Racers of Life
1 Mustang preto / Fusca rosa
Notas iniciais
Adrenalina...
Sakura sorri sentindo aquela sensação inebriante correndo por suas veias enquanto espera o momento certo para agir.
Sua mãos soam e seus pés anseiam para começar logo o show.
O ronco abaixo de si a faz estremecer em antecipação.
Sua respiração se torna acelerada quando ao longe, vê a ruiva levantando o lenço vermelho.
— É a hora... vamos lá, Sakura... — murmura a garota apertando o volante com força com uma das mãos, enquanto a outra vai em direção ao câmbio ameaçadoramente, sem que ela tirasse os olhos dos dois potentes Mustangs a sua frente.
As pessoas vibram quando o lenço é solto, e Sakura sai de seu esconderijo seguindo os esportivos em toda velocidade.
Nem escuta os gritos de desaprovação quando engata a terceira marcha rapidamente.
Sente todo seu corpo arder em empolgação quando o ronco fica mais potente, mas os esportivos parecem ficar mais longe... mais rápidos.
Um estouro e Sakura bate no volante frustrada ao sentir o carro desobedecendo seu comando e parando, enquanto fumaça começa a despontar de seu capô traseiro.
— Maldição! Droga! ARGH! — desabafa frustrada aumentando a força em seus socos no volante.
Risadas debochadas se aproximam dela enquanto Sakura desce do carro choramingando para ver o estrago feito pra tanta fumaça.
— Esse fusca rosa, de novo? — Diz uma voz rindo e Sakura nem precisa se virar para saber quem se aproxima. Os garotos ricos que usam Port Royal para se divertir.
Sakura ignora o grupinho e suspira ao ver o estrago. A correia estava arrebentada e uma mangueira derretia devido à alta temperatura.
— Inferno! — murmura aborrecida mandando uma mensagem no celular.
— Vamos, tira essa porcaria logo daí. — diz a voz forte de um garoto de cabelos longos que aparece para parar com toda aquela algazarra.
Sakura joga seu melhor olhar de desprezo para o grupo enquanto sente todos os seus ossos tremerem... de humilhação.
— Hey, garoto. Vaza daqui! — diz um loiro enquanto os dois mustangs se aproximam.
Sakura resmunga e coloca as mãos no bolso do casaco enorme e vira o rosto para outra direção.
O grupo corre em direção aos dois motoristas que estacionam com graça á uns metros.
Sakura não consegue desviar o olhar de admiração para o Mustang preto com rodas douradas que aparentemente ganhou o racha.
Em sua cabeça já começa a fazer suposições sobre as peças e os preços de cada uma que aquele carro possui. Seus olhos brilham só de se imaginar acelerando aquele Mustang até o limite naquela avenida deserta.
Consegue imaginar a sensação de liberdade, a adrenalina, o vento batendo em seu rosto...
— Sakura?
A garota acorda de seu sonho e olha na direção da voz sussurrada de sua amiga Temari.
— Que roupa é essa? — pergunta Sakura olhando o macacão cinza e gigante que a amiga usa e a toca preta prendendo os cabelos loiros abaixo dele.
— Peguei do meu pai, não sou maluca de mostrar a minha cara. — diz a loira enganchando o fusca de Sakura e colocando-o em cima do guincho. — E você tá parecendo um delinquente com esse casaco e essa toca ridícula.
Sakura suspira dando uma última olhada na avenida enquanto os próximos carros se preparam para correr. Ela engole em seco e sobe no caminhão da amiga.
— O que aconteceu dessa vez? — pergunta Temari deixando o local.
— Correia... — responde Sakura tirando a toca da cabeça e balançando a cabeleira rosa.
— O Sasori disse...
— Eu sei o que ele disse, Temari. — interrompe Sakura cansada.
— Ai desiste disso, Sah. Deixa quieto esse fusca e trabalha em outro carro. — aconselha Temari já cansada de ver a amiga sempre quebrando a cara.
