Rabiscos.

1 Capítulo único.


Notas iniciais

Antes de qualquer coisa: É a primeira vez que escrevo sobre esse gênero, então estou com aquele misto de ansiedade e insegurança.
Gostaria de agradecer aos que me apoiaram na escrita, agradecer a @Talee por me encorajar com a fanfic e agradecer as meninas do nosso grupo de Amor doce e Eldarya do whatsapp. Obrigada, cada palavra ??” Mesmo que achando que não foi nada ??” me ajudaram muito a terminar esse projeto.
Essa one foi feita com a finalidade de participar do concurso de dia dos namorados 2017 do grupo do facebook “Eldaryanos BR”, mesmo que eu não venha a ganhar, já fico muito grata por ter minha participação nesse concurso.

Edit: Minha fanfic foi escolhida. Mais uma vez agradeço o apoio de todos ♥ Ainda não estou acreditando xD

Sem mais, boa leitura.

— Pare de ser rabugento, elfo — Irritei-o de maneira simples, sentando-me próximo a grande cerejeira centenária — Eu só usarei você como modelo, nada demais.

— "Só usarei você como modelo" não, obrigado — Respondeu ele, tentando me imitar.

— Pare de ser resmungão — Valkyon me apoiou — Deixe Nevra usá-lo como modelo, que mal teria nisso?

— Espero não aparecer nu em nenhuma pintura sua — Cutucou. Deixei um sorriso escorregar por meus lábios e minha língua se colocou a bater nos dentes.

— Para ser sincero... eu adoraria o pintar nu, posso? — Pisquei, vendo o elfo fazer sua melhor cara de desgosto.

— Vou fingir que não ouvi — Ele abriu um sorriso imenso e fechou os olhos como reflexo, depois, voltou a mirar seu alvo.

Os dois estavam treinando para o festival do amor, eu estava treinando meus talentos com os dedos — um deles — precisava fazer uma pintura que representasse paixão, ela seria o cartaz de entrada para o festival da deusa do amor, Afrodite.

No momento minha ideia era um guerreiro. Qual paixão mais bonita do que a de um guerreiro segurando sua arma? Vindo de mim até parece estranho.

Deixei meu olhar pousar sobre o rosto de Ezarel, o maxilar estava rígido, os ombros por onde os cabelos azuis caiam estavam tensos, os dedos pressionados sobre a flecha, parecia perturbado com algo.

— Com você me secando assim, eu não consigo me concentrar — Resmungou mais uma vez.

— Finja que não existo — Completei, enquanto rabiscava um rascunho rápido.

Ele soltou a flecha com ignorância, percebi que sua boca se contorceu ao errar o alvo. Valkyon riu da tentativa do elfo, que o olhou irritado.

Senti algo estranho, meu peito estava doendo, ignorei aquela dor e continuei com meu esboço, Ezarel seria perfeito para a arte. Ele amava seu arco e flecha, tanto quanto amava a si mesmo.

— O que estão fazendo? — A voz feminina fez o elfo errar, mais uma vez. Valkyon sorriu ao ver Érika se aproximar, já Ezarel não foi tão receptivo.

— DIABOS! — Gritou o elfo — O que é agora? — Virou-se bruscamente.

Percebi que Érika ficou corada ao ver Ezarel daquela maneira. Acho que todos já haviam percebido como ela o olhava. Somente ele que não.

— Ykhar pediu para entregar — Sua mão delicada desceu até a bolsinha que ela carregava rente ao corpo, pegou o pergaminho e entregou ao elfo — Tenham um bom dia.

Sorriu para nós. Eu acenei com uma das mãos e ela acenou de volta, saindo do meu campo de visão.

— Deveria conversar com ela — Valkyon parecia preocupado.

— Sobre o que? Boas maneiras? Como parar de ser idiota? Creio que não tenha cura... — O azulado ironizava suas perguntas.

— Vamos, pare de falar assim, quem vê até "acha" que realmente odeia Érika a esse ponto — Cutuquei, vendo o elfo ficar sem graça — Olha só, acertei em cheio.

Valkyon riu e Ezarel voltou a tentar acertar o alvo — Não sei o motivo, mas ele aparentava estar nervoso — e por mais uma vez, meu peito doeu.

Eu não estava conseguindo me conter. Aquele desenho... maldito desenho.

Agora em sua tela maior, se encontrava o esboço completo, teria de passá-lo a versão final. Observei a expressão que captei de Ezarel e posso dizer que peguei seu melhor ângulo.

