P.O.V. Scott

Eu não sabia se ficava otimista ou pessimista em relação a um bando de crianças tentando descobrir quem é o assassino.

Vi Ford falar algo com Vincent, que veio até mim.

—Hã...hey, Scott. Se importa de ir dormir só depois das seis hoje? Jamie tem uma ideia, mas ele precisa de todas as pessoas possíveis.

Ele estava mentindo. Eu sabia disso. Imaginei o porquê e também me perguntei o que Jamie estaria planejando. Não é nem de longe o mais esperto do grupo, mas ele tem um suspeito.

Falando nele, Jamie é filho de um dos funcionários, John. Espero que o garoto seja como o pai quando crescer. É um cara bem legal e inteligente.

—Hã...Scott-era Vincent de novo-Ford não para de me perguntar dos robôs e eu não sei nada sobre eles. Me ajuda aqui.

Fui até os dois e o garotinho começou a me bombardear com perguntas sobre os sistemas dos robôs.

—Por que tem dia que alguns atacam e outros dias que eles ficam conversando conosco?

—Bem, isso é fácil. Eles possuem um sistema de recognição facial, sabe? Os de Bonnie e Chica vivem falhando, então elas confundem todo adulto com algum ladrão ou assassino. Por isso elas tentam nos matar. O de Fredbear é o que menos dá defeito. O de Freddy falha bem raramente e o de Foxy para de funcionar às vezes, apesar de na maior parte do tempo ele só vir aqui para falar oi ou pular em cima de nós, se escondendo de Balloon Boy conosco em baixo da mesa. Falando no BB, quando o sistema de recognição facial dele falha, ele fica na nossa sala enchendo o saco. Por isso Foxy se esconde. Também não suporta esse garoto-eu ri-Quando ao Puppet...bem, o sistema dele nunca falha. Ele só nos assusta às vezes, para nos lembrar da caixinha dele. Mas ela sumiu, então eu não me preocuparia com esse cara.

—Mas então ele deve saber quem é o ladrão.

—Não. Ele não viu o cara roubando. Seja lá quem for, é uma pessoa bem discreta.

Ford parecia estar pensando em algo. Percebi que ele estava todo de preto. Sua camisa, as calças, as botas de caça e até o boné de vigia noturno (que eu não sei onde raios ele conseguiu) eram pretos.

—Gosta muito dessas coisas de mistérios e tecnologia, né?-perguntei.

—Aham-respondeu-Quero trabalhar com isso quando eu crescer! Sabe...algum estabelecimento Fazbear ou algo do tipo. Sempre tem mistérios e tecnologia em lugares como esse.

—E quanto ao Kenny? Vocês são muito amigos, não?

—Ah, sim. Ele é como um irmãozinho mais novo para mim. Mas eu não cruel como o irmão mais velho de verdade dele.

—O que ele fez hoje?-perguntei, suspirando.

—Usou uma máscara de Foxy para assustar o Kenny.

—Esse garoto é terrível...-murmurei.

—PESSOAL!-ouvimos uma voz robótica.

—O CORREDOR!-gritou Ford.

Arthur, que descobri ser o nome do menininho de fantasia de Bonnie, berrou e começou a correr de um lado para o outro. Jeanine e Jamie, confusos, imitaram o garoto.

—CALMA, GENTE!-Ford disse em um tom de ordem.

Ele juntou os colegas e os acalmou.

—Gente?-era a voz de novo.

Parecia ser Goldie. Ainda estava no corredor e se aproximava. O grupo já ameaçava entrar em desespero de novo.

—NÃO ENTREM EM PÂNICO!-Ford gritou-Scott, como sabemos se o reconhecimento facial está funcionando?

—Pedindo para ele identificar algum rosto.

O garoto ficou em frente a Goldie, que poderia ser visto graças à lanterna nas mãos de Mike.

—QUEM SOU EU?-perguntou.

—FORD!-o robô berrou de volta.

—Beleza, ele está normal. Para de piscar essa luz.

Mike desligou a lanterna e Golden Freddy se aproximou.

—Alguém me desligou e roubou meu microfone!-reclamou.

—Então como você está ligado?-Vincent questionou.

—Provavelmente foi ligado por algum sistema detector de ameaças que foi ativado devido ao desligamento súbito-Ford sugeriu.

—Não é meio novo para saber disso?-Goldie sorriu ao dizer isso.

O garotinho corou.

—Então o ladrão está aqui agora!-Jeanine exclamou.

—Droga! Minha teoria estava errada!-Jamie bufou.

—Que teoria?-Jeremy o olhou.

—Achei que fosse Scott.

—Hein? Mas por quê?!-soei mais indignado do que eu queria.

—O cara não roubou nada de Foxy. Ele é seu robô favorito. O primeiro a ser roubado foi Puppet, quem você mais odeia. Além disso, você tem acesso à pizzaria.

