se instalou. Inoue estava confusa com o que estava acontecendo. Deu uma rápida olhada, e todos pareciam olhar de uma forma melancólica para ela. Uma brisa balançou seus cabelos e arrepiou seu corpo. Por um estante, um estante fugaz, sentiu como se seu coração estivesse despedaçado. Como se nunca mais pudesse ser feliz de novo. Mas não entendia, não tinha nada de errado. Tudo estava bem em sua vida. Estavam todos ali, reunidos em um churrasco. Todos contentes. Amanha teria mais um dia de aula, as provas estavam chegando. Precisava estudar, mas isso não era nada demais. Uma lágrima escorreu de seu olho azul-cinzento. Seguida de outra e mais outra. Até que não conseguia mais parar de chorar. Todos pararam tudo que estavam fazendo para observá-la. Porque se sentia tão triste? Porque se sentia tão miseravelmente triste? Porque sentia que preferia estar morta?!
Porque parecia que faltava um pedaço do seu coração?! Não consiga respirar. Não conseguia parar de chorar. Ichigo apertava tanto os punhos, que sangue podia ser visto escorrendo de suas mãos. Tremia.
Todos olhavam. Todos pareciam se obrigar a olhar. Queriam desviar o olhar daquela criatura tão desesperada. Mas não podiam. Pois era tudo o que podiam fazer. Era o mínimo que podiam fazer. Suportar observar a dor de quem conseguia carrega-la. De quem tinha que carrega-la.
Um nome surgia em seu coração. E subiu... Queimando seu peito, rasgando sua garganta e ferindo seus lábios.
- ULQUIORRA! – Gritou Inoue. Caiu de joelhos na grama macia e logo tombou o resto do corpo. Sentiu movimentos estranhos, ruídos inteligíveis. Como se tivesse mergulhado. Mal tinha consciência do seu ser. Não conseguia respirar.
- Ulquiorra- Chamou novamente. Em um sussurro, sem força alguma. Nem no corpo, nem no coração. – Ulquiorra.
Não adiantava chamar. Sabia que ele estava morto.
- Ul...quiorra...
- Estou aqui mulher.
Inoue abriu os olhos.
Estava na sala de Aizen. Pode reconhecer imediatamente, não sabia como, pois não enxergava praticamente nada. Estava incrivelmente zonza e dolorida. Deitada em uma poça de sangue que era muito provavelmente seu. Tudo estava silencioso. Fez um esforço sobre-humano para apoiar-se em seu cotovelo, fazendo seu abdômen doer agudamente. E com isso a memória voltar um pouco. Estava ficando mais claro agora. Com a visão turva tentou focar alguma coisa. Sentou-se e levou a mão ao estomago. Havia um buraco em suas roupas mas sua pele estava cicatrizada. Alguém, alguma coisa, tinha curado seu ferimento. Seu sacrifício final. Um sentimento de urgência tomou conta de seu corpo. Precisava achar seus amigos. Precisava achar ele.
- Ulquiorra. – Sussurrou fracamente. E para sua surpresa ouviu a voz dele.
- Estou aqui mulher.
Virou-se imediatamente e o viu. Em uma forma que nunca vira antes, seu corpo misturado com algo que lembrava um morcego. Já havia visto as imponentes asas negras, mas não o resto.
- Esta com medo mulher? – Perguntou observando seu olhar.
- Não. – Respondeu sincera. Realmente o achou estranhamente bonito daquela forma. Antes que pudesse se acalmar, em vê-lo ali, em pé, ao seu lado. Percebeu que a ponta de sua asa direita estava virando cinzas e se perdendo com o vento. O pânico invadiu seu coração. Agora estava com medo.
1 hora atrás
Ulquiorra parou. De repente sentiu como se tivessem atravessado algo em seu peito. Levou a mão ao tórax, intrigado.
- O que esta fazendo?! Não podemos parar!!! – Gritava Renji desesperado, observando o espada. Mas ao virar viu que Ichigo, Rukia, Ishida e Sado faziam a mesma coisa.
- É como se... tivessem tirado algo de mim. Como se uma tristeza invadisse meu coração. – Disse Rukia abraçando o próprio corpo.
- INOUE! – Gritou Ichigo, para a noite eterna do Hueco Mundo. Ulquiorra estava conduzindo o grupo até os aposentos de Aizen, no castelo de Las Noches para resgatar Inoue. Quando foram invadidos por aquele sentimento. Como se algo bom estivesse se perdendo do mundo. Como se o sol não fosse surgir novamente.
