Racers of Life
19 Consequências
Notas iniciais
– Gay?
Sasuke olha incrédulo para Sakura. A garota morde o lábio inferior totalmente constrangida e arrependida de ter aberto a boca.
– Desculpa – murmura sentindo que aquele silêncio irá perdurar por muito tempo.
Sasuke dá uma risada anasalada sem humor algum. Ele olha para frente passando as mãos pelo cabelo.
– Por isso fazia uns comentários estranhos – ele comenta mais pra si mesmo. Sakura quer se matar de vergonha e olha para todas as direções – Foi o Naruto – afirma seco.
Sakura começa a temer pela saúde física do amigo se contar a verdade. A situação é tão embaraçosa que ele não consegue pensar em nada satisfatório para responder.
Sasuke respira fundo maquinando mil e uma torturas para empregar em Naruto.
– Ele devia estar brincando... – comenta Sakura com a voz baixa.
Sasuke dirige seu olhar para ela e dá um suspiro relaxando. A garota segura a respiração vendo as feições dele ficarem suaves.
Sasuke percebe o desconforto dela e pondera sobre o que fazer a seguir.
– Do Naruto eu cuido depois – ele começa se virando para ela – Agora, nós...
Espera alguma reação dela. Alguma dica de que ela o queira também. Algum sinal de que tudo não passa de timidez.
Sakura se mantém encolhida vendo-o a analisar com certa curiosidade e admiração. O coração começa a acelerar de novo e suas mãos soam como nunca antes.
A aproximação é lenta, como se cada um estudasse o outro.
“Ele não é gay... ele vai me beijar de novo... ele não é...”
Sakura sorri para ele relaxando os ombros. Sasuke vê isso como um convite e coloca a mão na nuca da garota.
– Quero ficar com você – sussurra num tom rouco. Sakura simplesmente assente sem tirar os olhos dele.
Sasuke se surpreende com a atração que Sakura exerce sobre ele. Só de olhar nos olhos verdes dela, consegue esquecer toda a raiva que estava sentindo do Naruto.
Com os lábios, ele vai explorando o rosto dela suavemente, sentindo a pele dela esquentar ao seu toque. As mãos a acariciam levemente, revezando entre os lados das duas faces e os cabelos.
Independente do que estivesse acontecendo do lado de fora, naquele momento, Sasuke e Sakura só conseguiam pensar no que acontecia dentro de si.
Sakura sente todas as sensações descritas em livros e filmes. As borboletas no estômago, o coração palpitante, os leves tremores no corpo... mas algo novo que não consegue colocar em palavras e nem ser comparado a nada que já tenha sentido, a toma também.
Sasuke sente a mesma coisa.
Os lábios se tocam mais uma vez, sem hesitação de nenhum dos dois, e com movimentos calmos e suaves, eles se beijam mais uma vez.
(...)
Em frente a casa de Sakura, tudo parece estar pacífico. Sasuke sai do fusca assim que o estaciona. Sakura nãos sabe o que fazer. Tudo aconteceu tão rápido.
Num momento estava chorando assustado e no outro estava trocando beijo com Sasuke.
Sente uma vergonha tremenda quando ele abre a porta do carro.
Ainda tá com vergonha de mim? — pergunta com um apontada de divertimento vendo-a apertar as mãos e olhar para baixo.
– Sasori – ela responde em voz baixa.
Sasuke ergue uma sobrancelha sentindo olhos às suas costas. Ele olha para trás e vê Sasori na janela olhando-os. Ele o cumprimenta com um aceno de cabeça e desaparece no quarto.
Sakura percebe a brecha e desliza para fora do Bucky rapidamente. Sasuke vê a intenção dela e a segura pela mão, dando uma olhada na janela para ver se Sasori não está lá.
– Sasuke... – sussurra Sakura nervosa olhando em todas as direções.
O garoto dá um sorriso a puxando para a parede em frente a oficina. Sakura segura a respiração sentindo suas costas baterem de leve na parede e Sauke se colocar a sua frente.
– Escondido é bom... — sussurra erguendo o rosto dela.
O beijo de despedida foi mais ousado, mais necessitado.
