Raise your glass

11 Capítulo 10- Natal -Parte1.


Nós chegamos ao Cavern com o sol do meio dia, pálido, cinza. Bem-vindo a Windsburgh.

O som, sempre alto, soava por toda a rua. Eu e Tommy rimos da cara dos garotos para o bar aberto.

—Regra de ouro, meu jovem, -Thomas falou imitando a voz de Tony enquanto tirava o cooler do porta malas. -O Cavern só fecha no dia que eu morrer! E que seja só meio expediente!

Eu assenti com um sorriso. Anthony era aquele tipo de figura rara que todos deviam ter o prazer de conhecer. Mas o mundo não era assim, então eu tinha de aproveitar minha sorte.

Velho John estava sentando na sua cadeira mais antiga que a guerra dos cem anos, mascando uma folha curtida de tabaco, ele levantou os olhos enquanto passávamos e nos dirigiu um cumprimento.

—Anna, camaradas. -Ele disse simplesmente e voltou a encarar a rua.

Eu abri a porta.

Lotado.

Como o inferno.

Corpos para todos os lados, música, bebidas.

Eu ouvi Remus murmurando, eu me sentia como ele.

James passou na minha frente num movimento sincronizado e começou a desbravar o caminho até a escada.

Quando nós finalmente conseguimos subir Tony estava nos esperando à porta da sua sala.

—Vocês pretendem me falir? -Ele falou sério, mas logo abriu um sorriso, ele parecia cada dia mais frágil e eu senti meu coração se apertando dentro do peito.

—Tétano não está mais 100%, vovô. -Thomas falou detrás de mim.

—Ah claro, -Tony disse com o tom naturalmente sarcástico. -Vamos culpar a pobre Kombi velha pelo nosso atraso de quase uma hora. -Sua risada estrondosa, era um ribombar mais alto que a música no salão abaixo de nós. Ele me puxou e me deu um beijo estralado na bochecha. Eu retribuí e lhe dei um abraço apertado. Madeira velha e charutos. Era o cheiro de sempre, o Tony de sempre.

—Ao trabalho, pequenos vagabundos. -Ele disse depois de apertar a mão de Sirius.

Eu franzi o cenho.

—Vocês não pensaram que viriam para cá para um dia de spa, pensaram?

Nós cinco assentimos juntos, ele riu.

—Sinto muito em decepcioná-los garotos, mas eu estou com falta de pessoal.

Eu já devia ter esperado por isso.

Tony escaneou cada um de nós.

—Você aí com o cabelão. Pode ajudar meu neto no bar, huh? Meninos como você chamam a atenção. -Padfoot assentiu sem jeito, olhando desesperado para mim e James. Eu dei de ombros.

Esse era o Tony que eu conhecia, colocando garotos bonitos no bar sem nem ao menos cogitar colocar uma garota. Suas prioridades sempre foram vanguardistas.

—Remus. -Tony falou e eu me surpreendi dele saber o nome de alguém, para variar. -Que é? -Ele perguntou olhando para mim. -O Thomas não para de falar do menino de cardigãs. Só pode ser ele.

Eu ri até não poder mais vendo o rosto de Tommy assumir um vermelho profundo. As bochechas de Moony também coraram.

—Você pode ficar no caixa. Se você tentar me roubar eu prego sua língua no meu quadro de troféus. -Seu rosto paralisado se torceu num sorriso. -Combinado?

—Co-Combinado. -Remus falou dando um passo para trás.

Ah Anthony, como eu senti sua falta.

—Quatro olhos, Pietra. Podem pegar um avental cada um. Vocês são meus novos garçons. -Nós dois concordamos. Um momento de silêncio se seguiu. -Que estão esperando?! Vão logo, demônios!

Nós descemos as escadas com a mesma rapidez com que subimos.

—Gente finíssima. -Prongs falou do meu lado, um sorriso na ponta dos lábios.

