Rachel Berry Academy
16 Sorrisos
Notas iniciais
As suas mãos tremeram quando meteu a chave na fechadura da porta de casa, mas respirou bem fundo e tentou acalmar-se. Sabia que Rachel estava em casa porque Santana tinha-lhe contado que a morena tinha enviado mensagem a perguntar se Quinn ainda estava com ela. Rachel estava preocupada com o tempo que a fotografa estava a demorar.
Ao abrir a porta reparou imediatamente no corpo da morena que repousava sobre o sofá. Quando fechou a porta Rachel acordou com o ruído.
– Desculpa. – disse Quinn enquanto apontava para a porta para justificar o barulho.
– Não faz mal. Eu estava só a descansar os olhos. – sorriu Rachel enquanto se levantava. – Queres que prepare alguma coisa para comeres?
– Não, obrigada. – o semblante de Quinn era sério. – Quero conversar contigo uma coisa. – e fez um gesto para que Rachel se sentasse. A morena assim concretizou o pedido e seguiu a fotografa com o olhar até que ela se sentou ao seu lado no mesmo sofá.
– Aconteceu alguma coisa? – perguntou Rachel preocupada. Quinn não enrolou, disse tudo o que tinha a dizer diretamente.
– A Santana contou-me tudo. – mas não abandonou o seu ar sério em nenhum momento. – Toda a história desde o dia... – e atrapalhou-se um bocado a arranjar maneira de identificar as datas. – o dia em que... a noite em Las Vegas, até ao dia de hoje. – Rachel empalideceu. Não sabia sequer o que dizer. Quinn percebeu e continuou. – E se queres que seja completamente honesta contigo Rachel, eu não gostei nada da sensação de saber disto tudo só agora. Parece que estavam a gozar com a minha cara.
– Não. Nada disso. Não é nada disso Quinn. – justificou-se a morena com prontidão. – Eu não te contei porque não sabia como ias reagir. Nem sabia se ias acreditar em mim sequer.
– E então preferiste que eu te criticasse a ti por coisas que fui eu que fiz. Qual é o sentido disso?
– Eu... – Rachel baixou a cabeça e fez um gesto de tristeza, mas o que Quinn não esperava era que lhe doesse desde o estômago até aos ouvidos vê-la assim.
– Escuta, eu não estou a dizer isto para que te sintas mal, só estou a ser honesta contigo. – disse a loira num tom mais suave.
– Eu não te contei porque cada vez que eu falo de nós é um passo atrás na nossa convivência. Preferi que me culpasses porque eu suportava ignorar isso. Assim tu não retrocedias o meio passo que deste em frente. – Rachel fixou os olhos nos de Quinn que os sustentou. – Pronto, agora sou eu que estou a ser honesta contigo. – Quinn não respondeu e criou-se um silêncio de cortar à faca entre as duas. Rachel estava mais do que habituada a estes silêncios, mas Quinn sentiu-se muito desconfortável.
– Há mais alguma coisa que eu deva saber? – perguntou com alguma simpatia.
– A Santana contou-te tudo?
– Diz que sim.
– Então não. É só isso.
– Eu mandei-te mesmo mensagens anónimas?
– Sim. – sorriu Rachel. Quinn devolveu o sorriso. – Quando eu comecei a receber estas mensagens que tu sabes, eu até achei que a primeira era tua.
– Eu mandava-te mensagens deste género? – perguntou a loira assustada.
– Não, não. A primeira mensagem era bonita, mas como na altura foste tu que me disseste que eu tinha recebido uma mensagem, eu pensei que tivesses sido tu.
– Porque era uma coisa que eu poderia ter feito... – assentiu a loira depois de constatar que a Quinn de que Santana lhe tinha falado era perfeitamente capaz de ter um gesto romântico do género. Rachel sorriu novamente.
– Eu sei que tu não te identificas com a pessoa que estás a descobrir ser, eu percebo isso. Nem sequer te peço para que o faças, é pouco provável que te sentisses bem ao forçar, mas fico feliz que pelo menos tenhas a capacidade de conversar comigo sem sete pedras na mão. – e manteve o sorriso. Quinn baixou a cabeça e esboçou um fraquinho e triste.
– Eu tenho de te pedir desculpa, não é?! Desde o acidente que não te trato bem. E na realidade não tenho sequer esse direito.
– Quinn... – Rachel ajeitou-se automaticamente no sofá para agarrar as mãos da fotografa, que se surpreendeu. – Eu não quero que tu me peças desculpa de nada e muito menos que te sintas culpada de alguma coisa. Tu não tens culpa de não te lembrares. A única coisa que eu quero, e peço-te que tenhas em consideração, é que tu contes comigo para o que precisares. Seja o que for! Nem que seja só para estar aqui sentada em silêncio. – a loira apertou devagarinho as mãos de Rachel antes de esboçar um “obrigada” sem som. Rachel sentiu uma felicidade imensa em ver que não tinha tido uma reação repulsiva da parte de Quinn e não resistiu em exprimir essa felicidade. – Eu amo-te. Tu és o grande amor da minha vida. E se nunca mais recuperares a memória, a única certeza que eu tenho, é que aquilo que me une a ti nunca vai acabar. – E o que acabou foi o momento. O telemóvel de Rachel deu sinal de mensagem e Quinn agradeceu por segundos a interrupção, ela não saberia como reagir às palavras de Rachel, mas o seu agradecimento desvaneceu quando viu a cara da morena a olhar para o telefone.
– Outra? – perguntou preocupada, e desta vez sem disfarçar. Rachel só assentiu. A fotografa pegou no telefone, retirando-o das mãos da morena com cuidado, e desligou-o. – Acabou a conversa. Amanhã da parte da manhã vamos comprar um cartão novo.
– Eu não acho que isso seja boa ideia. – respondeu Rachel carinhosamente. – Toda a gente tem este número, até os meus alunos.
– E já ponderaste ser um dos teus alunos? Pode ser. Tu já recebias estas mensagens antes de dares aulas?
– Não Quinn. – disse Rachel segura. – Não é nenhum dos meus alunos. – e a sua segurança confundiu a loira.
– Tu sabes quem é? – perguntou demonstrando essa confusão.
– Não, mas sei quem não é. E os meus alunos não são. – E agora a sua expressão mudou de tal maneira que Quinn percebeu que a conversa tinha de morrer ali.
– Seja como for, se há coisa da qual podes estar segura é que não te vai acontecer nada. – E o semblante de Quinn era tão sério a dizer aquilo que Rachel não teve mais remédio que acenar com a cabeça.
– Tens fome? – perguntou a morena.
– Ainda não, mas tenho a sensação que vou ter em breve.
– Queres cozinhar? – perguntou Rachel com um sorriso gigante, daqueles que a caracterizava e dos quais Quinn não se tinha esquecido. Sorriu ao vê-lo, e essa era uma atitude nova desta Quinn. Com 17 anos, não era a sorrir que encarava a alegria de Rachel. Com 24, sentia felicidade em vê-la.
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