Sakura não responde e olha pela janela. Mais uma corrida se inicia e o Mustang preto dispara na frente.
Ela suspira e olha para as próprias mãos.
— Eu vou fazer o Bucky* correr. — promete Sakura quando chegam a oficina Haruno.
Temari revira os olhos descendo o fusca em frente ao barracão.
— Bateu seu recorde hoje. — diz um ruivo alto dando um sorriso zombeteiro.
— Não enche, Sasori. — responde Sakura irritada.
— Deixa eu adivinhar... — diz o ruivo enquanto Sakura e Temari empurram o fusca para dentro do barracão — Correia?
Sakura bufa e Temari dá uma risadinha abafada.
— Irmãzinha teimosa essa sua, hein Sasori? — diz Temari limpando as mãos no macacão enquanto Sakura se esconde atrás do capô traseiro amaldiçoando todos enquanto retira a mangueira derretida.
— Adianta falar alguma coisa? — diz Sasori balançando a cabeça enquanto observa a irmã chutando uma lata de tinta no canto da oficina e falando todos os palavrões possíveis, e depois entrando em uma porta aos fundos que dá acesso para sua casa.
— Onde ela foi dessa vez? — pergunta o ruivo se aproximando do fusca rosa e averiguando a situação.
— Port Royal. — responde Temari rodando as chaves do guincho em uma mão. — Passou vexame na frente dos playboy... de novo.
Sasori suspira e retira a correia arrebentada jogando a um lado.
— Tira as mão do Bucky! — grita Sakura entrando na oficina enquanto arrasta uma caixa de ferramentas. — Eu vou consertar ele. Vaza daí, Sasori.
— Port Royal? É sério isso, tampinha? — diz o garoto rindo e se afastando do carro enquanto Sakura chega em passo duros com o rosto contorcido de raiva e frustração. — Não quero você andando por lá. — Diz mais sério assistindo o rosto frustrado de Sakura avaliar as peças.
— Tsc. — Prefere não responder com a má educação que sua mente grita.
— Beleza, tô indo nessa. — diz Temari jogando as chaves para cima. — Amanhã a gente se fala.
— Valeu, Tema. — diz Sakura dando um sorriso triste.
Temari dá uma piscada cúmplice e sai com o guincho do pai.
— Deixa ele aí, amanhã eu vou com você no ferro velho e agente procura umas peças decentes. — diz Sasori olhando por cima do ombro da irmã.
Sakura para os movimentos com a chave philips e respira fundo.
— Eu vou conseguir. — ela diz de repente.
Sasori passa as mãos no cabelo e dá um sorriso colocando as mãos nas costas da irmã.
— É claro que vai. Você não desiste.
***
O mustang preto para ao ver a linha de chegada. O motorista olha pelo retrovisor sorrindo ao ver o carro do amigo bem atrás.
— Sasuke! — Naruto grita correndo em sua direção. — Maldito, o que você colocou nesse carro?
Sasuke abre a porta do carro sorrindo enquanto as garotas se apertam ao redor dele oferecendo uma lata de cerveja ao vencedor.
— Sasuke, você foi demais. — diz Karin enlaçando o braço do rapaz.
— Quem é o próximo? — pergunta o Uchiha ignorando o loiro e a ruiva e voltando para seu carro.
— Já era cara, o pessoal já tá querendo ir embora. — diz Gaara olhando para o celular.
— Tranquilo — diz Sasuke encarando as mãos no volante. — Vou nessa então, sábado que vem você é o primeiro.
Gaara ri dando um tapinha no teto do Mustang e saindo em direção a seu carro.
Sasuke entra na avenida principal sentindo toda a adrenalina sumir quando é obrigado a andar no limite de velocidade. Faz uma carranca quando um carro popular anda a sua frente em velocidade bem abaixo da permitida.
