Rainbow 5

3 Um passeio na praça


No raiar da manhã, a luz do sol dançava timidamente pelas cortinas do alojamento, iluminando suavemente os quartos onde Di e Lea dormiam profundamente após a noite tumultuada no beco sombrio. Jia, a colega de quarto pontual e diligente, caminhou silenciosamente pelos corredores, preparada para acordar suas amigas que, inevitavelmente, estavam atrasadas para o café da manhã.

Jia parou em frente à porta do quarto de Di e bateu levemente, abrindo-a com cuidado. O quarto estava repleto de luz matinal, e Di ainda estava deitada, coberta pelo aconchego dos lençóis. Jia se aproximou com um sorriso afetuoso e gentilmente tocou o ombro de Di.

"Di, está na hora de acordar. Vamos nos atrasar para o café da manhã", disse Jia, com uma voz calma e amigável.

Di murmurou sonolenta e esfregou os olhos, despertando lentamente. "Ah, Jia... Bom dia. Desculpe pelo atraso, eu estava tão cansada."

Jia sorriu, entendendo completamente a exaustão de sua amiga. "Não tem problema, Di. Você teve uma noite agitada, mas não podemos deixar de nos alimentar. Vamos, levante-se."

Enquanto Di se preparava para o dia, Jia caminhou pelo corredor e chegou ao quarto de Lea. A jovem estava deitada em sua cama, com uma expressão tranquila no rosto, mas Jia percebeu a sutil tensão em seus ombros, como se algo estivesse a incomodando.

"Lea, acorde! Estamos atrasadas para o café da manhã", disse Jia, sacudindo suavemente o ombro de sua amiga.

Lea abriu os olhos, revelando um brilho sonolento e uma ligeira expressão preocupada. "Jia? Ah, já estou indo...", respondeu, tentando parecer normal, mas sem conseguir esconder a dor persistente em sua cabeça.

Jia percebeu que algo estava errado, mas escolheu não pressionar Lea naquele momento. "Tudo bem, Lea. Não precisa se apressar tanto. Vou esperar por você lá embaixo."

Enquanto Jia saía do quarto, Lea se sentou na cama, massageando delicadamente as têmporas. Ela sabia que não podia revelar sua preocupação para as outras garotas, pois queria evitar que elas se preocupassem ou a tratassem de forma diferente.

Di e Lea se encontraram no corredor, ambas ainda exibindo uma aparência de cansaço. Di sorriu para Lea, mas seus olhos expressavam uma preocupação mútua, como se soubessem que algo estava incomodando a outra.

As garotas seguiram para o refeitório do alojamento, onde encontraram Sun e Song já desfrutando de uma refeição matinal. Di e Song trocaram um olhar desafiador, sutilmente reconhecendo a tensão entre elas.

Sun notou o clima carregado e, com sua personalidade descontraída, tratou de quebrar o gelo. "Ei, pessoal, acho que estávamos todos precisando de um pouco de descanso hoje de manhã. Como estão vocês?"

As garotas se sentaram à mesa, e o clima começou a se tornar mais leve com as conversas e risadas compartilhadas. Di e Lea, apesar do cansaço evidente em seus olhares, esforçaram-se para participar das animadas trocas de histórias e planos para o dia.

Após o café da manhã, as cinco amigas se dirigiram ao estúdio de dança no subsolo do alojamento. O local era amplo e estava bem iluminado, com espelhos refletindo a energia e o entusiasmo das garotas enquanto se preparavam para ensaiar as coreografias e praticar suas habilidades vocais.

Durante as horas seguintes, o estúdio ganhou vida com a dança sincronizada das cinco talentosas jovens, cada uma mostrando sua personalidade e estilo único.

Os passos de dança fluíam em perfeita harmonia, e suas vozes se entrelaçavam em harmonias cativantes. Cada movimento e nota cantada eram preenchidos com paixão e propósito, e o estúdio ecoava com o som da música e risadas.

Enquanto o dia avançava, o estúdio de dança continuava a ecoar com a música vibrante e os movimentos sincronizados das garotas. O ensaio da coreografia para sua principal música de trabalho estava em pleno andamento, e Di e Song pareciam disputar, de forma sutil, quem conseguiria chamar mais atenção do público no próximo show. Cada uma delas executava os passos da coreografia de forma ousada e sensual, exibindo sua confiança e sensualidade.

Di, com sua determinação feroz, lançava olhares desafiadores para Song, como se estivesse dizendo "Veja o que eu posso fazer!". Por outro lado, Song, com sua sensualidade, respondia com uma leve provocação, mostrando que também sabia como prender os olhares.

As cinco garotas já estavam exaustas após horas de ensaio intenso. O suor escorria pelo rosto delas, e a energia contagiante dos primeiros momentos agora era substituída por uma mistura de cansaço e entusiasmo pelo que estavam criando.

