Ragnarök

1 Prólogo - "Não são só histórias.."


Notas iniciais
Curiosidades:

- os nomes dos personagens são todos inspirados na mitologia nórdica, assim como será boa parte da fic e possuem um significado especial;

- as localidades citadas em Midgard (Terra) são reais;

- em inglês, a palavra Friday (Sexta-feira) tem origem etimológica baseada na Deusa Freya;

- Mamãe, por favor ... só uma – implora Broom.

- De onde vocês tiraram isso de contar histórias ? – replica a mãe embravecida.

- Da Tia Friday ... – responde Siegfried

- Não sou a Tia Friday, não vou ficar contando histórias para vocês dormirem. E eu vou ter uma conversinha com ela, que tipo de histórias ela anda contando ? – pergunta a mulher.

- Sobre R-Ragarok, até a Crim gosta, não é Crim ? – diz a menina com o bebê no colo.

- É Ragnarok sua burra – corrige Bjorn com rispidez.

- Isso é jeito de se falar com sua irmã moleque ? – diz a mãe com ainda mais rispidez.

- Mas você fala assim ... – comenta Siegfried.

- Eu sou a mãe, é diferente .. e que história é essa ? – pergunta Hilda.

- Sobre um lobo que vai acabar com o mundo. – responde Broom com inocência.

A mulher então se espanta, ouvir aquelas palavras de sua própria filha depois de todos esses anos era demais para ela.

- Já chega ... meninos vão para o quarto de vocês. AGORA! – diz a mulher mais assustada do que brava. – Vocês são só crianças ..

Os meninos prontamente obedecem e se dirigem-se para o quarto ao lado enquanto Hilda punha a bebê em sua pequena cama e beijava Broom.

- Desculpe mamãe, eu só ... só queria saber. – diz a menina quase chorando.

- Minha filha ... – falava a mãe passando a mão pelos cabelos loiros e claros que marcavam os quatro. – eu que peço desculpas, mas não está na hora para isso, é uma história triste e cheia de horrores que crianças não deviam conhecer. Além do mais é só uma história... agora vá dormir.

É só uma história. Anos se passaram e eles nunca mais questionaram sua mãe sobre esse assunto, era proeminentemente proibido dois assuntos naquela pequena casa na Noruega. Ragnarok e o papai. Os quatro nunca conheceram seu pai mas assim como a velha história, isto não os incomodavam mais e seguiram em frente.

E é claro que depois de ser delatada a Tia Friday nunca mais cuidou deles. Tia Friday era uma das melhores amigas de Hilda, a ponto de serem chamados de ‘ Tia ‘ por seus filhos, mas mal a viram depois daquela noite.

Cresceram então como crianças normais norueguesas, iam à escola e tudo mais. Até que o passado ou melhor o futuro os chamava, reclamava o legado que estavam destinados a deixar, não só para este mundo .. mas para todos os reinos.

- Anda logo Crim, não quero perder o ônibus para casa – berrava seu irmão mais velho Bjorn.

- Ajude-a então idiota – responde o mais velho, Siegfried.

- Vocês querem parar de gritar, andem subam logo – dizia Broom da porta do ônibus.

Os quatro então dirigem-se ao fundo do ônibus onde sempre se sentam ao voltar da escola para casa.

- Eu acho que me mataria se tivesse que ir mais um ano para este lugar. – reclama Siegfried.

- Pelo menos você termina esse ano, outros três me aguardam – responde Bjorn.

- A escola não é tão ruim assim – comenta Broom. – O que me consola é que mesmo quando acabar a escola daqui um ano poderei entrar para a Universidade.

- Eu concordo, eu gosto da escola – completa a caçula.

- Você só tira notas altas Broom, e você só colore desenhos Crim.. – debocha Bjorn.

- Se você estudasse como a Broom também tiraria notas boas e eu faço mais que isso ok ? – responde Crim irritada.

- Oooooooh essa doeu hein Bjorn. – ri Siegfried apontando para o irmão mais novo.

- Ora sua ... – começa Bjorn avançando na irmã mas é impedido por Broom.

- Já chega vocês dois, vamos descer daqui a pouco.

Os quatro irmãos então vão andando até sua pequena casa em Stavanger, extremo oeste da Noruega, naquela fria tarde de inverno.

- Mãe, chegamos ! – grita Siegfried abrindo a porta de casa.

- E estamos com fome ! – completa Bjorn.

- Você pensa em algo fora comida ? – pergunta Crim.

- Claro, preciso dormir poxa. – responde o irmão.

- Mãe ?! – grita ainda mais alto Siegfried.

- Hey pare de gritar, a casa não é tão grande se ela não respondeu é porque ela não está. – diz Broom incomodada com o barulho.

- Mas aonde ela foi ? Será que ela deixou o almoço pronto ? – diz Bjorn procurando no forno e na geladeira por comida.

- A sua mãe desapareceu e você procura por comida garoto ? Qual seu problema ? – indaga Crim inconformada.

- Ok, alguém se lembra da mãe ter mencionado ir a algum lugar ? – pergunta Siegfried tentando por a cabeça no lugar.

“ Não “ foi a resposta unânime, então eles olharam-se começando a ficaram assustados e com medo de admitirem que talvez sua mãe .. havia mesmo desaparecido.

