Radioativos
3 Whom I Used To Know
Notas iniciais
O garoto parecia estar tão confusa quanto Maebh.
A escuridão envolvia o lugar tanto quanto na noite em que o pai da garota morrera. As colunas de estilo grego estavam quase desaparecendo no breu, e a única coisa que brilhava ali era a espada do garoto e os dois olhos cintilantes de Maebh. Lembrara das estórias que seu pai costumava a contá-la antes de dormir, sobre o herói grego, Percy Jackson, que decidiria ajudar o Olimpo ou derrubá-lo. Sempre reunia-se junto a ele na hora de dormir e as ouvia com todo o prazer. Mas isto foi há treze anos, quando ela tinha três anos de idade.
Lembrança: 25/12/2002 –19:00
Jamish ajeitava as cobertas de sua filha pela quarta vez.
Puxou uma cadeira e sentou-se ao lado dela. Já era noite, e estava na hora de Maebh dormir, mas como de costumeira, seu pai leria-lhe uma estória para dormir depois do jantar. Quando a garota nasceu na Irlanda, a primeira coisa que fizeram foram mudar-se para a uma casa nos EUA e Maebh acabou que aprendendo a falar inglês, mesmo que com um sotaque irlandês que sobressaltava-se o tempo inteiro em sua voz. Limpou a garganta e começou, os olhos da garotinha brilhando pela aventura em que iria se meter:
–Era uma vez um reino no céu, em que grandes pessoas moravam. O reino era chamado de Olimpo, e lá habitavam deuses gregos, que tinham diferentes poderes e habilidades mágicas. Quando estes deuses tinham filhos, os semideuses, eles eram mandados para um lugar especial chamado de Acampamento Meio-Sangue. Mas, três grandes deuses do Olimpo fizeram um pacto e juraram não ter filhos mais com mortais. Mesmo assim, um semideus nasceu. E ele era diferente. Ele podia controlar a água, assim como seu pai.
–Contlolar a água? –a garotinha gaguejou, os olhos brilhando de felicidade a cada palavra do sobrenatural que seu amado pai pronunciava.
–Sim. Seu pai é Poseidon, o deus dos mares. Um dia, o Oráculo, que prevê o futuro, previu uma profecia sobre um certo herói, filho dos Três Grandes, Zeus, Hades e Poseidon, que poderia ser a salvação do Olimpo, ou a sua destruição. E ele escolheu a salvação. O seu nome foi lembrado por muito tempo, o grande herói que ofereceram para se tornar um deus. Seu nome é Percy Jackson. E um dia você pode encontrar ele. –o humor de Jamish pareceu ficar mais sombrio por um minuto e um semblante tomou-lhe o rosto –Por favor, nunca se esqueça deste nome. Lembre-se sempre de Percy Jackson e confie nele a sua vida. Ele vai ser sua salvação um dia. São mais próximos que simples conhecidos.
Maebh não entendeu nada daquele dia. Não entendeu sobre a estória, nem sobre este tal Percy Jackson, muito menos sobre sua relação com ele. Mas algo lhe dizia naquela noite que já havia conhecido alguém assim, alguém com este nome. Um certo moreno de olhos verdes-mar. Não lembrava-se de nenhuma memória junto a ele, apenas lhe parecia familiar.
Um barulho chamou a atenção de Jamish. Seus olhos verdes-mar, assim como os que a garota se lembrava de Percy ter, focaram-se na porta atrás de si. Afastou a cadeira, mandou a filha ir dormir e desceu as escadas. Mal sabia Maebh o que estava fazendo. Mal sabia o que ele era, ou até mesmo o que ela era. Mal sabia a ameaça que enfrentaria um ano depois e o que aconteceria com seu pai.
Atualmente: 21/06/2015 –00:37
O garoto saltou para trás, uma expressão assustada tomando conta do rosto.
Maebh não sabia o que estava fazendo até olhar para trás. Todos os objetos afiados de sua bolsa estavam apontados para o garoto ameaçadoramente, prontos para atingir seu alvo. A garota levou a mão aos cabelos e pós uma mecha atrás da orelha, os objetos caindo no chão com força. Geralmente as coisas flutuavam quando estava com um humor tenebroso. E um habito que havia se tornado costumeiro na garota era a cor de seus olhos. Eles mudavam a partir de seu humor. Ela anotara o que sentia e a cor que estava, assim decorando todas as cores. Maebh vem tentando controlar tal feito, apesar de não conseguir.
–Como …? –ele falou baixo, quase em um sussurro.