Ao se separarem Sakura não conseguia encontrar seu fôlego. Ela olha atônita para Sasuke ainda chocada com tudo e extremamente envergonhada.
– Deixa disso – ele pede com um sorriso passando uma mão pela bochecha dela – Não precisa ficar assim, gosto de ouvir sua voz... — termina com uma risadinha.
– Er... Foi mal – Sakura solta num suspiro – É estranho...
Sasuke dá mais um selinho nela e se afasta para olhar para a janela vazia.
– Melhor eu ir, tô abusando da sorte. – ele diz a puxando pra mais um selinho em seguida – Amanhã você vai sair comigo e a gente conversa melhor, ok? Você tá legal?
Sakura dá um sorriso feliz concordando com a cabeça. Sasuke joga uma piscada em sua direção e vai para seu Mustang, saindo em seguida.
Sakura encara o carro sair as forças em suas pernas se vão junto. Ela desliza até o chão com as costas apoiadas na parede e a mão no peito.
Seu amigo pugilista começa agora a se acalmar dentro do peito e o gosto de menta, que Sasuke deixou em sua boca, a faz ter certeza de que tudo foi real, intensamente real.
Ela se levanta de súbito e corre para dentro de casa, pulando os degraus da escada e se jogando sobre a cama. Rapidamente pega o celular e liga para sua melhor amiga.
– Sakura?
– Tema? Tá podendo falar agora?
– Na verdade, não...
– Eu beijei o Sasuke! Ele não é gay!
– Aaaaaaaaahhhh!!!
***
Ino deita em sua cama, cansada demais para pensar em sair depois da reuniãozinha em sua casa. Foi difícil fazer o Gaara parar de insistir, mas ela realmente não estava com ânimo pra mais farra. Só queria deitar em sua cama e ler um bom livro.
Pior do que insistir em não sair, é insistir para que ele não saia. Mas ele é teimoso...
O celular toca e Ino coloca seu livro ao lado estranhando o número de sua sogra no visor.
– Sra. Karura, como...
– INO? Ino? Minha nossa.... querida... ai... não... — Ino se apruma na cama começando a tremer quando escuta a voz desesperada da sogra do outro lado da linha.
– Karura? O que aconteceu? — Ino pergunta em meio aos soluços da mulher.
Um barulho surdo se faz e Ino se desespera. Seus gritos não surtem efeito e um barulho de gritos e passos rompe pelo telefone.
Sem perceber, Ino já está de pé andando pelo quarto sem rumo e gritando ao telefone.
– Ino? — a garota reconhece a voz fraca do sogro – pode vir até o hospital central? Gaara sofreu uma acidente sério...
– Ai meu Deus – Ino coloca as mãos trêmulas em frente à boca e sente as primeiras lágrimas escorrerem – Co-co-como ele tá? O que aconteceu? — sua voz começa a ficar aguda e o celular quase cai ao chão pela intensidade de seus tremores.
Um silêncio se faz e Ino se desespera ainda mais pegando sua bolsa e colocando um casaco por cima do pijama.
– Por favor, fala alguma coisa... — ela implora correndo para fora do quarto.
Um suspiro depois, ela tem a resposta.
– Ele está em cirurgia... só sabemos que está em estado grave... conversamos melhor aqui.
A voz controlada do Sr. Sabaku não consegue disfarçar o pavor que ele está sentindo com suas próprias palavras.
Ino soluça alto e sua garganta se fecha. Antes de chegar à porta de entrada, ela desaba sem forças nas pernas.
– Srta. Yamanaka! — grita uma empregada correndo ao encontro de Ino.
Ino não escuta o grito da mulher. Tudo o que sente é impotência. Snete uma parte de si sendo tirada, uma dor excruciante no peito e soluços intermináveis que a fazem se afogar nas própria lágrimas.
– Gaara... — murmura em meio ao choro.
Ela sente dois braços passando por ela, ao erguer a cabeça surpresa, ela vê sua empregada tentando entender e confortá-la de alguma forma.
– Syla... me ajuda – ela implora se apoiando a mulher que a ajuda a se levantar. — Me leve ao hospital central.
