Notas iniciais
Prológo meio grandinho, mas só assim para poder explicar direitinho o começo da história... ^^

Acordei, minha cabeça estava rodando, minha visão estava embaçada e eu estava soando frio.

Eu tive o mesmo pesadelo de todos esses quase 20 anos.

Aquelas imagens... Eu nunca vou esquecê-las.

Flash Back ON

Eu tinha só seis anos.

Estava dormindo, quando minha mãe entrou rapidamente em meu quarto e me acordou.

-Filha, você esta bem?

-Estou sim mamãe, por quê? – perguntei á ela, coçando os olhos e bocejando em seguida.

-Ninguém entrou aqui?

-Não mamãe, quem entraria aqui? – eu já estava começando a ficar desconfiada de que algo estaria acontecendo.

-Vamos logo. – disse ela, e logo me colocou em seu colo.

-O que ta acontecendo mamãe? – perguntei um pouco assustada, ela estava muito nervosa e parecia estar com medo.

Minha mãe desceu as escadas o mais rápido o possível, e saiu de casa, ainda comigo no colo.

Estava uma noite fria, olhei para cima, não havia nenhuma estrela no céu, mas sim muitas nuvens, em um tom rosado. Parecia que iria chover.

Ali fora estava um silêncio tão grande, que chegava a dar medo. Me encolhi no colo de minha mãe.

Logo avistei meu pai, e meu tio saindo do carro de dentro de um carro. Dei um sorriso de “orelha a orelha” em direção á eles.

-Papai. – disse quase como um grito em direção á ele.

O motivo de tal felicidade é que meu pai trabalhava muito. Ele tem que sair para o trabalho bem cedo da manhã e voltava bem tarde da noite; então eu passava pouco tempo com ele.

-Filha, não faça barulho. – minha mãe cochichou para mim.

-Por que mamãe? – eu não estava entendendo nada do que estava acontecendo.

Assim que terminei minha pergunta, várias coisas começaram a sair dos arbustos, e de trás das árvores, eram coisas horríveis, pareciam bichos, mas tinha um formato humano, eles tinham a pele apodrecida e usavam roupas esfarrapadas e sujas de sangue e ainda tinham um cheiro forte e horrível.

Assim que eu os vi fiquei muito assusta.

- Mamãe... – falei e algumas lágrimas começaram a cair de seu rosto.

-Filha, não faça barulho, por favor. – mamãe falou retirando uma arma do bolso de trás de sua calça.

Eu fiquei mais assustada ainda.

Ela me abraçou forte.

-Filha eu te amo. – ela falou depositando um beijo em minha bochecha e colocou no colo.

Meu pai segurou minha mão e foi logo me puxando em direção ao carro.

Ela começou a atirar naquelas coisas que estavam cada vez mais perto de nós, e em um número bem maior do que eu tinha visto antes; ela se virou para mim e para o papai que estava quase entrando no carro.

-Filha, eu te amo. – uma última lagrima deslizou em seu rosto, e então veio uma daquelas coisas por trás dela, e com um golpe arrancou sua cabeça. Vi seu corpo cair sobre a calçada e seu sangue escorrer pelo gramado do jardim.

Comecei a chorar desesperada.

A última coisa que vi antes de meu pai me colocar no banco de trás do carro foram aquelas coisas em volta do corpo de minha mãe, literalmente “comendo” ela.

Meu pai se sentou no banco do passageiro logo depois de dar alguns tiros em direção daqueles bichos.

Meu tio começou a dirigir, atropelando muito daquelas coisas que estavam pelo caminho e as esmagando.

“O que estava acontecendo? O que eram aquelas coisas horríveis?” Essas e muitas outras perguntas rondavam aminha cabeça a procura de respostas imediatas.

Eu estava com medo, com muito medo.

-Papai, o que está acontecendo? – perguntei entre soluços, meus olhos a essa altura já deveriam estar muito vermelhos.

-Vai ficar tudo bem querida. –foi a única coisa que ele falou.

-Vamos pegar a 71? – perguntou meu tio que estava dirigido o carro.

-Vamos tentar, os soldados vão bloquear as estradas e temos que chegar a Shadows o mais rápido o possível. – meu tio começou a acelerar; foi passando pelos lugares, e eu fiquei olhando pela janela.

Passamos pela antiga casa de Bill, um conhecido de meu pai, a casa dele e de seus vizinhos estavam pegando fogo.

-Olha só a casa do Bill, espero que aquele filho da puta tenha se salvado. –falou meu tio.

- Pois é. –respondeu meu pai soltando um curto suspiro no final.

Comecei a me encolher no banco, abracei meus joelhos com os braços e encostei a testa nos mesmos, eu estava com muito medo, não sabia o que fazer, e nem o que estava acontecendo.

Era como se o mundo estivesse acabando.

Depois de alguns minutos, chegamos à estrada, mas ela estava com um congestionamento enorme.

-Da á volta David. – falou meu pai.

-Não da Joseph, vamos ter que ir por outro lugar. – respondeu meu tio. -Mas qual? –perguntou ele.

-Vira aqui. – falou meu pai apontando para um beco bem espaçoso que estava quase ao nosso lado.

-Beleza. – respondeu meu tio que fez uma curva rápida e logo já estava dirigindo pelo beco.

Passando do beco, entramos em uma estrada, ela estava completamente deserta, mas logo podiam ouvir-se os ruídos, eram aquelas coisas, eu sei que eram, era o mesmo ruído de antes; elas começaram a vir para cima do carro.

-Emily, vem aqui querida. – meu pai falou estendendo os braços para mim.

Levantei-me do banco, e passei até ele, sentei-me em seu colo. Ele me abraçou com força, igual como a mamãe fez.

-Eu te amo filha, papai te ama muito. – voltei a chorar desesperada.

-Papai, fica comigo. – falei soluçando. Ele me soltou, e deixou que eu voltasse para trás e abriu a porta, do carro.

Ele começou a atirar naquelas coisas, mas uma delas conseguiu quebrar o vidro da porta do bando de trás do carro. Dei um grito de medo e me assustei. Tentei me proteger dos vidros estilhaçados que estavam no banco ao meu lado.

Meu pai percebeu que já não tinha mais como conter tantas daquelas criaturas; ele fez um sinal com a mão para meu tio, e ele por sua vez acelerou o carro, e eu voltei a chorar sem parar.

Virei-me e olhei para trás. Vi que meu pai ainda estava lá, lutando pela própria vida.

Depois de alguns segundos já não dava mais para vê-lo, mas eu sentia que ele tinha conseguido escapar. Eu sentia que ele estava vivo. Ele sempre foi muito corajoso e esperto.

O que e porque tudo isso estava acontecendo? Em uma noite eu perdi minha mãe, e meu pai... Sabe-se lá o que aconteceu com ele.

Chorei por muito tempo... Eles eram a minha família, a minha vida.

Mas eu tinha esperança de ainda encontrá-lo. Eu tinha esperança que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo.

Flash Back OFF

Lágrimas e mais lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto, doía muito lembrar daquilo...

[Continua...]

Notas finais
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