—Você se acostuma.

—x-

Os aventais ainda eram iguais, pretos, as letras do Cavern em vermelho. Pela primeira vez na vida eu me senti parecida com a minha mãe, talvez isso me assustasse um pouco, eu tentei não pensar sobre isso.

Eu fiz um laço atrás das costas e prendi o cabelo.

—Eu pareço com as garotas do Hooters? -James se virou para mim com a camiseta do homem aranha presa na altura dos mamilos, as mãos na cintura.

—Muito mais bonita, milady. -Eu disse dando-lhe um tapa no abdômen, era mais definido que o de Sirius. Eu tive vontade de suspirar, mas me controlei.

Eu não sabia como agir perto de James, por algum motivo eu parecia muito mais distante dele do que dos outros Marotos. Para ele parecia não haver diferença.

—Vamos Wormy. Temos uma missão a cumprir. -Ele passou o braço ao redor dos meus ombros.

Eu puxei a camiseta dele, ele suspirou em protesto.

—O mundo ainda não está pronto para esse corpo.

Ele deu de ombros.

—Você provavelmente está certa.

—Quando eu não estou?

—Quando você decide roubar minha cueca e acidentalmente pega a do Pads.

—Erro de cálculo.

—Seu plano era uma merda. Você precisa de alguém como eu. Eu sou como... -Ele fez uma pausa. -Como o Fred!

—Fred?

—Você sabe, o Fred da turma do Scooby Doo.

Eu sorri para a ideia de um James Potter loiro e com um lenço ridículo ao redor do pescoço.

—E isso faz de mim...?

—Bom, Moony com certeza é a Velma. -Eu concordei.

—Sirius é a Daphne! -Nós dois falamos juntos e caímos na gargalhada.

—Posso escolher entre o Salsicha e o Scooby?

—Eu já sei sua resposta. -Ele disse abrindo a porta do "quarto dos funcionários", era um armário de vassouras na verdade.

—Ah é?

—Sim, você vai dizer "nenhum dos dois, quero ser o Scooby Loo".

—Ok, isso foi estranho.

—Por que eu estou certo ou por você nem mesmo saber que ia dizer isso até eu dizer?

—Talvez os dois.

—Eu observo Wormy e eu sei.

Eu não perguntei mais nada, por mais que eu quisesse, James Potter talvez fosse aquele tipo de quebra cabeça que você descobre aos poucos. Que surge diante dos seus olhos como quem não quer nada.

Nós saímos mais uma vez para o amontoado de pessoas.

—Escreva qualquer coisa, no fim todos querem cerveja e batata frita! -Eu gritei para Prongs por cima da música, apontando para nosso bloquinho de anotações. Ele assentiu e bateu dois dedos contra a primeira página, ainda em branco.

Boa sorte para nós.

—X-

Conforme o dia passava e a hora da ceia de Natal se aproximava o bar foi aos poucos esvaziando.

Eu estava cansada de rabiscar números e abreviações no bloco, destacar a folha, pendurar no gancho da janelinha da cozinha, voltar momentos depois, levar o pedido e refazer a manobra.

Se bem que esse era, de fato, o menor dos problemas.

Bêbados.

Esses são os reais problemas.

—E aí gatinha, o que eu ganho com isso aqui? -Um babaca com cabelo loiro curto ao estilo militar e os olhos já embotados de tanto beber disse tentando colocar uma nota de cinquenta no meu avental.

As hienas que estavam com ele sorriram maliciosamente.

Eu também sorri.

—Um chute no saco e talvez três dentes quebrados. -Eu me virei e ele tentou segurar meu pulso. Pobre garoto burro.

Me desvencilhando da mão calejada dele, voltei a mesa e me abaixei até ficar na altura de seu rosto, o cheiro de bebida correndo por minhas narinas, meu estômago embrulhando de puro nojo. Mas antes que eu tomasse qualquer atitude, uma mão me segurou pelo ombro, me puxando para cima mais uma vez. Era Prongs.