A empregada assente apavorada com a situação da patroa e a ajuda a ir até o carro.
Chegando ao hospital, Ino corre até o sofá onde o pai de Gaara está sentado. Naruto e Neji já se encontravam no local também.
– Ino? — Naruto a vê primeiro e corre abraçá-la.
– Como ele tá, Naruto? O que aconteceu? Me explica... — Naruto a aperta com mais força sentindo o corpo dela convulsionar em meio ao desespero.
Sente um aperto na garganta vendo-a naquela situação. Neji se aproxima também, e desajeitadamente, passa as mãos nas costas dela tentando passar conforto.
– Ele bateu o carro num poste, estava em alta velocidade – começa Neji quando vê que os lábio de Naruto começam a tremer. Ino solta um fraco gritinho e olha para Neji com toda a dor estampada em seu belo rosto. Ele respira fundo para continuar – Foi sorte ter sobrevivido. Ele ficou preso nas ferragens e teve uma parada cardíaca no caminha para cá. Foi direto para a sala de cirurgia.
Ino desaba no chão de joelhos e Naruto a acompanha.
A sala de espera do hospital é tomada pelo som do choro sofrido e desesperado de Ino. Por um tempo deixam-na extravasar, mas logo duas enfermeiras chegam para oferecer um remédio para se acalmar.
– Não... não quero nada... quero meu Gaara... meu amor...
– Neji! — Sasuke rompe pela porta do hospital totalmente pálido.
O amigo o cumprimenta com um aceno de cabeça fraco. Sasuke vê a figura miserável de Ino encolhida no banco sendo consolada por Naruto.
Ele dá um abraço na loira passando conforto e sentindo que também precisa disso.
– Ele é durão – diz Sasuke num sussurro se afastando para olhar para os olhos da garota – Vai sair dessa pedindo uma cerveja.
Ino dá um sorriso fraco e balança a cabeça agradecendo.
Neji conta o que aconteceu e Sasuke fica chocado. Gaara sempre bebeu bastante, mas isso nunca o abalou. Pelo menos era o que eles achavam.
O pai de Gaara continua quieto. Observando o nada. Deixando seu rosto sério e implacável.
A tensão é palpável e o clima é pesado.
Os garotos se sentam em torno de Ino e aguardam o fim do cirurgia. Um médico aparece na sala e reconhece o Sr. Sabaku.
– O senhor é pai de Gaara Sabaku? — pergunta calmo atraindo a atenção imediata de todos.
– Sim, como ele está? — responde conseguindo trancar bem sua ansiedade.
– Conseguimos estancar a hemorragia em seu abdômem e tratamos o traumatismo que ele sofreu, porém tivemos que tirar um pedaço do crânio para o caso do coágulo no cérebro crescer... — o médico dá um suspiro desconfortável com a notícia que tem para dar olhando tantos rostos esperançosos e apreensivos. — Ele está em como, e não é induzido, agora só podemos esperar.
***
O dia seguinte foi um inferno para Sasuke. Não dormiu direito preocupado com Gaara e agora está recebendo a visita de seu pai e de Orochimaru em sua sala.
Seu mal humor é perceptível para qualquer um, mas os dois homens não se abalam diante dele, mostram frieza e nem se importam em perguntar o que o deixou assim.
– Bom, Sasuke. Hoje é sua iniciação nos negócios de seu pai – começa Orochimaru ciente da aversão entre pai e filho – creio que esteja ansioso para começar. — Sasuke o olha com desdém, mas não comenta.
Fugaku faz um movimento impaciente e se levanta.
– Vamos para Moscou em meia hora, saia e me espera no carro. — dizendo isso ele sai e Orochimaru faz uma careta contrariado o seguindo.
Sasuke não acredita no que ouve. Dá um soco forte na mesa se decidindo mandar o pai para o inferno, até que vê a foto de sua mãe caída na cadeira de Orochimaru. Uma foto dela fraca e dentro do quarto do hospital em que está.
– Desgraçado – Sasuke maldiz puxando os cabelos com força.
***
– Você tá esquisita – comenta Sasori depois de observar Sakura rindo sozinha a manhã inteira.