Porém, esse era o problema. O ângulo que peguei de Ezarel, foi tão perfeito que senti que meu coração palpitava mais forte a cada vez que eu passava o lápis pelo papel e tentava o retocar.

— Que raios... — Praguejei.

Assim como fiquei dias o seguindo — precisava terminar o desenho —, também passei dias o evitando. Claro, não era a todo momento que eu conseguia. Reuniões dos chefes das guardas não poderiam ser adiadas e muito menos eu poderia faltar.

Era fechar os olhos e eu conseguia ter os detalhes do elfo em minha mente. Eu estava enlouquecendo.

Bati as mãos sobre a mesa e deixei minhas tintas caírem ao chão. Levantei meus olhos a tela e vi aquela expressão dele, a expressão que fez meu coração balançar mais forte do que por um par de pernas bem-feitas de uma mulher.

— Eu devo estar ficando maluco — Sussurrei para mim mesmo — Só pode ser isso.

"— Sim, claro que é verdade... dizem que a própria Afrodite chorou nessa fonte, então, quando alguém muito apaixonado joga uma moeda como oferenda, ela a atende se for do fundo de seu coração — Ewelein falava convicta, como se realmente acreditasse nisso.

Sorri, enquanto sentia Karenn bater no meu braço para evitar que eu continuasse com meu ato “indecente”. As crianças que acompanhavam Ewelein naquela “excursão” sobre o festival e seus deuses pareciam maravilhadas. Já Ezarel parecia irritado.

— Quantos já enganaram com isso? — Ezarel perguntou, pegando uma moeda.

— Você realmente é irritante — Karenn estava ao meu lado, enquanto observava a pequena fonte do jardim de música.

— Certo — Érika pegou a moeda da mão de Ezarel e a jogou na fonte — Espero que aconteça — Sorriu e corou ao mesmo tempo.

— Ótimo, MINHA moeda foi gasta de maneira ridícula... me dê a sua — pegou a moeda que Érika segurava e a jogou, não consegui decifrar o que seu rosto dizia.

— Sua vez, Nevra — Ewelein me entregou uma moeda.

— Já sei até o que pedir — Deixei um sorriso safado fugir de meus lábios, enquanto encarava Érika, que estava vermelha, mais vermelha que o normal.

Joguei a moeda e sem querer só um nome apareceu em minha mente... Ezarel"

— Nevra — Sai de meus devaneios e olhei em direção à porta — Podemos conversar?

A voz de Érika... eu não queria falar com ela, não agora. Engoli a raiva de mim mesmo naquele momento e assenti para que ela pudesse entrar. Tampei a pintura de Ezarel e me sentei em uma das poltronas, a tendo sentada à minha frente.

— Então, cara humana — Sorri de maneira sedutora, tentando fazê-la rir — O que a traz aqui?

— Nevra... você que é mais experiente que eu... como saber se alguém te odeia ou te ama?

Droga. Não era esse tipo de conversa que eu queria ter nesse momento.

Segurei as mãos pequenas e delicadas de Érika e com meu olho fitei os dela, escolhi bem o jogo de palavras, antes de abrir os lábios e dizer o que pretendia.

— Primeiro, tem de saber o que ela sente pelas outras quando esta a amar ou odiar — Sorri. A vendo sorrir de volta.

— Diria que é difícil ver essas reações — Suspirou — teria algo mais especifico? — Arriscou ela com aqueles olhos grandes e curiosos. Mordi meu lábio e deixei minha língua bater nos dentes.

— A melhor forma de saber, é dizer a pessoa como se sente... espere o momento certo, quando estiverem sozinhos de preferência, olhe para a pessoa e diga tudo o que tem aqui — Levei minha mão a caixa torácica de Erika e dei uma batida de leve, tirando minha mão em seguida — É a melhor maneira.

Insegurança. Foi o que vi nos olhos dela, a mesma insegurança que estava dentro de mim naquele mesmo momento. Porque eu tinha certeza que se ela falasse o que sentia por ele, eu não teria mais chance.

— Vou tentar — De repente, vi coragem aparecer em seus olhos — Você tem toda razão, não posso ficar esperando acontecer sem fazer nada — De maneira rápida ela se levantou — Obrigada Nevra.

Um abraço apertado eu recebi dela, assim que terminado ela saiu, me deixando sozinho no meu quarto.

— O que eu estou fazendo? — Baguncei meus cabelos. Era impossível esconder.

