RWBY: Resonance
1 Escrevendo a Sua Própria Lenda
Notas iniciais
Quando eu descobri RWBY, minha vontade de escrever uma fanfic sobre a série imediatamente nasceu, e dela RWBY: Resonance nasceu. Foram inúmeros capítulos no qual escrevi conforme eu fui conhecendo o fandom. Foram tempos interessantes da minha vida, não vou negar...
Infelizmente, devido a fatores dentro e fora do meu controle, a história acabou sendo descontinuada, enquanto eu caia num limbo de marasmo. Os anos se passaram, minha experiência como escritor mudou, assim como minhas concepções sobre o que acho de RWBY.
E agora estamos aqui em 2022. Com o mundo em caos e com RWBY dentro de um hiato, pensei que seria algo proveitoso eu revampar Resonance. Muitas das minhas ideias mudaram desses tempos pra cá, então realmente acho que vai ser uma experiencia interessante por isso em prática. Quem sabe eu possa dar um encerramento a esta obra que começou a tantos anos atrás...
“Lendas... Histórias espalhadas pelo tempo...
A humanidade criou o costume de contar os feitos de heróis e vilões, facilmente esquecendo que somos remanescentes, subprodutos de um passado esquecido. Tal comportamento pode ser facilmente associado ao fato que este mundo sempre foi hostil com os mortais.
Uma escuridão inevitável que ronda Remnant, essência das criaturas de Grimm, sempre observou humanos, faunos e todas suas criações, obcecada em pôr um ponto final a sua breve existência.
No entanto, os mortais são seres determinados. Até mesmo a menor fagulha de esperança é capaz de ser o combustível para se fazer a mudança. Fortes, sábios e engenhosos, os mortais utilizaram de sua capacidade para criar ferramentas que levaram o equilíbrio a este embate.
Com a ira da natureza sob seu controle, aqueles determinados em prosperar iluminaram seu caminho através da escuridão. E conforme as trevas eram repelidas, veio a força, a civilização, e o mais importante... prosperidade.
Mas esta motivação não se faz sozinha. Os mortais são seres que lutam motivados por seus sonhos, por suas conquistas, por suas emoções. Emoções estas que fortalecem a sua vontade de viver. Até mesmo os mais poderosos caçadores lutam pelo bem daqueles que lhe são queridos. Aqueles que lhe são importantes. Aqueles que são amados.
Dizem que até a mais brilhante luz eventualmente tremula e morre... Que quando ela se for, a escuridão voltará... Porém não se deve subestimar a vontade destas luzes de se unir. Pois quando uma luz decide se unir a outra, elas podem se tornar tão intensas, capazes de extinguir a escuridão, guiado pelo calor das emoções...
Emoções essas que são protagonistas destas lendas, que catalisam lições e ideais conforme as eras se passavam, verbalizadas e registradas nas mais variadas formas. Em canções, em estudos catalogados e até mesmo em um conto de fadas como este...
Em uma longínqua terra aonde o olhar dos deuses raramente mirava, existia um próspero reino, regido por um rei cujo seu coração era nobre, mas que estava imerso em temor. Os ventos da guerra estavam por soprar por aquelas fronteiras distantes, trazidos pela cobiça de poderosos impérios que ameaçavam conquistar o reino e seu povo.
Temendo que seus soldados acabassem por sucumbir perante as tropas que estavam por vir de muito longe, o rei decidira visitar um sábio mago que vivia no cume da colina mais alta, buscando por sabedoria. E ao ser recepcionado pelo mago cujas barbas eram tão longas quanto seu conhecimento, ele implorou a ele que lhe desse algo que pudesse repelir o mal e assim salvar a liberdade de seu povo.
Atendendo suas preces, o mago trouxe um livro já castigado pelo tempo, escrito numa língua arcana, e disse ao rei que ele tinha aquilo que precisava. No entanto, ele o advertiu que tamanho poder não poderia ser conjurado sem um sacrifício: para domar poder tão hostil, seu coração sucumbiria, e nem mesmo o mago poderia garantir que esta magia não se voltaria contra o que rei queria tanto proteger.
