Rain
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Título: Rain
Fandom: the GazettE
Casal: Reita x Ruki
Gênero: Romance/Yaoi
Sinopse: “Mas algo que talvez Reita jamais soubesse, foi que eu nunca consegui deixar de pensar em como seria bom estar com ele.”
Informação 1: Escrito numa tacada só, então perdoem os erros xD
Informação 2: Título tirado da música do Creed, com o mesmo nome. Que super hiper ultra recomendo!
Informação 3: Tem continuação, no POV do Reita.
Direitos Autorais: Dia desses aí comprei eles aqui na Uruguaiana... tudo bem que de vez em quando eles começam a falar espanhol, mas a moça da loja me garantiu que eram os verdadeiros!
Rain
Ruki POV
Eu não sabia bem quando aquilo tinha começado.
Ou talvez soubesse.
Quer dizer, nós éramos amigos havia tanto tempo que imaginar algo além disso não passaria de um simples sintoma de problemas mentais sérios.
Mas depois de tudo que eu havia passado, talvez devesse marcar uma consulta com um neurologista. E um psiquiatra.
Ou ambos.
Porque eu estava vendo-o sim com outros olhos.
E – era difícil para eu admitir no começo – que meus olhos o seguiam muito mais do que seria considerável saudável para um amigo.
Can you help me out, can you lend me a hand?
It\'s safe to say that I\'m stuck again
Claro que no começo de tudo aquilo – depois de uma maldita decepção amorosa que quase havia me levado a beira da loucura. – eu caí na tão conhecida negação.
Neguei os óbvios arrepios quando ele me tocava, ignorei os olhares mais longos que lançava em sua direção e o nervosismo irritante quando ele se atrasava.
Oh, ele havia me tirado o controle sobre mim mesmo!
Claro que a culpa era inteiramente do destino – com seu humor mesquinho e cruel – que me havia empurrado para sua casa, depois do rompimento de tempo demais de um relacionamento.
O mesmo destino o fez colocar aquela música, que me fez chorar como um bebê, abraçado ao seu corpo, sentindo seus dedos em meus cabelos, os lábios em minha testa, tentando ser doce, me dizendo que tudo bem um homem chorar.
Mas não estava tudo bem.
O mundo tinha ruído pra mim naquele mesmo instante e ele... ele foi quem começou a me ajudar a juntar os pequenos pedaços, colocando-os em seus devidos lugares e o que não pode ser posto de volta, ele apenas me ajudou a descartar.
Moldando tudo junto comigo.
-Eu não entendo, Aki... não devia doer tanto...
-Mas vai doer, Taka, vai doer até você não agüentar mais... e então vai passar.
E o baixista estava malditamente certo.
Havia passado.
Mas quando passou... eu desejei que tivesse durado um pouco mais, só para não ter que encarar outro problema.
Trapped between this life and the light
I just can\'t figure out, how to make it right...
Me lembro de ter dormido na sua casa naquele dia, confortavelmente enroscado no seu sofá, chorando baixinho, tentando achar um lugar mais confortável para aquela dor que estava alojada no meu peito.
Porque eu também sabia que ia passar, aquela era minha natureza e sempre seria.
As coisas acontecem, as coisas acabam e você segue em frente.
É um ciclo perfeito que sempre fiz questão de seguir.
Claro que me apaixonava, claro que amava sem medida, mergulhava de cabeça, simplesmente porque não conhecia outro jeito de mergulhar, criava expectativas, sofria quando tudo terminava. Eu sempre achava que era pra sempre.
Mas nunca era.
E eu era bom em lidar com isso.
Porque – natureza mesquinha a minha! – quisera meu jeito que eu jamais, em situação nenhuma, deixasse uma oportunidade passar.
Infelizmente caía no estúpido clichê de fazer tudo que queria porque insistia que nunca sabia o dia de amanhã. E se eu morresse?
Mas não tão sem medida assim.
Oh, era uma estupidez sem tamanho, mas me fazia feliz.
Que fosse por cinco minutos... que uma oportunidade me desse míseros cinco minutos de alegria, eu já estava mergulhando, sem proteção, ávido, buscando aquele prazer, aquela sensação que só os que se permitem são capazes de sentir.
Mas eventualmente o fundo da piscina chegava e não havia freios ou apoios.
Algumas vezes, meu coração tentava falar – embora soe estúpido – e tentava me mostrar que tudo aquilo era apenas uma busca incessante por algo que pudesse me fazer parar. Alguém que pudesse me segurar, pudesse me tornar constante.
No fundo, eu só buscava algo.
E por mais que tentasse ignorar... eu sabia disso.
A thousand times before
I\'ve wondered if there\'s something more... something more...
Nas minhas ilusões – porque nem delas eu me privada – eu queria encontrar alguém que pudesse me colocar freios, que pudesse me fazer sentir feliz em ficar em um lugar só.
