Radioativo

4 Capítulo 4 "O Início do Fim"


Aquela tarde estava mais fria que as passadas, naquele dia pálido de início de inverno. O vento que soprava do Sudoeste estava congelando os sobreviventes daquela cidadezinha, aparentemente deserta, que se encontravam descansando e comendo nos fundos daquele supermercado abandonado.

Do outro lado da cidade havia um galpão amontoado de zumbis, que se debatiam por cima da grande porta de metal, forçando o cadeado que mantinha aqueles corpos em decomposição, que um dia tinham sido pessoas normais daquele lugarzinho, presos ali.

2 dias antes da pandemia...

Quando o mundo que conhecemos estava prestes a mudar e o vírus que iniciava o maior caos nas cidades grandes, agora estava a atacar as pequenas cidades. A cidade onde Clara, Alex e Bony estavam, iniciou um sistema de evacuação dos moradores para um lugar mais seguro, o velho galpão da cidade, onde se reuniram os cidadãos dali levando suprimentos para a divisão comunitária.

À três quadras do galpão estava uma pequena família onde se encontrava Mary Adram, mãe, que batalhou toda a vida para sustentar seus filhos, Ethan Adram de 10 anos e Melissa Adram de 16 anos, e ainda tinha que suportar um marido alcoólatra que à batia todas as noites ao chegar em casa bêbado. Mary Adram tinha medo de seu marido, mas seu maior medo era que se ela o deixa-se, ele descontaria tudo nos seus filhos. Ryan Adram era um pai que não se importava com seus filhos, só se interessava pela beleza e bondade de sua esposa. Mary pela primeira vez tomou a decisão de largar Ryan, depois de uma discussão com seu marido, que não queria sair de casa para ir para o velho galpão da cidade. Mary pegou suas coisas e filhos, partindo para o abrigo da cidade, deixando Ryan enlouquecido quebrando tudo em sua casa. Ao correrem para o lado sul da cidade Mary avistou um carro abandonado perto do posto de gasolina e o pegou, ela estava desposta a fazer de tudo para proteger seus filhos. Seguindo em alta velocidade ela olhou para as ruas, que se encontravam em total caos, e soltou uma lagrima de desespero por saber que tudo nunca mais seria o mesmo. Como ela poderia criar seus filhos naquele mundo?

Ao chegarem no galpão Mary, Melissa e Ethan correram em direção a grande porta de metal, que já estava se fechando. Ao entrarem ali viram que muitas pessoas estavam tristes por suas perdas, e por não poderem mais sair em busca do resto de seus familiares que não chegaram a tempo ali. A porta agora estava fechada e os habitantes daquele imenso e frio galpão eram desconfiados até de sua própria sombra.

Os olhares os incomodavam, e Mary falou sério para seus filhos:

– Prestem atenção! Essas pessoas estão assustadas e não sabemos o que elas são capazes de fazer nessa situação, não deem motivos para que desconfiem de vocês. Melissa cuide de seu irmão, nós não vamos está totalmente a salvos aqui.

– Relaxa senhora desconfiança, — Falou Melissa como sempre fala uma adolescente descontraída da vida — o governo vai vim nos resgatar, nós só temos que aguentar essas pessoas por uns dois dias, no máximo...

– É sério Melissa, nós temos que ter cuidado. Não sabemos quando vão chegar, podem demorar meses.

Enquanto todos estavam desconfiando dos alvos errados, uma senhora que naquela manhã tinha sido mordida por seu marido e depois fugido para o galpão, estava agora se revirando no banheiro imundo dali. Após o prefeito ter feito um discurso de que tudo ficaria bem, ele foi em direção ao banheiro, e numa espécie de ironia ao abrir a porta a antiga velhinha doce, agarrou na sua barriga devorando suas entranhas enquanto ele gritava cuspindo sangue. No primeiro instante todos ficaram chocados e paralisados de medo ao ver aquela cena, mas depois todos ficaram loucos e começaram a gritar e correr para todos os lados com esperança de encontrar uma saída. Mary agarrou na mão de seus filhos enquanto corria para uma porta nos fundos, que dava para um corredor mais seguro que ali. Enquanto corria outros se transformavam e corriam atrás de outros que ainda não tinham se transformado. Ao chegarem na porta à abriram e entraram no corredor. Logo adiante havia uma janela semiaberta que daria para uma pessoa passar.