Di, em especial, começou a sentir uma estranha onda de frio percorrer seus ossos. Ela estremeceu, mas tentou ignorar o desconforto, pensando que poderia ser apenas a exaustão afetando-a. Enquanto isso, Lea, que também estava cansada, tinha uma forte dor de cabeça, o que não era comum para ela. Ela tentava disfarçar a dor, não querendo preocupar as outras garotas.

A temperatura do estúdio caiu repentinamente, de forma que as outras integrantes do grupo notaram, mas presumiram que fosse um problema no sistema de ar-condicionado. Sun, Song e Jia decidiram sair do estúdio para chamar alguém da manutenção e resolver o problema.

Com Di e Lea sozinhas, Lea percebeu o desconforto de sua amiga. Ela se aproximou de Di com delicadeza, preocupada com o estado dela. "Di, você está bem? Parece que está tremendo… muito."

Di tentou sorrir, mas a fraqueza em seus olhos não passou despercebida por Lea. "Estou bem, Lea… apenas um pouco cansada, acho que é só isso."

Mas Lea não estava convencida. Ela conhecia sua amiga muito bem e percebeu algo diferente na expressão de Di. Concentrando-se em seus poderes telepáticos, ela conseguiu captar os pensamentos agitados de Di, as preocupações e os medos que a atormentavam.

"Di, eu sei que tem algo mais acontecendo. Você está se sentindo frio por causa dos seus poderes, não é?" Lea disse calmamente, buscando acalmar sua amiga.

Di ficou surpresa com a percepção de Lea, mas sabia que não podia esconder a verdade dela. "Sim, Lea, acho que foi isso que causou essa onda de frio estranha. Estamos desenvolvendo nossos poderes, mas eles ainda estão fora de controle."

Lea assentiu, compreendendo a preocupação de Di. "Eu também senti algo diferente acontecendo comigo, principalmente essa dor de cabeça. Parece que nossos poderes estão reagindo às nossas emoções."

Di concordou. "Exatamente. Precisamos aprender a controlá-los, Lea. Somos mais fortes juntas, e tenho certeza de que com treino e dedicação, poderemos dominar nossos dons."

Lea pareceu hesitar por um momento, seus olhos revelando uma mistura de medo e curiosidade. "Eu... não sei, Di. Isso é tudo muito assustador para mim. E se não conseguirmos controlar nossos poderes e acabarmos machucando alguém?"

Di segurou as mãos de Lea com carinho. "Eu entendo seus medos, Lea, mas não podemos deixar que isso nos impeça de descobrir nosso verdadeiro potencial. Somos parte do Rainbow 5, e temos uma missão importante pela frente. Precisamos abraçar nossos dons e usá-los para o bem."

Lea olhou nos olhos de Di, sentindo-se fortalecida pela presença da amiga. "Você tem razão, Di. Juntas, podemos enfrentar qualquer desafio. Vamos treinar e aprender a controlar nossos poderes, e tenho certeza de que faremos coisas incríveis."

Enquanto as duas garotas conversavam, a onda de frio parecia diminuir, e a temperatura do estúdio começava a voltar ao normal. Sun, Song e Jia retornaram ao local, inconscientes das conversas profundas que aconteceram entre Di e Lea.

A noite chegou em Seul, tranquila como nunca antes, com uma brisa suave soprando pelas ruas desertas. Di caminhava silenciosamente pelo corredor do alojamento, envolvida pela penumbra da madrugada. Seus passos eram leves, como se temesse acordar as demais garotas. Sua mente estava cheia de determinação e curiosidade sobre seus poderes recém-descobertos.

Ao chegar ao quarto de Lea, Di entrou silenciosamente e se aproximou da cama onde sua amiga dormia pacificamente. Ela tocou gentilmente o ombro de Lea, acordando-a com cuidado. "Lea, acorde. Precisamos sair para treinar nossos poderes."

Lea piscou os olhos, ainda sonolenta, mas logo se deu conta do que Di estava propondo. "Di, é perigoso sair assim, especialmente durante a madrugada. E se formos descobertas?"

Di olhou nos olhos de Lea com uma expressão determinada. "Eu sei que é arriscado, mas precisamos aprender a controlar nossos poderes. É a única maneira de protegermos a nós mesmas e as outras garotas. Além disso, estamos próximas de uma praça tranquila onde não seremos perturbadas."

Lea suspirou, entendendo a preocupação de Di, mas ainda relutante. "Tudo bem, eu entendo que queremos nos aperfeiçoar, mas temos que ter muito cuidado. Prometa que voltaremos ao alojamento assim que nos sentirmos inseguras, combinado?"

Di assentiu, satisfeita com a concordância de Lea. "Prometo. Vamos sair e seremos cautelosas."