Eu estava apaixonado e tinha medo de dizer o que sentia.

— Ótimo trabalho, Nevra — Sussurrou Miiko, enquanto segurava meu ombro e admirava a pintura.

— Verdade, ficou lindo... — Ykhar contemplava.

— Eu admito, fiz um ótimo trabalho — A pintura que enfeitava o salão do Quartel General estava perfeita.

Fiz várias modificações na pintura que antes haveria de ter Ezarel como modelo. Eu realmente não conseguia terminar aquele desenho sem pensar nele e pensar em senti-lo. Balancei a cabeça quando comecei a ter uma recaída.

— Espera — A voz masculina veio como uma rajada de vento nos meus ouvidos — Não era para ser eu ali? — Arqueou a sobrancelha, enquanto eu me virava para defender minha obra.

Seria, se eu não tivesse me apaixonado tão incontrolavelmente por você.

— Eu disse que o usaria como modelo — Lembrei o elfo — Não que realmente seria você ali.

— Já querendo se gabar, Ezarel? — Perguntou Valkyon se aproximando.

— Se não fosse por mim, essa pintura não seria tão graciosa — O sorriso largo dele, os dentes bem desenhados naquela boca. Fechei os olhos e pude sentir meu coração doer mais uma vez — Nevra? Está tudo bem? — Ezarel se aproximou, segurando meu ombro.

— Sim — Respondi, vendo a mão do Elfo em meu ombro. Ele a tirou de maneira tão rápida quanto a colocou ali — Eu só estou com fome, vou dar uma volta. Preciso esfriar a cabeça e depois me trocar, já que o festival é essa noite.

Dei meia volta e sai daquele lugar. Precisava pensar.

— Você dança bem, Érika — Apertava a cintura da garota contra mim, enquanto dançávamos juntos.

— Digamos que tive aulas — Sorriu largamente. Eu pisquei para ela e sussurrei em seu ouvido.

— Cuidado, isso pode ser perigoso... ainda mais para uma garota tão linda como você, sozinha no meio de tanta gente com um cara como eu.

— Ora — Érika começou a rir e vi que ficou corada — Bem, o motivo de ter lhe chamado para dançar é que... queria agradecer.

— Agradecer? — Afastei meu rosto de perto do dela e encarei o seu, ela parecia feliz... feliz até demais.

— Sim — Os olhos dela brilhavam. Ah não — Eu juntei coragem e vou falar com Ezarel essa noite... estou esperando Ewelein o largar para finalmente contar o que sinto, se não fosse você a me encorajar aquele dia, eu nem sei o que seria de mim agora.

Senti meu chão se abrir. Eu seria engolido pela angustia a qualquer momento. Fingi ficar feliz e a abracei, encorajando que prosseguisse. Assim que a música parou, ela correu em direção a Ezarel e o puxou.

Vi o elfo resmungar e depois a acompanhar para um lugar mais afastado. A música foi trocada, mas eu só ouvia o silencio da minha mente e o som do meu coração se quebrando.

A praia era silenciosa, o vento estava forte, acredito que cortava minhas bochechas, mas eu estava tão perturbado com a cena de Ezarel a seguir aquela garota que, nada mais para mim importava.

— Claro, um par de pernas feminino é sempre melhor — Bufei. Enquanto limpava o olho que estava exposto, as lágrimas embaçavam minha visão.

Em uma das mãos eu carregava uma garrafa de vinho, sentei na areia da praia e fiquei observando o mar, tão escuro e misterioso. Minha vontade era me jogar nele e esperar que me levasse para longe daquele lugar.

Abaixei a cabeça e senti uma tontura leve, porém, gostosa. A levantei novamente e observei o mar. Talvez fosse melhor aproveitar e dar um mergulho, ajudaria a tirar os pensamentos sobre Ezarel da minha cabeça.

Deixei a garrafa na areia. Tirei meu cachecol, depois minha blusa, ficando só com a calça e as botas, o vento começou a bater no meu corpo, porém não dei atenção. Eu começava a ficar bêbado. Caminhei calmamente em direção a água.

Andei tanto em direção ao mar, que quando percebi já estava com água até o pescoço. Fechei os olhos e sem querer, acabei por adormecer.

Ezarel

Cadê você? Droga Nevra! Já estava desesperado, procurei em todos os lugares e nada de achar o vampiro. Algumas das garotas da guarda dele me disseram que o viram vindo em direção a porta do QG, eu já havia rodado a floresta e nada de acha-lo.

