Ratos
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Tudo começou com uma promessa quebrada. Na verdade, foram várias promessas, levando em conta que muitas pessoas quebraram a mesma.
Para sempre, como todos sabem, nunca dura. Ela sabia disso mais que ninguém.
Logo, ficou sozinha no mundo, abandonada. Familiares, amigos, amantes. Todos deixaram-na para trás, esquecendo-se de sua agonizante existência.
Estava definhando, precisava de companhia, ou enlouqueceria. Talvez, a solução fosse enlouquecer para não enlouquecer. Foi o que fez.
Primeiro, começou com os ratos.
Em sanidade, morreria de medo deles, mas já estava tão solitária que ratos lhe pareciam a companhia perfeita. Via os roedores em todo lugar.
No começo, ficou receosa. Mas aos poucos, eles foram se aproximando, se acomodando, até que deixaram-na dependente.
"Dependente de ratos?", você deve estar se perguntando. E a resposta é sim, dependente de ratos. Entenda, eles eram seu refúgio, seus amigos.
A esperança então ressurgiu.
Aos poucos, foram tomando conta e a pobre coitada fazia de tudo para tê-los por perto: eram melhores que qualquer indivíduo que já conhecera. Foi se convencendo que pessoas deveriam ser extintas.
Nas poucas vezes que saía de casa, transtornava-se (como se já não fosse desequilibrada o suficiente) e dava aos humanos o que mereciam.
A primeira a ser castigada foi uma menininha. Era loira e possuía cachinhos. Saltitava graciosamente com um livro na mão, os olhos transbordavam alegria e delicadeza. Ainda assim, não prestava.
A louca pegou um pedaço de ferro qualquer largado na rua, próximo à uma obra e começou seu serviço: primeiro golpeou-a na cabeça.
Caída no chão, a menina teve ainda mais outra ultilidade.
Eu cheguei a comentar que nossa desequilibrada havia saído de ser 'refúgio' para arranjar comida?
Sentindo o cheiro de sangue, não resistiu e acabou por provar. Um gostinho metálico agradável invadiu seus sentidos. Perdeu o pouco de controle que restava sobre si e,aos poucos, foi mordendo a carne da garota.
Começou pelos braços e depois passou para seu interior tão delicioso. Aquelas entranhas, que pouco tempo atrás estavam vivas e pulsantes, estavam agora saciando a fome de uma perturbada.
Já ouviram falar que tudo que é bom dura pouco?
Algum tempo depois, eles chegaram.
Não os ratos, mas os homens.
Vieram num carro branco e vermelho para levá-la. Possuíam sedativos e remédios para tentar controlar as partes asquerosas das mentes.
Como se fosse adiantar.
Notas finais
Por favor, deixem críticas. Ruins ou boas, vão me fazer melhorar.
Obrigada por ler até aqui.
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