Rapunzelo

6 Capítulo 6


Soaram as cornetas anunciando a chegada de um súdito que alega ter visto e conhecido o príncipe desaparecido há mais de seis meses. Abelardo entrou no castelo enquanto a corte o olhou intensamente, alguns com dúvida, outros com esperança. Entrou no castelo e viu um rei e uma rainha sentados em seus tronos. Olharam Abelardo com desconfiança, mas finalmente o rei lhe falou:

- De onde vens plebeu? E de onde tiraste essa afirmação tão pesada? Se for lorota, juro que lhe corto a cabeça na guilhotina.

Abelardo balançou a cabeça freneticamente para o desconfiado rei.

- Não, meu rei. Juro à Vossa Majestade que não estou inventando lorota alguma. Veja, eu fiquei preso em uma torre por mais de seis meses, a favor de uma amiga. Seu filho passou pelas bandas e ouviu a gravação que ela tinha feito antes de partir. Eu a toco todos os dias para que a madrasta de minha amiga subisse. Então, como seu filho estava lá, aproveitei a oportunidade e pedi para que ele me ajudasse a descer, dizendo a frase que me possibilita de sair.

Enquanto ele ia contando a história, gradualmente, as pessoas do castelo paravam para ouvir a história dele. Um velho de capuz escondida nas sobras, agora estava perto o bastante de Abelardo para que ele percebesse o quão grande seu nariz era.

O rei olhava-o boquiaberto, quando o velho se aproximou dele e sussurrou umas poucas palavras. O rei assentiu e disse à frase que era a ruína de Abelardo.

- Prendam-no nas masmorras por cometer o crime de manipular meu filho para bem pessoal.

Abelardo estava chocado. Como o rei pôde fazer uma coisa dessas? Ele começou a protestar, mas de nada adiantou. Ele foi arrastado para as masmorras, enquanto o velho ia o acompanhando. Abelardo, que já tinha esgotado sua quota de xingamentos, ameaças e palavrões, ficou calado e ofegante enquanto o velho o encarava por baixo do capuz. “Sinistro” ele pensou. De repente, o velho tirou o capuz. Era a madrasta. Mas não era já a madrasta que se lembrava: estava mais velha e a verruga cresceu tanto quanto uma bolinha de borracha. Sabe, daquelas que pulam? Pois, ela estava assim.

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EXPLICAÇÃO DO NARRADOR: É porque a história já deveria ter acabado e Florentina já deveria ter tomado seu suco rejuvenescedor. Porém, como os produtores da história resolveram dar um tempo e viajar para a Disneylândia, ninguém impediu a história de dar a porra louca. Apenas eu estou aqui (e o povo que roda o filme, mas eles não são importantes, já que vocês apenas lêem a história.), já que entrei de penetra. Lebram quando eu pulei a história toda depois que Rapunzelo falou como Rapunzel saiu da torre? Pois, foi quando os seguranças chegaram. Ô povinho lerdo, viu? Deus me livre de um serviço desses em casa... Enfim, depois que me amordaçaram e me bateram, soltaram o narrador. Eu ouvi a conversa do narrador com os produtores de que ele queria viajar com eles e me ofereci para substituí-lo, já que eu queria continuar a história e amo vocês de muitãooo! Mentira, eu só queria continuar a história mesmo. Enfim, explico a situação: o narrador original queria viajar, e, pela primeira vez, encontraram um substituto para ele, que se voluntariou por livre e espontânea vontade. Claro que se eu soubesse que iriam me usar pra ficar aqui narrando historinhas para crianças enquanto eles iam para a Disneylândia, eu não ficaria, né? Enfim, continuando com a história. RODANDO, MEU POVO!

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- Ora, ora. Quer dizer que você ajudou no rapto de Rapunzel, não é? Agora, você vai sofrer por tudo o que você a fez passar, por tudo o que você privou dela. Sofra bem em seu novo quartinho.

Bom, como eu já tinha dito no começo, tia Floris estava quase gagá. Na sua cabeça, Rapunzel queria apenas sair para ver o mundo, e Abelardo ajudou-a a sair. Mas, quando Rapunzel tocou os pés no chão, ela foi raptada pelo amigo de Abelardo. Este, por sua vez, a levou para uma caverna e lá, matou-a; e Abelardo tomou seu lugar, pois tinha inveja de Rapunzel. Digo e repito: tia Floris é gagá. Apesar de tomar o suco rejuvenecedor, a véia tinha mais de 500 anos. Ficar gagá é o mínimo, né?

