Rapunzelo

2 Capítulo 2


Notas iniciais
E aê? Outro capítulo para vocês! Bjos.

– Rapunzel! Rapunzel! RAPUNZEL, SUA INÚTIL, VENHA JÁ ME AJUDAR AQUI!


– Já estou indo tia Floris! — gritou Rapunzelo em sua fiel imitação da voz de Rapunzel. Foi por isso que fora escolhido para o cargo. Foi para o para peito da janela, colocou o aplique do cabelo e jogou-o afora para a tia subir.


Florentina era uma típica bruxa velha de contos de fada. Tinha os cabelos grisalhos apesar de ainda estar com 45 anos, um narigão que não dispensa a verrugona na ponta, bigode e, o melhor de tudo na opinião de Rapunzelo, era meio cega. Por isso não sabia que Rapunzel era Rapunzelo e a imitação da voz dela dificultava ainda mais as coisas.


– Ai, já estou muito velha pra esse tipo de coisa — disse enquanto ia entrando pela janela — Ah, Rapunzel, minha flor! Como você está linda com esse vestido azul! E que maquiagem é essa? Você tem que fazer em mim um dia. Olha o que a tia trouxe para você! Uma adaga com cabo de osso de búfalo, um barril de cerveja, carneiro e a última revista de "A Última moda em Armas". Você tem um gosto estranho para uma adolescente, mas tudo bem. Você nem imagina até onde fui para achar essa sua adaga! Mas tudo vale para agradar minha enteada.


Rapunzelo sorriu. Uma das coisas em que mais gostava no "trabalho" era que tia Floris trazia tudo que ele pedia do mundo de fora. O melhor de tudo era que tia Floris nunca questionava o porquê.


Ficaram até o final da tarde conversando e rindo sem Florentina desconfiar, já que Rapunzelo desempenhava seu papel muito bem. Quando o sol estava se pondo, Florentina avisou que já era hora de partir, senão o reino desconfiaria de sua saída demorada. Rapunzelo reuniu toda sua coragem e falou o que tinha ensaiado tanto para parecer um desejo de adolescente.


– Tia Floris, eu queria muito que a senhora me deixasse sair de vez em quando! Eu sou uma adolescente que só tem como amigo um Jumento de Espelho! E também sou a única da minha sala de chat de espelho que não tem uma vida social! Por favor, me deixe sair! Eu prometo que vou voltar antes da meia noite, deixa por favooooooor?!


Florentina estacou no meio do caminho. O que Rapunzel estava pedindo?! Não acreditava nisso! Depois de tudo que ela sacrificou para mantê-la presa na torre e escondida de todos, mais de 30 anos procurando diferentes locais para escondê-la, e a menina quer jogar todo esse esforço no ar! Tá certo que ela não sabia de tudo isso, já que todas as vezes que a história acabava, Rapunzel e o príncipe renasciam com todas as memórias apagadas, e todos os outros da história eram simplesmente substituídos, enquanto Florentina tomava um suco rejuvenescedor, pois era muito boa em seu papel. Mas, poxa! Nenhum reconhecimento!


Havia algo de errado com a menina. Os adolescentes de hoje me dia estavam muito libertinos. Isso era mal. Enquanto pensava nisso, sentia que estava ficando roxa de raiva. Então, explodiu a III Guerra Mundial.


– O que você disse?! ENLOUQUECEU?! SABE COMO O MUNDO LÁ FORA É PERIGOSO, LEMBRA-SE DO QUE ACONTECEU COM SEUS PAIS?! MORRERAM LÁ! VOCÊ NÃO VAI SAIR DESSA PORRA DE TORRE NUNCA! Entendeu?! E NUNCA, JAMAIS, EM HIPÓTESE NENHUMA ME PEÇA DE NOVO!


Ela ficou encarando a falsa enteada. Rapunzelo estava pasmo. Pensava que ia funcionar o apelo emocional, mas foi pior do que pensava. Disse um mísero e murcho “ok” para a tia e se despediu. Depois que ela saiu, foi para cama se lamentar escutando o IBode que tia Floris tinha traz ido da última vez que tinha vindo. Colocou para escutar Taylor Swift, “A Place In The World”. Por que raios ele teve que aceitar esse emprego? Ele estava se tornando afeminado e sensível. Meu Deus, ele costumava a ouvir Mötorhead, Guns’N Roses, essas músicas de qualidade! Agora se rebaixou a uma adolescentezinha que não pode levar um pé na bunda que compõe uma pá de músicas. Iria embora amanhã de manhã.