Porém, o regente, desesperado pela segurança de seu povo, não hesitou em aceitar tamanho sacrifício. E com isso, seus apelos foram atendidos pelo mago, no qual conjurou a magia arcana no rei e em suas tropas, sendo agraciados por uma valentia e força jamais vistas. Porém, para o pesar do mago, foi possível ver a fúria se refletir nos olhos do rei.
Imediatamente retornando a seu castelo, o rei não tardou em reunir seus soldados para que marchassem rumo às fronteiras do reino, aonde as forças de um dos impérios se reuniam, planejando suas rotas de conquista. E aquela noite seria tingida de vermelho, oriundo do sangue derramado dos inimigos. Poucos soldados foram capazes de fugir da fúria do rei, trazendo consigo as terríveis notícias que abalariam aquele mundo.
Era de fato uma mensagem de mau agouro. O rei agora influenciado pela magia, que antes queria apenas defender seu povo, sentiu o gosto do sangue e da opressão, tomando prazer pela conquista, despertando nele uma sede insaciável pelo poder. Com palavras prometendo glória e vitórias, o rei motivou suas forças tomadas pela ira a partirem numa cruzada pela dominação. Ninguém era poupado de tamanha ferocidade, e em pouco tempo aquele reino longínquo havia se tornado um império cruel, no qual nada parecia ser o bastante para satisfazer suas ambições.
E o povo que antes adorava seu regente, passou a vê-lo com pavor. Agora com seu soberano tomado pelo desejo por guerra, as pessoas se perguntavam o que havia acontecido com seu líder, temendo os caminhos que ele estava a trilhar. E dentre os que estavam mais preocupados, estava a rainha, desolada por não reconhecer mais seu amado e temerosa pela sua cobiça. Ela tomou conhecimento de que o rei planejava provocar a maior das batalhas já travadas, desejando desafiar a ira dos deuses da luz e da escuridão. O rei estava cego em sua confiança, proclamando que ele poderia ser maior que um deus, mas tal ato de insensatez poderia facilmente levar o mundo à ruína.
Preocupada com o destino de seu amado e do mundo, a rainha decidiu procurar o mesmo mago que o rei havia pedido intervenção. Com temor, o mago alertou a rainha que o seu rei estava cego pela cobiça e pelo ódio pois seu coração havia sido selado para dar espaço ao poder, e que naquele momento poderia ser tarde demais para fazê-lo voltar ao seu velho eu.
E assim como o rei, a rainha suplicou ao mago por alguma magia que pudesse fazer o regente voltar a si. E folheando o mesmo livro arcano, o mago ensinou a rainha que a única forma de tirar as correntes do coração do rei seria usando o próprio coração da rainha para alcançá-lo. O mago advertiu que se ela fosse fraca de espírito, a rainha teria o mesmo destino do rei, sendo consumida pelas chamas da ira. Porém, ela estava resoluta. Ela tinha fé que poderia fazer seu amado voltar a si.
Munida desta nova magia poderosa, a rainha cavalgou pelas terras conquistadas, cruzando florestas retorcidas e vilarejos queimados, até chegar aonde seu rei estava junto com seus soldados, nas fronteiras do território divino, prestes a declarar guerra aos divinos.
A rainha gritou pelo nome de seu rei, implorando que sua voz o alcançasse antes de partir em sua investida contra os deuses. No último momento, vendo seu rei diante dela, liderando suas tropas em uma armadura negra, a rainha conjurou aquela poderosa magia e fez seu coração ressoar com o do rei.
A rainha pode sentir o calor agoniante do da cobiça e da irá tomar sua alma, a tentando com promessas de poder e riquezas. Porém, a rainha foi mais forte, se apoiando na sua resolução de trazer seu rei de volta...
