Racers of Life
45 Atrás daquilo que quer
Notas iniciais
Havia chegado no dia anterior à Mônaco e não encontrou-a onde deveria estar morando.
Neji estava nervoso e já havia tentado ligar pra ela muitas vezes, sem sucesso.
Achou que iria conseguir esperar o veredicto de seu pai, mas ficou ansioso demais, e num impulso comprou as primeira passagens de avião para Mônaco sem avisar ninguém.
Aquela garota doida estava deixando-o doido.
Neji olha pela janela de seu quarto vendo o sol poente se esconder nas ondas do mar e suspira. Aquela estava sendo uma viagem perdida no fim das contas.
Pega as chaves do carro que alugou e vai dar uma volta pela cidade. Iria embora no dia seguinte e seu fim de semana não era nem de longe o que tinha pensado que estava sendo.
O rádio toca uma música que ele não conhecia e nem se importou em saber do que se tratava, pois viu um grande galpão na borda mais distante da praia. Distante o bastante para ver somente o esboço de uma fogueira.
Solta o ar com um riso.
“Como pôde ter sido tão idiota? Onde mais a acharia?”
(…)
Tenten havia achado aquele galpão no primeiro fim de semana que teve. Sua cabeça estava latejando de tanto gritar ordens e sentir tanta pressão em seus ombros. Ela gostava de fazer aquilo, trabalhar e comandar, mas não era a mesma coisa se depois não havia a cervejinha com os amigos no fim do dia, sua turma de motociclismo testando seu limites nas estradas desertas e nem um cabeludo metidinho que a deixava distraída.
– Droga. — Resmunga sentada no chão sujo do antigo galpão de grãos desgastado pelo tempo.
Fecha os olhos querendo escutar a barulheira que soa como música. Aquele som de escapamentos, de pneus cantando e... mas somente o som da água batendo suavemente nas pedras lhe chamava a atenção.
– Não acho que seja muito seguro ficar sozinha aqui.
Tenten não acreditou quando ouviu. Levanta a cabeça segurando o sorriso ao ver aqueles olhos claros a fitando.
– Neji... — murmura surpresa e maravilhado o acompanhando com os olhos até que ele se senta ao seu lado.
Neji encara a garota por um tempo.
Saudades.
– Fui até sua casa...
– Dedetizaram a minha casa.. tinha baratas – comenta envergonhada e Neji ri.
– É estranho te ver com medo de uma coisa menor que você.
– Prefiro encarar os grandões.
Os dois sorriem e os sorrisos se perdem por um momento. Um momento de extrema atração. Um momento que serve para quebrar toda calma que tinham e toda ansiedade também.
Se beijam com vontade, com saudade, com paixão. Com amor.
– Seu idiota. Demorou demais! — reclama em falsa raiva afobada segurando o rosto do garoto com as duas mãos e olhando em cada traço em seu rosto.
– Eu não vou embora. — Neji diz hipnotizado com os olhos dela.
– Como? — Tente arregala-os e Neji dá de ombros mordendo o lábio inferior dela.
Ele não responde, a puxa pela nuca e os dois se amam naquele galpão.
***
Sakura acorda tarde, depois de conversar com Sasori havia conseguido se sentir mais tranquila e conseguiu dormir sem sonhos ruins.
Desce as escadas e escuta a voz de Sasuke na sala conversando com Sasori.
– Bom dia. — Sasori dá um leve sorriso sentado em uma poltrona.
Sasuke na mesma hora se vira dando aquele sorriso de canto que Sakura fica derretida.
– Oi.
Os olhos de Sasuke estavam levemente inchados e tinha olheiras, provavelmente ainda estava sofrendo pelo o que havia acontecido.
– Vim te sequestrar. — diz num tom rouco.
Sakura olha para Sasori que dá de ombros ligando à TV.
Sasuke se levanta oferecendo sua mão quando escutam a voz da repórter que faz o casal olhar na mesma hora para a TV.
“... a casa era utilizada como depósito de rifles de alto calibre e moradia da família do senador. Danzou Shimura foi eleito senador há 8 anos e continuava ligado à política e tinha fortes aliados para concorrer à presidência. Seu esquema de corrupção foi descoberto em documentos encontrados na casa denominada célula. O Sr. Shimura, sua esposa Mebuki e comparsas foram presos neste sábado em flagrante sob denúncia de sequestro, lavagem de dinheiro e tráfico de armamento bélico. A Interpol vinha trabalhando em conjunto com o FBI e a polícia local, onde formaram uma força tarefa que invadiu o local. Foram contabilizados 15 mortos e 30 feridos, entre os trágicos temos nomes como Fugaku Uchiha, empresário da área têxtil e Kabuto Yakushi, subsecretário do primeiro ministro. De acordo com algumas fontes, eles estavam ligados ao esquema de tráfico de armas junto com um homem que usa a alcunha Orochimaru, que é considerado foragido. Até o momento não temos informações sobre a família dos envolvidos. Pamela Albani, direto de King's Street.”
Sakura pega a mão de Sasuke e segura com força, o garoto demora um pouco para retribuir, tendo a mesma reação de Sasori que fita a TV sem reação.
O Uchiha vira a cabeça como se tentasse esquecer o que estava tentando esquecer antes de ver aquele noticiário e dá um olhar para Sakura. Um olhar que os dois compartilham. Um olhar de dor.
– Melhor irmos. — diz rouco impando a garganta em seguida.
Sasori dá um leve aceno de cabeça quando os dois passam por ele e abaixa a cabeça olhando os pés.
