As reuniões e compromissos começaram no dia seguinte, juntamente com sua vida de CEO da empresa. Justin acordara as seis horas da manhã, chegara no prédio da empresa para trabalhar, as seta horas e sairá apenas as nove horas da noite. Seus planos de encontrar Amelia e cobrar o arquivo foram por aguá abaixo quando se viu preso dentro da empresa, mergulhado no imenso mar de responsabilidades que o cercavam.

Ao chegar em casa, ele se caiu no sofá exausto. Ao olhar para o relógio soltou um suspiro frustrado.Estava muito tarde, claro que o combinado ficaria para o dia seguinte. Ele deitou a cabeça no encosto do sofá e fechou os olhos cansado, foi quando ele ouviu passos vindos da escada de incêndio, estavam cada vez mais próximos. Justin correu para a areá de serviço do apartamento, onde a escada estava, pegou um cabo de vassoura e se preparou para lutar caso fosse necessário.

Ele só viu um vulto pulando para dentro da casa. Justin o atacou, desaparecendo juntamente com o cabo de vassoura, mas o ser desviou de todas as tacadas investidas pelo atacante. Ao reaparecer, ele sentiu apenas o cabo de vassoura ser tirado de sua mão e um chute encaixado em sua barriga. Justin caiu no chão perto da porta, e o vulto se aproximou dele segurando o cabo, e antes que ele pudesse reagir, o ser avançou com movimentos rápidos parando a poucos centímetros dele.

— É assim que você recebe visitas? — Justin ouviu uma voz feminina falando, e quando as luzes foram acesas, ele a reconheceu na hora.

— Amelia!

— Já disse, para não me chamar de Amelia! — Ela jogou o cabo longe e o ajudou a levantar.

— Prefere que eu te chame de Chilli? — Justin ajeitou sua camisa e olhou para a garota, sorrindo.

— Me chame de Amy… — Ela saiu entrando na casa, passando por ele — Essa espelunca aqui é bem grande, não é?

— É… — Justin da de ombros e a segue — Você trouxe o que eu queria?

— Sim! — Ela colocou a pasta na mesa de centro da sala, e se sentou em uma poltrona, colocando os pés em cima da mesa.

— Você é bem folgada, não é? — Ele se sentou no sofá, e pegou a pasta de cima da mesa para dar uma olhada.

— Sou sim… — Ela sorri apoiando as mãos nos braços da poltrona — Ei, muito da hora aquele lance de ficar invisível que você fez agora pouco, infelizmente, você tem que melhorar sua habilidade em luta... — Amy desceu os pés e apoiou os cotovelos nas pernas olhando para Justin — É mercenário?

— O que?! Não! — Ele riu — Ei, você não estranhou eu ficar invisível? — Justin voltou a pousar a pasta na mesa e olhar para a garota.

— Não, já vi coisas tão inacreditáveis que nada me surpreende agora… — Amy voltou a se levantar — Sabe, Dusty… Posso te chamar de Dusty? — Ele concordou com a cabeça — Eu acho que você tem potencial para fazer mais do que ficar sentado atrás de uma mesa ouvindo caras engravatados falando bobagens — Ela andava em volta da mesa de centro ilustrando suas falas com as mãos.

— Sim, mas eu prometi para Lara que não me meteria em problemas— Justin a observava caminhando pela sala, agora ela se aproximava de onde ele estava.

— Mas ela não sabe que você fica invisível e também não sabe que você luta… — Ela se ajoelhou no sofá em que ele estava sentado, se inclinando para o lado dele — E você fala isso como se contratar mercenários não fosse nada problematico…

Ela estava tão perto que Justin podia sentir o doce cheiro de pimenta que estava empregando em seus cabelos, se lembrou então do ramo em que a mulher trabalhava quando não era mercenária. Ela era dona de três restaurantes pela cidade. Conseguira se enriquecer no ramo de mercenária e investir mais em seus restaurantes, logo seus três restaurantes de comida mexicana se tornaram famosos e Amélia ganhou uma incrível vida dupla, de dia administrava seus restaurantes e de noite trabalhava como mercenária.

— Não… — Ele a olhava, controlando a proximidade entre os dois. Fazia tempo dês da última vez que estivera sozinho com uma mulher que não fosse da família ou uma das médicas que o tratavam, e a proximidade o deixava nervoso.

— Ouviu isso? — Amy se levantou, se afastando.

— O que? — Justin se levantou se pondo ao lado da garota.

— Um grito! — Ela pegou o cabo de vassoura que havia sido jogado ao lado do sofá.

Dessa vez Justin prestou mais atenção. O grito se repetiu, o jovem agora pode ouvir as exatas palavras emitidas pela mulher, Socorro!, mas ainda assim demorou um pouco para reconhecer a voz.

— Tia Lara! — Ele correu para a área de serviço do apartamento e pulou para a escada de incêndio, indo na direção em que ouvira o som.

Amy o seguiu carregando o bastão, mas ao invés de descer a escada como uma pessoa normal, ela se jogou da escada, abrindo os braços em queda livre, quando se aproximou do chão ela se agarrou no corrimão, deslizando os últimos degraus e caindo agilmente sobre o chão de asfalto.

Justin chegou pouco tempo depois e os dois correram até o local em que Lara estava sendo assaltada. Eram um grupo de cerca de seis homens, alguns armados, eles a pegaram quando ela estava chegando no prédio. Já haviam pegado sua bolsa, mas três deles queriam mais, principalmente vindo de uma mulher tão linda como Lara.