As duas garotas saíram silenciosamente pela porta da frente do alojamento, deslizando pela escuridão da madrugada. O céu estava estrelado, iluminando fracamente o caminho delas. A praça próxima estava deserta, oferecendo a privacidade de que precisavam para treinar sem interrupções.

Di e Lea se posicionaram no centro da praça, olhando uma para a outra com determinação nos olhos. Di respirou fundo e se concentrou, invocando seus poderes de gelo. Ela estendeu as mãos à sua frente, focando toda a sua energia para criar um pequeno bloco de gelo.

Gotículas de suor se formaram na testa de Di enquanto ela lutava para canalizar suas habilidades, mas nada acontecia. O bloqueio estava lá, a energia não fluía livremente como ela esperava.

Lea observava, com seu coração apertado por ver a amiga se esforçando tanto. "Di, talvez você esteja tentando demais. Relaxe e se concentre, deixe que a energia flua naturalmente."

Di respirou fundo novamente, seguindo o conselho de Lea. Ela se concentrou em liberar a tensão que a consumia, permitindo que a energia de seus poderes fluísse suavemente. E então, aos poucos, um pequeno cristal de gelo começou a se formar em suas mãos.

Lea sorriu, encorajando-a. "Isso aí, Di! Você está conseguindo!"

Em meio à calma da noite, Di finalmente conseguiu controlar uma parte de seus poderes e criar o gelo à sua frente. Ela segurava o cristal com admiração e gratidão. "Lea, obrigada por estar ao meu lado, nós conseguimos! Você é incrível."

Lea sorriu, sentindo uma profunda conexão com a amiga. "Nós somos incríveis juntas, Di. Agora é a minha vez."

O céu da praça estava salpicado de estrelas, iluminando a noite com um brilho mágico. Di estava sentada em um banco de madeira, observando atentamente Lea, que estava de pé, concentrando-se em seus poderes telepáticos. As mãos de Lea tremiam levemente, revelando a ansiedade que sentia enquanto tentava acessar a mente de sua amiga.

Di encorajava-a com um sorriso gentil. "Vai dar certo, Lea. Apenas respire fundo e se concentre."

Lea assentiu, fechando os olhos com determinação. Ela se esforçou para se conectar com a mente de Di, mas sentiu uma barreira intransponível. Sua dor de cabeça se intensificou, e ela soltou um suspiro frustrado.

"Eu não consigo, Di", disse Lea, com a voz embargada. "É como se houvesse uma parede bloqueando meus poderes."

Di se levantou e se aproximou de Lea, colocando uma mão reconfortante em seu ombro. "Não desista, Lea. Você é forte, e tenho certeza de que conseguirá. Tente novamente, mas não force demais."

Lea respirou fundo e tentou mais uma vez, concentrando-se com toda a sua determinação. De repente, seus olhos se reviraram e uma imensa onda de energia emanou de seu corpo. Ela flutuou alguns centímetros acima do chão, surpreendendo Di.

A energia em torno de Lea estava descontrolada, e Di foi empurrada violentamente para trás. O tempo pareceu desacelerar enquanto Lea involuntariamente acessava a mente das pessoas nas ruas próximas. Ela podia sentir seus pensamentos e medos, e a sobrecarga de informações a deixava cada vez mais aflita.

Lea tentou cortar a ligação telepática, mas suas habilidades estavam fora de controle. Di, mesmo atordoada pela força da energia, correu em direção a Lea, preocupada com sua amiga.

"Lea, concentre-se em mim! Você consegue superar isso", gritou Di, lutando para se aproximar de Lea.

A dor de cabeça de Di aumentava, ela sabia que a causa disso era o poder descontrolado de Lea. Com determinação, ela alcançou a amiga e a envolveu em um abraço caloroso, transmitindo-lhe uma sensação de calma e segurança.

A energia ao redor de Lea finalmente começou a diminuir, e ela desceu lentamente ao chão. Seu nariz sangrava, e ela estava visivelmente exausta. Di ajudou Lea a se levantar e as duas garotas se apoiaram uma na outra enquanto caminhavam de volta ao alojamento, escondendo-se nas sombras para não chamar a atenção.

Elas finalmente entraram no alojamento e concordaram em manter aquele evento em segredo. O medo de serem julgadas ou rejeitadas por suas habilidades incomuns as mantinha cautelosas.

"Vamos descansar, Lea", disse Di com gentileza. "Amanhã, continuaremos nosso treinamento juntas, e tenho certeza de que vamos aprimorar nossos poderes de forma segura e controlada."

Lea assentiu, com gratidão nos olhos. "Obrigada, Di. Eu não sei o que faria sem você."

As duas garotas se recolheram em seus quartos, exaustas e prontas para dormir.