“Até quando iria relembrar aquele inferno?”
(...)
Sasuke dirige seu Mustang respirando de forma descompassada e muito concentrado na estrada. Sakura se sente mal por ele, tem noção da dor que ele deve estar sentindo.
A mão de Sakura pousa sobre a dele quando ele troca a marcha.
O calor que emana dela o acalma e seus ombros relaxam na mesma hora dando um sorriso pequeno e agradecido à ela.
– Como sua mãe tá? – pergunta num quase sussurro.
– Abalada – responde no mesmo tom – mas ela é forte, ela vai se erguer. – termina esboçando um sorriso orgulhoso.
– Tenho certeza. E você?
Sasuke não sabe como responder àquilo. Sente muitas coisas que não seriam fáceis de serem explicadas com palavras.
Não responde e Sakura compreende seu conflito quando chegam em uma estrada deserta e ele começa a acelerar.
– Onde vamos? – ela pergunta com um sorriso não reconhecendo o lugar.
Sasuke só lança um sorriso e acelera mais curtindo a gargalhada de Sakura ao ver o ponteiro nos 180 km/hr.
Chegam à um terreno de terra enorme e começa a dar cavalinho de pau.
Precisava daquela sensação. Os dois precisavam.
Gritar, rir e jogar pra fora tudo o que estava preso através da adrenalina.
– Não acredito que vou dizer isso! – Sasuke diz depois de parar o carro.
Sakura espera com curiosidade arrumando os cabelos despenteados.
– Fala! – pede inquieta esperando mais emoção.
– Toma. – fala rápido saindo do banco do motorista.
– Jura? – ela nem pensa duas vezes e pula para o banco dele vendo-o se sentar em seu lugar e colocar bem o cinto.
– Por favor, tenha cuidado.
Sakura ri de sua cara de sofrimento e acelera com tudo.
Foi uma manhã gloriosa. Uma manhã de descarrego daquelas sensações ruins. Parecia que não se sentiam bem daquele jeito há anos, e naquele turbilhão de adrenalina sentiram todos os problemas serem dissipados como a poeira que levantavam.
O carro para e Sakura sorri ofegante ainda com as mãos no volante.
– Seria bom se todo dia fosse assim. – diz com a voz entrecortada e Sasuke concorda levemente com a cabeça olhando para o horizonte pensativo.
Sakura mexe os pés impaciente, toda aquela adrenalina fez seu coração disparar e uma lembrança, nada semelhante com que estavam fazendo, mas semelhante ao que estava sentindo veio à sua mente.
Fica constrangida. Pensa duas vezes. Decide não falar.
Quando vira para o lado vê Sasuke a encarando com uma sobrancelha erguida e o tronco virado para sua direção.
– O que tanta pensa? – pergunta passando um dedo pelo rosto dela.
Ela enrubesce olhando para o câmbio.
– Nada não...
Sasuke ri e dá um selinho longo.
– Diz. – sussurra ainda com os lábios colados aos dela.
Sakura sente toda as suas defesas caírem em terra e quando se aproxima para beijá-lo ele se afasta um pouco com um sorriso sacana.
– Não é a hora... – ela diz soltando um suspiro.
Sasuke não consegue entender o que se passa pela cabeça dela , mas está se divertindo com o jeito – sem jeito – que ela coloca uma mecha de cabelo atrás da orelha a toda hora e seu rosto vai se tornando mais vermelho, mas os olhos... estes vão se tornando mais brilhante
– Hey, me conta... — ele sussurra puxando a nuca dela mais próximo a si.
Sakura olha para todas as direções e seu rosto vai esquentando cada vez mais.
– É que... ai.... e que você... não sei se entendi errado, mas... — ela se atrapalha nas palavras e Sasuke não consegue entender onde ela quer chegar, então espera calado que ela prossiga. Ela levanta os olhos para ver a verdade nos negros dele e dispara de uma vez. — Você disse que me ama. É... verdade?
O sussurro dela deixou Sasuke atônito por um segundo. Lembra-se nitidamente de estar esperando a morte e as palavras saírem de sua boca sem aviso. Como sendo suas últimas palavras e as mais verdadeiras.
Engole em seco se dando conta dos olhos dela esperando uma resposta com muita vergonha e expectativa. Se arruma no banco, não teria o que mentir, são em momentos como aquele, em que você pode perder tudo, em que a vida de alguém importante está em suas mãos, em lugares perigosos e com apenas uma chance que você descobre os sentimentos mais intensos que vivem em você.
Naquele hora ele não era um homem corajoso, e nem covarde. Olhando-a em risco ele só poderia concluir que era um homem apaixonado. Mais que isso, um que estava amando.
Dá um suspiro umedecendo os lábios e começa a passar a mão pelos cabelos dela, sem olhar diretamente em seus olhos.
– Eu disse... — ele a olha no olhos e vê a ansiedade transbordando daqueles olhos verdes. — acho que é verdade. — termina com uma risada nervosa.
Sakura arregala os olhos e um sorriso quer aparecer em seu rosto. Jamais havia visto Sasuke sem jeito, como estava agora, mas tinha que admitir que ele disfarça bem.
– Sério? — pergunta se aproximando dele sem perceber.
Sasuke dá um sorriso de canto analisando bem cada tracinho castanho que se junta ao verde intenso nos olhos dela.
– Aham, mas posso mudar de ideia caso você não...
Sasuke não consegue terminar a frase.
O vidro traseiro explode quando uma bala o perfura.
Naquele canto deserto, o grito de Sakura camuflou o barulho de um carro preto saindo de lá.
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