– Não há tranca nessa porta eles vão conseguir abri-la antes que nós conseguíssemos sair por aquela janela — falou Mary ofegante.

– O que você quer dizer mãe? – perguntou Melissa desesperada.

– Filha cuide do seu irmão, eu amo muito vocês dois, e tenho que dar a chance para que possam viver.

– Não, eu não vou te deixar aqui!

– Não vamos embora sem você mamãe — falou Ethan chorando e agarrando na cintura de Mary.

– Vão ter que deixar, eu sei que vocês me amam, e não importa aonde eu esteja sempre estarei com vocês! Eu amo de mais vocês. Agora vão, é uma ordem!

– Não vamos mamãe, não vamos! — Gritava Ethan.

– Tudo bem vão, quando vocês pularem eu corro e pulo pela janela — Mary piscou e acenou para Melissa, num sinal de que Melissa deveria levar seu irmão, e Melissa sabia que sua mãe estava mentindo para Ethan ir com ela.

Melissa o puxou e os dois correram desesperadamente, derramando lagrimas pelos olhos. Ao chegarem no fim do corredor, Melissa pegou seu irmão nos braços e o passou pela janela, depois ela subiu na janela e quando ia pular olhou pela última vez para sua mãe que sacrificou toda sua vida para os criar, e Mary soltou ainda mais lagrimas pelos olhos enquanto mandava um beijo sussurrando “eu amo vocês”, e abriu a porta fechando os olhos, e as criaturas à agarraram e à devoraram, Melissa fechou os olhos e pulou para fora daquele recinto macabro.

Ela segurou a mão de Ethan e correu em direção a floresta, pois sabia que naquela cidade havia criaturas idênticas a do galpão. Ao chegarem um pouco distante da cidade Melissa parou, e se ajoelhou na frente do irmão dizendo:

– Tudo ficará bem, nós vamos pedir ajuda, e então voltaremos para ajudar a mamãe.

Foi em um breve momento que tudo aconteceu. Nenhum deles viram que das sombras se aproximava uma criatura, o zumbi saltou em direção ao pescoço de Melissa arrancando um pedaço dela e pulando em direção ao garoto, Melissa se debatia tentando segurar o zumbi que aproximava a mandíbula contraída para o Ethan, mas suas tentativas eram em vão. O estampido de uma arma assustou e paralisou todos ali, e o corpo do zumbi caio — como uma árvore centenária sendo cortada — ao lado de Ethan. Um homem forte de cabelos pretos, com o rosto sério e olhos maus, estava de pé a uns 5 metros dali, ele apontou a arma para Melissa e atirou em sua cabeça, Ethan entro em estado de choque, paralisado no chão frio e lamacento.

– Ela iria se transformar garoto, você com certeza não iria querer ver isso. — Falou o homem, mas Ethan nem se quer piscou ou ouviu alguma de suas palavras — Vamos garoto! Não fique aí parado, temos que chegar logo no acampamento antes que escureça.

Então o homem foi até ele, o puxou pelo braço e o colocou no ombro como se fosse um animal. Ethan só olhava para a terrível imagem enquanto a distância ia à apagando do horizonte.

Agora...

O cadeado que prendia os monstros agora estava quebrado, e as criaturas vagavam pelas ruas numa espécie de procissão macabra. O solo tremia com os pés de uma multidão de mortos cambaleando em direção ao norte da cidade, é como se sentissem que havia carne fresca na área.

Clara Black sentiu o cheiro trazido pelo vento, um cheiro que à incomodou muito, parecia carne apodrecida ou algo pior, e logo a lembrança veio à tona.

– Alex! Bony! Vocês não estão sentindo esse cheiro? É cheiro de pessoa em decomposição.

– Vocês devem ficar aqui — disse Alex — eu irei verificar lá fora. Talvez seja só um zumbi perdido por aí.