— Talvez a praia? — Perguntei para mim mesmo, enquanto corria em direção a escadaria, precisava falar com ele.

Desci as escadas em uma única carreira, se eu perdesse o passo iria cair feio no chão. Observei algo jogado na areia, corri até lá e vi seu cachecol e sua blusa, junto de uma garrafa de vinho.

— Que diabos você fez? — Sussurrei a pergunta e arregalei os olhos — Não me diga que...

Voltei meu olhar para o mar e de longe, eu pude ver o topo da cabeça dele boiando na água. Meu desespero foi tanto que nem retirei minhas roupas, pulei no mar e nadei até ele. Se algo acontecesse ao Nevra, eu nunca me perdoaria.

Depois de nadar rápido — mais rápido do que imaginei que conseguiria — consegui chegar a seu corpo. Ele deveria ter desmaiado enquanto nadava. Peguei seu corpo e o puxei de volta a praia.

Estava pesado, mas eu conseguiria. Chegamos a praia e eu o coloquei de maneira cuidadosa sobre a areia.

— Nevra? — Bati em seu rosto devagar — Fala comigo!

Nada. Nem mesmo um reflexo. Abaixei minha orelha em direção a seu peito e o coração... havia parado.

— Não — Arregalei os olhos, enquanto levava minha mão ao nariz dele o tampando e coloquei minha boca na dele, soprando com força.

Após soprar levei as duas mãos ao peito e comecei a massagem, bastou uma para ele cuspir a água que estava presa dentro de seu corpo.

— NEVRA! — Gritei levantando sua cabeça — Você é a pessoa mais idiota da face de eldarya, o que estava pensando?

Notei o olho dele abrir e nos lábios dele um sorriso malandro surgir, ele ainda tossia, mas não deixava o sorriso sumir. A mão dele pegou na minha em seu peito e então ele abriu os lábios.

— Eu... amo você.

Senti meu peito bater mais rápido. Meus olhos já lacrimejavam pelo nervoso de o ter visto quase morrer... eu não sabia o que responder. O vi sorrir mais uma vez e então começar a falar.

— Não precisa responder — Falou o vampiro zombeteiro, levantando devagar e se sentando na areia, enquanto limpava o rosto — Eu já imaginava que essa reação viria — Soltou uma gargalhada, misturada com a tosse por conta da água que ingeriu enquanto desacordado.

— Idiota — Sussurrei. Ele me olhou confuso e não bastou mais nada para eu segurar seu rosto e selar nossos lábios.

Surpresa. Essa foi a reação que ele teve, senti ele tentar me empurrar, mas depois, se entregou ao beijo, deixei minha língua entrar em sua boca e senti a dele brincar com a minha. Ficamos um tempo assim, até que nos separamos. Ele ainda tossia.

— Eu... — Nevra parecia ainda surpreso — O que...

— Vai me dizer que nunca notou? Nunca percebeu o quão nervoso eu fico perto de você? — Eu estava irritado — Que ideia foi essa de se jogar no mar? Quer morrer?

— Mas... — Ele parecia perdido — A Érika...

— Achei que fosse mais esperto — Bati em sua testa com meu dedo indicador — Eu sabia dos sentimentos dela, todos sabiam — Revirou os olhos — Ela veio se declarar para mim, mas eu só amo uma pessoa, não poderia aceitar os sentimentos dela.

Desviei o olhar para o mar. Senti meu rosto corar e então ele segurou meu queixo e me virou para ele.

— O que pediu?

— Que? — Arqueei a sobrancelha e o vi sorrir de maneira safada dessa vez.

— O que pediu, no dia da fonte?

Corei novamente e então suspirei, mentir para que?

— Você.

— Ótimo — Ele completou — Porque eu também pedi você.

Senti os lábios dele nos meus novamente e ficamos assim por um longo período de tempo. Não sei ao certo quando começou e nem como, mas eu estava apaixonado por ele a muito tempo. Terminamos o beijo e ele me abraçou, encostando a cabeça em meu peito, enquanto fechava o olho.

— Me acorde quando o sonho acabar.

— Então vai ficar dormindo para sempre — Sorri, enquanto sentia ele bater no meu peito com uma das mãos.

Eu estava feliz, realmente, a fonte realizava os desejos.

Notas finais
Agradeço aos que leram até aqui, foi muito importante.
Os vejo em breve.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!