O brilho das chamas da cobiça se desmanchou dos olhos do rei, no qual deixou cair sua espada no chão. A voz de sua querida rainha o fez voltar ao seu velho eu, e percebendo tamanho erro, ele deixou cair sua espada no chão em pavor. Se não fosse por sua rainha, o rei teria condenado o mundo com a ira dos deuses. E sem hesitar, o rei desfez a magia de seus soldados, pondo um fim a aquela cruzada insensata.
Os pecados do rei certamente não foram esquecidos. Após ele devolver as terras que havia conquistado aos seus regentes de direito, o rei havia sido condenado a um exílio eterno adentrando ao perigoso território das criaturas das trevas. Porém, antes de partir, a rainha se despediu de seu amado, jurando a ele que por mais que ele tivesse cometido tamanho pecado, ela jamais se esqueceria que ele ainda permitiu seu coração de alcançá-la, e com isso ela reinaria pelo seu povo no lugar dele, jurando que aquele reino prosperaria e ficaria seguro como o próprio rei havia almejado.
E ao longe, o mago observava aquela despedida, aliviado e grato em testemunhar como aqueles acontecimentos se desenrolaram. Ele faria questão de registrar aquele evento em seus livros, como evidência de que o elo forte entre almas pode vencer até mesmo a mais densa das escuridões...
~*~
— Espero que você saiba que suas ações desta noite não vão ser tratadas levianamente jovem! Você pôs a si mesma e a outros em grande perigo!
— Mas foram eles que começaram!
A jovem garota protesta contra as alegações da mulher de cabelos loiros e presos que a interrogava, enquanto seu olhar esmeralda que esboçava autoridade a repreendia. Não era para menos, já que ambas estavam no meio de uma noite conturbada na cidade de Vale.
Remnant sempre foi tido como um mundo hostil, aonde as criaturas de grimm, monstros no qual parecem ser fruto da própria escuridão, rondavam por terras afora, com o único anseio de destruir qualquer coisa que pudessem dilacerar com suas garras e presas. Mas mesmo quando as pessoas conseguiam prosperar e erguer cidades como Vale, a paz nunca era uma constante nem mesmo atrás dos muros altos. Não quando grupos de criminosos organizados e arruaceiros tentavam sua própria sorte à custa de outros.
E justamente um destes grupos de bandidos tentou realizar um assalto contra uma pequena loja de dust local, visando obter este elemento tão valioso no mundo de Remnant. O que o grupo de criminosos não contavam era que seus planos fossem frustrados por uma garota energética de cabelos curtos e negros com um tom avermelhado em degradê rumo às suas pontas, o que combinava com seus trajes escuros com detalhes rubros, e principalmente, constrastavam com seus olhos de íris prateadas como a lua. Mangas longas, espartilho, saia e botas de combate. Era um visual de alguém que certamente tinha algum preparo para combate.
Habilidades de combate estas que se manifestavam em uma arma um tanto desproporcional ao seu tamanho, na forma de uma gadanha mecânica que compartilhava os mesmos tons negros e rubros de seus trajes, e que ostentava tanto uma lâmina retrátil afiada e um cano de grosso calibre, denotando a natureza hibrida de arma branca e arma de fogo que caçadores costumavam usar.
E foi esta jovem que sozinha havia subjugado o grupo de bandidos, mesmo estes em maior número, forçando-os a recuarem. Porém, a jovem não tinha intenções de deixar os criminosos fugirem, insistido em perseguir o líder do bando, agora disperso do resto de seus comparsas. Um sujeito ruivo peculiar de trajes refinados, chapéu-coco e de personalidade convencida, bastante conhecida por aquelas bandas, conforme seu rosto era amplamente divulgado em cartazes de procurado, assim como seu nome: Roman Torchwick.