Ao andar pela rua em frente do supermercado, Alex notou de onde vinha aquele cheiro horrível e o seguiu uns dois quarteirões, até que parou e ficou perplexo com a multidão de zumbis que se aproximava em direção ao supermercado. Ele correu para pegar Clara e Bony que ainda estavam lá dentro. Seu coração acelerou, e o suor pingava de sua testa enquanto suas pernas se moviam rapidamente até a porta do supermercado. Ao entrar foi até os fundos onde Clara e Bony estavam cochilando, mas foram surpreendidas pela entrada ofegante de Alex.

– O que foi Alex? Parece que viu algo pior que um zumbi — falou Clara um pouco sonolenta.

– Vi, eram vários zumbis! Temos que ir agora!

Eles só pegaram as armas e correram em direção ao carro que estava no estacionamento, mas foram impedidos de prosseguir. As ruas estavam cheias daquelas coisas, e tiveram que ir para os fundos silenciosamente.

– Tudo bem nós vamos sair em direção a floresta, corram e matem os zumbis que puderem, vamos ter que despista-los – continuou Alex, com um tom de voz bem baixa.

– Okay.

– Okay.

Alex segurou a maçaneta da porta dos fundos, e acenou com a cabeça para Bony e Clara que retribuíram com um aceno também, para dizer que estavam prontas. Alex abriu a porta e todos correram em direção a floresta, matando muitos zumbis. Todos entravam cada vez mais naquela floresta que se consumia pela escuridão do anoitecer. Muitos zumbis surgiram de surpresa entre as árvores, e eles não poderam se manter unidos, nenhum deles percebeu cedo, que estavam sozinhos e agora o nervosismo estava a consumir todos por completo. Clara percebeu que os zumbis tinham se espalhado pela floresta e resolveu voltar para o carro, imaginando que todos iriam tomar a mesma decisão, Alex procurava Bony desesperadamente e decidiu procura-la no estacionamento com a esperança que ela estaria lá com Clara.

Ao chegar lá havia poucos zumbis, mas nem sinal de Bony. Ele foi se aproximando silenciosamente do carro e surpreendeu Clara que estava escondida do lado dele.

– Clara você está com a Bony no carro?

– Não pensei que ela tinha ficado com você. Depois que os zumbis me cercaram não vi mais vocês.

– Não, minha nossa. Será que ela está bem — falou Alex quase chorando.

– Ela é forte Alex, deve estar procurando o caminho de volta para cá.

– Eu irei procura-la, fique aqui escondida, no caso dela voltar.

Bony suspirava e corria enquanto de instante em instante olhava para trás. Na hora em que olhou de novo ela esbarrou, num homem forte de cabelos pretos, caindo no chão. Logo atrás do homem havia outros, um velho e um adolescente, e uma mulher feia com os dentes podres carregando uma corrente nas mãos que ia até um menino de 10 anos, que não parecia pertencer aquela família estranha. Bony deslizou sua mão vagarosamente para pegar sua .38 que caiu a uns 40 centímetros a esquerda, mas foi surpreendida com uma .48 apontada para sua testa.

– Nem pense nisso mocinha, — disse Frankie Dillan o homem com uma cara de mau, que segurava a .48 na sua cabeça — não tenho medo de usar esta belezinha aqui.

– O que vocês querem? Eu só estou de passagem, não tenho comida! Tenho que ir meu irmão deve estar me procurando!

– Que isso, você acabou de chegar — falou Frankie — Thomas, prenda-a com o Ethan, agora vamos ter mais um para ajudar-nos. — Prosseguiu ele dizendo para seu filho de 17 anos, o adolescente.

– Vocês não vão me prender! Eu e meu irmão vamos estourar suas cabeças — falou Bony se debatendo para não deixar que Thomas à pega-se.

– Não reaja minha querida, só vai ser pior. — Falou Frankie, apontando para Ethan — Aquele garoto ficou como você, mas logo viu que o melhor era ficar com a gente, já que toda sua família tinha morrido. O seu irmão não vai durar muito mocinha, e além do mais nós vamos gostar de ter mais um para nos servir.