Razão
3 Especial
Notas iniciais
Mal fechara os olhos quando um empregado veio chamá-lo apressadamente.
- Ulquiorra-sama, mandaram que eu o chamasse, a mulher esta agitada. – disse ele afobado.
O espada levantou imediatamente e foi para o quarto de Inoue e a encontrou aos gritos, mas estava apenas sonhando.
-Acorde mulher – disse friamente vendo-a se debater. Orihime levantou de um pulo assustada e chorando muito. Fitou Ulquiorra um segundo antes de se jogar em seus braços. Chorava descontrolada segurando-se ao colete do outro.
Ele ficou espantado demais para reagir de alguma forma. Apenas ficou ali, ate que ela se acalmasse. Soluçando afastou-se dele corada e esfregando os olhos com as costas das mãos.
- Ti...tive um so..sonho horrível. Eu tenho muito medo de ficar sozinha nesse lugar.
- Então será melhor que o Ulquiorra fique por aqui ate nossa princesa se acostumar. – disse uma voz calma e poderosa atrás deles. Aizen se aproximava com seu olhar impassível. – Alguma coisa contra?
- Não, Aizen-sama. – Respondeu obediente.
- Ótimo. Agora posso ficar mais tranqüilo.
E assim como chegou, rapidamente, foi embora. Ulquiorra olhou a garota e ela tinha puxado a coberta deixando apenas os olhos de fora. A presença de Aizen a incomodava profundamente.
- Trate de dormir mulher, amanha vamos testar seu poder e precisa estar com boa energia.
- Eu não vou conseguir dormir imediatamente, ainda estou assustada com o pesadelo.... – disse e olhando para os olhos esmeraldas acrescentou – Você não quer conversar um pouco comigo até me acalmar?
Ulquiorra suspirou e sentou-se em uma poltrona em frente. Impacientemente. Inoue sorriu.
- Porque sorri mulher?
- Estou contente. Eu não sei o que faria se o Ulquiorra-kun não estivesse por aqui.
- Você não tem medo de mim?
- Não... – disse simplesmente. Sem arrogância.
- Com o que sonhou?
- Sonhei que o kurosaki-kun, estava morrendo – respondeu encolhendo as pernas.
Ulquiorra sentiu uma coisa ruim revirar em seu peito.
- Você disse mais cedo, umas tolices sobre os seres humanos... Quando você pode ficar nua na frente de alguém?
A pergunta veio tão inesperadamente que Inoue corou ate o ultimo fio dos cabelos.
- Esta envergonhada? Porque?
- He He He – disse nervosa – Ulquiorra-kun faz bastante perguntas. Mas vamos ver... – disse colocando o dedo no queixo e olhando para cima. “pensativa” pensou o espada aprendendo. – Só mostramos para alguém que consideremos muito especial.
- Isso você já disse. Quando alguém é especial?
- Essa é fácil... – disse sorrindo. E um sorriso de gentileza, afeto e amor cobriu o semblante de Inoue – É quando o mundo parece muito melhor só porque esta pessoa esta nele.
Ulquiorra ponderou o que ela falava e achava um absurdo. Mas a expressão dela o deixou mais curioso que suas palavras, um olhar de admiração e tristeza ao mesmo tempo.
- Você tem alguém especial mulher?
Inoue o fitou chocada. Mas logo desviou o olhar, afirmou com a cabeça.
- Ter alguém especial para os humanos é motivo de tristeza então?
A garota levantou a cabeça curiosa.
- Porque diz isso? – Perguntou com olhos aflitos.
- Você parece profundamente triste quando diz que tem.
-Ahh... é que... ele é especial pra mim. Mas.... – disse e embargou um pouco a voz- eu não sou para ele.
Respirou fundo para não começar a chorar de novo na frente do espada. Que a observava confuso.
- Porque você não é especial pra ele mulher? Você é a fêmea mais atraente que eu já vi.
A garota arregalou os olhos em sua direção. Corando ate as orelhas. Ninguém nunca dissera isso.