A garota desejava evitar que ele saísse impune de seu crime. Porém, ela não contava que um esquema de fuga havia sido acionado de prontidão, com uma pequena aeronave vindo ao local apanhar o sujeito, no qual havia encaminhado sua fuga para os telhados dos prédios da cidade. Tentando uma última investida, o rapaz tentou atacar a garota se utilizando de um cristal de dust vermelho, esperando que isto causasse uma distração suficientemente grande para que sua fuga fosse garantida. Porém, para a surpresa dos dois, tal ação havia sido anulada graças às habilidades da mulher de trajes que aparentavam ser deu uma professora rígida que neste momento interroga a jovem.
Aquela mulher não havia demorado muito para reconhecer o talento da garota apenas em observá-la. Ela era uma caçadora experiente. Porém, quaisquer apresentações deveriam ser deixadas para depois, pois ela estava determinada em capturar aquele criminoso, tal como a garota, utilizando de suas habilidades, no qual se assemelhavam a feitiçaria para um incauto. O que ambas não contavam era que o líder do bando não estava mal acompanhado, como aparentava vindo de seus subordinados covardes. Da escuridão do interior da aeronave, a figura de uma mulher de olhar incandescente e vestido avermelhado surgiu, ainda com sua face oculta pelas sombras do interior do veículo, imediatamente seguido de chamas poderosíssimas conjuradas pela mesma oriundas do que parecia ser uma flecha disparada. A garota e a caçadora recém-chegada bem que tentaram revidar, porém, as chamas repeliram quaisquer ataques delas, permitindo descer a uma altitude que permitisse o bandido embarcar e assim abrindo caminho para sua fuga.
A pequena aeronave decola rumo ao horizonte, abandonando os seus adversários que queriam a sua captura. A garota não havia conseguido evitar de ficar intrigada com tudo aquilo. Que tipo de pessoa seria capaz de enfrentar uma caçadora experiente como aquela loira de igual para igual? Seria uma outra caçadora assim como elas? Qual seria o propósito em assaltar uma pequena loja de dust e ter esse tipo de reforço por trás? Eram tantas perguntas que haviam enchido a mente da jovem de dúvidas e seu coração de ansiedade por presenciar batalha tão calorosa para apenas uma noite.
No entanto, seus pensamentos e admirações foram cortados rudemente por aquela mulher, no qual exigiu que ela a acompanhasse, julgando as atitudes da mais como imprudentes e que poderiam ter posto gente inocente em risco. Agora, ambas estavam em uma salinha escura, contendo apenas uma mesa barata, pondo a jovem em uma situação que mais parecia um interrogatório. E se sentindo inquieta, a garota tentava se defender aquela repreensão, sem muito sucesso...
— Isso não importa agora. Deixe que as autoridades cuidem deste incidente. O ponto aqui em questão é sobre você e seus atos descuidados. Se dependesse de mim, você seria mandada para casa com um tapinha nas costas... — As palavras da mulher fizeram a jovem se animar, pensando que sairia ilesa da situação. — ... E um tapa no pulso!
A mulher golpeia a mesa onde a garota apoiava seus cotovelos com sua chibata, intimidando ainda mais a jovem, fazendo-a tremer. Estava mais que claro que aquela caçadora não seria o tipo de pessoa mais gentil, o que não ajudava a situação nem um pouco.
— Porém... Considere-se com sorte. Tem uma pessoa aqui que gostaria de te conhecer... — A caçadora disse abrandando seu tom de voz, para a surpresa da jovem.
A porta da salinha se abre, e por ela, um homem que aparentava ser de meia-idade adentra o local, fazendo que a loira de óculos desse espaço para sua passagem. A jovem pode ver melhor quem ele era assim que a luz fraca da sala o iluminou, e logo ela se impressionou com seu rosto, já familiar a ela. Ele era um homem alto e de cabelos cinzentos, trajado formalmente com um terno negro e um cachecol verde ornamentado com um broche, combinando com seus óculos escuros de lentes arredondadas e pequenas que eram discretos, mas que combinavam com seu olhar penetrante de íris castanhas.