—Camaradas. -Ele disse com um sorriso diferente de tudo que eu já tinha visto cruzar seu semblante. -Camaradas. -Ele repetiu, agora mais áspero, mais frio. -Vocês não acham que foi suficiente por hoje? Voltem para casa.

Aquilo não foi um pedido, subitamente eu entendi por que todos os garotos seguiam as ordens de Prongs.

O babaca-loiro-bêbado abriu a boca, um dedo molenga indo em direção ao peito de Prongs.

Num movimento tão rápido quanto quando ele estava em um dos jogos da Grifinória, ele segurou o dedo e o torceu para trás, formando um ângulo estranho. Seu rosto ainda sustentava o sorriso.

A boca do menino loiro se abriu num buraco negro de dor.

Os amigos dele pela primeira vez pareceram funcionar para mais alguma coisa além de dar risadinhas, se levantando subitamente.

—Eu não faria isso se fosse vocês. -James falou olhando no fundo dos olhos deles e torcendo mais um pouco o dedo. Os amigos voltaram a se sentar, os olhos arregalados, passando o olhar entre o amigo que se contorcia e James.

—Vocês vão para casa, sem cena, sem brigas. Vocês vão pagar a conta e sair. Passem o Natal com suas malditas famílias. -Eu assistia a tudo como uma espectadora infantil.

Aos poucos, Prongs afrouxou sua mão até que o bêbado estivesse livre.

Ele agarrou sua carteira e jogou o dinheiro em cima da mesa. Ele e os amigos saíram do bar xingando e disparando ameaças.

Quando a porta do bar se fechou mais uma vez, eu me virei incrédula para James.

—Só você pode se divertir? -Ele perguntou dando de ombros enquanto eu o encarava.

Mas ele não era assim. Ele não estava mais com o sorriso presunçoso no rosto, ele não estava relaxado.

Ele não era como eu ou Padfoot. Brigar, para ele, não era algo corriqueiro. Ele não se sentia confortável como eu, ou animado como Sirius.

Ele brigava por quê era necessário e isso não era qualquer motivo de orgulho.

Para James, atacar era uma forma de defesa, e ele só defendia os outros.

Nesse segundo eu entendi que o que quer que Lucius tivesse dito para ele durante o último jogo, não o atingiu o pessoalmente, atingiu algum de seus amigos. Foi por isso que ele atacou, é por isso que ele briga.

—Eu tinha tudo sobre controle, -Eu disse muito séria. Ele assentiu, olhando para baixo, para um ponto no chão entre nós dois. Sem nem ao menos pensar sobre isso, eu tomei a mão entre as minhas. Ele tremia. -Prongs. -Ele ergueu olhos cor de caramelo me encarando profundamente. -Obrigada.

—Aquelas batatas fritas e cervejas não vão se vender sozinhas. -Ele disse apertando minha mão e se soltando logo em seguida.

—É, não vão. -Eu murmurei só para mim. Enquanto ele voltava a atender duas senhoras numa mesa, eu agarrei o dinheiro e a nota de cinquenta. -Gorjeta é gorjeta. -Eu coloquei a nota no bolso, uma sensação estranha sobre meus ombros e voltei ao trabalho.

—X-

—SIRIUS! -Eu gritei pela terceira vez e ele finalmente se virou. -Preciso de um “dry Martini”, batido.

—Pede pro Thomas. -Ele disse se virando mais uma vez para as duas meninas que estavam apoiadas de maneira estratégia no balcão. Uma delas deu uma risada suave pousando a mão sobre o braço dele.

Eu não me preocupei em dizer que Tommy estava muito ocupado cuidando de tudo enquanto ele flertava com toda e qualquer garota. Eu apenas fiz meu caminho entre as duas, empurrando a mais baixa, de cabelos coloridos, para o lado e gritei mais alto que a música.