Rapunzelo estava no meio de suas lamentações quando ouviu um canto débil vindo da base da torre. Olhou pela janela e viu um homem de capa rodopiando e cantando pela grama. “Ah, lá vem outro imbecil pra ver o quão alta é a torre”, pensou Rapunzelo. Deitando-se na grama de tonto, o imbecil gritou a plenos pulmões.


– Ah, irei encontrar-te, bela cantora. Nem que eu tenha que matar toda floresta!


– Com essa voz de taquara rachada meu caro rapaz, você vai longe com esse sonho. – disse Rapunzelo em sua voz normal.


O príncipe levou um susto, dando um grito nada bonito para a idade dele, e se encolheu como uma bola, com as mãos na cabeça, gritando desesperadamente para não lhe matar. Rapunzelo teve o que foi a melhor ideia de sua vida, segundo sua opinião. Gritou na sua imitação de Rapunzel.


– Papai, deixe o belo moço! Que há? Ele não veio me matar. Olá moço! – Rapunzelo gritou a última frase para o príncipe, que na mesma hora se recompôs, fazendo o que achava uma voz máscula. Olhou para todas as direções.


– Olá, bela voz da natureza. Faria o obséquio de conter seu pai? Gostaria de não ter que machucá-lo.


O bestão nem se tocou que ele está encostado na torre onde estava Rapunzelo! Podem crer que existe esse nível de idiotice? Enfim, Rapunzelo, quase rindo, disse...


–Oh, é claro gentil rapaz. Vá dormir papai, o senhor está muito cansado. Não, não. Aí é o banheiro. Isso, muito bem. Boa noite, papai. Pronto belo príncipe da floresta, está seguro. Pode me olhar agora.

O príncipe olhou para os lados como se dissesse “você está aonde, criatura?”. Rapunzelo assoviou e o príncipe finalmente olhou para cima (finalmente!). O rosto dele se iluminou. Ajoelho-se diante da torre.


–Oh, belíssima moça, como faço para subir a torre e alcançar-te finalmente?


“Bom, não vai fazer nada de mal se eu brincar mais um pouco com ele. Obrigada pela inspiração, Rumpelstiltskin.” Pensou Rapunzelo.


– Apenas se você repetir meu nome duas vezes e em seguida dizer a frase: “Jogue tuas tranças cor de feno.” Só isso.


– E qual é o teu nome, bela mulher da grande torre?


–Você vai ter que adivinhar.


O príncipe abobalhado pensou por um tempo. Disse todos os tipos de nomes que lhe vieram à cabeça, desde Abby até Zuzinga. Nem sabia de onde tinha tirado esse nome. Mas suas tentativas foram em vão, porque Rapunzelo sempre respondia com um “não”.


– Por favor, moça. Dê-me uma dica que eu não agüento mais!


Rapunzelo, que já estava meio cansada da brincadeira, concordou.

– Ok. Cada dica que eu der vai ser para uma sílaba de meu nome. __, RÉ, RI, RO, RU. O que falta?


– Essa é fácil. Papai me fez essa pergunta para ver se eu tinha problemas. Na hora eu não sabia, mas agora eu sei. Falta o RÃO. – disse o príncipe com um sorriso satisfeito.


Rapunzelo deu um suspiro frustrado e repetiu a pergunta, dessa vez, enfatizando o “NÃO TEM RÃO!”


– Hmmmmmm. – o príncipe ficou em silêncio por um bom tempo. Então, finalmente, achou a resposta. — Então acho que é... RA!


– Muito bem! Agora, o que você faz em público que os outros acham feio?


– Ah, tem tantos. Mas acho que o pior é arrotar.


– Outra dica: só tem três letras.


– Porque não disse logo! Eu solto PUM!


Rapunzelo bateu palmas e se escondeu atrás do muro da janela para rir. Coitado do príncipe. Burro que só ele.


– Agora: quais são as três primeiras de ZELADOR?


– Essa é fácil: ARI.


– ARI? Por quê?


– Ora, porque o nome do meu zelador é Ariclenes. Dã!


Meu Deus do céu! Ele nunca vai acertar? A vontade de Rapunzelo era acertar a cara dele com o pianinho. Mas, manteve a calma e disse que era da PALAVRA Zelador, não o nome do zelador.


– Então, as três primeiras letras são Z-E-L.


Rapunzelo quase deu pulos de alegria. Ele pediu para ele juntar as respostas de todas as perguntas, que era seu nome. O príncipe pensou, pensou, e finalmente gritou: RAPUNZEL, RAPUNZEL, JOGUE SUAS TRANÇAS COR DE FENO!

Notas finais
Reviwes, please? O próximo só sai amanhã!