- Vamos. – Chamou Ishida. – Temos que continuar. – Ele mesmo queria acreditar nisso. Antes que seus joelhos cedessem a dor. A reiatsu de Inoue estava sumindo. Pra não dizer que já tinha sumido.
O deserto do Hueco Mundo, de repente, começou a tremer. Se não fosse a enorme reiatsu que sentiam, poderiam achar que era realmente um terremoto. Logo o gigante Yammy surgiu praticamente do chão. Imediatamente pegou Rukia com sua mão enorme.
- Droga de shinigamis. Vou matar todos vocês. – Disse segurando a garota, que parecia ainda menor, perto do enorme espada. Renji imediatamente atacou com sua bankai. Libertando a amiga.
- Deixa ele com a gente Ichigo. – Disse Sado. – Vá com o espada atrás de Inoue.
- Sado?!
- Vai Ichigo! – Praticamente ordenou Rukia. – Não ouse achar que não conseguimos.
- É... E vê se não perde a garota pra esse branquelo ai. – Disse Renji, que ria abertamente apesar de estar no meio da luta.
Ulquiorra não esperou mais nada, na verdade, parecia que não se importava nem um pouco com eles. Imediatamente se pôs a correr até o Las Noches. Ichigo o seguiu. Mas a pesar de tudo, o espada ia em uma velocidade em que o shinigami conseguia acompanhar. Não iria ficar se preocupando com seus amigos, isso feriria o orgulho deles. Confiaria neles. Como Ulquiorra fez com Inoue. Lembrou do que Renji disse. Observou o espada ao seu lado, parecendo um companheiro, ambos indo salva-la.
- Ulquiorra – Chamou o garoto. O quarto espada apenas virou os orbes verdes em sua direção, por um estante, em um claro “sim, o que você quer?”. Ichigo continuou:
- Você... a ama não é?
- Sim. – Respondeu apenas.
- Eu também. – Disse Ichigo. Mesmo que Ulquiorra não tenha perguntando.
Puderam ver o imponente castelo, quebrando o cenário repetitivo do Hueco Mundo, com poucos minutos de corrida. Logo adentraram a estrutura preparando-se para o que quer que fosse. Dois seres totalmente diferentes, com uma única vontade e uma única razão.
Sentiram a reiatsu de Inoue apagar. Não trocaram uma palavra. O sentimento era muito urgente. Abriram as portas do salão de Aizen com violência. Os olhos viram, mas não acreditaram. Inoue no chão. Um ferimento enorme em seu abdômen. Sangue banhando todo seu corpo. Os cabelos cobrindo o rosto. Um corpo sem vida.
Ichigo sentiu como se estivesse mergulhando em um mar escuro. Escutava um apito agudo, vindo de algum lugar. Tudo ficou negro. Tudo o que podia ver era o corpo frágil da garota, em um ângulo fetal, jogado no chão de mármore. Um grupo de arrancars subordinados se aproximou dela. O shinigami saiu de seu torpor.
- Não se aproximem! – Gritou. Nem um deles era digno de tocá-la. Nem ele mesmo. Ela era pura demais. Boa demais. Sentiu algo amargo rolando em seu estomago. Nunca mais sentiria o calor do seu corpo, nunca mais veria seu sorriso. Caiu de joelhos, iria vomitar. Os arrancars não se afastaram, ficaram na volta de Inoue. Ichigo tentou se levantar, queria fazer alguma coisa, afastá-los. Mas não tinha forças. O que mais aquele monstro queria? O que mais poderia querer?! Aquilo só podia ser um pesadelo. Aquilo não podia estar acontecendo. Não era verdade. Não podia ter perdido Inoue. Olhou para Ulquiorra, estava em uma forma assustadora. Uma reiatsu que ele jamais alcançaria. Observou Aizen. Não parecia mais um ser humano. Estava fundido com a hougyoku. Não importava mais.
Nada mais importava. Inoue estava morta. Aizen e Ulquiorra travavam uma luta violentíssima. O poder dos dois destruía tudo ao seu redor. Uma garganta aberta indicava que Gin e Tousen provavelmente tinham partido a pouco tempo. Aizen deveria acabar o serviço e se juntar a eles.
- Você esta mais fraco Ulquiorra. – Disse o ex-capitão da quinta divisão friamente. E, com um golpe violento, jogou o quarto espada contra a parede, que se partiu. – Porque se tornou mais humano.