— Ruby Rose... Seu nome, não é?
O homem se dirige à jovem chamando pelo seu nome, dizendo-o com sua voz serena. Ele trazia um prato de cookies em uma mão e uma caneca de chocolate quente em outra, chamando ainda mais a atenção de Ruby. Ele encara a garota cara a cara, claramente intrigado com o que via.
— Você... tem olhos prateados.
Ruby estava confusa. Ela sabia que a cor de seus olhos eram motivo de atenção para muita gente, mas era a primeira vez que alguém a notava com intenções tão curiosas. O homem então retoma sua postura continuando sua conversa, enquanto a caçadora o auxiliava segurando um scroll contendo trechos de gravações da batalha que Ruby teve com os bandidos.
— Então... Onde foi que você aprendeu a fazer isso?
— Si-Signal Academy? — Ruby responde com receio.
— Eles te ensinaram a usar uma das armas mais perigosas já projetadas? Um tanto neo-ortodoxo para uma escola primária. — O homem se indaga.
— Foi um professor em específico que me ensinou na verdade...
— Entendo... — O homem então deixa o prato na mesa, oferecendo-o a Ruby. Cookies sempre foram a comida favorita da garota, então é de se notar o quão tentada ela estava em comê-los. Cautelosamente ela pega um cookie, não querendo chamar muita atenção e o come, mas sentindo o sabor da guloseima, ela não resiste e passa a devorar mais e mais cookies com vontade. Notando a satisfação nela, o homem de cabelos acinzentados dirige à palavra novamente a Ruby.
— É curioso você ter citado isso. Eu só havia testemunhado uma outra pessoa manejar uma gadanha embutida com um rifle com tal habilidade antes. O velho Qrow Branwen...
— Oh, effe é meff tiu!
Ruby responde empolgada ao ouvir o nome de Qrow, nem se dando conta que estava tentando conversar de boca cheia, e o homem fica surpreso em saber que estava falando com um parente de um velho conhecido. Percebendo que estava se portando rudemente em falar sem se preocupar com o que tinha na boca, a jovem de olhos prateados tratou de engolir o que comia e retomar a compostura.
— Ah, perdão... Este é meu Tio Qrow. Ele atualmente é professor na Signal. — A empolgação crescia nas palavras de Ruby, evidenciando que Qrow era alguém muito querido para ela. — Eu não era nada antes de ele começar a me ensinar, e agora eu sou toda tipo... — Toda esta empolgação culminou em Ruby imitar comicamente golpes de artes marciais, como forma de se referir às suas habilidades.
— Percebi... Tenho que dizer que o seu otimismo é familiar. Me pergunto se aquele inconsequente ainda possui o mesmo espírito que você hoje tem. — O homem coloca a sua caneca de chocolate quente sobre a mesa, parecendo refletir em algo do passado. Algo que talvez não ser mais como era antes. Ele volta a encarar Ruby de forma curiosa. — E o que uma garota adorável como você está fazendo numa escola projetada para treinar guerreiros?
— Bem... Eu quero ser uma caçadora. — A sinceridade é evidentemente notada nas palavras de Ruby.
— Você quer abater monstros?
— Ah, não é só isso, não me entenda mal! Claro, poder enfrentar grimms parece bastante empolgante, mas... Eu venho treinando na Signal a mais de dois anos incansavelmente, então eu realmente queria me por à prova e tentar fazer parte da Beacon. Sabe, minha irmã irá começar lá este ano, e ela também está tentando virar uma caçadora, e meus pais sempre admiraram o fato de eu sempre querer ajudar as pessoas e... — Novamente, as palavras de Ruby se deixam levar pela sua empolgação, fazendo-as serem ditas cada vez mais rápido conforme exibia seus ideais e sonhos. Mas não demorou muito para ela perceber aqueles dois, que a observavam com certo julgamento enigmático. — Opa, me desculpa por me deixar levar assim...
