PRÓLOGO

"Et tu, Brutus?"
César

Nova Pompéia — O Palácio Imperial

– Vamos, sua tola — Aracelis cutucou o braço da outra. — A Senhora precisa desses panos!

Aurelia suspirou, equilibrando as jarras com água gelada e os tecidos brancos, cuidando para que nenhum caísse.

– Estou indo, estou indo! — a mulher disse numa voz esganiçada, talvez um tanto dolorida. Era uma serva, afinal, deveria fazer sempre o que sua Senhora ordenava, ou estava sujeita às punições nada misericordiosas do Grande Segundo Império de Roma para com aqueles que desobedeciam às leis; e estas eram bem claras: servos serviam, caso não, eram tão descartáveis quanto os Gladiadores.

– Apresse-se! A Senhora Fortunata irá arrancar-nos os couros se não estivermos lá.

– E ainda nos chama de amigas.

– Companheiras– Aracelis corrigiu — Não amigas.

Aurelia apressou os passos quando escutou um grito estridente vindo de um dos cômodos. Sabia que seria Fortunata, e sabia que Aracelis tinha perfeita razão quando lhe disse que lhes arrancaria o couro se não estivessem lá; estavam com a mulher desde muito novas, serviam-lhe desde que eram crianças, e a vida era relativamente boa, já que sempre tinham um lugar para repousar a cabeça ao fim de um dia cansativo. Era uma honra, sua Senhora sempre lhe lembrava, que uma selvagem houvesse sido feita sua serva. Selvagens, para o povo de roma, eram todos aqueles que viviam além do mar ao oeste. Aurelia e Aracelis tiveram a infelicidade de vir de lá, eram selvagens, selvagens de um povo antigamente tão próspero e rico, um povo tão belo e grande… Agora massacrados, quase extintos. O mundo para lá do Mar ao Oeste era o Mundo Sombrio, e quando fundaram a Nova Roma, prometeram esquecê-lo. E assim o fizeram.

Alcançou o cômodo de Fortunata, se esticando por entre os dosséis coloridos pendendo do teto. Uma sacerdotiza ajoelhava-se aos pés do local de descanço, onde uma parteira dizia à Senhora para que empurrasse com força, enquanto suas mãos trabalhavam metade dentro dela.

– Vocês! — ela gemeu, suor escorrendo dela como uma caixoeira — Água!

Aurelia se prontificou, molhando os panos cautelosamente e colocando-os sobre a testa suada da mulher, que parecia estar em intensa agonia. Aracelis, por outro lado, segurava a mão da grávida, que a apertava como se desejasse quebrar-lhe os ossos.

– Oh, Juno! — praguejou — Por que dói tanto?!

– Acalme-se, senhora — a parteira a acalmou, — Está quase lá. Força!

Aurelia não se lembrava de muito mais, pois estava focada em enxugar o rosto de Fortunata e não olhar para a quantidade assustadora de sangue que saía dela e manchava todos aqueles lençois egípcios caríssimos que Atticus Quintus havia trazido de sua última viagem. E então escutou um grito além do da mulher.

– Nasceu! — a sacerdotiza se pronunciou — E vem ao mundo… Um menino!

E naquele exato momento, Aurelia, em toda sua ignorância política, soube que a guerra estava declarada.

Nova Roma — Capitólio

O Senado estava um caos. Todos aqueles Senadores, todos bem divididos em dois grupos bem munidos, argumentando e discutindo, rugindo de modo que toda a discussão poderia ser distinguida do outro lado do Fórum.

Que fossem à merda aqueles que achavam que a política em Roma era pura.

Era suja, deturpada, ligeiramente louca e completamente barulhenta. As reuniões nunca eram pacífica, fossem eles discutir a construção de um novo Anfiteatro ou as esculturas dos templos. Nunca ninguém estava completamente satisfeito.

– ACALMEM-SE! — Atticus gritou, — PRECISAMOS DE SILÊNCIO!

Ninguém, no entanto, deu ouvidos a ele. Ainda menos a oposição, que jorrava argumentos sobre como sua ascensão como Imperador era intolerável.

– Você bem sabe, Acálius, que não podemos deixar que uma criança de nove suba ao poder!

– Foi uma ordem do Grande Acquilla! Não podemos perder o apoio de sua família e seus seguidores. Ele é o homem mais influente da região!

– Mas não podemos simplesmente dar um cetro para uma criança!

Atticus pigarreou uma vez, e novamente, e outra. Mas a discussão interminável não cessou. Então, com força, atirou uma garrafa de vinho no chão.

– SILÊNCIO!

O efeito foi imediato. Os senadores calaram-se e viraram o corpo lentamente para Atticus, que tinha um sorriso presunçoso no rosto.

– Obrigado, amigos — cumprimentou — Tenho notícias de Nova Pompéia! — um murmúrio preencheu o senado — Minha esposa, Fortunata Augusta Corvus, acaba de dar à luz. E é um menino!

Ele esperou uma reação mais positiva. No entanto, mais da metade do salão resmungou em protesto. Um menino, interromperam-lhe por… Um menino?!

– Com esta notícia, calculamos que meu filho, Sebastian Augustus Corvus, seja o segundo herdeiro, logo atrás de Callum, o filho de meu querido e falecido irmão, Acquilla.

Houve uma série de protestos.

– Como ousa…?! — um dos homens perguntou, ultrajado, mas logo foi calado.

– Seria conveniente se a criança… Desaparecesse, não seria?

Tal como Acquilla?!

– Silêncio, irmãos- ralhou — Não digo que é preciso ser agora. Digo apenas que nossos problemas estariam acabados: nomearíamos alguém na linha de sucessão, não sendo exatamente quem Acquilla indicou como seu sucessor, mas algo bem próximo disso. Ele era um homem alucinado em seus dias finais, afinal de contas.