Ulquiorra saiu voando de dentro do buraco da parede, e com uma velocidade incrível, jogou um cero na direção de Aizen. Que surgiu em suas costas.
- Porque?! – Insistia no assunto.
O quarto espada acertou a asa em seu antigo mestre fazendo com que se afastasse.
- Ela conhecia minha escuridão. E mesmo assim me amava. – Respondeu Ulquiorra simplesmente. – Por isso... Cada soco que eu levo. Cada osso que eu quebro. É tudo por ela. Tudo por INOUE! – Gritou o nome da garota, enquanto atacava Aizen enlouquecido de fúria. Que, assustado, recebeu o golpe. Porem, não lhe causou grandes danos. No outro lado da sala. Um suspiro. Apenas um suspiro foi ouvido. Apesar de todo aquele barulho, apesar de tudo o que acontecida. Todos prestaram atenção na garota. O coração de Ichigo parou. Virou-se para Inoue. Ela respondia ao chamado de Ulquiorra.
- U.. ...o...ra — Era o suspiro que saia de seu corpo moribundo.
- Ela esta viva! – Disse Ichigo. E suas pupilas estavam a um passo de sumirem, de tão minúsculas que ficaram pela surpresa.
- Sim esta. Quando percebi o fiapo de vida da mulher, chamei imediatamente meus subordinados para curá-la. É isso que estavam fazendo. – Respondeu Aizen observando. E sob o olhar de choque de Ulquiorra respondeu. – Já cansei de dizer. Inoue Orihime, é a chave para meu poder total. Ela não pode morrer. Mas você... Ulquiorra... Você deve morrer.
E com uma concentração de reiatsu tão colossal, que chegou a matar os arrankars subordinados, lançou seu poder no quarto espada. Atingindo-o em cheio. Ichigo protegeu Inoue com seu corpo.
- Irei me juntar a Gin e Tousen em Karakura. Inoue Orihime ainda esta ferida, mas quando eu voltar, já estará bem. Então meu poder será absoluto. Por favor Kurosaki Ichigo, espere aqui e diga a ela, que se tentar novamente o suicídio. Outra pessoa que ela ama, irá morrer. Ulquiorra vai sumir aos poucos, tempo o suficiente para que veja do que sou capaz, e não me desobedeça mais. Até mais shinigami.
E adentrou a garganta, desaparecendo. A sala ficou em um silencio que não condizia com a situação em que estavam. Ichigo colocou a mão sobre o peito de Inoue. Precisava sentir, precisava ter certeza de que estava realmente viva. Sentiu um pulsar. Fraco. Mas ainda assim, estava viva. Nada poderia descrever o que sentira naquele momento. Uma mistura de alivio, alegria, euforia, ansiedade e esperança. Lembrou-se do espada e o procurou pelo aposento. Estava em pé, observando a situação. Nem parecia ter sido atingido por algo tão absurdamente poderoso, se não fosse por sua asa direita estar começando a se perder no vendo, diria que estava bem de saúde. Encontrou os olhos verdes, e pode sentir toda a dor daquele ser antes que ele desviasse o olhar bruscamente.
- Kurosaki Ichigo. – Chamou Ulquiorra. – Tenho algo a lhe pedir.
- Eu prometo que vou cuidar de Inoue. – Adiantou-se o garoto.
- Não é isso. Pare de tolices. Não tenho tempo a perder. Inoue Hime não precisa que ninguém cuide dela. – Falou irritado. — Tudo o que eu quero... O sorriso. Aquele sorriso. Por favor. Mantenha o seu sorriso.
— Sem você ela não..
— Não shinigami! – Ulquiorra implorou com os olhos. E Ichigo entendeu. Eles tinham que acreditar na garota. – Vou abrir uma garganta. Vá atrás de Aizen.
Ichigo afastou-se da garota custosamente. Mas agora precisava pensar em proteger sua cidade e seus amigos. Encarou o arrancar uma ultima vez. E não pode deixar de sentir inveja em pensar nas no que ele e Inoue tinham vivido.
- Certo. Adeus Quarto Espada.
- Adeus Kurosaki Ichigo.
Ulquiorra encarou o shinigami pela ultima vez. Invejando tudo o que ele poderia viver com Inoue. E com um movimento rápido, abriu uma garganta para Karakura e o garoto a atravessou.
Tempo real
- Ulquiorra – Sussurrou Inoue fracamente.
- Estou aqui mulher. – Respondeu com um sorriso triste.
Notas finais
u.u
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