A garota não teve tempo de falar nada. Uma dor agonizante atingiu-lhe a cintura e ela urrou de dor, fazendo o garoto saltar do chão. Uma fumaça escura subiu do corte profundo, e algo dizia a Maebh que o que estava acontecendo não era nada bom. O garoto estendeu-se sobre ela e agarrou o pedaço de comida dourada, colocando na boca da garota, que mastigou sem discutir. Qualquer coisa era melhor que sua dor. E, por mais estranho, a comida tinha um incrivelmente bom de pipoca. E Maebh decidira que o amor de sua vida agora era comida, que inexplicavelmente ficavam mais saborosas quando se passa muito tempo sem comer. E esta, definitivamente, era a melhor comida que já comera desde seu pai, já que a comida dor Orfanato sempre tinha o gosto ruim de cenouras com espinafre e, como uma gulosa número dez, não podia resistir muito tempo sem doces. De vez em quando fugia para o dormitório de um garoto gordo e rechonchudo chamado de Barry Grans, que tinha o maior armazenamento escondido de chocolates que Maebh já vira em toda a sua vida. Geralmente roubava os doces e acabava que sendo suspensa ao descobrirem que havia comido chocolates em vez da sopa horrível que eram forçados a comer, mas, mesmo assim, continuava fazendo e comendo doces –ou senão sua vida acabaria. Logo Maebh se sentia melhor e bastante revigorada, os machucados havia sarado e a dor sessado.
–A comida dos deuses … –ela sussurrou, levantando-se um pouco tonta pela fome instantânea –Quem diria?
–Como sabe? –ele serrou os olhos, desconfiado –Digo, como sabe sobre isto tudo? Sobre deuses, sua comida, seus poderes, sátiros, tudo?
Maebh não se sentia a vontade a responder sua pergunta. Não gostava de falar sobre sentimentos ou assuntos pessoais. Se você fosse conhecê-la, provavelmente acharia que é a pessoa mais fechada que já existiu. Mas, de algum jeito que não entendia, sabia que podia confiar neste garoto. Sabia quem ele era e lembrava-se do que seu pai havia lhe dito.
–Hum …Percy Jackson. –os olhos de Maebh perdiam-se no chão –Meu pai vivia me contando estórias sobre você. Ele dizia que tinha de confiar em você, que não poderia esquecer de seu nome e que somos mais próximos que simples conhecidos.
O garoto fez uma expressão de como se estivesse escolhendo qual melancia compraria em uma feira.
–Estranho …Também tenho o estranho sentimento que já te conheço. Às vezes sinto que parte de minha memória fora apagada, mas ainda tenho mensagens do meu cérebro que me dizem que reconheço você e que devo confiar em você. E como sabe meu nome, isto me dá a impressão que já nos conhecemos antes.
Maebh estava decidida a confiar em Percy. Não importava se estava com uma espada ou não, seguiria as instruções de seu pai e deixaria sua vida nas mãos do garoto.
Um silêncio perturbador instalou-se na construção. O lugar pareci maior do que nunca, e Maebh podia notar o Sol nascendo ao longe, os fios dourados de luz começando a adentrar no lugar. Então Percy a observou mais atentamente, tão atentamente que chegou a incomodá-la.
–Você é bonita …D-digo, eu sou bonito …Annabeth é bonita! Isso, isso mesmo.
Maebh havia feito pesquisas sobre seus …Dons. Não sabia muito ao bem o que era, mas sabia que tinha alguma relação com a deusa primordial da Lua, Nyx. O que pesquisara lhe indicara que a deusa está aprisionada no Tártaro e já morrera a muito tempo e de algum modo seu pai se apaixonara por ela e a tivera.
–Nyx … –Maebh sussurrou baixo o bastante para que só ela ouvisse.
–O quê? –Percy perguntou, erguendo o olhar do chão para os olhos da garota, que apenas negou com a cabeça –Como você faz isso? Essa magia aí de mudar a cor roxa …
–Não é magia, seu cabeção! Meus olhos mudam de cor a partir de meu humor. E, olhe, não estou com muita paciência para explicar que cor corresponde a cada sentimento. Primeiramente, quero que este seu amigo saia de trás da coluna de pedra.
Percy virou-se rapidamente para trás e observou o que Maebh observava há um bom tempo. Uma cabeça de um garoto de pele escura, magrelo, olhos azuis e cabelos cacheados e acastanhados, pendia-se atrás de uma coluna de estilo grego. Percy fez um gesto com a cabeça de que estava tudo bem –o que, para Maebh, não estava, pois estava prestes a ter uma veneta e bater em todo mundo por algum motivo. A primeira coisa que chamou a atenção de Maebh foi as pernas do garoto, que, em vez de serem humanas e normais, eram duas pernas peludas e com cascos. Pernas de bode! Um sátiro! Ela mal podia acreditar que finalmente estava vendo um. E ele havia a farejado e agora ela estava indo para o Acampamento Meio-Sangue. Provavelmente aquilo foi a coisa mais feliz que havia acontecido com ela em muito tempo.
–Uou! –Percy maravilhou-se olhando para trás. Novamente, Maebh havia feito coisas inconscientemente. Uma grande muralha de plantas, sem flores nem folhas, apenas raízes verdes e com alguns brilhos dourados.
Maebh não se segurou –saltou sobre o garoto e o abraçou com força. E Percy sabia que não era a primeira vez que sentia aquele abraço.
Então uma dor agonizante atravessou a barriga de Maebh. Aquilo parecia arder demais, e sua felicidade inteira esvaiu-se ao olhar para o pedaço metálico negro atravessado em sua barriga, o sangue escorrendo no chão como uma torneira.
Alguém havia atingido uma espada bem em sua barriga.
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