Notas iniciais
Sim, sou eu! Mas desta vez não venho com promessas.

— Santana! – diz Rachel enquanto entra na esquadra seguida por Quinn.

— Vai apodrecer na prisão. Eu vou fazer-lhe a vida num inferno. – diz Santana com toda a segurança que alguém pode ter na voz. – Pensar que além de contigo, ele estava com a Britt todos os dias também. Estou possuída de raiva.

— Onde é que ele está? – perguntou Rachel com receio da voz de Santana.

— Está a ser interrogado. O advogado dele já chegou.

— E achas que vai sair em liberdade?

— Acho que não. Ele tem antecedentes. Já fez isto anteriormente com outra professora de secundária. Saiu em liberdade porque era menor e justificou-se com a confusão hormonal da adolescência. Desta vez não sai mais daqui, provavelmente internam-no na ala psiquiátrica. Isto é uma doença. – respondeu Santana chateada.

— Eu posso interromper? – pergunta Quinn chateada.

— Desculpa. – responde Rachel virando-se para ela e agarrando a mão dela. A morena percebeu que Quinn não estava a entender nada da situação. – É o James. Um aluno meu. Aquele que ia protagonizar a peça com a Mia. – Quinn levantou a sobrancelha num gesto de reflexão misturada com mau humor. – Eu não fazia ideia, ele nem era uma pessoa muito fácil de conversar, mas era dos rapazes, o mais talentoso. Não sei o que despertou esta obsessão. – Enquanto disse isto, baixou a cabeça com tristeza e confusão. Quinn apaziguou o gesto e apertou-lhe a mão com mais força e puxou-a para si devagarinho para a abraçar levemente. Rachel escondeu a cabeça no pescoço dela e a loira olhou para Santana que fez um gesto de “cortar o pescoço” com raiva, ao qual Quinn assentiu.

—x-

No dia seguinte, e depois de muito ponderar como ia resolver a questão do protagonista da peça, Rachel decide ir à academia falar com os alunos. Quando diz a Quinn, ela pede se pode acompanhá-la para ver o local. Rachel fica feliz pela iniciativa e prontamente se disponibiliza para lho mostrar.

— Isso quer dizer que aquele anormal nos estragou a peça? Não pode ser. Não estivemos um semestre inteiro a treinar para depois chegar ao fim do ano e aquela abécula estragar tudo. A professora tem de arranjar uma solução, isto não é admissível. – responde Mia nervosa e chateada ao saber toda a situação. Os seus colegas olham para ela com desdém pelo tom utilizado e a maneira como ela estava a ser insensível à questão de Rachel, mas é Quinn quem se mete no assunto sem deixar espaço para resposta.

— O que não é admissível é o tom com o qual estás a falar com uma professora. Aliás, estás a arranjar lenha para te queimares. Com esse tom, se eu fosse tua professora acabávamos de ficar sem os dois protagonistas. Cuidado com a linguagem. – responde Quinn com mau humor e autoridade. Mia sentiu-se automaticamente repreendida e baixou a cabeça envergonhada. Rachel olhou para Quinn, depois para Mia e depois para Kurt que estava com um sorriso irónico no rosto, e tentou apaziguar a situação.

— Eu vou resolver esta questão Mia, mas precisava de falar convosco antes, até porque todos juntos podemos pensar melhor.

— Eu faço o papel do James e não se fala mais nisto. Mas Mia, tens noção que acabaste de aumentar a fasquia? Tens de trabalhar esses agudos. – respondeu Kurt de modo sarcástico. – Está resolvido. Alguma coisa contra? – perguntou olhando para o resto do grupo. Todos concordaram e deu-se a reunião por terminada.

Quando todos os alunos saíram, Rachel, Quinn e Kurt sentaram-se juntos a conversar.

— Anormal e abécula?! – perguntou em tom de afirmação Kurt enquanto olhava para Quinn.

— Sim, temos sempre a mania de chamar aos outros o que somos, não é?! – respondeu Quinn com o mesmo sorriso. Mas quando olhou para Rachel, viu que ela estava incomodada. – Desculpa ter-me metido, mas essa miúda estava a passar os limites do razoável. Viste o tom com que falou para ti? Quem é que ela acha que é?

—Ela tem a mania que é a última bolacha do pacote. – respondeu Kurt sério.

— Tudo bem, mas podemos mudar de tema? Kurt, vais precisar de ajuda para a peça, não é? Porque agora tens um papel duplo.

— Não te preocupes, eu dou conta do recado.

—x-

Já em casa, Quinn percebe que o semblante de Rachel está decaído. Começa a pensar que provavelmente ela não gostou da sua intromissão na reunião com os alunos, e decide sentar-se ao seu lado no sofá para puxar o tema.

— Estás chateada comigo? – pergunta com algum cuidado. Rachel reage com surpresa.

— Chateada contigo porquê?

— Por eu me ter metido na tua reunião. – responde Quinn com calma.