O homem então gesticula para a garota para que pudesse se acalmar, e em seguida ele faz uma simples pergunta.
— Você sabe quem eu sou?
— Você é o professor Ozpin. Diretor da Beacon. — Ruby respondia de forma serena, com o respeito no qual se esperasse de alguém que estava diante de uma pessoa no qual admirava muito.
— Heh... Perspicaz. Olá. — Ozpin fazia aquela saudação tardia.
— Prazer em conhecê-lo.
— Então, você deseja estudar em minha escola? — O diretor fazia aquele questionamento para a mais jovem.
— ... Mais do que eu poderia desejar.
Um breve momento de silêncio toma aquela sala. Nisto, Ozpin direciona seu olhar para a loira, que ainda analisava Ruby com certa frieza.
— Certo. Professora Glynda, gostaria de dar seu parecer sobre esta menina. Você teve a oportunidade de testemunhar as habilidades dela afinal.
A mulher chamada Glynda então ajeita seus óculos, enquanto um olhar analítico lia a face e postura de Ruby.
— Diretor Ozpin, não vou omitir certas preocupações que eu tenho em relação a esta garota. Sua postura descuidada me faz ponderar várias ressalvas sobre o fato de que ela possa ser uma aluna que possa ser capaz de cumprir os requisitos que a Beacon exige. Especialmente quando se trata de despenho escolar. Sabe que eu não costumo tolerar quem não leva seus compromissos a sério. — Ver Glynda sendo enfática em como a Beacon é exigente, além das impressões negativas que estava levantando fez os ombros de Ruby caírem em preocupação. No entanto, isso não duraria visto as próximas palavras que a professora diria. — ... No entanto, tenho que admitir que esta jovem possui um talento para o combate bastante aprimorado. Sua falta de sutileza é bastante compensada com destreza e senso analítico. Jovens na idade dela dificilmente poderiam neutralizar um grupo hostil sem maiores danos colaterais. Então, acho que temos alguém aqui que, apesar dos desafios que ela venha a nos oferecer, possui um grande potencial a ser despertado.
— Ah!... Então isso quer dizer que... — Um sorriso começava a se formar nos lábios de Ruby.
E ajeitando seus óculos, Ozpin dava seu veredito.
— Bem, tudo certo então. Sua performance em Vale será considerada válida para o processo de admissão. Ruby Rose, seja muito bem-vinda à Academia Beacon.
— M-muito obrigado Professor Ozpin! Sou muito grata por você ter dado essa oportunidade de ser um estudante da Beacon! Prometo me dedicar a esta responsabilidade assim me tornar uma caçadora exemplar! — Ruby bate continência mostrando sua determinação, o que faz que Ozpin esboce um tenro sorriso.
— Muito bem, senhorita Rose. As aeronaves rumo a Beacon sairão daqui amanhã às sete da manhã, então recomendo que não se atrase. Estará dispensada assim que você preencher a documentação de admissão e, em seguida, entregarmos os vistos necessários. Professora Glynda, poderia trazer os documentos para a senhorita Rose?
— Sim, Professor Ozpin. Estarei de volta num instante. — Glynda obedeceu a ordem de Ozpin, saindo da sala. Após alguns momentos de silêncio, Ozpin conversa novamente com Ruby.
— Perdoe-me pela postura ríspida da Professora Glynda. Ela é uma caçadora muito dedicada e disciplinada, e por conta disso ela não demonstra ser uma pessoa muito leniente à comportamentos fora de seus padrões. Mas, acredite em mim. Ela apenas quer o melhor para seus alunos, da mesma forma que ela preza pela segurança dos cidadãos de Vale.
— Sem problemas, nenhuma ofensa tomada. Compreendo perfeitamente. — Ruby respondeu.
— Tem algum lugar para passar a noite?