- Esta envergonhada novamente. Você não cansa de ter tantos sentimentos? – perguntou Ulquiorra, fazendo a jovem rir sem parar. Ficou observando aquela curiosa criatura. Seus cabelos longos e sedosos caindo-lhe sobre a fina cintura, enquanto ria com gosto.
- É aquele shinigami não é? O Kurosaki Ichigo.
Inoue concordou parando de sorrir. O espada sentiu algo extremamente desconfortável com isso. Queria que a mulher voltasse a sorrir e que aquele nome nunca tivesse sido pronunciado. De repente, sentiu que quando o visse lhe mataria sem dó.
- Ulquiorra-kun.... Quando você era humano, teve alguém especial?
- Não lembro de minha vida como ser humano. E acho que já conversamos bastante. Você deve dormir.
Inoue olhou para os lados. Procurando algo.
- Só tem essa cama...
- Eu vou dormir aqui onde estou. Nesta poltrona – a garota pareceu aliviada. – estava com medo que eu dividisse a cama com você?
- ah.. hehe não – respondeu corando – Boa noite Ulquiorra-kun.
Este não lhe respondeu.
Inoue acordou com raios de sol entrando pela única janela do aposento. Viu Ulquiorra dormindo sentado ainda. Com as mãos no bolso. Parecia tão tranqüilo. Aproximou-se se perguntando se deveria acordá-lo, quando os olhos esmeraldas abriram-se bruscamente. Inoue gritou assustada
- Ahh você me assustou... eu ia te acordar mas você acordou sozinho. Mas estou surpresa em saber que você consegue dormir Ulquiorra-kun.
- Ulquiorra... Não se refira a mim como um humano... Me chame de Ulquiorra. Apenas isto.
Inoue o fitou com um olhar triste.
- Desculpe. A diferença não é muito grande – disse dando um soquinho na cabeça com seu jeito bobo.
- Prepare-se, pois vamos sair.
- A onde vamos? — perguntou animada como se não estivesse em um mundo onde era prisioneira. Seus olhos brilharam de ansiedade e seu sorriso ia de orelha a orelha. Ulquiorra quase sorriu com o jeito de cachorrinho da garota. Levou a mão a própria cabeça preocupado. “O que esta acontecendo comigo? Definitivamente ela é uma bruxa. Tenho vontade de tocar suas costas, seu rosto e sorrir com seus sorrisos bobos. Tenho que me concentrar.”
- Vamos ao deserto, você precisa treinar seus poderes, Aizen-sama não quer que nada de errado.
- Ahhh – disse meio tristonha, mas logo se animou novamente, ia conhecer mais do Hueco Mundo.
Quando foram sair encontraram Grimmjow do lado de fora, com o seu sorriso debochado. Beijou a mão de Orihime que corou levemente e encolheu-se.
- O que esta fazendo aqui Jaegerjaquez?
- Ora, vim ver como estava nossa Pet-san. Dormiu bem Orihime?
Ela concordou com a cabeça e escondeu-se atrás de Ulquiorra. Segurando o tecido do seu braço.
– Não precisa ter medo de mim. Veja, pra ver como quero ser seu amigo, por ter recuperado meu posto, lhe trouxe isto. – e estendeu um lírio para ela. Que pareceu relaxar mais com a gentileza do sexto espada. Aceitou a flor e admirava colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha distraidamente.
- Obrigada Azul-san. – respondeu gentilmente. O morcego notou por uma fração de segundos o rosto do companheiro corar ao mesmo que seus olhos brilharam de malicia.
- Agora saia da frente Grimmjow – disse Ulquiorra repentinamente muito irritado. Atrás ficou o outro espada rindo de se acabar pelo que a garota o chamara.
Andaram por muitos corredores do Las Noches sem trocar palavra. De vez em quando o quarto espada olhava para a flor que Inoue carregava com desprezo. Até que chegaram a parte aberta do castelo. Um deserto sem fim. A garota sentiu a reiatsu de Ulquiorra aumentar.
