Rabiscos
2 VIII - A Força
Mais uma madrugada de olhos abertos,
envolta pelo silêncio,
imersa nos pensamentos gritantes,
na dualidade entre
os planos mirabolantes para te esquecer,
e os possíveis textões para me declarar.
Maldito tarot,
por ter me mostrado que a sua imensidão
é tão gigante quanto a minha,
que o calor que li nos seus olhos,
eram realmente incandescentes,
o extremo oposto de suas palavras.
Me sinto louca por acreditar,
pois consigo montar um iglu com os seus gelos,
e não possuo o tempo perdido na espera de suas palavras,
certifico-me assim que não há, nem ao menos, migalhas para catar,
quando eu estou quase conseguindo ir,
lembro dos seus olhos em chamas a me observar,
de todas as desculpas só para estar ao meu lado.
“Isso não é afeto!”
Falo a mim na esperança de um ponto final,
de aceitar que eu gosto sozinha
e que o melhor é partir.
Ecoa as vozes que me contaram o que você sentia,
como se aquelas pessoas estivessem junto a mim,
não posso acreditar,
mesmo sentindo que dói em você,
tanto quanto dói em mim,
que, às vezes, em companhia da insônia,
decide lembrar de mim.
Parece encontro de almas,
que você decidiu ignorar,
você e sua mania de controle.
Maldito tarot,
adubando a esperança,
de que você viria,
mais uma vez olhasse para mim
e me dissesse tudo que preciso ouvir,
mas já sei,
pois nas cartas eu vi.
Fale com o autor