— Ah, sobre isso, não precisa se preocupar. Eu já estava hospedada em um pequeno hotel aqui perto justamente para o processo de admissão. Não terei problemas em chegar aqui novamente de manhã.
— Muito bem...
Neste momento, Glynda retorna com uma pasta contendo alguns documentos, necessários para a admissão de Ruby na Beacon. Após algumas breves orientações complementares, Ozpin dispensa Ruby, e ela agradece novamente pela oportunidade dada, mas antes de deixar a sala, Ozpin diz um último concelho para jovem.
— Alegre-se, minha cara aluna. Este é o início de sua jornada. Muito desafios a esperam, portanto mantenha-se de cabeça erguida.
— Pode deixar, Professor.
Ruby saiu do prédio empolgada com o que havia acontecido, tanto que ela havia perdido a noção do tempo. Ela pega seu scroll, a fim de saber sobre a hora atual e percebe uma notificação em destaque na tela:
“7 chamadas perdidas: Yang”
— Minha nossa! Eu me esqueci completamente de avisar a Yang! Preciso ligar para ela agora mesmo, senão é bem capaz dela estar revirando esta cidade toda me procurando.
Ruby toca na notificação, discando para o contato indicado em seu scroll e leva o aparelho para seu ouvido. Não demorou muito para que uma voz feminina e preocupada respondesse a ligação.
— Ruby? Ruby! Pelos deuses, onde você está??? A cidade anda em polvorosa e você não atendia minhas ligações! Está tudo bem com você? Não está machucada? Nem foi sequestrada?
— Yang, calma! Eu estou bem! Eu já estou voltando para a hospedagem. Liguei apenas só para te avisar.
— Mas o que houve para você não me responder?
— Eu te contarei quando chegar aí. Mas já saiba que trago uma notícia no qual você vai adorar!
~*~
O dia amanhece movimentado em Vale, com o tráfego de várias aeronaves tomando os céus da cidade, no qual não se vê com muita frequência. O motivo deste evento peculiar era justamente o início de mais um ano letivo na Academia Beacon, e estas aeronaves eram o meio de transporte que levariam os alunos, sejam eles novatos ou veteranos, para o campus principal.
A Academia Beacon era famosa por toda Remnant, sendo considerada uma das melhores, senão a melhor escola formadora de caçadores daquele mundo, o que atraia jovens de todos os continentes, sonhando em fazer uma carreira promissora, tendo a educação exemplar da Beacon como base.
Ruby estava justamente em uma destas aeronaves, observando a paisagem por uma das janelas. A jovem estava visivelmente empolgada com o que via e ela mal podia acreditar que finalmente estava rumo ao seu sonho, o de se tornar uma caçadora formidável, mantendo o legado de sua família. Família esta que também teve sua jornada de aprendizado forjada pela Beacon.
Ruby percebe alguém se aproximar a passos rápidos, e mal ela pôde dirigir seu olhar para observar do que se travava, já que a mesa foi acolhida por um abraço acalorado de uma jovem de cabelos loiros e olhos púrpuras, vestindo trajes aventureiros de tons bejes e ornamentos laranjas e amarelos, sendo leves e reveladores comparados aos outros estudantes, mas ainda evidenciando que ela era uma caçadora. Mas o que mais se destacava nela era seu sorriso empolgante que estava estampado em sua face.
— Não creio que minha maninha vai para Beacon comigo! Esse é o melhor dia de todos! — A loia dizia abraçando fortemente Ruby, a ponto de quase esmagá-la.
— Para, por favor. Na frente de todo mundo não... — Ruby dizia com dificuldade por causa do afeto esmagador da irmã.
— Mas estou tão orgulhosa de você! Como posso me conter?
— Sério mana, não foi nada.
— Como assim?! Foi incrível! Todo mundo na Beacon vai te achar o cúmulo da perfeição!