Que pudesse me fazer sentir borboletas no estômago por mais que só alguns meses. E quando isso acontecesse, então... eu saberia.
Uma pessoa calma, oposta, capaz de me colocar num caminho reto, sem desvios, onde eu pudesse seguir.
Realmente feliz.
E eu sabia que esse alguém existia que, mais dia ou menos dia, eu iria encontrá-lo.
Mas não seria estúpido de me privar de todos os prazeres da vida, apenas aguardando essa pessoa, porque poderia ser qualquer uma. Meu primeiro namorado, aquele caso de meses atrás.
O atendente da padaria, o cara que entregava pizza.
Como saber?
Mas depois daquela noite, ajeitado nos braços de um dos meus melhores amigos, eu tive a sensação incômoda de que isso que eu tanto buscava estava perto.
Só não conseguia enxergar.
Ainda.
I feel it\'s gonna rain like this for days
So let it rain down and wash everything away
E quando eu realmente enxerguei percebi que ali estava o problema.
Eu deveria ter me mantido cego.
Porque eu poderia saber que seria arriscado, eu sabia que iria ferrar com toda minha vida se permitisse que minhas ações tomassem os rumos dos meus pensamentos, mas mais do que isso... eu sabia que não iria resistir.
Não iria conseguir ignorar o calor, o medo, a ansiedade e tudo mais.
Eu ria foder com a nossa amizade.
E se eu iria mesmo fazer isso, não havia outro caminho – me conter estava fora de cogitação – que ao menos por um tempo pudesse valer a pena todo o estrago que viria depois.
I hope that tomorrow the sun will shine
With every tomorrow comes another life...
Eu sabia que ele me achava inconseqüente, que eu não valorizava nada além dos amigos e até aquilo eu iria tentar destruir por apenas algum tempo de felicidade.
Mas como saber o que realmente vale a pena?
Como enfiar naquela cabeça dura que eu só estava tentando aquilo porque... ele era perfeito. Pra mim.
Tão centrado, tão cheio de princípios, tão... certo de tudo.
Era dele que eu precisava para tentar aquele caminho... aquele sem desvios.
I feel it\'s gonna rain, for days and days
Mas ele não era adepto a mudanças, ele tinha medo de arriscar o que tínhamos, ele tinha medo... de me magoar.
E aquilo era tão absurdamente adorável que, por um momento – que durou menos de um segundo – pensei em desistir de tudo e simplesmente seguir a vida do jeitinho que estava.
Embora pareça que não, eu me debati o bastante para querer me internar quando aquela questão saltou aos meus olhos.
Estava apaixonado pelo meu melhor amigo. Baixista da banda da qual eu era vocalista. Apaixonado por um cara que eu via 12 horas por dia, pelos últimos sete anos.
As implicações eram tantas, os problemas vislumbrados tão enormes que temi sufocar no meio de tantos contras.
Mas então o olhava, ouvia seu jeito de falar, realmente ouvia o que ele dizia e era como se ocorresse um grande ‘click’ na minha cabeça e tudo funcionasse. Como se ele fosse a maldita peça que faltava e estava na minha frente o tempo todo.
Ele podia me fazer sentir de uma forma que eu nunca fui capaz de sentir.
Completo.
Mas não fazia sentido para ele, não fazia sentido um amigo de repente resolver que dormirem juntos estava tudo bem, que um amigo pudesse ter caído de amores e imaginado todo um futuro perfeito quando ele não sentia o mesmo por mim.
Ele não conseguir entender como – depois de tantos anos – eu podia acordar um dia e resolver que estava apaixonado por ele.
Nem eu entendia, só sabia que naquele dia, quando invadi seu apartamento, pateticamente triste por algo que eu sabia que ia terminar, algo ali iniciou.
A peça que faltava se encaixou e todas engrenagens começaram a funcionar.
E eu estava apaixonado por ele.
I tried to figure out, I can\'t understand...
What it means... to be whole again...
Trapped between the truth and the consequence
Nothing\'s real, nothing\'s making sense...
Se eu pudesse escolher, não escolheria aquela situação.
Não com ele me olhando daquela forma, fugindo dos meus toques – que antes eram tão normais – evitando contato, conversas e tudo mais que pudesse implicar em entrar em um assunto que traria de volta aquele olhar surpreso e a negação já pronta em seus lábios.
-Eu gosto muito de você... você sabe disso, mas... apenas como amigo.
-Do que você tem medo?
-Não é medo, eu não consigo te olhar dessa forma...
E ele era um medroso.
Porque ele me olhava sim dessa forma, ele me desejava, ele me queria, mas havia exposto tantos pontos contra um envolvimento nosso, que fiquei tonto na hora, apenas dando de ombros e afirmando que tudo ficaria bem.
A thousand times before
I\'ve wondered if there\'s something more... something more...