—Vocês sabiam que ele tem gonorreia? Ele pegou da namorada dele!

O queixo das duas caiu ao mesmo tempo. Não fosse pela música tão alta, eu poderia apostar que eles até fizeram barulho ao cair.

A mais alta, de pele oliva e olhos verdes puxou a mão com rapidez de perto de Sirius.

—ISSO É MENTIRA! -Ele gritou, mas era tarde demais. As duas se levantaram, um misto de irritação e nojo estampados no rosto e foram para o mais longe possível do bar. -O que você... -Ele começou, mas eu o cortei.

—Sorte a sua que elas não te bateram. Agora, eu preciso de um “dry Martini”, batido.

—WORMTAIL VOLTA AQUI!

Mas eu já estava longe.

—X-

—Tudo bem por aí garotão? -Eu disse me apoiando no caixa. Eu tirei minhas botas por um segundo, meus pés estavam me matando.

—Já te falei que meus pais querem que eu faça economia? -Remus falou, segurando duas comandas nas mãos, o olhar perdido por detrás dos óculos que ele detestava, os pensamentos muito longe do nosso mundo.

—Não?

—Eles querem. Bem... não eles. Meu pai. -Eu nunca tinha ouvido Remy falar sobre o pai dele. Eu o olhei curiosa. Ele ainda encarava as comandas, como um quebra-cabeça muito difícil. -Ele fez economia também. Ele acha que assim eu posso tomar conta dos negócios dele. Manter na família, entende? –Dentro do caixa eu podia ver duas latinhas vazias de cerveja. -Cortesia do seu namorado? -Perguntei com um sorriso.

—Thomas não é meu namorado. -Ele respondeu irritado. Eu levantei os braços como quem se rende.

Nós ficamos mais alguns segundos em silêncio. Eu notei que do lado dele Gato ronronava baixinho.

—E você?

—Eu o quê?

—Você me disse o que seu pai quer que você faça, mas o que você quer fazer?

Moony me dirigiu um olhar engraçado, como se eu tivesse falado com ele em uma língua que ele desconhecesse.

—Ninguém nunca te perguntou isso, não é?

Ele permaneceu em silêncio, os olhos grudados nos meus. A luz verde do Cavern passando como uma sombra por seu rosto pálido. Remus era lindo, mas não como Sirius ou James. Os meninos tinham plena certeza que eram bonitos, agora Remy não. Era como se o mundo guardasse esse segredo dele.

Eu sorri e lhe dei um beijo na bochecha. Calçando mais uma vez as botas eu repeti.

—E você Remus Lupin? O que você quer?

—x-

Remus devolveu o troco do último cliente e instantes depois, Thomas trancou a porta do Cavern.

—Podia ter sido pior. -Prongs falou bagunçando, ainda mais, os próprios cabelos.

Nós o ignoramos e ignoramos seu maldito positivismo.

—Eu posso dormir por três dias seguidos. -Sirius falou se largando em uma das cadeiras.

—Engraçado, por que eu tenho certeza que você passou metade do tempo dando em cima de tudo que se mexia ao invés de trabalhando.

Eu, que estava terminando de tirar mais uma vez as minhas botas, parei no meio do movimento. Eu tinha ouvido aquilo mesmo?

—Como é que é, Surrane? -Sirius por outro lado parecia ter certeza do que ouviu.

—Você me entendeu, Black. -Thomas falou andando em direção à Padfoot.

Merda, merda, merda.

Eu e James nos movemos sincronia, ele largou o copo no qual estava bebendo uma dose de qualquer-coisa-amarelada e colocou as mãos em formato de garra nas costas de Sirius, mantendo ele bem preso à cadeira. Enquanto eu, um pé com bota e o outro sem, me levantei espalmando a mão direita contra o peito de Thomas.