— Anda... — resmunga tentando ultrapassar o carro, mas o motorista da frente fica no meio da rua dificultando. Sasuke perde a paciência e joga o carro pra cima do pequeno automóvel. O motorista se assusta e joga o carro para o lado.
Sasuke apoda o carro encarando o motorista. Vê uma mulher de cabelos curtos olhando-o de olhos arregalados enquanto segura o volante com força. Ele acelera balançando a cabeça.
— Tinha que ser mulher... — debocha balançando a cabeça e cortando a avenida para chegar a rua de sua casa.
As grandes mansões começam a despontar e Sasuke acelera mais. As ruas largas e sem movimento o faz sorrir novamente quando aquela sensação de adrenalina começa a percorrer as suas veias. Vira a esquina derrapando e quase bate em uma árvore, desviando a tempo, quando vê a BMW luxuosa em frente a sua casa com dois homens grandes em frente a ela de ternos caros e olhares atentos.
Sasuke diminui a velocidade e respira fundo para se acalmar.
Os dois homem olham Sasuke entrando na garagem de casa sem qualquer cumprimento.
Sasuke aperta a mandíbula se negando a sair do carro, mas a silhueta de alguém no canto mais escuro o faz desistir.
— Não fala pro pai que eu tô aqui. — pede Itachi os sussurros olhando para o lado e se escondendo nas sombras.
— Que inferno, Itachi. — resmunga Sasuke entrando na casa com os punhos cerrados.
A sala bem iluminada dá boa vindas a Sasuke, de imediato reconhece seu pai e o convidado odioso conversando.
— Sasuke chegou. — diz o homem desviando os olhos para o garoto e dando um sorriso falsamente cordial.
— Orochimaru. — cumprimenta Sasuke secamente e olhando de volta para o pai. — Precisa de mim aqui?
— Não, estamos esperando Itachi. — diz o pai, nitidamente, controlando a raiva.
Sasuke assente e volta para a garagem.
— Ele tá furioso. — diz Sasuke abrindo o capô do carro e começando a trabalhar nele.
— Que fique, não vou entrar nos esquemas deles. — diz Itachi em voz baixa se aproximando do irmão.
Sasuke suspira e volta sua atenção ao carro.
— Meu carro reagiu bem ao nitro. — diz Sasuke dando um sorriso orgulhoso para o carro.
— Não ligo. — diz Itachi olhando para fora por uma janelinha. — Beleza eles foram embora. Tô saindo.
— Idiota. — murmura Sasuke sem tirar os olhos de seu Mustang.
As lembranças da corrida de mais cedo o fazem sorrir sozinho. Só a velocidade o faz sentir tanto prazer...
— Senhor Uchiha?
Sasuke se vira para a porta e vê uma das empregada com o telefone na mão.
— Senhor Uzumaki. — diz estendo o telefone.
— Obrigado. Naruto?
— Sasuke! É uma emergência!
— Que foi? — pergunta sério deixando a ferramenta de lado.
— Meu carburador! Meu carburador!— choraminga Naruto fazendo Sasuke bufar com o drama.
— Idiota, é pra isso que você me liga? Se vira...
— Não Sasuke, espera aí! Você não tem nenhum sobrando aí, não? Meu pai cortou minha mesada...
— O Neji levou o que eu tinha aqui. — responde Sasuke voltando sua atenção para o carro novamente.
— Vou ter que levar no mecânico... Tô sem grana...
— Não vou emprestar. — diz Sasuke já sabendo onde aquela conversa vai dar.
— Ah Sasuke! Seu egoísta! Mão de vaca! Filho da...
Sasuke desliga o telefone na cara do amigo e volta sua atenção ao carro. Impressionante como todos os seus problemas desaparecem naquela garagem fria e silenciosa. As mãos sujas de graxa e a ambição por mais velocidade.
Do outro lado da cidade, Sakura compartilha da mesma sensação. Alisando o fusca com o olhar perdido enquanto os gritos dentro de casa começam a ficar mais altos.
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