Mas não ficaria.
Embora eu houvesse sim tentado colocar aquela idéia de lado, ter tentando fazer com que tudo voltasse ao normal, tentado ignorar o calor, os sorrisos, os suspiros, os sonhos, falhei miseravelmente, embora sem consciência imediata disso
Porque tudo estava fadado a passar.
Tudo mais na minha existência havia passado, tudo havia transitado pela minha vida, deixado marcas e desaparecido. Porque era assim que as coisas eram.
Nós pegamos tudo de bom que podemos de uma situação, de uma pessoa e então... então passa e novas oportunidades surgem e, depois de um tempo, você já nem lembra mais daquele primeiro rosto.
Não porque você não quer, mas porque a vida é feita de sobreposições.
Nada é imutável.
E se algo é bom... por que não tentar?
Porque o maldito medo do futuro, de dar errado, de foder com tudo tinha sempre que impedir que boas coisas fossem vividas?
Ele e eu... seria maravilhoso.
Nós dois sabíamos disso, mas ele... ele não conseguia entender porque eu queria tanto arriscar uma amizade perfeita por algo que talvez não desse certo.
O maldito talvez.
-E se pudesse dar certo, Aki? E se nós dois... e se for pra ser?
-E se der errado...?
-Nós vamos seguir!
-É um risco muito grande!
E ele não entendia que eu só queria aquele risco porque... valia a pena.
Ele valia a pena.
Fall down, wash away my yesterdays
Fall down, so let the rain fall down on me...
Foram meses.
Malditos meses preso naquela indecisão dele, naquela incapacidade de ver que se algo desse errado… a vida iria seguir.
Mas se desse certo... deus, valeria muito mais que a pena.
Juntos, teríamos muito mais, viveríamos muito mais, seríamos absurdamente felizes, por tantas razões que, na nossa última discussão, falei até que o fôlego se esvaísse e as palavras simplesmente saíssem em um tom que eu não queria saíssem.
Chorosas.
Porque a minha convicção estava caindo por terra, porque eu não conseguia fazer ele enxergar o quanto valia a pena.
E se tudo fosse pro inferno... tudo seria levado pelo tempo, mas as lembranças boas que teríamos seriam pra sempre.
Porque lá na frente... quem se lembra do que foi ruim?
I feel it\'s gonna rain like this for days
Let it rain down and wash everything away
E foi nessa discussão, nesse absurdo de conversa, onde eu tentava convencê-lon que percebi que talvez não fosse pra ser.
Não por medo de dar errado.
Mas porque ele não gostava de mim daquela forma.
E depois de tanto tempo, era tão óbvio que eu não seria capaz de fazê-lo se sentir desse jeito, que eu só pude sorrir, sem humor algum, aceitando minha derrota, com um dar de ombros, cansado e a cabeça balançando, assentindo quando ele me expôs – mais uma vez – os motivos de não se arriscar comigo.
Porque eu havia aprendido com a vida que jamais, em hipótese nenhuma, podemos obrigar uma pessoa a fazer algo que queremos e ainda sim obter a mesma satisfação que teríamos caso a vontade partisse espontaneamente da mesma.
Joguei meus braços pro alto mentalmente e virei minhas costas, revoltado, um pouco magoado e realmente querendo entender como ele podia não enxergar como seria perfeito.
Lamentava mais pela oportunidade perdida do que pelo sentimento.
Nós dois... oh, éramos tão completos juntos.
Claro que podia até mesmo admirar a forma que ele tentava com tanto afinco não me magoar, mesmo me rejeitando.
I hope that tomorrow the sun will shine
I feel it\'s going to rain like this... rain like this...
E nos meses seguintes – quando toda essa história completou um ano – eu me permiti lamentar que aquela história não tivesse tido um final exatamente feliz.
Porque continuamos amigos, continuamos nos relacionando bem e ele era tão bom quanto eu em deixar as coisas no passado.
Mas algo que talvez Reita jamais soubesse, foi que eu nunca consegui deixar de pensar em como seria bom estar com ele.
Ele jamais – em hipótese alguma – teria conhecimento de que meus sentimentos não haviam desaparecido e que, mesmo que tivesse dito – e mentido descaradamente – eu não havia me confundido, eu não havia me enganado.
Eu tinha me apaixonado por ele.
E ainda continuo apaixonado.
Até hoje.
So let the rain fall...
I feel it\'s gonna rain this... rain like this...
So let the rain fall down...
I feel it\'s gonna rain like this...
Notas finais
Sei que é meio triste, mas tem continuação no POV do Reita, com outra música do Creed, logo eu posto
Enfim... fic nova mesmo
To orgulhosa de mim mesma xD *apanha*
Mas não foi betada, ninguém leu antes de eu postar então... perdoem os erros, ok?
Espero que gostem e até a próxima!
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