Indignação e concordância.

– Não teremos um Imperador — Atticus continuou — Até que ambos Sebastian e Callum tenham idade o suficiente para disputarem politicamente pelo poder.

A não ser que ele caia do cavalo antes.

Nova Pompéia

Leonora levantou os panos da toga que envolviam seu corpo, a barriga que anunciava sua gravidez bem evidente. Três crianças corriam ao seu lado, as sandálias ainda abertas como se tivessem se vestido às pressas. E haviam. Duas menininhas rechonchudas e de lábios carnudos seguravam a mão do menino mais novo, que mais assemelhava-se a um adorável querubim com seus cabelos castanho claro e cacheados, bochechas rosadas e mãos gordinhas. Leonora carregava ainda dois pequenos baús de madeira, enquanto parte da Guarda Pretoriana levava parte de seus pertences.

— Senhora — um dos soldados chamou — o Palácio de Láton está longe o suficiente e desocupado.

— Eu tenho de tirar meus filhos daqui. Para onde vamos não importa — sacudiu a túnica para que não tropecasse — Tiberius, se vier conosco terá minha gratidão eterna. Mas tens de estar ciente dos perigos que corre; se Atticus o pegar, terá a tua cabeça nos muros do Capitólio por deserção.

— Minha Senhora, o meu serviço é proteger à Família Real, e enquanto vossa senhoria ou vossos filhos estiverem neste mundo, e os Deuses permitirão que por muito tempo, eu os servirei, leal. Não ao Falso Rei.

A mulher, ao ouvir tais palavras, quase desabou em lágrimas. A gravidez a deixava emocionada, mas o alívio que percorreu suas veias foi tamanho que deixou escapar um sorriso agradecido.

— Os Deuses hão de abençoar a ti.

— Mamãe! Callum e Cesare não querem ir mais depressa! Eles ficam caindo — uma das meninas chamou, irritadiça.

— Cassia, tenha paciência. Ele é pequeno ainda.

A garotinha franziu o nariz para o irmãozinho.

— Crianças são nojentas.

Leonora não se deu o trabalho de explicar à filha que ela também era uma criança, apenas dois anos mais velha que Callum, e que pelo ponto seu ponto de vista singular, também era nojenta. Harmonia revirava os olhos com um vigor que as pessoas quase esqueciam-se de que não tinha seus trinta e oito anos. Outro menino apressava-se também, Cesare, com uma expressão sonolenta, segurando a mão de sua irmã mais velha, Cordelia, que tinha de puxá-lo com força para que saísse do lugar. Cassandra, irmã gêmea de Cesare, ia carregada nos braços por um dos soldados, dormindo Cinco filhos. Leonora tinha de quidar de cinco filhos, e mais ainda o bebê que carregava na barriga, sozinha, numa época de instabilidade política e uma tempestade de problemas voando logo acima de si. Por que, ela se perguntava no meio da noite, por que Acquilla teve de morrer e abandoná-la num grupo de cobras vestidas com as águias do estandarte romano?

Silenciosamente, Leonora abaixou a cabeça e fez uma prece rápida:

— Que as graças de Mercúrio caiam sobre nós durante a jornada.

Notas finais
TUTS, TUTS, TUTS! OLÁ! Eöin aqui. Eöin. É escocês e eu amo! Bem, queria primeiro explicar que a fanfic é atemporal, sem uma época certa, mas vocês podem perceber (muitas) influências do período antigo romano. YAY! Citei o mundo sombrio além do mar ao oeste, e acho que puderam deduzir ser os EUA. É, sim. O Segundo Grande Império de Roma tem todo o estilo romano antigo (togas, pulseiras, etc), todo, e absolutamente nenhuma tecnologia. Deixo com vocês a dedução: Nova Roma acontece no passado ou no futuro? Ou num universo alternativo? heheheheh Talvez seja solucionada, talvez não. Recomendo a pesquisa de roma antiga, sério. Além de ser gostosíssima, ainda tem coisas que podem lhe ajudar. E ao preencher a ficha, lembrem-se que ele precisa de uma consorte forte, firme, uma boa futura soberana e com poder político e capital. Sejam criativas! ^^ Oh, e tenham sempre em mente que a tecnologia moderna é nula, o único relógio é o de sol e meios de transporte por bigas/carruagens/navios! Eles não assistem jogadores de futebol, mas massacres de gladiadores nas arenas. Ahhhhh, e não se esqueçam de colocar o nome do seu personagem com conotação meio latins/gregos/pérsicos, que eram as línguas da época e tal. Au revoir! Espero que tenham gostado e que venham a acompanhar. Ficha: *** NOME: IDADE: (16-22) CLASSE: ( patrícios, clientes ou plebeus) INFLUÊNCIA POLÍTICA E FINANCEIRA: (justifique) HISTÓRIA: (seja extremamente detalhado) FAMÍLIA: (nome e relação com cada um) CARACTERÍSTICAS DA FAMÍLIA: (brasão (descrição), lema, influência) RELIGIÃO: (lembre-se que roma é dominada pelo politeísmo, ex: Júpiter, Netuno, Vesta, etc) SOCIAL: (como age em público, como é com todo mundo, etc) PERSONALIDADE: (como os outros a veem) PSICOLÓGICO: (como ela é e vê a si mesma) APARÊNCIA: (descrição) ATRIZ: QUALIDADES: DEFEITOS: CONHECIMENTO: (o que ela manja? Matérias que se dá bem, coisas pelas quais é curiosa, aprendizado, etc) CURIOSIDADES: EXTRAS: (o que você desejar colocar aqui, *u*)