- Todos fiquem calmos – diz o mais velho percebendo que estavam prestes a entrarem em pânico – Broom, você e Crim esperam aqui e liguem para o trabalho dela e veja se ela está lá e esperem aqui enquanto eu e Bjorn vamos procurá-la, liguem para a gente se encontrarem-na.

“Já estou ligando..” dizia Broom com o celular em mãos.

- Hey Sieg, acha mesmo uma boa ideia deixá-las sozinhas aqui ? – pergunta Bjorn preocupado. – e além disso onde começaríamos a procurá-la ?

- Droga, tem razão .. é melhor ficarmos juntos. Hey você lembra da Tia Friday ? – pergunta Siegfried.

- Quem ? – indaga o irmão tendo ouvido o nome mais estranho possível.

- Friday, uma amiga da mamãe que cuidava da gente. – explica o irmão.

- Ah sim, eu lembro dela, ela e a mamãe pararam de se falar faz tempo, não ? – pergunta Bjorn.

- Será ? eu já ouvi a mãe falando escondida com ela pelo telefone – aponta Siegfried.

- Quando pretendia nos contar isso ? – questiona Bjorn.

- Quando fosse relevante oras... mas enfim, eu acho que vale a pena passarmos lá. – diz Siegfried.

- Eu concordo plenamente deveríamos ir agora mesmo ... – diz Bjorn concordando euforicamente.

- Calma ai bonitão, eu sei que você gosta dela mas vamos lá pela mãe ok ? – alerta o mais velho.

- Ah ... não .. n-não é bem assim, eu só .. tinha um queda por ela sabe.. – responde Bjorn envergonhado.

- Sei.. a queda que você tinha está mais para um precipício, você era obcecado por ela. – diz Siegfried.

- Ah qual é, vai me dizer que não a acha extremamente linda ? Aquele cabelo loiro comprido e cacheado, aqueles olhos azuis profundos e tem ideia do quanto é raro uma norueguesa com aquele corpo ... – diz Bjorn até ser interrompido por ser irmão.

- Você precisa de ajuda .. é sério, quando voltarmos agendaremos uma consulta, mas ela é realmente linda. – cometa Siegfried.

- Gente ela não está lá, na verdade.. disseram que ela nem apareceu para trabalhar hoje.. – diz Broom, Crim lutava para conter o choro e foi acalentada pela irmã mais velha – o que faremos ?

- Vamos visitar a Tia Friday, talvez ela saiba de algo.. – diz Sieg chamando os irmão indo em direção a porta.

- Quem é Friday ? – pergunta a mais nova que a conhecera quando ainda era um bebê.

- Você verá irmãzinha – responde Bjorn esfregando as mãos uma na outra.

- Bjorn ! – repreende Siegfried.

- Eu sei, eu sei .. – diz o irmão os acompanhando.

Eles procuram a casa de Friday, não iam até lá fazia anos. Guiados apenas pelas mais antigas memórias de criança eles descem a rua procurando a casa dela.

- Tem certeza que se lembra como chegar lá Sieg ? – indaga Broom desconfiada.

- Sim, eu acho .. espero .. – responde o irmão, sua irmã revira os olhos quando então se depara com uma porta e tem um baque. – É ali !

- O quê ? Aonde ? – pergunta o irmão mais novo.

- Ali, onde tem aquela porta entalhada, eu lembra dela, lembro que parecia um dragão e um serpenta entrelaçados.. pelo menos foi o que ela me respondeu quando perguntei sobre o assunto. – explica Siegfried.

- Que sinistro – comenta Crim.

- Ok vamos lá.. – diz Bjorn tomando a iniciativa pela primeira vez e batendo na porta.

Depois de algum segundos a figura idealizada por Bjorn surge atrás da porta, como se saísse de seus sonhos.

- O que estão fazendo aqui ? Se a mãe de vocês descobr... – começa Friday.

- Nossa mãe desapareceu. – explica Siegfried.

- Ela nem foi trabalhar hoje, chegamos da escola e encontramos a casa vazia. – continua Broom.

- Droga, será que .. entrem aqui. – diz a mulher às pressas os empurrando para dentro. – sabia que coisa boa não viria depois daquilo.

- Depois do que ? Você sabe de alguma coisa ? – pergunta Broom.

- Eu acho que sua mãe foi levada menina. – responde Friday.

- O que mas como assim, Tia Friday você sabe..

- Chega de me chamar de Tia Friday, meu nome é Freya. – interrompe a mulher visivelmente agitada. – chega de mais mentiras.

- Desculpe Srta. Freya do que está falando ? – pergunta a irmã mais velha acanhada.

- Eu não quis ser grossa, é que .. há muito venho tentando convencer sua mãe de que deveriam saber quem são, saber sobre sua família e no que estão implicados. – explica Freya.

- O que quer dizer ? – pergunta Bjorn.

- Não temos tempo, não estamos seguros aqui .. venham – diz a mulher recolhendo seus pertences em um mochila e os empurrando para fora.

- Espera, para onde estamos indo ? Você tem que nos dizer algo .. – pergunta Siegfried confuso.

- Não há tempo, mas apenas saibam que .. tudo aquilo eu contei a vocês quando eram crianças.. sobre Ragnarok, sobre o Destino Final dos deuses, era tudo Verdade! E acontecerá em breve ...