—Que tal um cigarro hein Tommy? Só eu e você? -Nenhum dos dois cortou o contato visual e o clima no salão era quase palpável.

Eu não olhei para Remus, que ainda estava no caixa pendurando as últimas contas, eu apenas agarrei o pulso de Thomas com força e o arrastei ele para fora do Cavern.

—Que porra foi essa Thomas?! -Eu me sentei na mureta que cercava o estacionamento e ele se sentou do meu lado. Sem pedir licença eu enfiei minha mão dentro da jaqueta dele e puxei um maço de cigarros. Eu estralei os dedos impaciente e ele me entregou um isqueiro.

Dei uma tragada longa para varrer todas as sensações estranhas que aquela noite tinha me causado e enfim olhei para ele.

—Que porra foi essa Tommy? -Eu falei bem menos irritada, mas igualmente curiosa.

—Seu amigo me irrita.

—Você pode entrar na fila. -Eu tentei fazer com que ele me olhasse, mas ele encarava meu pé calçado apenas com uma meia cinzenta contra o chão poeirento, eu puxei seu queixo até que seus olhos encontrassem os meus. -O que foi?

—Eu gosto mesmo do Remus.

—Pode entrar na fila. -Eu dei uma risada, ele sorriu. Um avanço.

—Eu tô falando sério Mini.

Eu dei tempo para ele organizar as ideias.

O vento frio entrando e saindo dos meus pulmões me fez sentir bem de novo, eu olhei para Tommy enquanto ele mordia o lábio inferior e procurava as palavras certas. Naquele momento, ele não pareceu ter mais do que doze anos.

—Remus é muito especial... -Ele começou mas se deteve mais uma vez.

—Você parece sua mãe falando. -Eu não cheguei a conhecer Donna, mas minha mãe vivia contando histórias sobre como ela só via as coisas boas nas pessoas. Talvez seja assim quando nós morremos, as pessoas só se lembram dos momentos felizes.

Talvez eu fosse ingrata por só lembrar do sofrimento que minha mãe causou a si mesma e a mim.

Thomas deu um sorriso de lado e apoiou a cabeça na curva do meu pescoço, ele era bem mais alto que eu e isso demandou algum esforço da parte dele, mas depois de algumas tentativas, ele estava confortável.

—Será que elas pensam em nós? -Ele disse com os olhos bem fechados, eu podia sentir seus cílios roçando contra meu pescoço.

—Acho que essa é a nossa parte.

Nós passamos um longo momento em silêncio. Apenas nossa respiração formando espirais de vapor e os carros na rodovia ao longe.

Eu corri meus dedos pelos cabelos claros de Thomas do mesmo jeito que minha mãe costumava fazer comigo. Cheguei a pensar que ele tivesse pegado no sono, mas então sua voz cortou mais uma vez o silêncio.

—Você acha que eu tenho alguma chance? -Ele levantou a cabeça e fitou meus olhos.

—Sobre o que?

—Remus.

Os olhos dele eram de um azul escuro quase da cor do céu que nos abraçava, ele manteve o olhar sem hesitar.

—Eu tenho alguma chance com ele, ou eu sou só uma distração?

Ele não hesitou, eu sim.

Ele se levantou, mas eu o puxei de volta.

—Ninguém pode te impedir de tentar, Tommy. -Eu não sabia que rumo a conversa ia tomar, mas eu estava sendo sincera.

Ele deu uma risada triste, voltando a encarar o chão.

—Tentar...

—Não se faça de vítima, esse é meu trabalho.

—Touché.

Nós dois sorrimos. Remus Lupin tinha essa coisa que fazia com que as pessoas sorrissem mesmo não estando presente.

—Ele é um amor. -Eu ressaltei distraída.

Thomas concordou, um sorriso tímido e foi em direção ao bar mais uma vez.

—Sem mais atritos com o Sirius, a culpa não é dele, na verdade. Entendidos?

—Sim senhora.

Notas finais
♥