– Só acordei de bom humor – ela diz dando de ombros tentando maquiar o nervosismo por ter deixado tão na cara sua felicidade.
– Hum... sei, acordou de bom? Com essa cara de zumbi, parece que nem dormiu – Sasori lança seu olhar desconfiado que faz Sakura se entregar.
– Larga de ser chato e vai cuidar do seu serviço – diz fingindo irritação e voltando sua atenção ao Gol em que trabalha.
– Sakura?
Os dois irmãos se viram para a porta da oficina e encontram Hinata dando um sorriso tímido para a garota.
– Hinata, oi! Como você tá? — cumprimenta Sakura limpando as mãos num paninho.
– Er... eu tô bem, mas a Ino, não. — Sakura ergue as sobrancelhas surpresa esperando o resto – Gaara sofreu um acidente ontem e está em coma, Neji disse que ela não come nada e fica sozinha lá. Queria saber se você não quer ir comigo...
– Claro, nossa! Só um minuto – Hinata assente e Sakura corre até o irmão que escutou tudo – Tato, tem problema eu ir? Eu juro que termino o Gol até amanhã.
– Pode ir, eu dou conta. — ele responde dando um suspiro.
Sakura corre na direção de casa tirando o macacão e colocando uma roupa mais apresentável. Ela tira o máximo que pode da graxa em sua mão e corre de volta para a oficina.
Hinata a espera já dentro de seu carro e juntas vão ao hospital. No caminho Hinata vai explicando sobre o que aconteceu com Gaara e Sakura escuta tudo assombrada pelo estrago que fez o carro do rapaz e ele ter conseguido sobreviver.
Ao chegarem na recepção encontram uma Ino muito diferente da que conhecem. Cabelos mal penteados, pálida, olheiras profundas e olhos vermelhos. Ela olha para o nada balbuciando uma oração quando as garotas se aproximam.
– Ino? — Sakura se senta ao lado da amiga chamando sua atenção.
A loira olha para elas com os olhos murchos e cansados de chorar. Ela responde com um sorriso fraco e sem graça.
– Que tal lavar essa cara e comer alguma coisa? Tem certeza que quer que essa seja a primeira coisa que Gaara veja quando acordar. — Sakura diz com um sorriso, mas Ino somente dá de ombros.
– Eu não vou sair daqui – Ino diz voltando seu olhar para o nada.
Sakura suspira e olha para Hinata, que se coloca em frente a Ino.
– Vou trazer uns lencinhos umedecidos e um café pra você. Assim você concorda?
Ino ergue os olhos para a morena e dá um sorriso mais sincero assentindo.
Hinata dá um beijo em sua testa e sai em seguida trazendo o que prometeu.
A falta de informação as deixa ainda mais tensa. Ino não pode visitar Gaara, mas nem por isso deixa o hospital.
As garotas se sentem mal pela amiga e tentam distraí-la de toda forma. Até que Ino se deixa levar pela conversa sentindo que precisava daquilo.
– […] daí ele disse que queria ficar comigo, mas ninguém poderia saber – Hinata conta sobre sua situação com Naruto – porque ele fez isso? Tem vergonha de mim? Tem outra mulher?
– Ele é muito idiota pra ter duas mulheres – comenta Ino com sua voz fraca conseguindo tirar um sorriso de Hinata.
– Talvez – concorda Hinata de cabeça baixa – e você, Sakura?
– Eu o quê? — pergunta Sakura com cara de falsa inocência fazendo as duas rirem.
Mas o clima é quebrado com uma correria pelos corredores. Ino se levanta na mesma hora já começando a se desesperar.
As suas perguntas e súplicas foram ignoradas e Sakura e Hinata tiveram que segurá-la a força para que não pulasse em cima de algum enfermeiro.
– É o quarto dele! — grita Ino apontando para onde todos entraram correndo.
– Calma, Ino. Ele pode ter tido alguma reação, fica calma. — Sakura tenta dizer, mas sente unhas entrando em seu braço e no minuto seguinte Ino está correndo em disparada para a porta do quarto.
Ela dribla as enfermeiras e cai ao chão quando escuta os gritos da médica.
– Estamos perdendo ele. Mais uma vez.
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