— Eu não quero ser o cúmulo da perfeição, ok? Sequer quero ser nenhum tipo de cúmulo... Eu só quero ser uma garota normal, com cúmulos normais. — Ruby responde tentando acalmar os ânimos de sua irmã.
— O que deu em você? Você não está animada?
— É claro que estou animada, é só que... — A jovem de olhos prateados evidencia sua preocupação. — Eu pulei dois anos... Eu não quero as pessoas achando que sou especial ou algo assim.
— Mas você é especial. E não há nada de errado em reconhecer seus talentos, tudo bem? — A loira então se aproxima de Ruby e a apoia. — Então eu quero que você tire esse peso de seus ombros e aproveite o momento.
Neste momento, a atenção das duas foram chamadas para uma tela próxima dali que exibia um noticiário local. Ruby ficou intrigada quando o caso do assalto à loja de dust no qual havia participado foi noticiado, dando ênfase ao líder do bando, o mesmo Roman Torchwick que ela havia enfrentado. Ela por sua vez pensava consigo mesma se ela o encontraria de novo, desejando acertar as contas.
Em seguida, foi noticiado um tumulto envolvendo um protesto em prol da igualdade entre os faunos e um grupo terrorista conhecido como White Fang. Além dos humanos, uma outra raça parecida com eles, mas com características animalescas, conhecidos como faunos, habitavam Remnant. Fora os traços de animais, faunos não se distinguiam dos humanos em aparência, nem em inteligência.
Infelizmente, eles sofrem grande discriminação por parte dos próprios humanos, numa contenda que se arrastava pela história. Yang assistia aquilo nutrindo uma indignação por dentro. Sua natureza o impedia de odiar outra pessoa só por causa de aparências e ela sempre se questionou do porquê as coisas serem assim. Isso acaba por reforçar os motivos dela ser uma caçadora: para ajudar as pessoas, não importa a quem.
O noticiário é interrompido por conta de uma transmissão interna da aeronave. Um holograma de Glynda surge, saudando os alunos.
“Olá e bem-vindos à Beacon.”
— Quem é essa? — Yang se questiona.
“Meu nome é Glynda Goodwitch. Vocês estão entre os privilegiados selecionados para ter a honra de estudar nesta prestigiosa academia. Nosso mundo está em um incrível período de paz, e como futuros caçadores e caçadoras é seu dever mantê-lo. Vocês demonstraram a coragem necessária para isso, e agora é nossa vez de provê-los com o conhecimento e treinamento para proteger nosso mundo.”
A transmissão se encerra, premeditando a chegada ao destino dos alunos. O horizonte revela a tão conhecida Beacon Academy, trazendo a admiração de todos na nave.
— Uau! Olha, dá para ver a Signal daqui! — Ruby diz animada ao observar pela janela. — Parece que nossa casa não está longe afinal.
— Beacon é nossa casa agora. — Yang complementa as palavras de Ruby.
Ambas percebem que logo do lado delas, havia um jovem de cabelos loiros, no qual aparentava estar passando mal com a viagem.
— Parece que não é para qualquer um que é capaz de apreciar a vista. — Yang brinca.
— Err, você está bem? — Ruby pergunta ao rapaz.
— Uhh, e-eu vou ficar. Só me deem um momento para que eu... Uhhh, me deem licença! — Ele corre em direção a um cesto de lixo mais próximo sentindo que seu café da manhã estava prestes a retornar.
— Foi bom enquanto durou... — Ruby retoma o assunto anteriormente conversado. — Fico pensando nas pessoas que vamos conhecer.
— Só espero que sejam melhores que o senhor vômito ali... — Yang retruca.
— Yang! Não seja rude assim. Ele parece ser alguém legal. Esse tipo de infortúnio pode acontecer com qualquer um e... Ewww, que nojo! Tem vômito em seu sapato! — Ruby percebe o rapaz se aproximando de novo, mal contendo o que tinha dentro de sua barriga. — Saí pra lá, longe de mim! Longe de mim!!! Socorroooo!!!
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