—Faz sentido. Mas, bem, não sou ladrão, não mato pessoas e, como pode ver, estou bem aqui na sua frente.

—Então quem...

—SHHH!-Mike fez um sinal, mandando todos se calarem.

Parei para escutar. Um som vinha do duto de ar direito, mas não era um som metálico. Provavelmente era uma pessoa.

Olhei para Marcus. Ele estava conosco, já que Fritz fora dormir e achávamos necessária mais uma pessoa. O cara estava olhando para o duto de ventilação ao lado de Ford com os olhos arregalados.

—Tem alguém a...-ele começou, mas um tiro o interrompeu.

Ele caiu no chão. O assassino fez mais uma vítima.

Jeanine, Jamie e Arthur começaram a gritar e se afastar da saída de ar. Ford bateu na própria testa, como se achasse seus amigos idiotas por terem essa reação.

—AÍ, CARA DO DUTO! POR QUE NÃO LARGA DE SER COVARDE E VEM AQUI?-todos se viraram para Ford, surpresos.

O que ele está fazendo?, pensei. Mais uma vez, a pessoa atirou. Mas não acertou ninguém.

—QUE MIRA RUIM HEIN!-Ford provocou.

QUAL É O PROBLEMA DELE?!

Ouvimos um barulho vindo do duto. Ford se agachou, como se estivesse pronto para atacar alguém. Por favor, pensei, me digam que ele não vai...

O cara saiu do duto. Parecia ser um homem e estava com um gorro de esqui tampando o rosto. Ford pulou em cima dele. A pessoa cambaleou, confusa, derrubando o garoto por pura sorte. Mas o menino reagiu antes que o cara sequer pensasse em atirar em alguém. Ford deu um chute bem no...

Sabe, você que é homem, imagine o pior lugar para tomar uma bicuda.

Yep. Aí mesmo.

Estremeci. Aquilo deve ter doído. Aproveitando que o cara estava destraído por causa da dor, Ford arrancou a arma da mão da pessoa que, ao perceber o que aconteceu, disparou em direção ao corredor.

Mike parecia prestes a tentar segurar o cara, mas Ford foi mais rápido e deu um tiro na perna da pessoa, que gritou e sumiu para dentro da escuridão, andando com dificuldade.

O garotinho apertou o gatilho até as balas acabarem, mas, já que não houve gritos, provavelmemte não acertara a pessoa.

Ou então ele matou o cara.

Até Mike parecia surpreso.

—Cara, eu TENHO que adotar esse garoto-ele riu e fez um toca aqui com Ford.

Quando o resto do pessoal se recuperou da surpresa gerada pela forma como Ford agiu, Jeremy pegou a lanterna e apontou para o corredor. Não havia ninguém.

—Ele não pode ter ido longe-Ford falou-Se seguirmos o rastro de sangue podemos...

—Não-Jeremy interrompeu.

—O quê?!-ele me olhou.

—Você deu sorte que ele estava confuso de mais para tentar algo contra você. Não vamos arriscar.

Mike checava as câmeras.

—Nenhum sinal do cara-bufou e jogou o celular para o lado.

—Jeremy, o Mike nem adotou o garoto e você já parece a mãe dele-Vincent brincou.

Jeremy e Mike coraram violentamente. Este último bufou e revirou os olhos enquanto eu e Vince ríamos.

—Poderíamos ver as digitais na arma-Jeanine sugeriu.

—O cara estava de luvas-Ford disse.

—Porcaria de cara esperto!-a menina bufou.

Olhei para o relógio. Seis horas e mais uma vez o assassino escapou. Eu ainda tentava me recuperar totalmente do choque devido às ações de Ford. Como um garotinho pode atirar assim? Ele não hesitou e nem sequer tremeu. Parecia um atirador profissional.

—Pois é, isso é assustador-Vince falou baixo, parecendo ler minha mente-Esse garoto vai ser um adulto muito corajoso.

—Ou muito insano-murmurei de volta.

Por sorte, Ford não estava prestando atenção em nós e sim em Arthur, que estava brincando de tentar subir pelas paredes. Esse garoto é um idiota, véi...

—Tenho um suspeito-Jeanine falou, se aproximando de mim e Vince-Amanhã quero os guardas noturnos e diurnos aqui à noite. Todos. Não aceite um não como resposta. Verifique se tem algum com uma faixa ou ferimento na perna. Não acredite em desculpas esfarrapadas por mais que confie na pessoa. Qualquer um pode ser o culpado.

Essa garotinha também parece ser mais velha do que realmente é. Age como criança, mas tem a mentalidade de uma detetive adulta.

Olhei para o relógio. 6:05. Suspirei.

A próxima noite seria um caos.