— Soltem ela! — Justin gritou, e Amy o lançou o cabo da vassoura do qual ele segurou no ar.

— Justin, saia! — Lara chorava amedrontada, enquanto era segurada contra a parede por um dos homens. Apesar do medo, não queria que algo acontecesse com seu sobrinho querido.

— Que valente! — Um dos bandidos riu olhando para Amy e Justin — Acho que você é sua namoradinha não aprenderam matemática na escola… Estamos em maior número!

— Cale a boca, seu merda! — Amy cuspiu. Seus olhos já brilhavam em um tom de roxo e as marcas da Lá Catrina já aparecia em seu rosto.

— Vejam só, a garotinha tem uma linguinha afiada! — Outro cara comentou rindo.

— Garanto á você — Ela sorri e saca as as lâminas escondidas nas botas — Não é só minha língua que é afiada!

Amy se lançou ao combate, atrás dela foi Justin que desapareceu junto de seu bastão. Os homens começaram a atirar, e durante vários minutos a batalha se deu em uma confusão entre tiros e lutas corpo a corpo. A polícia logo iria chegar, mas a vizinhança não se abalava muito com o tiroteio, já que era uma cena muito comum em Harway.

Depois de alguns minutos, Amy havia cortado a garganta de uns dois combatentes, Justin deixará dois inconscientes, movendo o bastão agilmente pela a escuridão, mas infelizmente um tiro o acertou no ombro. O resto dos bandidos fugiram e o beco voltou a se mergulhar no silêncio noturno.

— Conseguimos! — Ele exclamou, apesar da dor terrível no ombro, se sentia ótimo.

— Justin! — Amélia o olhava seria, e ao apontar para a tia a expressão de Justin também se escureceu.

— Lara! — Ele correu até a mulher que agora jazia no chão, sangrando quase perdendo a consciência. Durante o tiroteio ela acabara levando dois tiros no peito, e agora ela perdia sangue muito rapidamente.

— Justin… — Tia Lara juntou suas forças e tocou na face do jovem, acariciando seu rosto.

Logo sua mão e cabeça caíram e ela sem forças cedeu nos braços do sobrinho, cada vez mais próxima a morte. Dali alguns segundos o menino em desespero checou sua pulsação, que não deu sinal, logo ele abraçava o corpo sem vida de sua tia, sem saber o que sentir. Sentia uma mistura de surpresa, ódio e tristeza

Mas a cada minuto que se passava, Justin também perdia sangue e teve uma hora que este caiu no chão, vencido pelo cansaço, pela tristeza e pela dor.

Ao acordar, Justin se viu em seu apartamento, estava deitado no sofá, sem camisa com o seu ferimento no ombro aberto e sendo tratado. Amélia estava ajoelhada a sua frente, mexendo em frascos e panos na mesa de centro.

— Onde está Tia Lara? — Ele levantou sua cabeça a encostando na mesa de centro, a dor em seu ombro era insuportável, mas, pelo menos, Amy já havia retirado a bala.

— Morreu… — Ela aproximou um pano de seu ferimento, mas ele se afastou um pouco — A polícia chegou poucos minutos depois de você desmaiar, precisei te tirar dali… — Ela passou o pano no ferimento de Justin, o segurando contra o encosto do sofá, impedindo que ele se movesse.

— Não! — Ele tentou se soltar, parte porque sentia uma dor insuportável e parte porque queria agir, fazer algo a respeito.

— Justin! — Ela continuava segurando ele sem esforço — Não há nada que você possa fazer agora, sinto muito! — Amy se afastou após terminar de limpar a ferida.

— Vou me vingar! Matar os desgraçados que fugiram! — Ele se levantou por alguns segundos mas ela voltou a precioso contra o encosto enquanto colocava o curativo.

— Com o ombro assim você não vai a lugar nenhum!

— Você não é minha mãe! — Justin respondeu em um tom irritado, mas logo parou para olhar para Amy. Seus cabelos estavam presos em um rapo de cavalo e seu rosto estava coberto de sangue, seu e dos bandido, havia um corte profundo em seu braço e alguns pequenos cortes em se rosto, mas mesmo assim ela parecia perfeita — Ei, como você está? — Ele estendeu sua mão, limpando o sangue da face da jovem e tocando seu ferimento usando a outra.

— Bem… — Ela não pode deixar de sorrir, gostava dele, mas apesar disso não tinha total confiança e Justin.

— Foi mal por ter sido tão grosso… — Ele suspirou tristemente — Eu só quero vingança…

Amélia paralisou, ela sabia exatamente o que ele sentia, mas não deixaria ele seguir para o mau caminho como aconteceu com ela. Quando Chilli tomou conta dela naquele dia chuvoso na casa da mulher que matara a sangue frio, coisas horríveis aconteceram depois. Ela segurou as mãos deles, olhando diretamente para seus olhos azuis.

— Hoje à noite! — Ela sorria, ainda segurando as mãos dele — Me encontre acima do prédio Dantonw!

Dizendo isso, Amy se afastou, andando de costas até a janela aberta da sala, quando estava bem perto ela saltou de costas, desaparecendo na escuridão da noite.

Justin por mais que quisesse não conseguia sorrir, não sabia o que sentir. Ele não conseguira salvar Tia Lara, e se culpava por isso. Ele achava que ficar de luto seria a coisa certa a fazer, mas não sentia tristeza, sentia raiva e vontade de castigar os assassinos, e assim ele iria fazer.