— Não, não. Estou chateada com a situação. Ainda não consigo processar a informação do James. – diz a morena cabisbaixa.

— Ele vai pagar por isto. Já não tens com o que te preocupar, ele já não deve sair mais de lá.

— Não é isso Quinn. É que não me faz sentido, sabes?! É ridículo. Não havia nenhum tipo de proximidade entre nós, ele nem sequer era daqueles alunos fáceis de tratar ou que se aproximam dos professores.

— Sim, eu entendo. Mas tens de superar essas dúvidas, porque ele tem um distúrbio psicológico e quando é assim não é explicável. Supera isso de uma vez não penses mais. – disse a loira enquanto se consumia de vontade de abraçar Rachel mas não tomava a iniciativa.

— Obrigada. – respondeu a morena fixando o olhar em Quinn. Ambas sentiram a eletricidade a percorrer-lhes o corpo, mas Quinn reagiu acrescentado:

— Devias voltar à academia. Devias ir ajudar o Kurt na preparação e encenação da peça. Ainda para mais agora que ele vai ter de ensaiar com eles. Não vai ser fácil.

— E tu? – pergunta a morena com receio.

— Eu o quê?

— E se precisares de alguma coisa?

— Rachel eu posso ter batido com a cabeça, mas não estou inválida. Eu sei cuidar de mim. E além disso se precisar de alguma coisa tu estás na porta da frente, não é como se estivesses do outro lado da cidade. – sorriu Quinn.

— E podes ir assistir se quiseres. – respondeu Rachel com um sorriso simpático.

— Sim, algum dia posso lá passar. – assentiu a loira.

O silêncio voltou a inundar a casa e Quinn baixou a cabeça para não ter de encarar Rachel. A morena recostou-se no sofá e com um gesto involuntário puxou Quinn para que se recostara também. A loira olhou para ela com intensidade e Rachel pediu desculpa assustada.

— Desculpa, foi automático.

— Posso te perguntar uma coisa? – disse Quinn sem responder ao pedido de desculpa.

— Sim, claro. – e voltou a sentar-se como inicialmente.

— Como é que nós... – mas Quinn não sabia como perguntar e Rachel não estava a entender.

— Como é que nós o quê? Podes perguntar o que quiseres Quinn.

— Como é que nós... quando é que nós... tu sabes, quando é que nós estivemos juntas pela primeira vez? Ou seja, como é que foi? – além de atrapalhada, passou as mãos pelo cabelo quando viu que Rachel tinha percebido a pergunta de repente.

— Ah. Desculpa, não estava a perceber. Tens dúvidas em relação a isso? A que nível? Queres saber como é entre duas mulheres ou queres saber como é entre nós as duas normalmente? – perguntou Rachel com naturalidade.

— Não quero que me expliques como é entre duas mulheres, acho que isso não preciso que me expliques, tenho uma ideia. Pergunto é... quero dizer ... como é que foi quando estivemos juntas a primeira vez?

— A primeira não sei, estava bêbada e até hoje não me lembro de nada. Mas lembro-me como se fosse hoje da segunda, que para mim foi como o primeiro dia do resto da minha vida. – Rachel sorriu com nostalgia e Quinn corou. – Depois de nos encontrarmos no restaurante pela primeira vez, e de eu apanhar uma gripe gigante, eu voltei lá e estive na conversa com o Massi. Ele contou-me algumas coisas e depois tu chegaste. – sorriu Rachel com mais vontade. – Não estavas nada à espera de me ver ali, eu não avisei que ia. Tinhas de ver a tua cara. Depois o Massi sugeriu que me trouxesses cá a casa e cozinhasses para mim, e tu fizeste isso. Mostraste-me a casa, e todos esses pormenores que me surpreenderam muito, e quando estávamos a ver um dos álbuns de fotos de um dos dias da minha peça... – o sorriso entusiasta de Rachel passou a melancólico. – eu beijei-te sem nenhuma dúvida de que era aquilo que queria. Foi como se o mundo todo tivesse parado à espera que eu me lançasse sem medo. Lembro-me que ao inicio foi desesperante, aquela sensação de querer mais e estar a ter tudo, mas depois tu entrelaçaste os teus dedos no meu cabelo e com a outra mão abraçaste-me com tanta força que eu soube que não te deixava mais. Nós... – mas foi interrompida por Quinn que tinha a respiração agitada.

— Não preciso de saber mais. – disse enquanto se levantava. – Apetece-te sushi? – Quinn precisava de mudar de assunto antes que tivesse o gesto incontrolável de reproduzir o que lhe estava a contar Rachel. A morena não percebeu isso e pensou que ela estava a fugir mais uma vez porque estava a receber informação que não conseguia sentir e imaginar.

— Pode ser. Podemos encomendar ou ir comer fora. Como preferes?

— Prefiro encomendar.

Notas finais
Desculpem a demora. Consigo perceber se me abandonarem. :)