Depois que ela saiu, Abelardo começou a chutar, xingar, lamentar e rezar, até que se cansou. “Vou ficar aqui para sempre. Então, esse é o meu ‘Feliz para Sempre’”.

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Com a barriga cheia, Raimundo vai em direção ao castelo. Todos na corte olham para ele e falam sobre tal de Abelardo que diz conhecê-lo. Raimundo fica feliz e confuso ao mesmo tempo, pois nunca tinha passado pela corte sem ser acompanhado pelo som de risadas. Quando entra no castelo e vê a mãe e o pai chorando, corre em direção a eles.

- Mãe, pai! Que tristeza é essa? Eu voltei, são e salvo! Acabei de lanchar na “Fada Madrinha”. O que aconteceu? Quem é Abelardo, de quem todos estão falando?

Os pais o olharam, chocados e explicaram tudo. Para resumo da história, Raimundo ficou boquiaberto, disse que a história toda era verdade e correu para as masmorras com seus pais em seu encalço, onde achou o homem pendurado nas correntes.

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- Raimundo! Graças a Deus que você está aqui! Seus pais me acham um louco e a madrasta da Rapunzel tá me marcando! – disse Abelardo. Raimundo mandou soltá-lo.

- Eu disse a você: nós tínhamos que ser mais cuidadosos e andarmos juntos, porque senão sobra para os dois. Eu falei, mas você nunca me escuta...

- Tá, tá, tá. Tudo bem desculpa e blá, blá, blá. Agora cala a boca e me solta desse lugar moribundo, porra! Tá me dando arrepios! – disse Abelardo.

Raimundo sorriu e continuou a destrancar as fechaduras. Abelardo sentiu uma coisa afiada em suas costelas.

- Mais um movimento, e o homem morre. – disse tia Floris.

Raimundo ficou pálido e parou, levantando as mãos ao ar. Os dois ficaram quietos, enquando o som da chave das algemas caindo no chão ecoava na masmorra. A lâmina foi tirada das costelas de Abelardo. Raimundo fachou os olhos, a espera de um milagre. Ouviu um barulho abafado, e, quando abriu os olhos, a velha tinha desmaiado porque um dos guardas chegou e lhe deu um nocaute. Ele começou a rir.

- Que foi? Eu quero saber qual é a graça? Cadê a lâmina? A velha já foi? FALA QUE EU TOU FICANDO NERVOSO, CARALHO! – disse um quase nervoso Abelardo, que ainda estava de costas para a cena.

- Calma que ela foi nocauteada.

- Sério? Mesmo? Que ótimo! Sabe o que seria bom? Comemorar. Mas com as mãos algemadas é meio difícil, sabe?! Anda logo, que meus braços já estão dormentes!

E Raimundo soltou Abelardo, que esfregou os pulsos. Olhou o príncipe, envergonhado.

- Desculpa ter dito aquelas coisas para você. Não foi legal, e você ainda veio me ajudar... — começou Abelardo, mais Raimundo o interrompeu.

- Tudo bem. Afinal, você veio explicar aos meus pais o ocorrido, mesmo depois de nós termos brigado.

- Claro que eu fui, eu também sou um homem bom. Mas eu quase fui morto por tentar ajudar alguém, por isso que eu não pratico tantas boas ações: só dá em merda.

Raimundo riu. O clima ficou de repente mai leve.

- Ah, claro. Só você que corre perigo, eu não. Sabia que eu quase fui envenenado?

- Sério? Porra, sem mim tu só tem azar... como é que foi isso rapaz? Descesse o cacete em quem fez isso?

- Não foi alguém. Foi um animal. Foi assim: depois que você saiu, eu fiquei andando e pensando, por isso que me perdi. Mas enfim, depois de ter andado algum tempo...

Assim, saíram das masmorras falando do que aconteceu quando se separaram.

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Na estrada, dois viajantes iam cavalgando à mercê do destino e da intuição, com apenas um cantil de água e um mapa da lanchonete “Fada Madrinha” que indicava o tesouro perdido dos duendes.

Fim