- Jogue a flor fora – ordenou de repente. Inoue obedeceu a contra gosto. Ele parecia amedrontador. – Não faça essa cara, onde vamos tem milhares desta. — aproximou-se da garota. – E não grite. – Avisou, mas não adiantou de nada. Quando ele a segurou nos braços, a garota gritou mesmo assim. Um pouco pela proximidade um pouco pelo susto de do nada estar suspensa no ar. Ulquiorra se transporta rapidamente ate onde deveriam ir, um ponto muito longe no meio do deserto. Orihime agarrou-se com medo da velocidade nos ombros do espada. Este sentiu o calor do seu corpo muito estranho, era a primeira vez que sentia o calor do corpo de um humano. E sentiu um leve mal estar ao colocá-la novamente no chão. A garota estava chocada com onde estavam, era como um Oasis. Tinha um pequeno riacho que começava de lugar nenhum mas que corria tranquilamente, tinha arvores, flores, como o outro dissera e uma grama verdinha dançando com o vento. A garota sorria com os braços abertos e girava alegremente no meio das flores, ate que se largou e caiu deitada na grama. Quase podia sentir o sol. Até que uma sombra tapou sua visão. Dois olhos esmeraldas a fitavam. Com as mãos no bolso observava as atitudes dela.
- Seus olhos são realmente bonitos – falou Inoue novamente sem pensar.
- Os seus também são. – respondeu assustado com as próprias palavras. A garota corou levemente.
- Mas os meus tem essa cor tão comum... a sua cor é realmente espantosa — disse levantado-se e ficando perto para olhar os olhos dele. Observou as marcas que pareciam lagrimas. – po...posso tocá-las?
Como não teve nenhuma resposta estendeu o braço devagar, Ulquiorra fechou os olhos ao sentir o contato da mão quente dela. Mas quando ela deslizou o dedo pelas marcas os abriu novamente.
- Seus olhos são bonitos porque estão cheios de vida. – respondeu de repente. Inoue o fitou confusa. Mas mais perdido estava o espada “o que é isso? O que esta acontecendo? Porque o toque dela é tão agradável? Porque eu a acho o ser mais bonito do mundo?” e dessa vez foi ele quem estendeu o braço e levou a mão ao seu rosto.
- Tudo em você é cheio de vida. – e com isso a garota sorriu com gentileza e compaixão. O que o fez se sentir mais atraído. — O que você tem mulher? Porque eu não a vejo como os outros humanos? – Afastou-se dela e arrancou um lírio e estendeu para que aceitasse. Orihime abriu um sorriso tão grande e feliz que chegou a assustar o espada.
- Você é tola? Essa flor é exatamente igual a todas as outras flores que estão aqui. Igual aquela que você já jogou fora.
- Não é verdade Ulquiorra. Esta é única. Pois foi você quem me deu. E por isso ela é diferente de todas as outras flores. E quando eu olhar pra ela, me lembrarei sempre de você.
- Que tolices são essas mulher? Porque você vai querer se lembrar de mim? Eu te trouxe aqui a força e pretendo matar a pessoa mais especial pra você... – disse friamente despejando tudo que sentia. Achava que Inoue ia começar a chorar novamente mas ao invés disso sorriu calorosamente.
-Você não tem escolha Ulquiorra-kun, você não escolheu nascer quem é. Com a natureza vazia de sentimentos. Mas mesmo assim, apesar de tudo você é muito gentil comigo. Tola eu seria se não fosse grata a sua gentileza. E também... talvez estes sejam meus últimos momentos de vida. O melhor a se fazer é aproveitar o que eu puder não?
Ulquiorra fitou aqueles olhos cheios de vida e viu que se enganou. Os humanos são criaturas incrivelmente fortes. Fechou os olhos e elevou sua reiatsu matando todas as flores ao seu redor. A garota olhou chocada pra seu ato.
- Souten Kisshun! – gritou forte e decidida – EU RECUSO!
Das suas presilhas saíram as duas fadas que começaram a regeneração das plantas.
Fale com o autor